Sermão Profético – Eu sou o Cristo

O Sermão Profético é um discurso proferido por Jesus dois dias antes de sua crucificação para quatro de seus discípulos, quando no entardecer do dia, o Senhor se retira com eles para o Monte das Oliveiras. Eram Pedro, André, João e Tiago. (Mc 13:3)
Seu último pronunciamento público daquele dia, conforme registrado em Mateus 23, fora dirigido aos escribas e fariseus, sendo o mais aberto dos discursos de Jesus contra a hipocrisia religiosa. Na conclusão o Senhor pronuncia (Mt 23:36) uma sentença terrível: “Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração”. Depois disto ao sair do Templo, quando os discípulos elogiam a arquitetura do local, o Mestre diz: “Não ficará aqui pedra sobre pedra”.
A noite os discípulos indagam: “Mestre, quando serão, pois, estas coisas? E que sinal haverá quando isto estiver para acontecer?” (Lc 21:7)
Pode-se dizer que Jesus responde estas duas questões de forma distinta, detalhando primeiramente vários acontecimentos que culminam com o julgamento final da humanidade, mas intercala também o assunto da destruição do Templo, o que aparentemente para os discípulos seria a mesma coisa, ou seja, que o Templo seria destruído por ocasião da volta de Jesus.
No encerramento de seu discurso contra os fariseus Jesus disse: “Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor”. Esta palavra se relaciona a outras ocasiões em que o Senhor havia falado sobre este mesmo assunto, sua volta. Trata-se, portanto, de um tema recorrente em seu ministério, como se vê em Lucas 12:35-40, ou em Mc 8:38, ou em Mateus 16:26-27, na parábola do servo vigilante, em que Jesus conclui: “estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais.”
Tudo neste sermão é dirigido a crentes no Evangelho, e absolutamente nada a descrentes.
Jesus começa dizendo que viriam muitos em seu nome enganando a muitos, não gente de fora do Evangelho, mas de dentro, tanto enganados como enganadores.

Eu sou o Cristo
A primeira coisa que Jesus disse foi: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. (Mateus 24:4, Marcos 13:6, Lucas 21:8)
Alguns comentaristas identificam nesta profecia figuras como Simão Bar Kokba, que entre os anos 132 e 135 comandou a terceira revolta dos judeus contra o império romano. Alguns rabinos concordam no Talmude que Simão era o messias, embora outros, no mesmo Talmude o chamam de impostor.
No tempo dos apóstolos, conforme registrado no Livro de Atos, capítulo 5, Gamaliel nos conta que eles já existiam antes mesmo de Jesus. “Porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. Depois deste levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos.” (At 5:34-39)
Em 2009, o National Geographic Channel fez um documentário com três homens que dizem ser o messias. São eles, o pastor Apollo Quiboloy, fundador do Reino de Jesus Cristo, nas Filipinas, que afirma ter seis milhões de seguidores no mundo inteiro; Sergei Torop, um ex-guarda de trânsito da Rússia, que depois da queda da União Soviética perdeu o emprego e virou Jesus de Nazaré; e David Shayler, um ex-agente do serviço de inteligência britânico MI5, o equivalente à CIA, americana, que afirma ser a alma de Jesus encarnada. O documentário mostra as pessoas que acreditam nas suas extraordinárias afirmações.
Falsos cristos se espalham pelo mundo. Recentemente (2013) um deles, José Luis de Jesus Miranda, cidadão porto-riquenho, faleceu vítima de cirrose aos 67 anos de idade. Este tipifica o embusteiro que é dotado de uma capacidade aguçada para perceber a fraqueza espiritual das pessoas. Travestiu-se de cristo, fundou sua própria igreja (Crescendo na Graça), e lançou sua mentira, que se por um lado não foi aceita pela maioria, era tida como verdade por um considerável número de pessoas. Neste caso, este pseudo-messianismo deve ser visto como um meio de vida, porque o referido cidadão teve por cerca de 30 anos uma boa vida, porque o homem era muito rico, sustentado por uma multidão de ignorantes. Se chegou a ser notícia nas mídias do mundo inteiro, foi pelo fato de ter conseguido enganar com uma estória simplória tanta gente.
Há também o australiano Alan John Miller, que se anunciou como cristo num programa matinal de TV. Estava acompanhado de uma mulher chamada Mary Luck, que diz ser a reencarnação de Maria Madalena.
São centenas, milhares que se podem contar. Vão desde Simon Magus, e Dositheos, ambos no primeiro século; Tancheelm de Antuérpia (1.110); Ann Lee (1736–1784), que se dizia ser Cristo nascido em forma de mulher; Bernhard Müller (1799–1834) que se proclamava o Leão de Judá; John Nichols Thom (1799–1838); Arnold Potter (1804–1872); Hong Xiuquan (1814–1864), um chines que clamava ser irmão mais novo de Cristo; a brasileira Jacobina Mentz Maurer (1842-1874) de origem alemã, que viveu e morreu no Rio Grande do Sul, que dizia ser a encarnação de Jesus Cristo; William W. Davies (1833–1906), mormon, que clamava que seu filho Arthur era Jesus encarnado; Mirza Ghulam Ahmad, indiano, que entre outras divindades, clamava ser também Jesus reencarnado; Cyrus Reed Teed (1839 – 1908); Pai Divino – George Baker (1880 – 1965), cidadão americano que dizia ser Deus; André Matsoua (1899–1942), congoles; Ahn Sahng-hong (1918–1985), fundador da World Mission Society Church of God, adorado pelos seus seguidores como sendo o messias; o famoso Reverendo Moon, Sun Myung Moon (1920–2012), líder da Igreja da Unificação; Yahweh ben Yahweh (1935–2007); Laszlo Toth (1940) que dizia ser Deus, e atacou a Pietá, de Michelangelo; Wayne Bent (1941); Iesu Matayoshi (1944), que criou em 1997 o World Economic Community Party baseado em convicções de que ele é Deus e Cristo; o coreano Jung Myung Seok (1945), que era membro da Igreja da Unificação do Rev Moon, que proclama ser uma revelação de Cristo; o frances Claude Vorilhon, conhecido como Raël (1946), que diz que em 1973 encontrou-se com extraterrestres e se transformou no Messias; o brasileiro Inri Cristo, nascido em 1948, que diz ser a segunda vinda de Jesus; Apollo Quiboloy (1950), líder da comunidade Reino de Jesus Cristo, que se proclama filho de Deus; David Icke (1952), cidadão ingles, que diz ser o filho de Deus e canal do Espírito de Cristo; Brian David Mitchell (1953), americano, que diz ser o Messias que vai restaurar o Reino de Israel…Bem, a lista é interminável… David Koresh, Jim Jones, Marshall Applewhite, etc.
Como sempre nos chamam a atenção os tipos mais exóticos, não os reputamos por perigosos. Nós os tomamos por piada de mau gosto, por loucos, caras de pau, aproveitadores, malandros, nada mais que isto; fazem parte da legião de excentricidades que inundam e sempre inundaram a história do cristianismo. Mas seriam todos eles tipificáveis como excêntricos? Nem todos; alguns são mesmo pessoas perigosas. Jim Jones (1931 – 1978) ficou mundialmente conhecido nos anos 70 como o “Pastor da Guiana”. Foi lá, numa comunidade que ele próprio fundou, chamada Jonestown (cidade de Jones), na antiga Guiana Inglesa, que ele levou ao suicídio coletivo, em 1978, mais de 900 pessoas, 300 das quais eram crianças. É o maior suicídio coletivo da história moderna, e em termos de perdas civis, só foi superado em 2001 pelo atentado ao WTC em Nova York.
Se procurarmos no cumprimento literal desta profecia por indivíduos que se identificaram no passado ou se identificam como Cristo em nosso tempo, podemos tomar todos estes como exemplos de falsos cristos.
Conheci de vista, nos anos 70, nas ruas de São Paulo, um deles: o Inri, um tipo magro, de cabelos compridos, vestido de Jesus, que parava na esquina do antigo Mappin, na Praça Ramos, e fazia ali algumas pregações. O tipo estava mais para figura exótica do que para pregador, e como o visse constantemente naquele local, falando sempre as mesmas bobagens, nem sequer percebi que se fazer passar por Cristo era sua pretensão. Achei que era um artista, um comediante fazendo um bico para ganhar uns trocados. Saía o Inri e chegava um rapaz que engolia bolas de bilhar. Para mim o Inri competia com este, e não com Jesus.
Some-se a estes os pregadores dos outros evangelhos: o da prosperidade, das curas de picadeiro, das fronhas miraculosas, tijolinhos santos, churrasco ungido, fogueira santa, do ódio aos gays supostamente em nome da família, os que pregam que a igreja pode melhorar o mundo elegendo políticos evangélicos, das unções de araque, evangelho de levitas e tantas outras imundices onde o nome de Jesus é atirado diariamente na lama. Falta uma pérola que vem com nome estrangeiro: Ultimate Reborn Fight – luta de MMA dentro da igreja rebatizada de “Estratégia de evangelismo”.
Para descrever esta gente poderia citar Frederico Nietsche, filósofo abertamente anticristão, que disse: “Onde bebe a canalha, as fontes foram contaminadas. Mas quando chamam de sonho seus pensamentos imundos, conspurcam também as palavras”.
Alguém poderia se perguntar como é possível crer nestes malandros? Não é preciso ser muito tolo para crer nesta gente?
A resposta foi dada por Jesus em Mateus 13:14-15, quando explicava a parábola do semeador: “Neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure”.
Os evangelhos insistem na necessidade de conhecer a verdade: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Desta forma, o contrário também acontece: Conhecereis a mentira e a mentira vos escravizará.
Trata-se de uma lei espiritual, onde o único caminho para a verdade é Jesus, e desta forma, se uma pessoa toma outro caminho, a decepção é uma coisa infalível, e os crentes nestes falsos messias são pessoas pouco dadas a examinar as escrituras. São como tipos surtados que vão atrás de coisas excêntricas. E num mundo de mais de 7 bilhões de pessoas, pode crer, eles são muitos milhões.
“E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira.” [2 Tessalonicenses 2:11].

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Introdução ao Sermão Profético – Uma análise breve do nosso presente

Introdução ao Sermão Profético
O Sermão Profético, proferido por Jesus três dias antes de sua crucificação, representa o mais compreensivo dos textos bíblicos sobre escatologia, os acontecimentos do futuro. Trata de dois assuntos distintos: a destruição do Templo e a volta do Senhor.
O relato está presente nos três evangelhos sinóticos, e, por serem textos aparentemente simples, são, de fato complexos e ambíguos, favorecendo, principalmente quando harmonizados com outros textos escatológicos, a possibilidade de várias interpretações que circulam em nosso meio sobre a volta de Jesus, sendo a maioria delas bastante fantasiosas, sem qualquer apego ao relato bíblico.
Os sinais apontados neste sermão são conhecidos: guerras, fomes, pestes e terremotos nos quatro cantos do planeta. Como nos dias de Noé e Ló, violência, luxúria e amor ao dinheiro sem precedentes, e no que concerne à igreja, apostasia e culto à futilidade. A mensagem mais importante sobre a volta de Jesus é esta: ESTEJAMOS PREPARADOS PARA AQUELE DIA.

Palavras do Sermão Profético

A tabela acima representa uma contabilidade simples do Sermão Profético de Mateus, capítulos 24 e 25. Das 7731 palavras proferidas por Jesus, 3208 foram gastas expressando uma coisa parecida com um relato histórico do porvir, enquanto 4523 foram usadas para nos advertir, ou seja, Jesus dedicou quase 60% de suas palavras para fixar em nossas mentes que devemos estar preparados para aquele dia.
Mas, apesar do consenso, apesar do fato de reconhecermos que estamos todos avisados sobre a importância de estarmos prontos para aquele dia, o que mais salta aos olhos é que poucos de nós estão de fato preparados.
Afora os avisos, dentre todos os sinais alertando a proximidade daquele dia, guerras, terremotos, fomes e doenças, por serem tão constantes, sobretudo em nossos dias, deixamos de vê-los com clareza. É como a canção de Caetano Veloso que fala da beleza da Bahia da Guanabara: estamos cegos de tanto vê-la. Simplesmente não vemos o que vemos a todo instante.
As notícias chegam todos os dias pelos meios de comunicação: milhares de mortos em terremotos na Malásia, Irã, China, Nepal, Papua Nova Guiné… AIDS, Ébola, Marburg, vírus extremamente letais espalhados pelos quatro cantos da Terra… Cerca de um bilhão de pessoas passando fome atualmente… Uma criança morrendo a cada 20 segundos em decorrência de falta de saneamento básico e água potável, enfim, um terrível cenário da realidade.
Mas, se por um lado poderia ser justificável ao homem comum não perceber estes sinais, pois dependem de acesso à informação, um deles é facilmente identificável: a apostasia da igreja.
Pedro diz sobre o fim dos tempos: “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas”. (II PE 2:1-3)
Observando a situação do mundo e da igreja em particular, quase todos concordamos que estamos vivendo estes dias descritos pelo apóstolo. No texto acima Pedro diz que muitos seguirão estes falsos profetas e que igreja seria transformada num negócio. Mas pergunte a qualquer crente, ou a si mesmo, se a sua igreja faz parte destes muitos. A resposta será NÃO. Nenhuma faz parte deste movimento apóstata. Nenhum de nós está andando pelo caminho largo, e desta forma, não vemos nem os terremotos e nem a apostasia como sinais da volta do Senhor.
É daí que Pedro tirou a expressão: “Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite.” (II Pedro 3 : 10)

Uma análise breve do nosso presente
Tendo em vista que os sinais deixados por Jesus são cíclicos na história da humanidade, é fácil notar que eles assombraram, sem dúvida, a consciência dos cristão desde sempre. Não houve uma geração sequer que não os visse em seus dias.
Mesmo no que se refere à apostasia apontada por Paulo e Pedro, esta sempre fez parte da história da igreja, tanto da igreja primitiva reportada nos livros do Novo Testamento, quanto suas sucessoras. No século II, por exemplo, uma geração após a morte de João, o último dos apóstolos, movimentos como o gnosticismo e montanismo constituíram uma grande ameaça ao cristianismo.
Mas diferente dos dias atuais, nunca a apostasia esteve tão próxima à descrição da igreja retratada nos capítulos 17 e 18 de Apocalípse, onde o nome de Deus e Mamon se configuram numa única personalidade, qual seja, a grande Babilônia. Babilônia, no Apocalípse não é uma entidade pagã, mas sim um retrato da igreja dita evangélica dos últimos dias.
Quando se fala em Apocalípse, vem a mente a imagem dos quatro cavaleiros. Foquemos por um instante no terceiro, o que monta o cavalo preto.
No consenso geral, este cavaleiro simboliza a fome grassando pelo mundo (uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro) em contraste com artigos de luxo disponíveis para quem possa pagar por eles (não danifiques o azeite e o vinho).
Veja o panorama da fome nos dias de hoje de acordo com a WFD (Programa Mundial de Alimentação da ONU):
Cerca de 800 milhões de pessoas não têm hoje, no instante em que você lê este artigo, comida suficiente para possibilitar uma vida saudável. Isto significa que uma entre nove pessoas do mundo estão neste minuto com fome. A Ásia é o continente com o pior cenário, representando dois terços do total de famintos do mundo. A desnutrição é a causa de 45% das mortes de crianças abaixo dos 5 anos de idade, o que traduzido em números significa 3 milhões de crianças mortas por ano.
A fome traz consigo doenças terríveis, mas talvez nenhuma condene tanto este cenário do absurdo quanto a Noma. Já ouviu falar desta doença? Faça uma pesquisa na internet e veja a brutalidade que acomete milhões de pessoas em nossos dias.
Em sintonia com o cenário atual, constatam todas as projeções realistas, que a curto prazo, a perspectiva é que bilhões de pessoas sejam atiradas muito em breve para baixo da linha da pobreza. É uma situação já irreversível. Trataremos disto nos próximos capítulos.
Mas em contraste a esta realidade brutal, o que se vê, por outro lado, é o culto à opulência grassando da mesma forma em uma sociedade que cultua homens bem sucedidos como ídolos religiosos, sobretudo no meio dos jovens. Para estes, um empresário bem sucedido é como um deus. Compram suas biografias e as leem vorazmente tentando absorver os mínimos detalhes de seu comportamento para imitá-los e citá-los como referência de suas tomadas de decisão. Vivemos em dias de insanidade completa.
Tive a oportunidade de assistir há pouco tempo, e recomendo que você também assista, um documentário da HBO intitulado Red obsession – Obsessão Vermelha – dirigido por David Roach e Warwick Ross. É sobre o vinho.
Começa pela região de Bordeaux, na França, onde são produzidos os melhores vinhos do mundo, e termina na China, que se tornou hoje o maior mercado consumidor da bebida.
Assistindo o documentário me veio imediatamente à mente Apocalípse 6:5-6, que trata da abertura do terceiro selo, conforme os versos citados anteriormente, onde o texto de João descreve sucintamente os dias em que fome e opulência coexistem lado a lado.
O documentário diz que o vinho é hoje um grande investimento, tal como é o como ouro, diamante ou ações, ressaltando que desde o início dos anos 90 o vinho bateu todas as demais opções tornando-se, desta forma, mais rentável que qualquer delas, inclusive o ouro.
Diferentemente do ouro, quando há uma boa safra de vinho, muitas garrafas são bebidas, tornando assim as que foram guardadas mais raras e valiosas.
Nem todo vinho vale a pena como investimento, mas principalmente os da região de Bordeaux, na França, fazendo parte deste seleto clube apenas cerca de 250 produtores.
No topo desta lista de vinhos valorosos estaria, por exemplo, segundo Robert Parker, maior especialista da matéria no mundo, um Chateau Margox 1792. Uma garrafa destas poderia chegar a custar cerca de 200 mil dólares, baseado no argumento de que esta mesma safra poderia ter sido bediba por Thomas Jeferson logo após a revolução francesa.
O seletíssimo segmento de leilões de vinhos caros e raros movimenta milhões de dólares por ano, sendo operado por casas de renome como a Christie’s e Sotheby’s, famosas pelas vendas de obras de Picasso, Matisse e Reinoir, entre outros..
Na lista abaixo mostramos alguns vinhos que alcançaram preços extraordinários em leilões recentes:
Em 2010, um lote de 12 garrafas de Hermitage La Chapelle 1961 foi arrematado, na Christie´s de Londres, por 123.750 libras (aproximadamente US$20 mil / garrafa). Veja este ranking:
1. Château Lafite Rothschild 1787 – US$ 156.450,00 – Dezembro de 1985, Christie’s, Londres;
2. Château d’Yquem 1811 – US$ 100.000 – Fevereiro de 2006, Antique Wine Company, Londres;
3. Penfolds Grange Hermitage 1951 – US$ 50.200 dólares australianos (aproximadamente US$ 38.420,00 dólares americanos) – Maio de 2004, Melbourne, Austrália
4. Cheval Blanc 1947 – US$ 33.781,00 por uma garrafa de 750 ml. (US$ 135.125,00 por 3 garrafas) – Julho de 2006, Vinfolio, San Francisco.
Quem compra esta futilidade? Principalmente emergentes, gente que há pouco tempo não tinha nada, mas enriqueceu a ponto de entrar no clube dos bilionários, e que desejam mostrar o quanto valem, como são importantes, consumindo estas obscenidades. Já não teria sido aberto o terceiro selo de Apocalípse?
Falando do segundo cavaleiro, que retrata a guerra, segundo dados do IEP (Institute for Economics and Peace’s), entre 162 países que fizeram parte da pesquisa, apenas 11 não estão envolvidos em nenhum tipo de guerra. Leia a íntegra da análise no endereço abaixo:

http://www.brasilpost.com.br/2014/08/15/paises-em-guerra-mundo_n_5683289.html

Para quem lê o jornal e tem a impressão que o mundo inteiro está em guerra, segundo esta pesquisa, está mesmo. Nações como Alemanha e Inglaterra, que aparentemente vivem em paz, estão envolvidas em guerras no Iraque e Afeganistão. Chegam todos os dias em seus aeroportos corpos de seus jovens soldados mortos em combate em terra alheia.
No Brasil, dizem alguns, graças a Deus não há guerras. Errado. Segundo o Global Security Org, os conflitos armados nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, não são considerados pela ONU como atividade criminosa. Ao invés disto, certas favelas são listadas como estados independentes onde se travam conflitos caracterizados como guerra civil. O conceito é muito simples: crime acontece na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, onde a polícia do estado ou do município chegam para apurar o ocorrido. Mas, em algumas favelas, a polícia não entra, e desta forma, o estado do Rio de Janeiro não tem autoridade judicial naquela localidade, configurando, desta forma, estas zonas, como estados independentes.
No caso da Inglaterra em guerra no Afeganistão, Jesus descreveu como nação contra nação. Nas favelas do Rio é reino contra reino, guerra civil, como acontece em maior escala na Síria ou na Líbia, atualmente.
Especialistas apontam que nas próximas décadas, a questão da falta de água potável incrementará os conflitos entre nações de forma muito acentuada. Isto significa que nossos filhos viverão muito em breve esta situação caótica, que não será apenas uma questão de falta de água, como terá também como consequência a falta de alimentos, uma vez que a maior parte da água consumível do mundo é utilizada na irrigação de lavouras.
Sugiro, a quem quer ter uma noção real do que acontece realmente no mundo que leia ou assista no Youtube os noticiários do Vice News. Por acaso a Folha de São Paulo e outros jornais republicam o Vice News, mas as notícias que selecionam não valem a pena, pois tratam apenas do lado fútil da vida. Vá direto ao site: https://news.vice.com/ e veja como a coisa vai de mal a pior. Leia sobre a situação real do nosso meio ambiente; sobre a escalada do tráfico de drogas em países como o Irá; sobre a questão de saneamento básico em países como a Índia, onde milhões de pessoas vivem cercadas por fezes; sobre a resistência que virus e bactérias adquiriram nas últimas décadas a ponto de serem quase indestrutíveis, e constate a real situação do mundo.
É de estarrecer quando em meio a tudo isto vemos que a maior preocupação dos crentes é a sua prosperidade.

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Bíblia – Qual a melhor tradução – Parte 2 – os textos que deram orígem às traduções

Hoje, escolher uma Bíblia passou a ser algo tão complicado como escolher uma TV. Você chega a uma loja e o vendedor te explica que tem LCD, LED, plasma, digital, 3D, HD Ready, Full HD e faz propaganda de atributos técnicos que ninguém compreende bem o que significam, de maneira que você acaba escolhendo um modelo qualquer por cansaço. Com a Bíblia acontece a mesma coisa, pois há muitas versões disponíveis. A vantagem é que há uma só versão que preserva o texto original de Almeida: João Ferreira de Almeida Corrigida Fiel ao Texto Original, publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, ou versão equivalente de outra editora.

Hoje nós temos a Bíblia pronta, 66 livros, no total: 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. A Bíblia é hoje impressa em vários tamanhos, de maneira que pode nos acompanhar onde quer que estejamos, e com a evolução das tecnologias, temos até a possibilidade de usar a Bíblia eletrônica em nosso celular, ou disponível no computador.

Ter acesso à Bíblia é muito fácil nos dias de hoje, mas antes que existisse a imprensa, os livros da Bíblia eram copiados manualmente, de maneira que é possível imaginar que um crente no ano 400, por exemplo, não tivesse a seu dispor todos estes 66 livros em casa.

Todos os livros no Novo Testamento foram escritos antes do ano 60 de nossa era, à exceção dos escritos do Apóstolo João, que foram escritos por volta do ano 90. Naquele tempo os escritos não eram produzidos em papel, mas sim em couro curtido, o que resulta que estes documentos eram guardados em forma de rolos. Eram caros e difíceis de armazenar, porque tomavam muito espaço, e desta maneira pode-se imaginar que nas igrejas locais houvesse um grande interesse nas reuniões, pois ali se programavam a leitura de livros que um certo irmão possuía, e que outros não possuíam. É um exercício interessante pensar em como as coisas aconteciam naquele tempo.

Observando o Novo Testamento, por exemplo, alguém poderia imaginar que numa certa altura os apóstolos convocaram um concílio e eles próprios, as maiores autoridades da igreja, determinaram quais escritos eram importantes e assim ficou decidido o que seria o Novo Testamento. Mas não foi algo assim; o Novo Testamento foi estabelecido num longo processo de cerca de 400 anos.

Pode-se certificar, que do ponto de vista histórico, por volta de 150 DC já 20 dos 27 livros do Novo Testamento eram tidos como canônicos, tendo sido os demais 7 livros certificados pela igreja até o final do século IV. Existem, para além destes 27 livros, inúmeros outros que falam de Jesus, dos apóstolos e da igreja, mas foram rejeitados como não inspirados.

O processo de autenticação de cada um destes livros chama-se canon, daí se dizer que tal livro é canônico, ou seja, que ele foi dado, ou certificado como autêntico pelos nossos antepassados, cada qual em seu próprio tempo.

Como se sabe, não existem mais os textos bíblicos originais, nem do Antigo Testamento, nem do Novo Testamento, apenas cópias.

Só do Novo Testamento existem mais de 5.600 documentos catalogados, alguns deles apenas fragmentos de livros, outros textos completos de um ou mais livros no mesmo documento.

O Antigo Testamento foi escrito no decorrer de cerca de 15 séculos, 1500 anos. Livros como Joel, Habacuque, e Jonas, por exemplo, são livros de um único autor. Já Salmos e Provérbios são livros de vários autores, não se podendo certificar quais foram eles exatamente.

Já os livros históricos, como Reis, Samuel e Crônicas passaram por um processo de compilação de outros documentos. Vejamos o exemplo sobre Asa, rei de Judá, descrito em 1 Rs 15:23: “Quanto ao mais de todos os atos de Asa, e a todo o seu poder, e a tudo quanto fez, e as cidades que edificou, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá?”.

Estas crônicas dos reis de Judá, não se referem aos livros homônimos de nossa Bíblia, mas a uma verdadeira biblioteca de relatos dos atos de governo destes reis. Não havia um único livro das crônicas dos reis de Judá ou um único livro de crônicas dos reis de Israel. Cada rei mantinha seu cronista e registrava seus atos de governo, que certamente eram datados, tendo como objetivo principal escrever a história de seu tempo, e registrar as resoluções de governo, como faz hoje o “Diário Oficial” ou outros órgãos de imprensa do estado.

Quando um rei morria e assumia seu sucessor, um novo cronista escrevia as crônicas do novo governo, e assim, sucessivamente eram guardadas as crônicas de um por um. As crônicas dos reis de Judá eram, portanto, as crônicas de todos os reis do sul, Roboão, Abias, Asa, etc., que a seu tempo foram escritas individualmente relatando os acontecimentos de cada tempo.

A vida de Salomão foi relatada no Livro dos “Feitos de Salomão”, nas “Crônicas de Natã”, na “Profecia de Aias, o silonita” e nas “Visões de Ido”. Igualmente, a vida de Davi está relatada nas “Crônicas de Samuel”, nas “Crônicas do Profeta Natã”, e nas “Crônicas de Gade, o Vidente”. Nenhuma cópia da maioria destes livros chegou até nós.

Portanto, os livros históricos que temos em nossa Bíblia são um trabalho de compilação de dezenas de documentos escritos ao longo da história de Israel e Judá.

Da mesma forma que entendemos e aceitamos a inspiração do Espírito Santo na composição das Sagradas Escrituras, também entendemos que a escolha destes 66 livros não foi do arbítrio de homens, mas sim de Deus, da mesma forma que entendemos que Deus, no seu zelo por sua Palavra Escrita, tem guardado a Bíblia, tanto do ponto de vista da integridade dos textos, como de suas traduções em todas as principais línguas faladas no mundo. Quanto à língua portuguesa, Almeida Corrigida Fiel ao Texto Original é a única que permanece intacta até hoje.

As Fontes da Tradução do Antigo Testamento
Quanto ao Antigo Testamento, há basicamente duas fontes das quais são feitas as traduções das bíblias: a Septuaginta e os textos massoréticos.

Septuaginta
Com a divisão do império construído por Alexandre, o Grande, Pitolomeu, chamado Soter, tornou-se Senhor do Egito, o qual governou entre os anos 323 AC até 284 AC. Dois anos antes de sua morte, quando renunciou em favor de seu filho mais jovem, Ptolomeu Filadelfo.

Ptolomeu Filadelfo passou a reinar em 284 AC e notabilizou-se pela boa amizade que devotou aos judeus. Conforme Flávio Josefo este governante chegou a libertar 120 mil escravos judeus no Egito a custa de seus próprios recursos financeiros, pois tais escravos pertenciam em sua maioria aos soldados de seu exército que receberam por isto a devida indenização. Por recomendação de Demétrio Falero, seu bibliotecário chefe, Ptolomeu Filadelfo empreendeu o projeto de tradução para o grego das leis dos judeus (Pentateuco) arcando plenamente com suas despesas. Assim, setenta e dois sábios judeus empreenderam esta tarefa (de onde vem o nome Septuaginta dado à tradução), consumindo para isto, 72 dias. (Hist. Dos Hebreus – Flávio Josefo, Vol 3, Cap.II, § 454)

Em verdade apenas o Pentateuco foi traduzido para o grego na ocasião, sendo o restante do Antigo Testamento igualmente traduzido ao longo do século seguinte.

Diz-se comumente que a Septuaginta foi a Bíblia utilizada por Jesus. Trata-se de uma afirmação incorreta. Basta se recorrer ao texto de Lucas 4:16-21 para verificar esta impossibilidade. A passagem mostra Jesus numa sinagoga, quando lhe deram o Livro de Isaías para ser lido. Jesus estaria lendo um texto em grego numa sinagoga em que se falava aramaico? É provável que não.

Desta forma, é mais adequado dizer que algumas das citações do Antigo Testamento nos livros escritos pelos apóstolos, estas sim poderiam ter a Septuaginta como fonte. Lucas, por exemplo, era gentio, e provavelmente a usaria. Os demais apóstolos eram judeus, e não precisariam da Septuaginta para mencionar textos do Antigo Testamento. Os crentes gentios certamente a usavam como fonte de leitura ou para provar para outros gentios que Jesus era o Messias prometido por Deus, de maneira que não se pode estabelecer aqui uma regra.

Muitas traduções do Antigo Testamento no decorrer dos séculos de nossa era foram feitas a partir da Septuaginta, tais como as traduzidas pelos católicos para o Latim, entre as quais, a famosa Vulgata de Jerônimo, a Cópta, Etíope, Armênia, Eslovênia e algumas traduções para o Árabe. A Igreja Ortodoxa Grega também mantém em sua Bíblia o texto da Septuaginta.

Textos Massoréticos
Os textos massoréticos, por sua vez, são um trabalho executado entre os séculos VI e X, entre 500 e 1000 anos depois de Jesus, por um grupo de escribas judeus, conhecidos por massoretas, cuja missão era reunir os textos utilizados pela comunidade hebraica em um único escrito a partir dos manuscritos bíblicos conhecidos à época.

O termo massorético provém da palavra “massora” que significa tradição, portanto, os massoretas eram aqueles que guardavam a tradição e a pureza da palavra escrita.

Dos textos massoréticos provém a maioria das traduções protestantes do Antigo Testamento para as linguas francas (inglês, português, francês, italiano, etc.), e da mesma maneira são utilizados pelos judeus até os dias de hoje.

Comparados com os rolos do Mar Morto, encontrados nas cavernas de Qumran em 1947, livros estes do período de 150 AC a 75 AC, confirmam a confiabilidade dos Textos Massoréticos, de maneira que se pode afirmar que seriam os mesmos textos em uso no tempo de Jesus.

Diferenças entre a Septuaginta e os Textos Massoréticos
Existem, mas são de pouca relevância, diferenças entre a Septuaginta e os textos massoréticos. Uma delas, para se dar um único exemplo, no texto de Isaías 7:14, que se refere ao nascimento de Jesus, mas também se refere a um sinal a ser cumprido nos dias de Isaías: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel”.

A palavra que está traduzida por virgem, é, no original hebraico, “almâh”, que significa literalmente “jovem”, podendo ou não se referir à condição virginal da mulher. No texto que os judeus usam é traduzida como jovem e nos nossos como virgem. Neste caso os judeus estão certos.

Como a profecia tem um duplo sentido, uma vez que se refere que seu cumprimento se dará nos dias de Isaías, mas também no futuro, apontando para o nascimento de Jesus, acham os tradutores melhor traduzí-la por virgem, ao invés de jovem. É, portanto, uma espécie de gol de mão, porque na cabeça dos tradutores, referir-se a Maria como jovem, e não como virgem, poderia suscitar algum tipo de incompatibilidade com as afirmações dos autores do Novo Testamento que se referem a Maria como virgem.

Ora, interpretar ou mudar o texto, não é da competência do tradutor, que deveria se limitar a traduzir, principalmente porque quem afirma que Maria era virgem são Mateus e Lucas, o que por si só encerra a questão. Não há, desta forma, necessidade de forçar o texto de Isaías para o contexto desejado, até porque ficaria implícito que a jovem do tempo de Isaías, a quem também se refere a profecia, teria que ser virgem. Como se vê não é nada de relevante.

Novo Testamento
Já a disputa em torno do Novo Testamento é mais complicada. Desde o tempo de Jesus, até o fim do primeiro século, todos os livros do Novo Testamento foram escritos em língua grega. Nunca é demais repetir que os originais destes livros não existem mais, apenas cópias.

São conhecidos mais de 5.600 manuscritos do Novo Testamento, que basicamente se encaixam em três grupos distintos em função de sua origem: O Alexandrino, o Texto Tradicional ou Bizantino, e o grupo de textos cujas cópias vieram do mundo ocidental (Europa).

Os manuscritos encontrados no decorrer dos tempos foram associados a cada um destes grupos em função da semelhança dos textos, ou origem da cópia. Desta maneira, quando se encontra um manuscrito antigo, ele é classificado como parte de um certo grupo porque o texto é o mesmo encontrado nos documentos homônimos daquele grupo, ou porque vem da mesma fonte.

Gruposde manuscritos do NT cópia
Dos três grupos, o que possui os documentos mais antigos é o Alexandrino, e por esta razão comumente os teólogos dizem que mais antigo é sinônimo de melhor qualidade, pois supostamente estariam mais próximos dos documentos originais. Mas o fato é que tanto o grupo Alexandrino, como o Grupo Ocidental, omitem diversos trechos encontrados no Grupo Tradicional, e considerando 19 séculos de cristianismo, observa-se que a Igreja Cristã sempre preferiu Texto Tradicional, ou pelo menos usou este texto em detrimento dos demais. O Textus Receptus compilado por Erasmo vem deste grupo (Tradicional), daí, a nossa versão Almeida Fiel é dele derivada, bem como, até por volta dos anos 1940, todas as bíblias protestantes eram originárias deste grupo, também chamado Bizantino.

Grupo 1 – Alexandrino
Se refere a um conjunto de cópias antigas do Novo Testamento, de onde provém o chamado Texto Crítico da Bíblia, provavelmente produzidos em Alexandria, no Egito. Alexandria era um importante centro comercial e político da antiguidade, onde residia uma grande colônia de judeus. Fazem parte deste grupo o Papyrus 76, Codex B, Papyrus 66 e Codex Aleph, também chamado de Codigo Sinaiticus, o mais famoso de todos eles.

Cada um destes documentos representa cópias de textos bíblicos, alguns deles de quase toda a Bíblia, e alguns apenas fragmentos de alguns textos.

O Codex Sinaiticus (Aleph), por exemplo, foi descoberto no século XIX no Mosteiro Grego Ortodoxo do Monte Sinai, no Egito. Contém metade do Antigo Testamento e o Novo Testamento inteiro, além dos textos apócrifos conhecidos como a Epístola de Barnabas e porções de outro apócrifo chamado O Pastor de Hermas. Apesar de ser o mais antigo documento sobre a Bíblia, justificam os fundamentalistas que nunca foi usado por ser uma cópia ruím dos textos originais.

Portanto, quando se refere ao Texto Alexandrino, as compilações da Bíblia que dele se originam são todas questionáveis.

2 – Grupo 2 – Texto Ocidental
As traduções decorrentes deste grupo de textos são basicamente duas: a Bíblia dos Jesuítas e a versão católica conhecida como Vulgata, que o papa declara ser a única versão infalível da Bíblia. Outra versão que provém deste grupo de documentos é a Bíblia dos Jesuítas (Douay), datada de 1582, que foi escrita com o propósito de se contrapor à reforma iniciada por Lutero e Calvino na Europa.

3 – Grupo 3 – Texto Tradicional ou Bizantino
O grupo de documentos conhecido como Texto Tradicional deu origem ao chamado Textus Receptus compilado por Erasmo de Roterdã, sendo esta, a fonte mais usada até 1940 nas traduções protestantes do Novo Testamento.

O fato que basicamente valida o Grupo Tradicional como o autêntico no meio protestante é que todas as referências deixadas por escrito pelos cristãos primitivos, documentos estes que existem catalogados em diversas fontes, todos, sem exceção, quando fazem citações de textos bíblicos do Novo Testamento, estes são idênticos ao Texto Tradicional, e consequentemente diferentes dos outros dois grupos. Todas as versões protestantes da Bíblia anteriores a 1940 vêm deste grupo, não só em português, como em qualquer outra língua conhecida. Todas, sem exceção.

Textus Receptus
Textus Receptus é o termo latino que significa Texto Recebido, e designa o texto grego do Novo Testamento editado por Erasmo de Roterdã e impresso pela primeira vez em 1516.

Erasmo, nascido em Roterdã, Holanda, em 1466, foi um sábio, estudioso e símbolo do renascimento. Foi o mais famoso escritor de seu tempo. Entre seus trabalhos mais importantes estão o Elogio da Loucura (1509); De Duplici Copia Verborum et Rerum (1511); Os Pais Cristãos (1521); Colóquios Familiares (1516-1536); As Navegações dos Antigos (1532); Preparação para a Morte (1533). Escreveu também em 1526 um panfleto chamado De Libero Arbitrio em que satiriza Martinho Lutero.
Erasmo foi contemporâneo de Lutero, e até onde se sabe sempre houve respeito de um pelo outro. Quando Lutero fez a reforma, Erasmo recusou-se a aliar-se a Lutero por não estar certo de que qual rumo tomaria aquele movimento. Tinha formação católica, havendo estudado com os monges agostinianos.
Embora sua obra mais famosa seja o Elogio a Loucura, Erasmo tornou-se conhecido no meio protestante pela compilação do Textus Receptus, obra esta que deu origem a todas as traduções protestantes do Novo Testamento, incluindo a Bíblia de Lutero, a King James, e a de João Ferreira de Almeida Fiel para a língua portuguesa.

João Ferreira de Almeida Corrigida Fiel ao Texto Original
Sempre que se fala de uma versão íntegra da Bíblia, a King James, na língua inglesa, se sobressai como paradígma da tradução correta dos livros sagrados. As fontes da Bíblia King James são os Textos Massoréticos (AT) e o Textus Receptus (NT).

Em se tratando da língua portuguesa, a versão hoje equivalente à King James é a João Ferreira de Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, ou ainda a João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida da Imprensa Bíblica Brasileira.

Conforme dados da Sociedade Bíblica Trinitariana, Almeida nasceu em Torre de Tavares, Portugal, no ano de 1628. Aos catorze anos ele já estava na cidade de Batávia (hoje Jacarta, capital da Indonésia). Um dia recebeu um folheto escrito na língua espanhola que o levou ao encontro pessoal com Jesus. Logo começou a pregar nas Igrejas Reformadas Holandesas (a maior parte do povo, a quem ele ministrava, falava português, pois só fazia um ano que Portugal havia perdido o controle da região).

No ano de 1644, com a idade de 16 anos, Almeida iniciou a sua primeira tradução do Novo Testamento, usando versões em latim, espanhol, francês e italiano. Não contente com essa tradução, anos mais tarde, ele fez uma segunda, desta vez baseada no texto grego, o Textus Receptus (o mesmo usado pelos reformadores). Num folheto chamado Cartas para a Igreja Reformada, em 1679, ele escreveu o seguinte, na conclusão daquela obra, que só foi publicada em Amsterdã, no ano de 1681: “O Novo Testamento, isto é, todos os sacrossantos livros e escritos evangélicos e apostólicos do Novo Concerto do nosso fiel Senhor, Salvador e Redentor Jesus Cristo, agora traduzidos em português por João Ferreira d’Almeida, pregador do santo Evangelho”.

Almeida chegou a traduzir o Velho Testamento, de Gênesis até Ezequiel 48:31, usando o texto Massorético. Não pôde terminar os últimos versículos do livro de Ezequiel, porque faleceu em 1691, com 63 anos de idade. O volume I do Velho Testamento, contendo os livros de Gênesis a Ester, foi impresso no ano de 1748. O holandês Jacobus op den Akker completou a obra da tradução do Velho Testamento e, em 1753, o volume II foi publicado.

Desde aquele tempo os crentes de língua portuguesa utilizam esta versão.

Recentemente surgiram novas versões de Almeida, que quando comparadas com as antigas edições, nota-se várias mudanças que omitem ou alteram significativamente passagens das Escrituras. A razão básica de tais mudanças é o abandono do Textus Receptus em favor do Alexandrino, ou ainda, a sujeição do texto original de Almeida (Textus Receptus) à versão alexandrina, que não se trata de uma nova tradução, pois o revisor simplesmente corta do texto original de Almeida, ou marca entre colchetes, aquilo que não está, ou está em desacordo com o Texto Crítico.

Tomando-se como a Bíblia Almeida Revista e Atualizada (ARA), publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, o texto básico é o original de Almeida, vinda do Texto Massorético (AT) e do Textus Recptus (NT). Mas a revisão é baseada no chamado Texto Crítico dos originais grego e hebraico.

Justificam as mudanças dizendo que eliminaram apenas expressões e palavras consideradas antiquadas ou confusas, mantendo porém “o sabor clássico do Almeida antigo”.
Os que criticam esta versão (ARA), dizem que foi um importante passo em direção ao ecumenismo religioso., tanto que, no tocante ao Novo Testamento, a ARA recebeu recomendação oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organismo ligado à Igreja Católica.

Entre as diferentes versões de Almeida, uma que permanece fiel à tradução original é João Ferreira de Almeida Corrigida Fiel ao Texto Original, publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

Nova versão King James da Abba Press
Para além da alteração da versão tradicional de Almeida, como alteraram também a preciosíssima Reina-Valera, em espanhol, também foi produzida em português uma versão King James adulterada que segue o mesmo caminho das outras, ou seja, foi adaptada ao Texto Crítico. Como os conservadores falam exaustivamente da King James como padrão de excelência bíblica, então nada mais óbvio que nivelar esta versão por baixo.

Trata-se da versão produzida pela Abba Press – Sociedade Bíblica Ibero-Americana. Vale a pena ler as perguntas e respostas no próprio site da editora para entender, ou melhor, não entender o que estão fazendo. Leia mesmo, é muito interessante: http://www.abbapress.com.br/king-james

As perguntas e respostas colocadas no link acima são interessantes. Nenhuma pergunta que eles próprios fazem é respondida. A pergunta é relevante, mas a resposta não diz nada. Vale mesmo a pena ler. Espero que consiga. No meu caso, bloquearam meu acesso ao endereço, de maneira que tenho que mascarar o IP para conseguir faze-lo.

Se bloquearem o teu também, faça o seguinte:
Entre no prompt de comando DOS como administrador e digite:
ipconfig /flushdns e aperte “Enter”;
ipconfig /release e aperte “Enter”;
ipconfig /renew e aperte “Enter”.
Acesse novamente o endereço bloqueado que vai conseguir ver a página.

A primeira pergunta é: Qual foi a Bíblia que Almeida leu quando fazia a primeira versão para o idioma português?

A resposta seria: Leu as versões católicas disponíveis em espanhol e italiano, fez as traduções dos evangelhos e depois de terminada a tradução, rejeitou-as e fez posteriormente outra baseada nos textos massoréticos e no Textus receptus.
Mas veja o que dizem e note que nada dizem. Só a pergunta é relevante. Veja a resposta:
“Desde o final do século 19, o desenvolvimento dos estudos textuais da Bíblia, juntamente com os descobrimentos promovidos pela arqueologia bíblica, resultaram num extraordinário benefício para a restauração do Texto Bíblico. Hoje, como nunca antes, a Igreja de Jesus Cristo tem em sua mão manuscritos nas línguas originais (hebraico, aramaico e grego), maravilhosamente próximos dos Autógrafos das Sagradas Escrituras.
Ao mesmo tempo, estas descobertas e avanços científicos têm colocado em evidência numerosas diferenças entre os vários manuscritos, denominadas “variantes textuais”, de maneira que quando se compara as mais reconhecidas traduções do mundo moderno: “King James de 1611” (em inglês); a “Reina-Valera de 1862” (em espanhol), e a estimada João Ferreira de Almeida (em português), publicada pela primeira vez no Brasil pela Imprensa Bíblia Brasileira, em 1943 (?); com manuscritos originais mais antigos e fidedignos que aqueles que serviram de base para essas excelentes traduções, se manifestam algumas discrepâncias e erros textuais importantes, os quais a tradução da Bíblia King James procura corrigir. Esse foi o motivo da formação da Sociedade Bíblia Ibero-Americana, e muito especialmente do seu Comitê Internacional de Tradução, dirigido inicialmente por seus fundadores: Dr. Carlos W. Fushan, Dr. Bruce M. Metzger, Dr. Francisco Lacueva, e presidido no Brasil pelo Pr. Oswaldo Paião, membro da Igreja Batista do Morumbi e diretor editorial da Abba Press, responsável pela tradução dessa obra para a língua portuguesa. Assim como foi o sentimento do rei Tiago I (King James I), quando em 1607, atendendo a um pedido da Igreja, e sendo o próprio rei um cristão apaixonado pelo estudo bíblico, reuniu cerca de 50 dos melhores exegetas e eruditos do seu tempo. Também o Comitê Internacional de Tradução da Bíblia King James decidiu preservar o que de melhor há nas excelentes e consagradas traduções de King James (1611), Reina-Valera (1862), e João F. de Almeida (1943); isto é: sua forma, estilo literário (considerando que William Shakespeare foi amigo particular e grande colaborador linguístico de King James), riqueza de expressões, ainda hoje presentes na cultura bíblica de todo leitor das Sagradas Escrituras”.
Percebeu que a pergunta não foi respondida? Qual foi a Bíblia que Almeida leu quando fazia a primeira versão para o idioma português?

Sugestão: Não compre esta versão, não sustente esta gente com seu dinheiro.

Cuidado com os Comentários Bíblicos
Um aviso final: use uma Bíblia sem comentários no rodapé. Eles nos induzem a interpretar o texto pela ótica do comentarista.

O comentário bíblico é importante, sem dúvida, mas não deve ser usado até que você tenha esgotado todas as suas possibilidades na tentativa de entender o texto.

Mas, veja que os comentários que encontramos nas próprias bíblias são os piores. São rasos; não respondem nada; evitam os assuntos que realmente necessitariam de explicação; 80% do que explicam são coisas óbvias. Via de regra fogem dos assuntos complicados e erram desastrosamente em alguns temas que explicam sem qualquer apego à verdade, ou pior ainda, com uma irresponsabilidade que beira o descaso para com a Palavra de Deus.

Cito aqui uma pérola da Bíblia de Estudo Plenitude – Edição Revista e Atualizada de Almeida – da Sociedade Bíblica do Brasil. Trata-se do comentário sobre Ezequiel 1:1: “Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao Rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.”

Diz o seguinte o comentarista sobre o que seria este trigésimo ano: “O trigésimo ano é, provavelmente, a idade de Ezequiel quando ele começou seu ministério”.

Mas por qual razão Ezequiel mencionaria aqui sua idade? Seria, talvez, para que seus leitores se lembrassem de seu aniversário e lhe trouxessem presentes todos os anos? Que absurdo! Que atrevimento!

Ezequiel marca aqui trinta anos desde que o Livro da Lei foi redescoberto no décimo oitavo ano de governo do Rei Josias, quando se faziam as reformas no Templo em Jerusalém (II Rs 22:8), o que motivou a renovação do pacto do povo com Deus. Trinta anos de um pacto que não resultou em nada. Mas o comentarista diz que era o aniversário de 30 anos de Ezequiel.

Prefira a João Ferreira de Almeida Fiel.

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Bíblia – Qual a melhor tradução – Parte 1

A Bíblia é a infalível Palavra de Deus, e embora tendo sido escrita por vários autores ao longo da história, foi inspirada unicamente pelo Espírito Santo, e sendo assim, é de autoria de uma única pessoa. Desta forma, quando o Apóstolo Pedro, por exemplo, foi inspirado para escrever suas epístolas, ele o fez com a sua própria forma de se expressar, usando seus próprios conhecimentos da língua grega, seus conhecimentos históricos e geográficos, cometendo erros ortográficos que cometeria se estivesse escrevendo uma receita culinária. Mas, no que diz respeito à revelação da verdade inspirada, esta veio diretamente da única fonte de inspiração de toda a Escritura: o Espírito Santo.

O debate em torno de qual versão da Bíblia é a mais confiável tem assumido um contorno de “guerra das bíblias” nos últimos tempos.

De um lado estão os conservadores, que advogam que a Bíblia que nós protestantes temos usado por quase 2.000 anos deve ser mantida como está, como a Almeida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana, uma vez que é tida como o texto que herdamos da igreja primitiva. Isto é inegável.

Do outro lado estão aqueles que defendem que devemos acatar os melhores textos encontrados pela arqueologia. Melhores textos, neste caso, são textos reconhecidos como mais antigos, como o Código Sinaiticus, por exemplo, e desta forma, mais próximos dos originais, e assim, possivelmente mais corretos.

Para este grupo, mais antigo significa mais correto, enquanto que para os conservadores, um texto antigo, que foi desprezado pela igreja no decorrer dos séculos, significa um texto corrompido, que foi guardado dentro de um vaso qualquer, tendo apenas valor histórico e não canônico, ainda mais que o Sinaiticus, origem de toda discordância, é um documento que só foi redescoberto nos anos 1840, e ainda por cima, num mosteiro católico no Egito. Conforme o testemunho de Constantin von Tischendorf, arqueologista de Leipzig, um dos primeiros a ver no local estes documentos em 1844, encontrou boa parte dos manuscritos numa lata de lixo, tendo sido informado que seriam queimados posteriormente.

O Antigo Testamento do Sinaiticus é cópia da Septuaginta, mas, para além dos livros canônicos, possui também cópias dos apócrifos 2 Esdras, Tobias, Judite, 1 e 4 Macabeus, Sabedoria, e Siríaco. Já o Novo Testamento foi acrescido dos livros Epístola de Barnabé e o Pastor de Hermas, ambos rejeitados pela igreja primitiva. Só por este indicativo se pode concluir que o Sinaiticus nunca teria sido usado pela igreja, porque se por um lado se propuser que o cânon do Novo Testamento ainda não estaria fechado naquele tempo, o do Antigo já estava há mais de 6 séculos.

Se é tão bom assim, perguntam os conservadores, por que ficou 1840 anos guardado? E se é tão bom assim, por que os católicos, donos deste texto, não substituem a Bíblia católica, chamada Vulgata, por esta nova versão? É uma coisa confusa, uma vez que o próprio papa afirma que a Vulgata é a única Bíblia inerrante entre todas as demais, ao mesmo tempo que as sociedades bíblicas estão cheias de bispos católicos incentivando que os protestantes adotem estes novos textos. Coisa estranha.

Para o primeiro grupo interessa dividir o meio protestante inserindo um ponto de discórdia com a finalidade de promover o ecumenismo, afinal, segundo eles, católicos e protestantes servem ao mesmo Deus.

Será? Porque parece que o Deus dos protestantes abomina os santos católicos, tanto que os dois primeiros mandamentos dados a Moisés falam disto, inclusive na infalível Vulgata do papa.

Mas a ideia aqui é promover o ecumenismo como forma de discordância entre nós protestantes, porque isto vai colocar irmãos de uma mesma denominação uns contra os outros, e no final, o inimigo do meu inimigo é meu amigo, e desta forma, declarada a guerra, vemos no mesmo exército bispos católicos combatendo lado a lado com proeminentes personalidades protestantes contra protestantes conservadores.

O resumo da ópera é o seguinte: A Bíblia da reforma, que tirou o mundo da idade das trevas, do medievalismo, do terror implantado pela igreja católica em todo o mundo, que interrompeu a inquisição católica que queimava os crentes em Jesus como hereges, que atendeu por séculos a grande comissão de Jesus não serve mais. De repente, de uma hora para outra descobriram uma versão melhor para a Palavra de Deus; como se o Senhor nos tivesse abandonado por vinte séculos até que chegassem estes iluminados para reconduzir a humanidade no caminho da salvação.

Esta nova onda não vem desacompanhada. Paralelamente à falsificação da Bíblia, as livrarias evangélicas estão abarrotadas de livros que pregam abertamente heresias. Aliás, existem heresias para todos os gostos, desde a teologia da prosperidade, maldição hereditária, lençinho abençoado, fronha dos sonhos, enfim, estas coisas que as pessoas mais simples gostam, até algumas mais sofisticadas, para consumo de intelectuais.

Heresia de intelectual é uma que tenho aqui em mãos, um livro intitulado História e Religião de Israel (Editora Vida), escrito por Jorge Pinheiro, ecumênico, pastor da Igreja Batista de Perdizes, se é que ainda anda por lá. Acrescente-se que além de pastor é professor e orientador de mestrados da Faculdade Batista de Teologia em São Paulo. Na página 130 do referido livro, o autor diz com todas as letras que os capítulos de 7 a 12 de Daniel não são de autoria do Profeta, mas foram sim escritos quatro séculos depois da morte de Daniel, ou seja, depois de todas as profecias escritas já haverem acontecido. Já perguntei para um monte de gente como este cara é professor de uma faculdade teológica batista, mas ninguém sabe explicar.

Mas, voltando ao nosso assunto, num aspecto prático, quando se fala das diferentes traduções, para se entender o que acontece, a coisa funciona assim: os tradutores não traduzem nada; simplesmente pegam a Almeida Fiel, comparam com o Código Sinaiticus e outros textos do mesmo grupo, e o que não está lá é cortado aqui. E cortam palavras que tiram a força do texto, e quando não cortam, colocam entre colchetes frases inteiras explicando no rodapé que aquele texto marcado não se encontra nos melhores manuscritos, que vêm a ser justamente os deles. É o caso da Almeira Revista e Atualizada (ARA).

Não te parece que seja muito atrevimento, mais que isto, um ato de insanidade, que alguém pegue a Bíblia que vem sendo usada desde sempre, vinte séculos, e baseado numa versão abandonada num mosteiro católico venha a público dizer que esta é a original? E saia alterando o Texto Sagrado sem qualquer peso de consciência ou temor de Deus por estar alterando a sua Palavra?

Já o caso da Bíblia na Linguagem de Hoje é diferente: o Texto base é o chamado Texto Crítico, e a tradução é por equivalência dinâmica.

No trabalho de tradução de textos existem dois métodos: Equivalência Formal e Equivalência Dinâmica.

O princípio da equivalência formal procura manter a tradução o mais próximo possível do exato significado das palavras do texto que está sendo traduzido. Foi por este método que Almeida traduziu nossa Bíblia, porque Almeida cria na inspiração plena da Escritura, e não se atreveu a alterar nada, apenas traduzir.

Já no princípio de equivalência dinâmica, o que importa é transmitir a intenção do texto, deixando em segundo plano o significado exato da palavra. No caso da Bíblia, quando se faz isto, coloca-se, automaticamente em questão a inspiração divina, colocando-se em evidência a falibilidade da Bíblia. É como se o tradutor dissesse: “se eu não explicar isto ninguém vai entender… vou colocar aqui o que eu acho certo”. Então ele coloca alí o seu próprio ponto de vista sobre o que significa o que está traduzindo. Mas seria infalível o ponto de vista de um cara de mentalidade ocidental, que fala português, e vive no século XXI, sobre um assunto cujo contexto é o primeiro século, num texto pensado numa cultura oriental, onde se fala aramaico e se escreve em grego?

O princípio mais básico da interpretação bíblica afirma que a única pessoa inspirada foi o autor do documento. Ninguém mais, nenhum tradutor, intérprete, nenhum teólogo, foi inspirado para coisa alguma. Nem Almeida foi inspirado a traduzir. A motivação de Almeida foi o temor de Deus, por isto ele traduziu palavra por palavra conforme escrito no Textus Receptus.

Mas a verdade é que estas novas versões da Bíblia vieram para ficar, e serão cada vez mais numerosas. E da mesma forma que nos últimos anos desapareceram das livrarias os hinários tradicionais, será cada vez mais difícil encontrar a edição Fiel de Almeida. Tente achar, por exemplo, um Cantor Cristão. Não vai encontrar facilmente.

Então teremos que viver com elas, e sabe o que? Não é possível tirar da Bíblia a sua mensagem. Como exemplo disto, cito aqui Marcos 9:24, cujo contexto é a história de um pai que traz para ser curado por Jesus seu filho, que desde a infância é atacado por um espírito mudo. Este pai suplica a Jesus: “se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos”; ao que Jesus lhe responde: “Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”.

O verso 24 de Marcos 9 traz a resposta do pai do menino. Vejamos como é traduzida esta resposta em quatro diferentes versões da Bíblia:
Marcos 924 cópia
Apenas a versão Fiel de Almeida traz a palavra “Senhor”, as demais omitem. Omitem porque embora esteja no Textus Receptus, fonte utilizada originalmente por Almeida, não se encontra a palavra “Senhor” no texto Sinaiticus encontrado pelos católicos.

Então, as perguntas que devemos fazer são as seguintes: Não foi sempre o texto Fiel que nossos irmãos do passado leram em suas bíblias? Qual parece ser o mais fidedigno? Qual o que não omite a deidade de Jesus? Qual o mais tocante do ponto de vista do drama pelo qual passa esta família? Qual é o original? Evidentemente é o texto Fiel. Lembrando que o texto Fiel de Almeida é o mesmo que foi utilizado sempre pela igreja, de que maneira que devemos nos indagar como um novo texto que omite uma qualidade tão sublime de Jesus poderia ser melhor?

Não poderia ser melhor, mas na intenção de rebaixar subliminarmente a divindade de Jesus encontra-se o propósito de equipará-lo a Maria, porque os católicos não têm uma trindade, mas quatro pessoas de valor equivalente. Aliás, nem sei se isto está certo, porque de acordo com a reza católica, Maria é a mãe de Deus. Tudo por Jesus, nada sem Maria, dizem os católicos fervorosos. Desta forma, quanto menos se exaltar Jesus, mais fácil torná-lo equivalente a Maria.

Mas há diferentes versões da Bíblia nas prateleiras das livrarias em nossos dias. São todas confiáveis? Qual delas é a melhor, qual devo adotar para ser a minha Bíblia?

Para nós, que falamos o português, a Bíblia Almeida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, ou equivalente de outra editora, é a melhor, melhor porque é a única, só tem uma.

Mas se a versão que você usa não é esta, o que fazer?

Deveria trocar e ficar com a original, mas, se não é possível fazer isto, deve ficar com a que tem e aprender a interpretar a Bíblia, porque embora se reconheçam centenas de erros nas versões adulteradas, nenhuma delas ainda assim consegue omitir o Evangelho, nem mesmo a Bíblia na Linguagem de Hoje, que é a mais distante em termos de tradução dos textos originais.

Voltando ao exemplo de Marcos 9:24, que nas versões adulteradas omitem, ou tentam minimizar a deidade de Jesus, veja que o Evangelho de Marcos (Mc 1:1) começa declarando que Jesus é o filho de Deus. Então é de pouca valia omitir a deidade do Senhor em Marcos 9:24.

Marcos 11 cópia
Portanto, saber ler e interpretar a Bíblia é tão ou mais importante que ter a versão original da Bíblia. A Bíblia não pode ser lida por versículos, como faz a maioria dos crentes, mas sim, pelo contexto da mensagem, o que significa todo o livro, ou minimamente, o capítulo anterior inteiro e também o posterior, e não apenas o verso que se examina.

Cabe, portanto, a cada crente, ler e interpretar a Escritura desprovido de qualquer preconceito ou tendência pré estabelecida por sua cultura, ou denominação religiosa, ou preferência pessoal sobre um assunto, de maneira a poder entender com exatidão aquilo que diz o Texto Sagrado.

É lendo apenas um verso que se criam as heresias. Veja, por exemplo, que toda a teologia da prosperidade, que vai levar o mundo evangélico à maior decepção já havida em todos os tempos, foi criada e é sustentada em cima da formalidade dos textos originais da Bíblia. Fica muito mais imponente ameaçar os crentes usando Malaquias 3:10 com texto formal de Almeida de que na Linguagem de Hoje. Veja na Linguagem de Hoje se daria certo?

“Eu, o SENHOR Todo-Poderoso, ordeno que tragam todos os seus dízimos aos depósitos do Templo, para que haja bastante comida na minha casa. Ponham-me à prova e verão que eu abrirei as janelas do céu e farei cair sobre vocês as mais ricas bênçãos.” (Ml 3:10) Definitivamente não funcionaria na linguagem de hoje.

Mas a Linguagem de Hoje não é a Bíblia? É uma Bíblia adulterada. Dizem que as pessoas precisam dela, porque a média de compreenção brasileiros, por exemplo, é de cerca de 3.000 palavras do português. Desta forma, a Bíblia na Linguagem de Hoje tem cerca de 2.800 palavras, ou seja, cerca de 2700 palavras a menos que a Almeida Fiel. O falecido Dr Aníbal Pereira dos Reis costumava dizer que o crente quando se converte deveria comprar junto com a Bíblia um dicionário. Verdade, porque além de admitir a ignorância do nosso povo, esta versão quer perpetuar este estado de coisas, nivelar por baixo.

Mas, e se só houver esta disponível? Bem, neste caso, melhor que nada, porque a Bíblia na Linguagem de Hoje, mesmo com todas as suas adulterações da Palavra não pode omitir o sentido maior do Evangelho. Serve apenas para fortalecer o ecumenismo e atrasar a volta de Jesus. Pode atrasar, mas não impedir. Pode tonar mais difícil ao pecador encontrar-se com Jesus, mas não pode impedir.

É possível alterar um poema de Fernando Pessoa para a linguagem de hoje? Continuaria sendo um poema de Pessoa?

Troque, se for possível, sua Bíblia adulterada pela verdadeira. A Bíblia é uma só. Se não puder trocar, capriche na interpretação.

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A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 12 – A destruição de Jerusalém

Conforme Josefo, “foram feitos prisioneiros durante esta guerra noventa e sete mil homens e o assédio de Jerusalém custou a vida a um milhão e cem mil homens, dos quais a maior parte, embora judeus de nascimento, não eram nascidos na judéia, mas lá se encontravam de todas as províncias para festejar a Páscoa e haviam ficado presos na cidade por causa da guerra.

Como não havia lugar para acomodá-los a todos, sobre¬veio a peste e logo em seguida a carestia. Pode-se julgar que era difícil que aquela cidade, sendo tão grande, estivesse de tal modo povoada, que não havia lugar para tanta gente, principalmente esses judeus vindos de fora, mas não há melhor prova para isso, do que o recenseamento feito no tempo de Céstio.

Pois esse governador, querendo dar a conhecer a Nero, que tinha tanto desprezo pelos judeus, a força de Jerusalém, rogou aos sacerdotes que contassem o povo. Eles escolheram para isso o tempo da festa da Páscoa no qual desde as nove horas até às onze, sem cessar, imola¬ram-se vítimas, cuja carne era consumida pelas famílias, que não tinham menos de dez pessoas, algumas até vinte. Concluiu-se que haviam sido imolados duzentos e cinqüenta e cinco mil e seiscentos animais, de onde, contando-se apenas dez pessoas para cada animal, teríamos dois milhões, quinhentos e cinqüenta e seis mil pessoas, purificadas e santificadas. Não eram admitidos a oferecer sacrifícios nem os leprosos, nem os que sofriam de gonorréia, nem as mulheres que estavam no tempo do incômodo que lhes é ordinário, nem os estrangeiros que, não sendo judeus de raça, não deixavam de sê-lo, por devoção a essa solenidade. Assim, aquela grande multidão que se tinha dirigido a Jerusalém, de tantos e tão diversos lugares, antes do cerco, lá se encontrou encerrada como numa prisão, quando a guerra começou.

Parece, pelo que acabo de dizer, que nenhum acidente humano, nem flagelo algum mandado por Deus, jamais causaram a ruína de um tão grande número de pessoas, como o dos que pereceram pela peste, pela fome, pelas armas e pelo fogo, durante esse cerco, ou que foram levados como escravos pelos romanos. Os solda¬dos rebuscaram até nos esgotos e nos sepulcros, onde mataram a todos os que ainda estavam vivos e desses encontraram mais de dois mil que se haviam matado uns aos outros ou a si mesmos, ou que tinham sido mortos pela fome. O mau cheiro que saía desses lugares infectados era tão grande, que vários, não podendo suportá-lo, abandonavam-no.

Assim terminou Jerusalém, no dia oito de setembro, no segundo ano do reinado de Vespasiano. Tito ordenou que destruíssem a cidade até os alicerces, com exceção de um pedaço do muro, que está do lado do ocidente, onde ele tinha determinado construir uma fortaleza e as torres de Hípicos, de Fazael e de Mariana, porque, sobrepujando a todas as outras em altura e em magnificência, ele as queria conservar para mostrar à posteridade, quão grandes foram o valor e a ciência dos romanos na guerra, para se apoderarem daquela poderosa cidade, que se tinha elevado a tal nível de glória. Essa ordem foi tão exatamente cumprida que não ficou sinal al¬gum, que mostrasse haver ali existido um centro tão populoso. Tal o fim de Jerusalém, cuja triste sorte só se pode atribuir à raiva daqueles revoltosos que atearam o fogo na guerra. (Ibid 498 – 500)

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A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 11 – Tito entra em Jerusalém

Ao mesmo tempo em que o fogo consumia o Templo os romanos matavam a todos os que encontravam. Mais proveitosa é a leitura do próprio texto de Josefo: ” Não perdoavam nem à idade, nem à condição. Os velhos e as crianças, os sacerdotes e os leigos, eram todos passa¬dos a fio de espada; todos eram envolvidos nessa matança geral e os que recorriam aos rogos não eram tratados com mais clemência do que os que tinham a coragem de se defender até o fim; o gemido dos moribundos misturava-se com o barulho do crepitar das chamas, que avançavam sempre e o incêndio de tão grande edifício, situado num lugar elevado, fazia, aos que o contemplavam de longe, pensar que toda a cidade estava sendo devorada pelas chamas.
Nada se poderia ouvir de mais horrível, do que o ruído que ecoava pelo ar, em todas as direções.

Não se pode imaginar o que faziam as legiões romanas, tomadas de furor; os gritos dos revoltosos, que se viam envolvidos de todos os lados pelas armas e pelo fogo misturavam-se com as queixas e lamentações do pobre povo, que estava no Templo e que levado pelo desespero, ao fugir, atirava-se nos braços dos inimigos; vozes confusas elevava até o céu a multidão que estava no alto do monte fronteiro ao Templo, contem¬plando o horrível espetáculo. Aqueles mesmos que a fome tinha reduzido aos extremos, aos quais a morte estava prestes a fechar os olhos para sempre, percebendo o incêndio do Templo, reuniam todas as suas forças para deplorar tão grave desgraça; os ecos dos montes vizinhos e da região que está além do Jordão multiplicavam ainda esse barulho horrível. Por mais espantoso que fosse, porém, os males que causava eram-no ainda mais. O fogo, que devorava o Templo, era tão grande e violento que parecia que o mesmo monte sobre o qual estava situado ardia todo inteiro. O sangue corria em tal quantidade que parecia querer competir com o fogo, quem se estenderia mais. O número dos mortos era muito maior que o daqueles que os sacrifica¬vam à sua cólera e vingança; toda a terra estava coberta de cadáveres; os soldados pisavam-nos, para poder continuar a perseguir os que ainda tentavam fugir. Por fim os revoltosos organizaram tão violento ataque que repeliram os romanos, chegaram ao Templo exterior e de lá retiraram-se para a cidade.

Os romanos, julgando que uma vez queimado, seria inútil poupar o restante, incendiaram, também todos os edifícios dos arredores; e assim eles foram destruídos com tudo o que restava dos pórticos e das portas, exceto as duas que estavam do lado do oriente e do sul, que eles destruíram depois, até os alicerces. Incendiaram também a tesouraria que estava cheia de uma quantidade enorme de riquezas, quer em dinheiro quer em soberbas peças de vestuário e outras coisas preciosas, porque os mais ricos dos judeus para lá haviam levado o que tinham de melhor.
Fora do Templo só restava uma galeria, onde seis mil pessoas do povo, homens, mulheres e crianças se tinham reunido para se salvar; mas os soldados, levados pela cólera, incendiaram-na também, sem esperar a ordem de Tito, uns morreram queimados, outros atirando-se para baixo, para não sofrer morte se¬melhante, se suicidaram, de sorte que nem um só se salvou. (Ibid 472-474)

Com o Templo tomado, passaram os soldados a atacar indistintamente as populações da cidade, matando sem qualquer traço de piedade mulheres, crianças e velhos. As casas eram saqueadas e incendiadas. Os que nelas entravam, para saqueá-las, encontravam-nas cheias de cadáveres de toda a família que a fome havia feito perecer.

Josefo diz que “foi a oito de setembro que Jerusalém, depois de ter sofrido tantos males, por fim, desapareceu sob o violento incêndio. Durante o assédio, mil sofrimentos a atormentaram, fazendo que sua felicidade e seu esplendor, que desde a funda¬ção haviam sido enormes, se eclipsassem, depois de a terem tornado digna de inveja. Mas em tal conjuntura, depois de tantos males, essa infeliz cidade não é digna de lástima, a não ser por ter agasalhado em seu seio aquela multidão de víboras, que a devoraram e foram a causa de sua ruína.” (Ibid 495)

Mesmo com a cidade entregue à superioridade dos romanos, ainda assim continuou a mortandade de pessoas, mesmo havendo ordens de Tito para que fossem poupados os que desejassem a paz.

Josefo conta que “dentre os que foram poupados, os que tinham mais de dezessete anos foram enviados para trabalhar nas obras públicas e Tito distribuiu um grande número deles pelas províncias para servirem de espetáculo de gladiadores e combater contra as feras. Os que tinham menos de dezessete anos foram vendidos.

Dessa forma, enquanto estes míseros eram encaminhados como escravos, onze mil outros morreram, uns, porque seus guardas que os odiavam não lhes deram de comer, outros, porque não o queriam fazer, desgostosos como esta¬vam da vida, preferiam mesmo morrer e também porque dificilmente se encon¬trava trigo para alimentar tanta gente”. (Ibid 497)

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A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 10 – O Templo incendiado

Josefo diz que em 8 de agosto Tito mandou colocar arietes na direção dos portões do Templo em seu lado ocidental, batendo por seis dias seguidos sem qualquer resultado. O mesmo se deu quanto à tentativa de arrancar algumas pedras dos alicerces das portas. Tentaram também escalar o portão com escadas, o que os judeus repeliam, e assim, vários romanos perderam suas vidas. Tito, vendo que o seu desejo de conservar o Templo custava a vida de um grande número de soldados, mandou incendiar-lhe os pórticos, que queimaram pelo restante daquele dia e toda a noite, de maneira que, no dia seguinte, ordenou que fosse extinto o fogo e o caminho aplainado para a passagem das tropas.

Reuniu em seguida seus comandantes para deliberarem sobre a resolução que deviam tomar com relação ao Templo. Diz Josefo que “uns, foram de opinião de se usar do poder que lhes dava o direito da guerra, porque enquanto ele subsistisse, os judeus que ali se reuniram de todas as partes da terra, sempre se haveriam de revoltar. Outros disseram, que se os judeus o abandonassem, sem querer mais defendê-lo, julgavam que então poderia ser conservado.

No entanto, se continuassem a fazer guerra, seria preciso incendiá-lo, porque não deveria mais ser considerado como um Templo, mas como uma fortaleza e seria aos judeus somente que se deveria atribuir a ruína do mesmo, porque lhe tinham sido a causa. Depois de terem assim opinado, Tito disse que ainda que os judeus se servissem do Templo como de uma praça de guerra, para continuar na sua revolta, não era justo vingar-se em coisas inanimadas, pelas faltas cometidas pelos homens, reduzindo a cinzas uma obra cuja conservação seria tão grande ornamento para o império. Ninguém mais en¬tão pôde duvidar de seus sentimentos; Alexandre, Cerealis e Fronto foram da mes¬ma opinião; dissolveu-se o conselho e o príncipe ordenou que se desse descanso às tropas, para pô-las em condições de dar um assalto mais forte ainda, quando fosse necessário. Ordenou em seguida a algumas coortes que apagassem o fogo e fizes¬sem uma estrada, pelo meio das ruínas. Os judeus, cansados e esgotados por tan¬tas fadigas, nada mais empreenderam naquele dia.” (Ibid 463)

Tito resolveu atacar o Templo no dia dez de agosto. Josefo vê naquela decisão, não um ato isolado de Tito, mas verdadeiramente a vontade de Deus a ditar o destino daquele povo: “e assim estava-se na véspera desse dia fatal, em que Deus tinha, há tanto tempo, condenado aquele lugar santo a ser incendiado e destruído depois de uma longa série de anos, como ele tinha outrora, no mesmo dia, sido destruído por Nabucodonosor, rei de Babilônia. Mas não foram estrangeiros, foram os mesmos judeus a causa única de tão funesto incêndio. Um soldado, então, sem para isso ter recebido ordem alguma, e sem temer cometer um horrível sacrilégio, mas, como levado por inspiração divina, fez-se levantar por um companheiro e atirou pela janela de ouro um pedaço de madeira aceso no lugar pelo qual se ia aos edifícios, ao redor do Templo do lado do norte. O fogo ateou-se imediatamente; em tão grande desgraça, os judeus lançavam gritos espantosos. Corriam procurando apagá-lo e nada mais os obri¬gava a poupar suas vidas, quando viam desaparecer diante de seus olhos aquele Templo que os levava a poupá-las pelo desejo de conservá-lo.” (Ibid 466 – 467)

Quando soube do ocorrido, Tito tentou apagar o fogo. “Todos os chefes seguiram-no e as legiões depois dele, com grande confusão e tumulto, clamores tais, que se pode imaginar, quando em tal contingência um grande exército marcha, sem ordem e sem disciplina. Tito gritava com todas as forças, fazia sinais com a mão para obrigar os seus a apagar o fogo, mas tão grande barulho impedia que ele fosse ouvido; o ardor e a cólera de que os soldados esta¬vam cheios, naquela guerra, não lhes permitia notar os sinais que lhe fazia. Assim, aquelas legiões que entravam em massa, não podiam em sua impetuosidade ser contidas nem por suas ordens, nem por suas ameaças; o furor as conduzia; elas apertavam-se de tal modo que muitos caíam e eram pisados, outros, caindo sobre as ruínas do pórtico e das galerias, ainda acesas e fumegantes, não eram, embora vencedores, menos infelizes que os vencidos. Quando todos aqueles soldados che¬garam ao Templo fingiram não entender as ordens que o imperador lhes dava. Os que estavam atrás exortavam os mais adiantados a pôr fogo e não restava então aos revoltosos nem uma esperança de poderem impedi-lo.

De qualquer lado que se lançassem os olhos, só se viam fuga e mortan¬dade. Matou-se um grande número de pessoas do baixo povo, gente desarmada e incapaz de se defender. Em volta do altar havia montes de cadáveres, que eram atirados, depois de assassinados, àquele lugar santo, o qual não era destinado a sacrificar tais vítimas; rios de sangue corriam por todos os degraus.

Tito, vendo que lhe era impossível deter o furor dos soldados e o fogo começava a incendiar tudo em toda parte, entrou com os seus principais chefes no Santuário e achou, depois de tê-lo observado, que sua magnificência e rique¬za sobrepujavam ainda de muito o que a fama havia espalhado entre as nações estrangeiras e que tudo o que os judeus diziam a esse respeito, ainda que pare¬cesse incrível, nada acrescentava à verdade.

Quando viu que o fogo não tinha ainda chegado ali, mas consumia então so¬mente o que estava nas vizinhanças do Templo, julgou, como era verdade, que ainda poderia ser conservado; rogou, ele mesmo, aos soldados que apagassem o fogo e mandou um oficial de nome Liberal, um de seus guardas, que desse mesmo pauladas, nos que se recusassem a obedecer. Mas nem o temor do castigo nem o respeito pelo general puderam impedir-lhes o efeito do furor, da cólera e do ódio pelos judeus; alguns mesmos eram impelidos pela esperança de encontrar aqueles lugares santos cheios de riquezas, porque viam que as portas estavam recobertas de lâminas de ouro e quando Tito avançava para impedir o incêndio, um dos soldados que havia entrado, já tinha posto fogo na porta. Dentro acendeu-se então uma grande labareda que obrigou Tito e os que o acompanhavam a se retirar sem que nenhum dos que estavam fora procurasse apagá-la. Assim, esse santo e soberbo Templo foi incendiado, não obstante todos os esforços de Tito para impedi-lo.” (Ibid 468-469)

Josefo afirma que o Templo foi incendiado “no mesmo mês e no mesmo dia em que os babilônios outrora o haviam também incendiado. Esse segundo incêndio aconteceu no segundo ano do reinado de Vespasiano, mil cento e trinta anos, sete meses e quinze dias depois que o rei Salomão o havia construído pela primeira vez; seiscentos e trinta e nove anos, quarenta e cinco dias depois que Zorobabel o tinha feito restaurar, no segundo ano do reinado de Ciro.

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