Monthly Archives: Maio 2011

A conexão do 20º ano de Artaxerxes com a crucificação de Jesus

De acordo com todo o capítulo 9 do Livro de Daniel, no primeiro ano de Dario, o medo, o profeta refletia sobre o texto de Jeremias a respeito do fim do exílio de seu povo quando foi visitado por Gabriel.

Já vimos, quando tratamos do final do exílio, que Daniel orava a respeito de seu entendimento acerca do fim do cativeiro judaico, quando Gabriel veio a lhe colocar outro assunto totalmente distinto: o futuro de Israel.

De fato os dois assuntos se mesclam de tal maneira, que muitos entendem ser a mesma coisa, os 70 anos de Jeremias (Jr 29:10) e as 70 semanas proféticas (Dn 9:24). Em nossa opinião não são. Os 70 anos de exílio são literais e destacados em várias citações (Jr 25:11, Jr 25:12, Jr 29:10, Dn 9:2).

A palavra do Profeta Zacarias pronunciada no 4º ano de Dario I, não o medo, mas o filho de Cambises, neto de Ciro, quando o exílio já é passado, também nos fala que os 70 anos foram literais: “Fala a todo o povo desta terra, e aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, porventura, foi mesmo para mim que jejuastes?” (Zc 7:5) Isto significa que durante os 70 anos de exílio o povo cumprira este ritual destacado por Zacarias.

Quando Daniel refletia acerca do final do exílio, Gabriel vem a lhe colocar a par de outra coisa totalmente distinta. Veja que naquela altura ambas versavam acerca do futuro: o final do exílio que aconteceria dali a dois anos e as semanas proféticas que revelam a data da morte do Messias e o final dos tempos. Vejamos o texto completo:

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo.

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.

E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.

E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.” (Dn 9:24-27)

Examinemos, portanto, a lógica do tempo estipulado neste texto respondendo as seguintes questões:

1 – Qual o significado de “setenta semanas estão determinadas” de Dn 9:24? Cito a resposta do ex-padre e Pastor Batista Aníbal Pereira dos Reis com a qual estão de acordo as principais correntes teológicas cristãs acreditadas:

“O sentido é figurativo, e não há de se entender que se refira literalmente a 490 dias. O vocábulo hebraico “chabua”, comumente traduzido por semana, fundamentalmente significa setenário, que é o espaço de sete dias ou sete anos.

O de sete anos se justifica pela existência do ano sabático (Lv 25:8), e também pela palavra de Ez 4:6: “E, quando tiveres cumprido estes dias, tornar-te-ás a deitar sobre o teu lado direito, e levarás a iniqüidade da casa de Judá quarenta dias; um dia te dei para cada ano”. Cada sentido de sete dias ou sete anos, há de ser estabelecido pelo contexto.

Em nosso caso presente o contexto, é evidente, exige o de sete anos. São, portanto, setenta períodos de sete anos cada um, ou quatrocentos e noventa anos ao todo”. (Ex-padre, Pastor Aníbal Pereira dos Reis, Edições Caminho de Damasco, 1981 – As Visões de Daniel – Pág. 50)

(Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos. Lv 25:8)

2 – De que ponto se inicia a contagem das 70 semanas? O próprio texto de Daniel nos responde: “Desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém” (Dn 9:25), portanto, no 20º ano de Artaxerxes I, no Anno Mundi 3442.

3 – Como o relato de Daniel divide a expansão destas 70 semanas? Também o texto nos responde:

“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.

E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.

E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.” (Dn 9:25-27)

O texto informa claramente que do 20º ano de Artaxerxes, quando foi dada a ordem para a reconstrução da cidade, até que o Messias seja cortado, referindo-se à crucificação de Jesus, são 69 semanas, ou seja, 483 anos.

A 70ª semana é escatológica e diz respeito a acontecimentos que se referem a Israel no futuro. Há que se destacar que o ciclo profético de Daniel se completa apenas na septuagésima semana, a semana isolada das demais, que nos revela acontecimentos ainda no porvir: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo” (Dn 9:24).

A unção do Santíssimo e o tempo de cessar as transgressões e pecados ainda não aconteceram, dizem respeito aos últimos dias.

Temos, portanto, que contados 483 anos a partir do 20º ano de Artaxerxes I (Anno Mundi 3442), resulta que Jesus foi crucificado no Anno Mundi 3925, ponto do qual partiremos para concluir as demais datas de seu ministério. Retomaremos este tema quando tratarmos adiante sobre a vida de Jesus.

É necessário que se apresente aqui uma explicação de como serão calculadas as datas deste ponto em diante. Todas elas, incluindo a morte de Artaxerxes I, a data que veremos a seguir, são extraídas de compêndios históricos, pois estamos a entrar naquilo que se convencionou chamar de “Período Inter Testamentário”.

Especificamente no período dos Macabeus nossa principal fonte são os escritos de Flávio Josefo contidos na História dos Hebreus de oito volumes. Josefo nos dá informações importantes e impressionante riqueza de detalhes sobre os fatos. As datas deste período, no entanto, vêm de fontes históricas, uma vez que o autor data seus eventos em forma de Olimpíadas ou anos de deslocamento com relação ao início do império grego, o que é bastante difícil de precisar e converter para ano Gregoriano. Optamos assim pelas datas históricas.

Chegamos até aqui, conforme vimos, baseados exclusivamente nas informações que nos dá a Bíblia, exceto nos intervalos a que se refere o período persa, para o qual nos valemos das informações do Museu Britânico. Vimos que a forma como a Bíblia e a história secular se completam não é fruto do acaso.

Daqui até o nascimento de Jesus só nos valeremos de datas historicamente comprovadas das quais obtivemos o Anno Mundi a partir do ano Gregoriano, ficando, portanto, esta cronologia dividida conforme explica a tabela abaixo:

A Questão das Sete Semanas

Um comentário de rodapé na Bíblia que uso atualmente diz que estes 49 anos se referem ao tempo de reconstrução do Templo, mas não faz sentido.

Veja que se o ano 20 de Artaxerxes (nno Mundi 3442 ou 454 AC), for o início da contagem dos 49 anos, a data cairia em 405 AC ou 3451 A.M.

Artaxerxes, conforme a história secular, estaria morto há 29 anos, e estaríamos dentro do período intertestamentário, a meio século de distância do nascimento de Alexandre, o Grande (para termos uma referência histórica), e com o templo, a cidade e os muros já restaurados quase cincoenta anos antes. Faça as contas e veja que contados a partir do ano 20 de Artaxerxes os 49 anos não nos levam a nada.

Tentando encaixar estes 49 anos a partir de algum evento significativo encontrei uma coincidência interessante: retrocedendo 49 anos desde o ano da morte do Senhor (3925 A.M. – ano 30 DC) chegamos ao ano 20 A.C. (3876 A.M.), ano em que Herodes inicia a construção do Templo em que Jesus irá pisar.

Conforme Josefo, Herodes iniciou a construção do Templo no décimo oitavo ano de seu reinado e demorou 9,5 anos para terminá-lo.

De acordo com o Evangelho de João (Jo 2:20), Jesus purificou o Templo pela primeira vez no primeiro ano de seu ministério. Os outros evangelhos, os sinóticos, mostram uma outra purificação, uma semana antes da morte de Jesus. Na primeira Jesus usa de um chicote e expulsa cambistas e animais, e na segunda, derruba as mesas dos cambistas.

Na primeira purificação, no calor da discussão os judeus pediram a Jesus explicações sobre sua atitude: “Que sinal nos mostras para fazeres isto? – Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? – Mas ele falava do templo do seu corpo.” (Jo 2:18-21)

Flávio Josefo diz que o templo demorou 9,5 anos para ser erguido, mas os judeus, com base em alguma informação que não temos, entendiam, na ocasião, que a contrução demorara 46 anos. Teria terminado, observando o início em 20 A.C., conforme Josefo, no ano anterior (27 DC).

O início do ministério de Jesus está assinalado em 28 DC. Este relato de João 2 aconteceu este ano, 28 DC.

Quando comento isto lá pra frente, baseado em Lucas 3, comento que esta data (28 DC) é a única data possível de ser concluída em todo Novo Testamento. É a ÚNICA. As demais são decorrência desta.

É no mínimo emblemático que estes 46 anos acrescidos dos três anos do ministério do Senhor totalizem 49 anos.

Quando trabalhava as datas do Templo, a cronologia de Herodes e dos fatos que antecederam o nascimento de Jesus, lembro que quando deparei com esta passagem dos 46 anos (Jo 2:20), pensei comigo: esta informação só veio para atrapalhar, porque o Josefo foi categórico em dizer que foram 9,5 anos. A informação dos 46 anos parece perdida, mas não está.

Vejamos novamente o texto de Daniel:

“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.”
Se tentarmos entender que a sequência, em termos de semanas, são 7 + 62 – não chegamos a lugar algum. Mas se entendermos que o ponto de partida é a crucificação do Senhor, poderíamos concluir que a referência é contada 62 + 7. Aí faria algum sentido.

Não quero dizer que esta é a interpretação correta das sete semanas, mas é a única que faz sentido em termos cronológicos.

434 AC – (Anno Mundi 3462) – morte de Artaxerxes I
Artaxerxes reinou, conforme dados históricos, por 39 anos, tendo, desta forma, falecido em 3462 A.M.

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Artaxerxes I

473 AC – (Anno Mundi 3.423) – Artaxerxes I rei da Pérsia
Conforme dados históricos, Artaxerxes I reinou 39 anos. Plutarco, morto em 339 AC, disse a seu respeito que foi “entre todos os reis da Pérsia o mais notável pela gentileza e nobreza de espírito”.

Era cognominado “mão longa”, pois tinha a mão direita mais comprida que a esquerda.

Enfrentou duas grandes revoltas durante seu reinado, a saber, no 4º e 16º anos de governo contra o Egito e Síria respectivamente. No que se refere à sua relação com os judeus, conforme veremos foi bastante generoso.

467 AC – (Anno Mundi 3429) – Esdras retorna a Jerusalém com 1754 pessoas, 76 anos depois de Zorobabel
No 7º ano de Artaxerxes (Ed 7:8), Esdras retornou a Jerusalém com um grupo de 1754 pessoas, somados todos os listados em Ed 8:1-20. A viagem tomou 4 meses (Ed 7:9), contando os dias em que esteve parado no rio Avava (Ed 8:31).

Veio a ocorrer, portanto, no Anno Mundi 3429, 76 anos depois da vinda da primeira leva de exilados com Zorobabel, no Anno Mundi 3353.

467 AC – (Anno Mundi 3429) – os judeus despedem as mulheres estrangeiras
Conforme os capítulos 9 e 10 de Esdras, os judeus que haviam contraído na Pérsia matrimônio com mulheres daquela terra, incluindo levitas, tiveram que abandoná-las.

454 AC – (Anno Mundi 3442) – ordem para a reconstrução de Jerusalém
Todas as datas estabelecidas na Bíblia são importantes. Como já vimos, faltasse uma delas e não nos seria possível calcular as demais. Mas especificamente esta data, o 20º ano de Artaxerxes, ano em que este rei deu a Neemias a ordem para reconstruir Jerusalém nos é muito preciosa, pois é através dela que conseguimos chegar à crucificação de Jesus e conseqüentemente a todas as datas de seu ministério.

Neemias, copeiro de Artaxerxes, gozando da confiança do rei lhe faz uma petição, conforme lemos em NE 2:1-9:

“Sucedeu, pois, no mês de Nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu peguei o vinho e o dei ao rei; porém eu nunca estivera triste diante dele.

E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isto senão tristeza de coração; então temi sobremaneira. E disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?

E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus, E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique.

Então o rei me disse, estando a rainha assentada junto a ele: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo.

Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os governadores dalém do rio, para que me permitam passar até que chegue a Judá. Como também uma carta para Asafe, guarda da floresta do rei, para que me dê madeira para cobrir as portas do paço da casa, para o muro da cidade e para a casa em que eu houver de entrar.

E o rei mas deu, segundo a boa mão de Deus sobre mim. Então fui aos governadores dalém do rio, e dei-lhes as cartas do rei; e o rei tinha enviado comigo capitães do exército e cavaleiros.”

Desta forma Neemias partiu para Jerusalém onde pode contemplar os muros que haviam sido destruídos por Nabucodonosor 139 antes.
É interessante ter a noção de que tanto tempo havia se passado e a cidade ainda permanecesse naquele estado avassalador, conforme pode observar o próprio Neemias: “Então lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada, e que as suas portas têm sido queimadas a fogo; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio.” (NE 2:13)

A exemplo dos problemas que teve Zorobabel quando iniciou as obras de recuperação do Templo, também os teve Neemias com aqueles que agora habitavam a região (Ne 2:18) e queriam impedir a reconstrução dos muros da cidade.

Foi de tal atrevimento a oposição feita contra aqueles que reedificavam os muros e as portas de Jerusalém que houve por bem que Neemias destacasse metade dos homens para vigiar a cidade contra um possível ataque dos inimigos enquanto os demais continuavam os trabalhos (Ne 4:13-16).

Neemias foi governador da Judéia entre os anos 20 e 32 de Artaxerxes, e não é claro nos textos se o rei tomou esta decisão quando Neemias lhe apresentou a petição de ir a Jerusalém ou se foi nomeado pouco mais tarde, como é mais provável, após alguma reflexão por parte do rei (Ne 5:14).

Os muros foram terminados no mês de Elul (Ne 6:15), quinto do calendário judaico, cinqüenta e dois dias depois de iniciada a obra. O texto de Ed 5:15 quando comparado com Ed 6:1 e Ed 7:1 não é claro se apenas os muros foram concluídos na ocasião ou se também os portões foram colocados.

De qualquer maneira, neste ano seguramente os muros e as 9 portas de Jerusalém foram concluídos, portanto, no mesmo ano em que foram começadas as obras, Anno Mundi 3442.

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Assuero (Xerxes I) – O Livro de Ester

493 AC – (Anno Mundi 3403) – Assuero (Xerxes I), Imperador da Pérsia
O rei Assuero, do Livro de Ester, historicamente conhecido como Xerxes I assumiu o império persa com a morte de seu pai, e tal como ele, empenhou-se ao máximo em dar continuidade à conquista da Grécia.

Tal obsessão terminou por fazê-lo perder grande parte de seu exército em batalha no território grego na baía de Salamina, em seu 5º ano de governo, a partir do que, Xerxes ficou praticamente restrito à região da Ásia Central. Construiu em Persépolis inúmeros palácios, monumentos e complexas obras arquitetônicas de grande beleza.

491 AC – (Anno Mundi 3405) – início dos acontecimentos do livro de Ester
A história de Ester começa no 3º ano de reinado de Assuero, quando este oferece um banquete aos grandes e pequenos de todo seu reino e ao fim da primeira semana a rainha Vasti se recusa comparecer perante o rei. (Et 1)

488 AC – (Anno Mundi 3408) – Assuero derrotado pelos gregos
De acordo com a história secular, Xerxes foi derrotado pelos gregos em Salamina no seu 5º ano de governo, em 29 de Setembro de 480 AC.

Como estamos seguindo o deslocamento de datas de acordo com a Bíblia, e desde a ascensão de Nabucodonosor temos uma defasagem de cerca de 6 a 8 anos com relação às datas históricas, situamos aqui este evento em 488 AC, não no sentido de desafiar a história, mas sim, de seguir com fidelidade a contagem bíblica.

Daniel profetizou sobre este evento no primeiro ano de Dario, o medo (Dn 11:1), descrevendo a investida de Assuero contra a Grécia da seguinte maneira: “Eu (Gabriel), pois, no primeiro ano de Dario, o medo, levantei-me para animá-lo e fortalecê-lo. E agora te declararei a verdade: Eis que ainda três reis estarão na Pérsia, e o quarto acumulará grandes riquezas, mais do que todos; e, tornando-se forte, por suas riquezas, suscitará a todos contra o reino da Grécia”.

Este quarto rei se refere a Xerxes, “que confiante em sua riqueza excessiva agitou-se até a Europa, tentando invadi-la, em sua ânsia de derrotar a Grécia, não só para vingar seu antecessor Hispastes (Dario, o Grande), mas sobretudo para reprimir as manifestações iniciais do agigantamento grego. Suas operações bélicas, embora calcadas em concentrada riqueza, redundaram em fracasso ao ser derrotado pelos gregos nas Termópilas e em Salamina.” (Ex-padre, Pastor Aníbal Pereira dos Reis, Edições Caminho de Damasco, 1981 – As Visões de Daniel – Pág. 68)

487 AC – (Anno Mundi 3409) – Ester levada à presença de Assuero
De acordo com Et 2:16, apenas no sétimo ano de Assuero a rainha Vasti veio a ser substituída. Como se sabe, promoveu-se no reino a procura uma nova rainha que veio a ser Ester.

É bastante sugestiva a ordem destes acontecimentos. Note-se que no 3º ano de Assuero ocorreu o incidente que culminou no afastamento da rainha Vasti, mas apenas no 7º ano é que esta é finalmente substituída.

Entendendo que Assuero esteve entre o 4º e 5º anos de seu governo envolvido com a conquista da Grécia, ocasião em que foi derrotado, só no 7º ano o assunto da reposição de Vasti volta às preocupações do rei, o que é bastante coerente.

482 AC – (Anno Mundi 3414) – Hamã pede o extermínio dos judeus
De acordo com Et 3:7-9, no 12º ano de Assuero, Hamã pediu a morte de todos os judeus da Pérsia. No mesmo ano Assuero emitiu o decreto autorizando a petição: “E enviaram-se as cartas por intermédio dos correios a todas as províncias do rei, para que destruíssem, matassem, e fizessem perecer a todos os judeus, desde o jovem até ao velho, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês (que é o mês de Adar), e que saqueassem os seus bens.” (Et 3:13)

482 AC – (Anno Mundi 3414) – Hamã e os inimigos dos judeus enforcados
Numa reviravolta dos acontecimentos, Hamã acaba por ser executado na própria forca que preparara para Mardoqueu (Et 7:10), provavelmente no mês de Sivan (Et 8:9), equivalente aos meses de Maio ou Junho, e a sentença de morte que pairava sobre todos os judeus da Pérsia tornou-se contra os seus inimigos.

Este é o motivo da festa judaica do Purim (sorte), que é festejado até hoje no dia 14 de Adar (12º mês do calendário judaico) que equivale aos meses de Fevereiro ou Março em nosso calendário. Afora o mês, os dias também não coincidem. 14 de Adar em 2010, por exemplo, equivaleu a 28 de Fevereiro de 2010.

No dia 13 de Adar (Fevereiro ou Março) foram executados os inimigos dos judeus, incluindo os dez filhos de Hamã (Et 9:7-10) que se encontravam na cidade de Susã, os quais tiveram no dia seguinte, 14 de Adar, mesmo já estando mortos, os corpos dependurados em forca para a vista de toda a cidade (Et 9:14).

Um paralelo interessante tem sido observado com relação aos nazistas executados após o julgamento de Nuremberg: Dos vinte e quatro que foram levados a julgamento, três foram absolvidos, um teve a acusação cancelada, quatro tiveram penas de prisão de 10 a 20 anos, três foram condenados a prisão perpétua, e treze foram condenados à morte por enforcamento.

Destes treze condenados à forca, Göring e Robert Levi suicidaram-se na prisão. Martin Bormann conseguiu fugir da Alemanha tendo sido julgado in absentia. Borman viria a morrer em Berlim em 1973, tendo seu corpo sido reconhecido por peritos. Restaram, portanto, dez, os chamados 10 filhos de Hitler, todos eles enforcados: Hans Frank, Wilhelm Frick, Alfred Jodl, Ernst Kaltenbrunner, Wilhelm Keitel, Joachim Ribbentrop, Alfred Rosenberg, Fritz Sauckel, Arthur Seyss-Inquart, e Julius Streicher.

473 AC – (Anno Mundi 3.423) – morte de Xerxes I
Assuero (Xerxes I) reinou, conforme dados históricos, 20 anos, e teria falecido em 465 AC. De acordo com a contagem bíblica, respeitada a informação histórica de seu tempo de governo, teria falecido em 473 AC.

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Dario I, o Grande

529 AC – (Anno Mundi 3367) – Dario torna-se rei da Pérsia
Dario I foi um dos generais de Cambises e assumiu o poder depois de sua morte, tendo governado a Pérsia por 36 anos. Ocupou-se de ampliar as fronteiras persas e empreendeu uma grande reforma administrativa por todo o império, que foi dividido em províncias, cujos sátrapas tinham poder absoluto, prestando conta de seus atos apenas ao rei.

Dario fez várias tentativas de anexar a Grécia ao seu império, mas fracassou em todas, sendo finalmente derrotado na famosa batalha de Maratona. Durante seu tempo, Ageu e Zacarias foram os profetas que incentivaram Israel a prosseguir na reconstrução do Templo de Jerusalém (Ed 5:1).

Flávio Josefo (História dos Hebreus, Vol. 3, Cap. IV, § 449, Pág. 313) nos diz que desde antes de Dario se tornar rei da Pérsia já era amigo de Zorobabel, e que havia feito um voto ao amigo de que se ele se tornasse rei um dia retomaria as obras de reconstrução do Templo de Jerusalém que estavam paradas há tempos.

Dario se tornou rei e nomeou Zorobabel um dos três gestores de sua casa. Lembremos que 14 anos antes de Dario assumir o reino da Pérsia Zorobabel havia ido com a primeira leva daqueles libertados no 1º ano de Ciro. A informação de Josefo indicaria, portanto, que Zorobabel numa certa altura haveria retornado a Pérsia.

Diz Josefo que em seu primeiro ano de governo Dario deu um grande banquete para seus convidados e neste dia propôs a seus três administradores uma questão trivial, e entre todas as respostas ouvidas, foi a de Zorobabel a que mais lhe agradou e fê-lo desta forma merecedor de um presente do rei.

Zorobabel lhe teria pedido então que relembrasse da promessa de reconstruir o Templo de Jerusalém. É uma ilustração interessante, mas em desacordo com o relato bíblico, que nos informa que Dario autorizou a continuação das obras depois de uma consulta do governador das terras de além do Eufrates.

Além disto Ed 5:2 nos dá conta de Zorobabel já trabalhando na reconstrução do Templo junto com os profetas Ageu e Zacarias antes da autorização oficial de Dario.

Mesmo assim, não deixa de ser um relato interessante, pois mostra até que ponto a cultura popular tende a influenciar a história, pois este conto muito se parece com as estórias que o povo conta para valorizar um mito.

529 AC – (Anno Mundi 3367) – as obras do Templo são retomadas
Incentivados pela morte de Cambises, os profetas Ageu e Zacarias, no primeiro ano de Dario, exortaram o povo para que as obras de reconstrução do Templo fossem continuadas, mesmo sem autorização oficial para fazê-lo. (Ed 5:1-5)

529 AC – (Anno Mundi 3367) – Dario é questionado sobre as obras
Conforme todo capítulo 5 de Esdras, ao ver as obras do Templo serem retomadas, Tatenai, governador da província, enviou uma carta a Dario questionando se os judeus estavam ou não autorizados a continuar com seu trabalho, uma vez que estes argumentavam haver uma ordem do rei Ciro a este respeito. Porém, enquanto houve o trâmite deste documento, as obras continuaram mesmo sem autorização oficial.

528 AC – (Anno Mundi 3368) – Dario autoriza a continuidade das obras
Ao receber a carta do governador, Dario deu ordem para que se verificasse nas crônicas reais se Ciro havia de fato autorizado a reconstrução do Templo de Jerusalém (Ed 6:1).

Uma vez constatada a existência de tal ordem, Dario ordenou que as obras prosseguissem de acordo com a vontade de Ciro (Ed 6:6-12).

Os reis sábios costumam respeitar as decisões de seus antecessores para que suas próprias decisões sejam respeitadas pelos que virão depois dele.

528 AC – (Anno Mundi 3368) – Zorobabel governador da Judéia
De acordo com Ag 1:1, no segundo ano de Dario Zorobabel já era governador da Judéia em lugar de Sesbazar.

524 AC – (Anno Mundi 3372) – termina a reconstrução do Templo
De acordo com Ed 6:15: “acabou-se esta casa no terceiro dia do mês de Adar, no sexto ano do reinado do rei Dario.”
A conclusão das obras se deu 18 anos depois de iniciada no primeiro ano de Ciro, 437 anos depois de Salomão haver inaugurado o Templo em 961 AC.

493 AC – (Anno Mundi 3403) – morte de Dario, o Grande
De acordo com a história secular, Dario reinou 36 anos, de onde concluímos, de acordo com as datas bíblicas, que sua morte se deu em 493 AC

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O reinado de Cambises

537 AC a 529 AC – início de governo e morte de Cambises
Cambises, filho de Ciro, não é mencionado na Bíblia. Seu reinado é ignorado, subentendendo-se que em seus oito anos de governo as obras de reconstrução do templo ficaram paralisadas.

Diferentemente de seu pai, a história o reconhece como uma pessoa de má índole, que matou o irmão no início de seu governo e num ataque de fúria matou noutra ocasião sua própria irmà grávida, Roxana, com quem era casado.

Conquistou o Egito e empreendeu uma campanha fracassada na conquista da África. Ao retornar desta campanha para a Babilônia, morreu em algum ponto provável da Síria. Foi acompanhado nesta viagem por um de seus generais, Dario, que viria a ser seu substito.

Dario registrou a respeito da morte de Cambises uma frase deveras interessante: “Ele morreu sua própria morte”, o que para alguns pode significar que houvesse se suicidado. Heródoto, no entanto, sugere que Cambises feriu-se com sua própria espada ao montar seu cavalo.

O capítulo 4 de Esdras dá a entender a muitos que Cambises seria o rei Artaxerxes referido no verso 7, a quem é endereçada uma carta de oposição aos judeus empenhados na reconstrução de Jerusalém.

No entanto, se observarmos atentamente, a carta faz menção à reconstrução dos muros da cidade, e é endereçada ao rei Artaxerxes que reinará na sequência de Dario, o Grande, e Xerxes I, o rei Assuero do Livro de Ester.

No capítulo 4 (Ed 4) a questão em foco são os que atrapalham a reconstrução do Templo, e não o muro de Jerusalém. O redator, neste capítulo, relata três problemas distintos que os judeus tiveram com o povo que habitava na terra por ocasião de seu retorno:

1 – os adversários que atrapalham na reconstrução do Templo (Ed 4:1-5);

2 – os acontecimentos referentes ao tempo de Ester (Ed 4:6), quando Hamã pede a condenação de todos os judeus à morte;

3 – a interrupção da reconstrução dos muros de Jerusalém nos tempos de Artaxerxes I, o mesmo que irá determinar sua continuidade, conforme relata o Livro de Neemias.

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O retorno do Exílio

543 AC – (Anno Mundi 3353) – 1º retorno com Zorobabel

De acordo com o primeiro capítulo de Esdras, Ciro autorizou em seu primeiro ano de governo o retorno dos judeus para Jerusalém com a missão de reconstruir o Templo destruído por Nabucodonosor. Mandou que fossem entregues a Sesbazar, príncipe de Judá, os milhares de utensílios saqueados. De acordo com Ed 5:14 Sesbazar foi nomeado por Ciro governador da Judéia.

Há uma certa dúvida sobre a possibilidade de Sesbazar e Zorobabel serem pessoas diferentes ou a mesma pessoa. Mas o texto de Esdras sugere serem a mesma pessoa, de maneira que Sesbazar seria o nome babilônico de Zorobabel. Vejamos o texto de Esdras 5: “14 E até os utensílios de ouro e prata, da casa de Deus, que Nabucodonosor tomou do templo que estava em Jerusalém e os levou para o templo de Babilônia, o rei Ciro os tirou do templo de Babilônia, e foram dados a um homem cujo nome era Sesbazar, a quem nomeou governador. 15 E disse-lhe: Toma estes utensílios, vai e leva-os ao templo que está em Jerusalém, e faze reedificar a casa de Deus, no seu lugar. 16 Então veio este Sesbazar, e pôs os fundamentos da casa de Deus, que está em Jerusalém e desde então para cá se está reedificando, e ainda não está acabada.”

A sugestão de serem a mesma pessoa encontra respaldo em Esdras 5 : 2, que aponta Zorobabel como um dos responsáveis pela reedificação do Templo: “Então se levantaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesuá, filho de Jozadaque, e começaram a edificar a casa de Deus, que está em Jerusalém; e com eles os profetas de Deus, que os ajudavam.” Em Ed 5:16 diz-se que Sesbazar pôs os fundamentos do Templo, e em Ed 5:2 que Zorobabel começou a edificar. Eram, provavelmente, a mesma pessoa. Ademais, o nome de Sesbazar não se encontra na lista dos exilados que retornaram a Israel no tempo de Ciro, conforme Ed 2:2 até Ed 3.

Desta forma, retornaram a Jerusalém com Zorobabel 42.360 pessoas judeus, sem contar seus servos (Ed 2:64-65).

No mês de Tishrei, Setembro ou Outubro em nosso calendário, juntou-se toda esta gente em Jerusalém para celebrar a Festa dos Tabernáculos (Ed 3:1-4), que era originalmente uma celebração da colheita, e que para além disto tinha o significado histórico de lembrar a peregrinação pelo deserto no tempo em que Israel habitava em tendas, quando Deus supriu todas as suas necessidades.

542 AC – (Anno Mundi 3354) – início da reconstrução do Templo
No segundo ano, contado a partir da saída da Babilônia, o povo, sob a liderança de Zorobabel, neto do rei Joaquim (Jeconias), ancestral de Jesus, iniciou a reconstrução do Templo. (Ed 3:8)

Conforme Esdras, a planta do Templo ordenada por Ciro era diferente da planta passada por Deus a Salomão, cujas medidas originais eram 60 côvados de comprimento, por 20 côvados de largura, por 30 côvados de altura (1 Rs 6:2).

O novo Templo, por sua vez, teria a semelhança de um cubo de 60 côvados: “No primeiro ano do rei Ciro, este baixou o seguinte decreto: A casa de Deus, em Jerusalém, se reedificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura de sessenta côvados, e a sua largura de sessenta côvados”. Ed 6:3

541 AC a 528 AC – reconstrução do Templo interrompida por 13 anos
Depois de iniciadas as obras, conforme Ed 4:1-5, os adversários de Judá e Benjamim procuraram de muitas maneiras impedir que as obras de reconstrução do Templo avançassem, as quais ficaram estagnadas até o segundo ano de Dario (Ed 4:24), ou seja, por 13 anos. Esdras passa do lançamento das fundações do Templo, capítulo 3, para a interrupção das obras no capítulo 4. Mas explica no verso 4:5 que as obras não foram interrompidas durante o governo de Ciro, mas sim, frustradas. Imagina-se que se tornaram mais lentas, mas interrompidas só depois.

537 AC – (Anno Mundi 3359) – morte de Ciro
Ciro destacou-se dos demais soberanos de seu tempo pela sua piedade bem como pela tolerância religiosa.
Quanto à sua forma de administração, procurou sempre que possível manter os povos conquistados sob a gestão de líderes locais. Reinou 29 anos sobre os persas, sendo os nove últimos depois da queda da Babilônia.

A data acima se refere ao dado histórico sincronizado de acordo com o relato bíblico, o que coloca a queda da Babilônia em 546 AC – Anno Mundi 3350.

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O Cilindro de Ciro – Parte 3

543 AC – (Anno Mundi 3353) – a libertação do cativeiro
Exatamente no primeiro ano de Ciro se cumpre a profecia de Jeremias 29:10 referente ao final do exílio babilônico: “Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar.”

Conforme o Livro de Esdras, Ciro decretou em seu primeiro ano de governo a libertação dos judeus (Ed 1:1-3), atendendo desta forma seu desejo particular de ver o templo de Jerusalém reconstruído.

Tal fato encontra-se também descrito no Cilindro de Ciro, nos parágrafos 32 a 35. De acordo com esta crônica, não só os judeus foram beneficiados por esta decisão, como também vários outros povos, que tanto puderam retornar às suas terras de origem, como tiveram seus santuários reconstruídos e seus deuses devolvidos aos seus templos. Vejamos novamente o que nos diz o texto:

“32 – Eu juntei todo o seu povo e os retornei a seus lugares de origem, 33 – e os deuses da terra da Suméria e Acádia, os quais Nabonido – a fúria do senhor dos deuses – havia trazido para Shuanna, sobre o comando de Marduke, o grande senhor, 34 – eu os retornei ilesos às suas células, aos santuários que os fazem felizes. Possam todos os deuses que fiz retornar a seus santuários, 35 – todos os dias perante Ball e Nabú, pedir longa vida para mim, e mencionar minhas boas ações, e dizer a Marduke, meu senhor, isto: Ciro, o rei que o teme, e Cambises, seu filho, …” (o texto se encontra danificado neste ponto) (Cilindro de Ciro)

A questão crucial aqui é, portanto, apontar a partir de que ano se inicia a contagem dos 70 anos de exílio, uma vez que, conforme visto, temos três levas distintas de exilados.

A conclusão é que a contagem não se inicia a partir de nenhum destes exílios, mas sim, a partir da chegada de Daniel à Babilônia no terceiro ano de Jeoiaquim, quando junto com seus companheiros passam a viver na corte de Nabucodonosor, em 612 AC, Anno Mundi 3284.

Somados 70 anos a esta data (3284 + 69 = 3353) resulta que o final do exílio se deu no Anno Mundi 3353, 543 AC.

Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. (Jr 29:10)

Muitos autores insistem em que os 70 anos de exílio, conforme a profecia de Jeremias (Jr 29:10) seja uma data simbólica, associando este fato ao uso do número 70 como número absoluto, como no exemplo do Evangelho de Mateus onde Jesus nos ensina que devemos perdoar uma pessoa tantas vezes quanto se faça necessário: “Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” (MT 18:22)

Neste caso, os 70 anos de Jeremias significariam “certo tempo”, ou “o tempo necessário para a correção do povo”. Pensando desta forma e verificando que entre a primeira deportação no Anno Mundi 3291 (605 AC) e o exílio se passaram apenas 62 anos, ou ainda 51 anos contados a partir da deportação que precede a destruição do templo em 594 AC, logo concluem ser os 70 anos simbólicos.

Uma passagem bíblica que induz a esta conclusão se encontra no próprio relato de Daniel quando no primeiro ano de Dario medita a respeito de quando findaria o exílio.

Como na sequência deste fato Daniel é instruído por Gabriel acerca das 70 semanas proféticas, logo concluem que os 70 anos são também simbólicos ou são uma coisa só. Verifique você mesmo que não são um só assunto, como também se o fossem, uma coisa não agregaria valor à outra. São coisas distintas.

Daniel conhecia as profecias de Jeremias a respeito do tempo do exílio, e sabe, portanto, que o exílio se daria após o final do império babilônico.

No primeiro ano de Dario, medita Daniel que a Babilônia é agora colônia persa e desta forma se põe a pensar por qual razão estão ainda os judeus debaixo do cativeiro. Vejamos o texto: “No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.” (Dn 9:1-2)

Aparentemente não há muito que entender, uma vez que os textos proféticos repetiam que o exílio duraria setenta anos, mas Daniel tenta entender a partir de quando começariam a ser contados os setenta anos.

Daniel recorda os textos relacionados à profecia “Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas. E trarei sobre aquela terra todas as minhas palavras, que disse contra ela, a saber, tudo quanto está escrito neste livro, que profetizou Jeremias contra todas estas nações. Porque também deles se servirão muitas nações e grandes reis; assim lhes retribuirei segundo os seus feitos, e segundo as obras das suas mãos.” (Jr 25:12-14)

No primeiro ano de Dario, 68 anos haviam se passado desde que ele, Daniel, e seus amigos foram levados à Babilônia.

Daniel recorda que dois anos antes de seu exílio, Nabucodonosor, ainda na qualidade de filho do rei da Babilônia, invadira a Tribo de Judá, conforme lemos em 2 Rs 24:1-2: “Nos seus dias (Jeoiaquim) subiu Nabucodonosor, rei de Babilônia, e Jeoiaquim ficou três anos seu servo; depois se virou, e se rebelou contra ele. E o Senhor enviou contra ele as tropas dos caldeus, as tropas dos sírios, as tropas dos moabitas e as tropas dos filhos de Amom; e as enviou contra Judá, para o destruir, conforme a palavra do Senhor, que falara pelo ministério de seus servos, os profetas.” (2 Rs 24:1-2)

De fato, considera Daniel, já haviam passado os 70 anos depois dos quais Deus castigaria a Babilônia. Mas quando viria então o final do exílio do povo? A data estaria próxima, faltavam apenas dois anos se considerasse que seu próprio exílio marcasse o início da contagem.

Desta forma, os 70 anos para que viesse o castigo sobre a Babilônia já haviam se passado, restavam apenas dois mais para que o povo fosse libertado. Foi esta a compreensão que Daniel teve na ocasião.

Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram. (2 Cr 36:21)

Fala a todo o povo desta terra, e aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, porventura, foi mesmo para mim que jejuastes? (Zc 7:12)

Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas. (Jr 25:12)

A palavra do Profeta Zacarias pronunciada no 4º ano de Dario I,o Grande, não o medo, mas o filho de Cambises, neto de Ciro, quando o exílio já é passado, também nos fala que os 70 anos foram literais: “Fala a todo o povo desta terra, e aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, porventura, foi mesmo para mim que jejuastes?” (Zc 7:5) Neste texto o profeta critica o gesto automático de penitência do povo durante os 70 anos de exílio.

Há no Antigo Testamento apenas quatro “pontes cronológicas”, ou seja, grandes extensões de datas referidas por profecias: O Êxodo, que se deu 400 anos depois do nascimento de Isaque (Gn 15:13); Os 480 anos desde o Êxodo até o início da construção do Templo no quarto ano de Salomão (1 Rs 6:1), e os 70 anos do exílio babilônico.

Nada indica que nenhuma delas tem sentido simbólico, são todas literais. A quarta delas, no entanto, referida nas visões de Daniel (Dn 9:24) é simbólica e traz na sua interpretação a última “ponte cronológica” do Antigo Testamento, justamente aquela que irá cruzar todo o período intertestamentário, ou seja, o período de tempo coberto entre o fim do Antigo Testamento e o começo do Novo Testamento, e nos revelar a data da crucificação de Jesus.

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