Monthly Archives: Julho 2011

20 AC – (Anno Mundi 3876) – Herodes constroi o “terceiro Templo”

De todas as obras de Herodes, a que mais nos interessa conhecer os detalhes se refere ao Templo de Jerusalém, pois foi este o Templo visitado por Jesus.

A ele normalmente nos referimos como “Segundo Templo”, pois nossa tradição nos reporta que Herodes apenas reformou o Templo que fora reerguido por Esdras por ocasião do retorno dos judeus do exílio babilônico. Dá respaldo a ser chamado “Segundo Templo”, o texto do Profeta Ageu dirigido a Zorobabel e seus companheiros com palavras de incentivo para continuarem as obras de sua reconstrução: ” A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos”. (Ag 2:8)

Flávio Josefo, conforme referido na História dos Hebreus, Vol. 5, Cap. XIV- § 676, nos dá a entender que se trata de um “Terceiro Templo”, uma vez que o Templo de Esdras, conforme Josefo, foi desmontado e ampliado por Herodes a partir de seu 18º ano de governo.

É possível compatibilizar as duas coisas se considerarmos que o pronome demonstrativo do original hebraico (זה – zeh) do texto de Ag 2:9 traduzido por “desta”, pode igualmente ser traduzido como “daquela”, ou seja, “a glória daquela última casa”, o que poderia se referir não propriamente ao Templo de Esdras, mas ao que Jesus visitou, considerando-se, é claro, a hipótese de Josefo de serem templos distintos.

É importante considerar que Josefo foi contemporâneo deste Templo, tendo-o certamente visitado em inúmeras ocasiões. Outro fator muito importante que atesta esta possibilidade se deve ao fato de que Josefo reconheceu Jesus como o Messias esperado. Vejamos a referência contida na História dos Hebreus – Vol. 5, § 772:

“Nesse mesmo tempo apareceu JESUS, que era um homem sábio, se todavia devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios.

Ele era o CRISTO. Os mais ilustres de nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele fê-lo crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome.”

O primeiro indício de que se trataria de um terceiro Templo se refere às suas dimensões, pois, segundo Josefo, ele foi contruído maior e mais alto que o Templo anterior. Vejamos suas próprias palavras: “Ergueu-se o Templo de cem côvados de comprimento e cento e vinte de altura. Mas os alicerces cederam e esta altura ficou reduzida a cem côvados”.

De acordo com 1 Rs 6:2, o Templo “que o rei Salomão edificou ao SENHOR era de sessenta côvados de comprimento, e de vinte côvados de largura, e de trinta côvados de altura”.

Conforme o Livro de Esdras, a única referência às dimensões do “Segundo Templo” é esta: “No primeiro ano do rei Ciro, este baixou o seguinte decreto: A casa de Deus, em Jerusalém, se reedificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura de sessenta côvados, e a sua largura de sessenta côvados.” (Ed 6:3)

O texto de Esdras nos notifica que o projeto de construção foi desta vez determinado por Ciro, com dimensões diferentes do projeto original, e aparentemente não houve qualquer contestação a este respeito, nem da parte dos sacerdotes, nem da parte de Deus.

Parece ser este ponto bastante adequado para traçarmos um paralelo entre a revelação progressiva de Deus para os homens e a questão do Templo.

Tanto a Casa de Deus conceituada no Tabernáculo no deserto quanto a que foi construída de materiais duros por Salomão têm uma característica em comum: a extrema rigidez de detalhes com os quais foram concebidas.

Não é sequer possível imaginar que tanto uma quanto outra tivessem qualquer detalhe de suas concepções alterados ainda que minimamente.

Já uma outra situação diferente é vista na reconstrução corrdenada por Esdras, pois independente das dificuldades que circundaram esta tarefa e do extremo amor e dedicação por parte daqueles que dela participaram, houve, aparentemente uma profunda modificação no projeto de Salomão que se refere às suas dimensões.

Lembremos que quando Davi transportava para Jerusalém a Arca que por vinte anos permanecera na casa de Abinadabe ocorreu um acidente: Os bois que puxavam o carro em que esta se encontrava se desiquilibraram e Uzá tocou a Arca (2 Sm 6:6-7). Não lhe era permitido tocá-la, e por esta razão foi morto por Deus, independente de sua intenção ser a melhor possível. Que se diria então se Deus não estivesse de acordo com as modificações nos templos reconstruídos?

O que parece mais correto, é que à medida que a revelação de Deus progride, menos importância tem o Templo na relação do homem com Deus, a culminar nos tempos vindouros em que Jesus travaria o seguinte diálogo com a mulher samaritana:

“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4:19-24)

Retornando ao relato de Josefo, outro indício de que seria um “Terceiro Templo” se refere à referência de o Templo original (de Esdras) haver sido desmontado por inteiro.

Herodes, segundo Josefo, não conseguiu a princípio convencer o povo de suas boas intenções pois muitos achavam que seu desejo era somente derrubar o Templo. Prometeu então não tocar o Templo antigo até que todo o material necessário para a construção do novo estivesse completamente disponível. Vejamos seu comentário:

“Empregou mil carretas para trazer as pedras, reuniu todo o material, escolheu dez mil operários dos melhores e sobre eles constituiu mil sacrificadores (sacerdotes) vestidos às suas custas, inteligentes e práticos nos trabalhos de pedreiro e carpinteiro. Depois que tudo estava preparado mandou demolir os velhos alicerces para serem reconstruídos e sobre eles ergueu-se o Templo de cem côvados de comprimento e cento e vinte de altura. Mas os alicerces depois cederam e esta altura ficou reduzida a cem côvados.”

Outro detalhe muito interessante que Josefo nos revela diz respeito ao muro de arrimo no entorno do Templo: “Herodes fez rodear por outro muro todo o sopé do montículo, embaixo do qual, do lado sul, há um profundo vale. Este muro, construído com grandes pedras ligadas com chumbo, vai até a extremidade em baixo do montículo e o rodeia por inteiro. É de forma quadrangular, tão alto e tão forte que não se poderia contemplá-lo sem admiração. Depois que este muro foi erguido, tão alto quanto o vértice do montículo, encheu-se todo o vazio que havia dentro dele. Formou-se assim uma plataforma, cujo perímetro era quatro estádios, pois cada uma das frentes tinha um estádio de comprimento e havia um pórtico colocado no meio dos dois ângulos.”

Em resumo Herodes teria aterrado o monte Moriá, vindo a construir o Templo sobre um espetacular platô o que o colocava numa altura admirável. Foi deste lugar que Satanáz desafiou Jesus. (Mt 4:5)

O tempo total de construção deste Templo, conforme Josefo, foi de nove anos e meio, tendo assim sido concluído em 11 AC. Contudo, de acordo com Jo 2:20, na visita em que Jesus expulsou os vendilhões do Templo, os judeus replicaram Jesus com estas palavras: “ Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?” (Jo 2:20)

Quarenta e seis anos contados a partir da data de início da construção por Herodes nos levaria ao ano 27 DC, um ano antes de Jesus ser batizado. Desta forma, ou este judeu estava enganado ou sabia de alguma coisa que não sabemos. A conclusão de se tratar de um segundo ou terceiro Templo é de menor importância e do foro de cada um, mas o fato é que o relato de Josefo não invalida o de Esdras e vice-versa.

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37 AC – (Anno Mundi 3859) – Herodes governador da Judéia

Como se sabe, Herodes era idumeu, povo que fora “judaizado”, sobretudo no período de João Hircano, que mesmo sendo gentios, eram conhecedores e obrigados aos usos e costumes religiosos de Israel.

Os idumeus são os edomitas (descendentes de Esaú) que ocupavam originalmente a área situada entre o Mar Morto e o Golfo de Eilate ou Ácaba, como dizem os árabes, e vieram a se mudar para a região mais ao norte da localização inicial, tanto por conta do exílio babilônico, que removeu muitos judeus da região, como pela invasão dos árabes nabateus sobre suas terras.

A partir de 63 AC a Judéia passou a ser administrada pelo governador romano da Síria sendo dividida em quatro tetrarquias.

Neste tempo, por seu próprio mérito, Antípatro, pai de Herodes, fez grandes conquistas pessoais, recebendo de Roma vários benefícios, entre os quais a cidadania romana, isenção de impostos e o cargo de administrador da Judéia.

Antípatro soube ao longo de sua vida granjear a simpatia dos novos senhores da terra, suprindo em tempos difíceis, e por inúmeras vezes, o exército romano, de trigo e outros víveres de primeira necessidade, tornando-se assim próximo de Pompeu, Cesar, Scauro e Marco Antonio, entre outros.

Tornou-se amigo pessoal de Julio Cesar quando este, depois da morte de Pompeu, fazia guerra contra o Egito.

Nesta ocasião Antípatro arregimentou cerca de tres mil soldados, que sob seu comando, se juntaram a Mitrídates, um dos generais de Cesar, quando este ia em seu socorro no Egito.

Os fatos atestam que Mitríades ficou a dever não só sua própria vida, como também a de seus homens a Antípatro, que num ato de bravura e astúcia os livrou de serem todos mortos em batalha. Este fato foi comunicado a Cesar, que desde então passou a dedicar-lhe grande estima. Em decorrência disto Antípatro foi nomeado administrador dos negócios e interesses da Judéia.

Hircano era neste tempo sumo sacerdote do Templo em Jerusalém e grande aliado de Antípatro. A relação de Hircano com a família de Antípatro sempre fora boa e os dois lados souberam tirar vantagens desta união. O bom entendimento entre estes dois veio a trazer grandes benefícios para Jerusalém, como por exemplo, a permissão para reconstrução dos muros da cidade e do Templo.

Por volta de 47 AC, Antípatro conseguiu nomear seu filho Fasael governador, ou tetrarca da Judéia, e Herodes, com apenas quinze anos de idade, tetrarca da Galiléia.

Josefo atesta que apesar da pouca idade Herodes já mostrava grande competência no trato com pessoas poderosas. Começa, portanto, aqui sua jornada rumo ao destino que conhecemos.

Quando encontramos Herodes nas páginas dos evangelhos a buscar Jesus ainda criança para matá-lo, ele é um homem de idade avançada já próximo de sua morte, e desta forma desconhecemos a longa trajetória que o levou ao poder, que obstante o apoio inicial que recebeu de seu pai, mais por seu mérito pessoal e a custa de muito trabalho conseguiu chegar onde chegou.

Depois da morte de Cesar, houve grandes desentendimentos no império e várias facções se formaram em busca do poder, uma delas formada por Cássio e Antônio.

Quando Cássio, nesta ocasião, recrutava soldados na Síria, houve grande problema de falta de recursos, e desta maneira toda a região foi penalizada tendo que arcar com enormes custos para pagamento do exército romano.

Mesmo assim, além do que lhes era exigido, Antípatro recomendou aos filhos Fazael e Herodes que auxiliassem Roma nesta tarefa, e desta maneira Herodes é o primeiro a suprir boa parte desta demanda, o que lhe fez cair nas graças de Cássio. Já os demais governadores que não agiram da mesma forma vieram a cair em desgraça.

Malico, que era o responsável por esta arrecadação, caiu em desgraça perante Cássio, e esteve a ponto de ser morto, só não sendo por interferência de Antípatro, o que lhe iria custar muito caro, pois este mesmo Malico veio envenená-lo tempos depois. Herodes vingaria a morte do pai.

Uma vez reunido este exército, Cássio e Marcos deram o seu comando a Herodes e o fizeram governador da Baixa Síria.

O fato é que Cássio era contrário a Marco Antônio e Augusto e veio a ser por estes derrotado. Augusto foi combater na Gália e Antônio veio para a Síria.

Herodes, que até então era aliado de Cássio, inimigo de Marco Antônio, não tardou para procurá-lo a fim de explicar-se.

Levou-lhe grande soma de dinheiro e impressionou-o de tal forma, que embora houvesse presentes muitos que acusavam Herodes de traição, Antônio sequer quis ouvi-los. Os irmãos foram confirmados tetrarcas da Judéia e muitos dos seus acusadores acabaram na prisão.

Herodes teve depois disto que lidar com uma adversidade: Antígono, que era filho de Aristóbulo II (66-63 AC) veio através de uma trama complicada a tomar o poder na Judéia com a ajuda do rei dos Partos. Fazel, irmão de Herodes, veio a ser aprisionado por Antígono e mata-se na prisão.

Diz Josefo, que uma vez no poder, Antígono mandou cortar uma orelha de Hircano, sumo sacerdote, pois a lei dos judeus não permitia que alguém que portasse algum defeito físico tivesse tal encargo, afastando assim qualquer possibilidade de o sumo sacerdote vir a ocupar também o governo da nação.

Herodes travou várias batalhas contra Antígono a fim de recuperar o governo perdido. Em meio a esta campanha veio a desposar Mariana, neta do rei Aristóbulo, conseguindo assim alguma ligação familiar com o povo judeu.

Antígono governou por pouco tempo, tendo sido preso e levado à presença de Marco Antônio, que por uma solicitação de Herodes e grande soma de dinheiro lhe mandou cortar a cabeça.

A ambição pelo poder e o medo de perdê-lo assombraram Herodes por toda sua vida. É um medo compreensível, pois governava uma sociedade totalmente segregada e contrária à presença de gentios em seu meio, e Herodes nela se infiltrara à custa do preço carríssimo da perda de liberdade do povo.

Há que se notar que há, no entanto, um precedente que ameniza sua presença no poder, que é a falta de prestígio dos asmoneus perante o povo.

A gloriosa guerra dos valorosos Macabeus terminara por legitimar, se assim se pode dizer, no trono de Davi, toda uma geração de ambiciosos que permitiram que a cultura helênica se misturasse à judaica, e o sumo sacerdócio fosse utilizado como instrumento de poder.

Aos olhos do povo, a troca dos asmoneus por Herodes foi praticamente seis por meia dúzia.

O objetivo de relatar aqui algumas informações sobre Herodes, não é outro senão tentar entender a sua personalidade, por consequência da qual, em seu último ato insano mandará matar os infantes de Belém.

Herodes mandou assassinar, depois de retomar o poder de Aristóbulo, o também homônimo Aristóbulo, irmão de sua esposa Mariana, sumo sacerdote do Templo em Jerusalém, por medo que Marco Antônio, vendo o prestígio que este tinha perante o povo, o colocasse no governo da Judéia.

Por conta deste assassinato, Marco Antônio, que já nesta altura vivia com Cleópatra, chamou Herodes para se justificar.

Conta Josefo que antes de partir ao seu encontro Herodes deixou instruções a José, seu cunhado, que tomaria conta do governo em sua ausência, que caso viesse a ser condenado, que matasse sua esposa. Suspeitava que Antônio, tendo ouvido falar da beleza ímpar de Mariana poderia condená-lo à morte para lhe tomar a mulher.

Herodes comprou mais uma vez sua inocência e na volta à Judéia ouviu boatos falsos sobre a esposa. Mandou então matar José, o cunhado que deixara no governo, por suspeitar que de alguma forma teria se tornado íntimo de Mariana, mandando prender também sua sogra por achar que ela teria estimulado a suposta traição.

No sétimo ano de governo de Herodes, ano 31 AC, mesmo ano em que se deu a batalha de Ácio entre Augusto e Antônio pelo governo de Roma, houve um grande terremoto na Judéia em que dez mil pessoas perderam a vida.

Herodes estivera então envolvido numa difícil guerra contra os árabes da qual saiu vencedor. Voltou a Jerusalém dono de um prestígio que jamais tivera entre os judeus.

Quando se soube que Augusto derrotara Marco Antônio, ninguém duvidou que seria este o fim de Herodes, uma vez que a amizade entre ele e Antônio era conhecida de todos.

Mandou matar então por precaução a Hircano, para prevenir que se caísse em desgraça com Augusto, este não o substituiria no poder.

Quando foi ter com Augusto, não sabendo que sorte o esperava, deixou seu irmão no governo, dando novamente ordens que matasse sua esposa se algo de ruim lhe acontecesse.

Encontrou-se com Augusto em Rodes, quando mais uma vez a sorte lhe sorriu. Quando era de se esperar que se desculpasse com Augusto pela traição de ter se unido a Marco Antônio, ao contrário, disse que só não tinha ido combate-lo pessoalmente ao lado de Antônio porque estava na ocasião ocupado numa guerra com os árabes, e que mesmo assim lhe enviou, conforme estava ao seu alcance na ocasião, mantimentos para seu exército, de maneira que se orgulhava de ter sido fiel ao amigo a quem devia tudo que tinha. Sendo assim, morto o amigo, ofereceu a Augusto a mesma lealdade que sempre tivera por Marco Antônio.

Augusto se impressionou muito com sua sinceridade e não só o perdoou como também o reconfirmou no reino da Judéia, vindo desde então a ser seu admirador e amigo.

Voltando cheio de glórias desta viagem, Herodes ouviu de alguns da corte uma acusação mentirosa de que sua esposa Mariana tencionava envenená-lo, o que foi suficiente para ele a mandasse matar.

Construiu depois disto em Jerusalém um circo e um anfiteatro em que eram praticados jogos em homenagem a Augusto. Esta atitude distanciou-o definitivamente do povo que era contrário a estes costumes, culminando o fato com um grupo de revoltosos decidido a matar Herodes num dia em que havia jogos. O plano foi delatado e todos foram mortos.

Josefo comenta que o delator foi então morto pela população, tendo suas carnes sido picadas e atiradas aos cães. Herodes descobriu os que o haviam feito tal coisa e mandou mata-los a todos juntamente com suas famílias.

Herodes viria a recuperar seu prestígio com o povo quando uma grande seca se abateu sobre a Palestina, de maneira que não havia comida para o povo. Mandou então comprar trigo e víveres no Egito para o povo a custa de seu próprio dinheiro, o que lhe rendeu em retorno, a gratidão dos judeus. Ajudou também da mesma forma os povos da Síria, fazendo-o admirado em todo o mundo romano, de maneira que o ódio por sua pessoa foi momentaneamente esquecido.

Herodes mandou construir muitos palácios e cidades, entre as quais, Cesaréia, em homenagem a Augusto, uma cidade magnífica que demorou doze anos para ser erguida, cujas ruínas se pode visitar ainda nos dias de hoje.

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27 AC – (Anno Mundi 3869) – Augusto Cesar

Após a morte de Julio Cesar, forma-se em 43 AC um segundo triunvirato constituído por Otávio Augusto, filho adotivo de Cesar, Lépido e Marco Antônio, com poderes para governar Roma por cinco anos.

Depois de cinco anos no poder os três são releitos. Lépido é exilado de Roma, restando Marco Antônio e Otávio Augusto que disputam abertamente a supremacia do poder. Marco Antônio chegou a selar um acordo com Augusto casando-se com sua filha Otávia. A aliança entre os dois foi finalmente rompida quando Marco Antônio devolve a Augusto sua filha e casa-se com Cleópatra, a quem Cesar havia nomeado rainha do Egito.

Na condição de rei do Egito, tendo Cesarion – Ptolomeu XV, filho de Júlio Cesar com Cleópatra como seu co-dirigente, Marco Antônio se torna uma ameaça real a Augusto e a guerra entre ambos passa a ser inevitável. Trava-se então uma luta pelo poder que é finalmente vencida por Otávio na batalha de Ácio, no mar da Grécia, em 31 AC.

Desta forma, em 29 AC Augusto retorna a Roma como senhor único sem que haja qualquer oposição ao seu nome. Marco Antônio se refugia no Egito onde ele e Cleópatra viriam a suicidar-se.

Otávio se torna então em 27 AC imperador de Roma com o título de Augustus (divino), de onde se deriva o nome do mês de Agosto tanto no calendário Juliano quanto no Gregoriano, um mês a seguir de Julho em homenagem a Júlio Cesar.

Curiosamente Augusto viria a morrer no seu mês, em 19 de Agosto de 14 DC. É de Otávio Augusto a ordem para que o mundo romano se alistasse, ocasião em que José e Maria viajam a Belém da Judéia (Lc 2:1).

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59 AC – (Anno Mundi 3837) – Júlio Cesar

No ano 59 AC Julio César, Pompeu e Crasso se juntam para formar o primeiro triunvirato a governar Roma, cada qual motivado por uma paticular necessidade.

Cesar fora eleito cônsul e precisava apoio para combater os povos gauleses ao norte; Pompeu, que era genro de Cesar, necessitava de grandes quantidades de terras para doar a seus soldados veteranos, e o interesse de Crasso, tido como o homem mais rico de Roma, era obter apoio para liderar o combate aos persas.

Em suas campanhas, Cesar saiu-se vitorioso não somente na Gália, mas expandiu consideravelmente as fronteiras de Roma vindo a conquistar a Britânia e Germânia.

Crasso foi derrotado e morto frente aos persas, um verdadeiro desastre de planejamento e logística militar, de onde se origina o uso do termo “erro crasso” utilizado até os nossos dias.

Na mesma época, morre ao dar à luz, a filha de Cesar, esposa de Pompeu, que casa-se então com a filha Scipião, maior inimigo de Cesar. Todos estes são os ingredientes de uma guerra civil que se forma por volta de 50 AC quando Pompeu ordena a Cesar que dissolva suas legiões e retorne a Roma.

Cesar, que conhecia os nomes de todos os seus centuriões e era amado por seus soldados desacata as ordens do senado e marcha com suas legiões para Roma. A guerra civil se instala terminando com a derrota de Pompeu na Grécia e Cesar a tornar-se ditador de Roma e Cônsul pela segunda vez em 48 AC.

Em 47 AC, em campanha pelo Egito, Cesar afasta do trono o rei Ptolomeu XIII e o substituiu por sua irmã, Cleópatra, com quem vem a gerar um filho, Ptolomeu XV (Cesarion).

Cesar criou em 46 AC o calendário juliano que viria a substituir o calendário romano e duraria até o século XVI quando seria substituído pelo Gregoriano em uso até os nossos dias. Em ambos o mês de Julho é uma homenagem a Júlio Cesar.

Cesar foi assassinado nem 44 AC numa reunião do senado romano.

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