A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 8 – A conquista da Fortaleza Antônia

Os romanos construíam neste tempo plataformas e rampas para escalar o terceiro muro, de maneira que toda a vegetação ao redor de Jerusalém foi devastada: “Onde outrora havia bosques e árvores frondosas, jardins deliciosos, não havia agora uma única árvore, e não somente os judeus, mas os estrangeiros, que antes admiravam aquela formosa parte da Judeia, agora não seriam capazes de reconhecer, nem ver os maravilhosos arrabaldes daquela grande cidade, convertidos em terrenos abandonados e silvestres, sem que tão deplorável mudança os fizesse derramar lágrimas. Foi assim que a guerra de tal modo destruiu uma região tão favorecida por Deus, que já não lhe restava o menor vestígio de sua beleza antiga e podia-se perguntar em Jerusalém, onde então estava Jerusalém.” (Ibid 433)

A Fortaleza Antônia veio por fim a cair nas mãos dos romanos, e desta forma, muitos dos que lá se refugiavam fugiram para o Templo, em cujas portas travou-se uma intensa batalha, com tanta gente, e por causa disto, num espaço tão apertado, que só era possível combater usando a espada, porque dardos e flechas eram inúteis por causa da proximidade de uns e outros. Josefo conta que combatiam pisando em cadáveres, e que esta batalha foi travada no escuro, desde as nove horas da noite até o amanhecer.

Tito mandou destruir os alicerces de um lado Fortaleza Antônia de maneira a possibilitar a entrada de um grande contingente de soldados.

Nesta altura da situação, os judeus que conseguiam fugir da cidade e se entregar aos romanos eram bem tratados por estes, e como já fosse grande o seu número, Tito mandou que fossem mostrados a seus compatriotas, para que vissem que estavam em condições dignas e assim pudessem também proceder da mesma forma. Mas não havia hipótese disto acontecer, pois os sediciosos matavam a quer quer que ousasse tentá-lo.

Antes de investir contra a cidade, Tito, que desejava preservar o Templo, mandou novamente Josefo para apelar ao bom censo e pedir sua rendição incondicional. Mas foram vãos os apelos, e assim resolveu atacá-los à noite. Tito comandou pessoalmente o ataque a partir da Fortaleza Antônia.

Por causa da surpresa, os judeus atacavam indistintamente amigos e inimigos, por causa da escuridão da noite. Josefo diz que os romanos podiam distinguir os campaneiros do inimigo porque eles combatiam em grupos, apertados uns contra os outros, cobertos com seus escudos e se serviam, para se reconhecer, da senha que lhes fora dada. Pelo lado dos judeus mataram-se mais entre eles próprios do que pela espada do inimigo. Este combate cessou somente ao raiar do dia com muitos mortos de ambos lados.

Tito ordenou então que a Fortaleza Antônia fosse destruída até os alicerces para abrir espaço para a entrada das legiões. Josefo conta assim o início da destruição do Templo: “Os judeus, enfraquecidos pelas perdas que haviam sofrido em tantos combates, vendo que a guerra se acendia cada vez mais e que o perigo de que o Templo estava ameaçado crescia sempre, resolveram destruir-lhe uma parte, para salvar o restante; do mesmo modo que se cortam os membros de um corpo atacado de gangrena, para impedir que ela passe adiante.

Começaram por incendiar aquela parte da galeria que o unia à Fortaleza Antônia, do lado do vento norte e do ocidente, e derrubaram depois quase vinte côvados e foram assim os primeiros que empreenderam a destruição daquela soberba construção. Dois dias depois, vinte e quatro de julho, os romanos incendiaram a mesma galeria. Depois de terem arruinado uns catorze côvados, os judeus derrubaram o restante e continuaram assim trabalhando na destruição de tudo o que podia ter comunicação com a Fortaleza Antônia embora tivessem podido, se quisessem, impedir aquele incêndio. Eles consideravam sem se inquietar o curso que o fogo tomava para dele servir-se em seu proveito, e as escaramuças se faziam todas em redor do Templo. (Ibid 452-453)

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One response to “A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 8 – A conquista da Fortaleza Antônia

  1. HILDEBRANDO BARBOSA GOMES

    È UM LAMENTO SÓ.NÃO HÁ PALAVRAS.È MELHOR O SILÊNCIO.