A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 5 – Tito ataca os Muros de Jerusalém

O objetivo inicial de Tito era tomar a fortaleza de Antônia. Mandou cortar as árvores que havia ao redor da cidade e com a madeira ergueu plataformas junto ao primeiro muro no seu lado. Os trabalhadores eram protegidos das setas atiradas pelos judeus com telhas, ao mesmo tempo que catapultas atiravam enormes pedras contra os muros. Vários arietes eram usados para derrubar os muros. Josefo conta que o barulho das batidas era tão intenso, que este fez com o terror se espalhasse de tal forma dentro da cidade que causou aquilo que Vespasiano já previra muito tempo antes: os grupos de revoltosos que dominavam a cidade juntaram-se contra o inimigo comum. Distribuíram-se pelas muralhas e passaram a atirar grande quantidade de fogo e de dardos contra as máquinas dos romanos e contra os que manejavam os aríetes. Tinham também várias catapultas deixadas pelos romanos no tempo de Céstio, mas mal sabiam usá-las.

Depois de quinze dias de investida, os romanos conseguiram tomar o controle do primeiro muro, conforme Josefo, no dia 7 de maio.

Na sequência desta conquista Tito ordenou que atacasse o segundo muro pelo seu lado norte, onde mandou concentrar os arietes e atiradores de dardos. Em cinco dias tomaram este muro que dava para a cidade nova, entrando nela com cerca de dois mil soldados.

Viviam naquela parte da cidade os comerciantes. Tito aprisionou muitos e proibiu que os matassem ou que se incendiassem suas casas, pois, ao mesmo tempo que desejava conquistar a cidade, desejava também conservá-la para o império e o Templo para a cidade. Prometeu a eles que poderiam conservar seus bens desde que se rendessem, mas os sediciosos que ocupavam aquela região da cidade ameaçaram matar os que falassem em se entregar e até mesmo os que somente ousassem proferir a palavra paz.

Estes primeiros soldados romanos que entraram naquela região da cidade se deram mal, pois ficaram encurralados entre o primeiro e o segundo muros, de maneira que o número de judeus só fazia aumentar e o ataque contra estes soldados foi brutal. Josefo diz que as ruas desta parte da cidade eram muito estreitas e o conhecimento do lugar dava aos judeus grande vantagem, de maneira que por um tempo conseguiram retomar o controle do local.

Os judeus, conforme explica Josefo, entenderam que aquele contingente que entrara na cidade era todo o exército romano, como se Deus, para castigar seus pecados, os cegasse em suas considerações, fazendo que nem sequer imaginassem que aqueles eram apenas um simples destacamento: “Eles não imaginavam que os que haviam repelido eram apenas uma pequeníssima parte do exército romano e que a fome, que crescia sempre, era para eles outro inimigo não menos temível. Havia já algum tempo que se podia dizer que eles viviam dos bens do povo e bebiam seu sangue, pois tantos homens de bem sofriam muito, e vários já tinham morrido à míngua. Mas esse malvados consideravam a desgraça dos outros como vantagem para si mesmos. Julgavam dignos de viver somente os inimigos da paz, que só viviam para fazer guerra aos romanos; todo o restante era para eles uma multidão inútil, que lhes era de peso; e mais cruéis para com seus próprios cidadãos, do que os bárbaros para com os seus, alegravam-se em ver morrer aquele pobre povo. Os romanos atacaram de novo, contra sua expectativa, aquele mesmo muro que tinham conquistado e perdido, e o fizeram durante três dias seguidos, dando diversos assaltos, que os judeus sustiveram com tanto ardor que eles foram sempre repelidos. Mas no quarto dia, Tito preparou um ataque tão violento que os judeus não puderam sustentá-lo, e assim pela segunda vez ele se apoderou desse muro. Mandou então destruir tudo o que estava do lado do norte e colocou guardas nas torres que estão voltadas para o sul.” (Ibid 412-413)

Tito, antes de atacar o terceiro muro deu aos sediciosos a oportunidade da rendição; Tentou atemorizar o povo fazendo uma exibição de todas as suas tropas; mandou dispôs delas num lugar onde os judeus as podiam ver e mandou pagar o soldo a todos os homens. Mas nem isto fez com que mudassem de ideia.

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