A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 4 – Os Muros de Jerusalém

Neste tempo Tito iniciou sua marcha contra Jerusalém. Conforme Josefo, “Tito tinha além das três legiões que haviam servido sob o imperador, seu pai, e devastado a Judeia, a décima segunda, que não somente era composta de ótimos soldados, mas ainda se lembravam dos infelizes resultados sob o comando de Céstio e esperavam o momento de se vingar de tal afronta.” (Ibid 382)

Para além das forças que já tinha a seu dispor na Judeia, contou com grandes reforços enviados pelos reis do entorno, além de sírios, e dois mil homens escolhidos no exército de Alexandria, que juntos com três mil outros que vinham do Eufrates, eram comandados por Tibério Alexandre, governador do Egito e o primeiro que havia aderido a Vespasiano. Não bastassem tais credenciais, diz Josefo que Tibério era um homem de grande experiência em assuntos de guerra.

A formação dos exércitos que marcharam contra Jerusalém era mesmo digna da mais épica das conquistas, e nada se parecia com a tomada de uma pequena cidade: “Primeiro vinham as tropas auxiliares; seguiam-nas os operários para preparar as estradas. Depois vinham os que estavam encarregados de demarcar os limites do acampamento. Atrás destes, as bagagens dos chefes, com sua escolta. Logo depois vinha Tito, acompanhado por seus guardas e outros soldados escolhidos; atrás dele, um corpo de cavalaria, que estava à frente das máquinas. Os tribunos e os chefes das coortes seguiam também acompanhados por soldados escolhidos. Logo depois vinha a águia rodeada pelas insígnias das legiões, precedida por trombetas. Os corpos de batalha como marchavam os soldados seis a seis, vinham em seguida. Os servos das legiões estavam atrás, com a bagagem; os que traziam os víveres e os operários com tropas especiais para sua guarda fechavam a marcha.” (Ibid 383)

Tito avançou com seiscentos cavaleiros escolhidos, para explorar Jerusalém, quando foi atacado por um grande número de judeus, ficando assim, separado do restante de seu exército. Mesmo não estando armado, pois só pretendia fazer o reconhecimento do campo de batalha, Tito, sem se ferir escapou, chegando ao seu acampamento com o restante dos homens. Sobre este episódio Josefo faz o seguinte comentário: “Vimos então, que as vicissitudes da guerra e a conservação dos soberanos pertencem a Deus, unicamente. Embora Tito não estivesse armado, porque não tinha vindo para combater, mas apenas para fazer um reconhecimento, nenhum daquele número infinito de dardos que foram lançados o atingiu; todos passavam além, como se um poder invisível tivesse o cuidado de desviá-los.” (Ibid 384)

Interessante notar, que mesmo no meio de uma guerra, a páscoa foi celebrada aquele ano. Como vimos, eram três grupos de malfeitores que lutavam dentro da cidade por sua posse. Um era liderado por Eleazar, outro por João e outro por Simão. O grupo liderado por Eleazar, que estava de posse da parte interior do Templo, abriu naquela ocasião suas portas para a celebração da data. Aproveitando a oportunidade, o grupo de João atacou o rival e o derrotou, consolidando-se assim, como senhor do Templo. Restaram assim, dois grupos dentro da cidade: o de João e o de Simão.

Para tomar a cidade Tito teria que controlar seus muros bem como as fortalezas que os protegiam. Imaginando-se Jerusalém como uma estrutura quadrada, a cidade era, naquele tempo, cercada por um muro tríplice em três de seus lados. No quarto lado, o muro era de uma estrutura única, pelo fato deste lado dar de frente para um vale praticamente inexpugnável. Diz Josefo que havia muitas casas neste vale.

Este muro tríplice foi construído em diferentes épocas, tendo sido o primeiro deles iniciado por Davi. Começava na torre chamada Hípicos, no lado ocidental, e ia terminar no pórtico do Templo, que está do lado do oriente. Ali começava o segundo muro e ia até a Fortaleza Antônia do lado do norte. O terceiro muro começava na torre de Hípicos, estendia-se do lado norte até a torre Psefina, e era obra do rei Agripa, pai do Agripa daquele tempo.

Havia noventa torres espalhadas no decurso destes muros usadas para sua proteção, entre as quais, a torre Psefina, em frente à qual Tito havia estabelecido seu acampamento, que diz Josefo, superava a todas as demais em beleza. Sua forma era ortogonal, muito alta, de maneira que que quando o sol despontava, de lá se podia ver a Arábia, o mar e até as fronteiras da Judéia.

Em frente dessa torre estava a de Hípicos e muito perto dela, ainda duas outras, Fazaela e Mariana, todas construídas por Herodes, o Grande,

Herodes, aquele que, visando matar Jesus, ainda na sua infância, mandou eliminar todos os meninos nascidos em Belém, com idade inferior a dois anos, era, para além de um déspota terrível, um grande arquiteto, talvez o maior de seu tempo e possivelmente um dos maiores que haja existido até hoje.

Estas três torres formavam um único conjunto arquitetônico, que conforme Josefo, possuíam uma beleza e força tão extraordinárias que não havia outras comparáveis no mundo.

A primeira torre, de cerca de quarenta metros de altura, Herodes chamou de Hípicos, nome de um amigo. A segunda, Fazaela, levava este nome em homenagem a Fazael, seu irmão. Tinha também cerca de quarenta metros de altura e assemelhava-se ao farol de Alexandria. Esta torre servia de quartel general de Simão, o líder de um dos grupos de malfeitores que ocupava a cidade. A terceira tinha o nome da rainha Mariana, esposa de Herodes, a quem ele próprio assassinou por conta do ciúmes. Era a mais baixa das três, com cerca de trinta metros de altura, mas ainda assim, diz Josefo que superava as outras duas em beleza e em riqueza de detalhes.

Outra das torres digna de nota é a Fortaleza Antônia, também construída pelo rei Herodes para homenagear Marco Antônio de quem fora amigo. Era ao mesmo tempo forte em seu exterior e luxuosa por dentro, como um um palácio. Dela se podia ver todo o Templo. Diz Josefo que o Templo era como a cidadela de Jerusalém, e a torre Antônia era como a cidadela do Templo, de maneira que os romanos, quando ainda dominavam a cidade, mantinham lá uma guarnição para defender não só a fortaleza, como também a cidade e o Templo. Estes foram todos mortos no tempo de Céstio.

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