Arquivos Mensais: Setembro 2011

A reforma do calendário juliano e a adoção do calendário gregoriano

Jesus nasceu em plena vigência do uso de dois calendários distintos: o romano (AUC – Anno Urb Conditae), cujo tempo era contado desde a fundação de Roma, e o calendário juliano instituído por Júlio Cesar em 46 AC.

O calendário gregoriano, aquele que usamos em nossos dias, foi promulgado pelo papa Gregório XIII em 24 de Fevereiro de 1582 em substituição ao calendário Juliano, vindo a ser implantado no mesmo ano, no dia 15 de Outubro.

Foi o resultado de um trabalho de cinco anos com o objetivo de corrigir um erro de onze dias  acumulados pelo calendário juliano, fazendo assim regressar o equinócio da primavera  do hemisfério norte a 21 de Março.

Em astronomia, equinócio é o instante em que o Sol, conforme visto da Terra, cruza o plano do equador celeste, redundando em que o dia e a noite duram o exatamente o mesmo tempo. O significado da palavra equinócio (noites iguais) vem do latim aequos (igual) e nox (noite), ou seja, dia e noite com exatamente 12 horas. Os equinócios ocorrem nos meses de Março e Setembro, definindo assim a mudança nas estações. Em março inicia a primavera no hemisfério norte, e o outono no hemisfério sul; em Setembro ocorre o inverso, iniciando a primavera no hemisfério sul e o outono no hemisfério norte.


 Desta forma, a reforma gregoriana fez com que o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582, uma quinta-feira no calendário juliano, fosse o dia 15 de Outubro, sexta-feira, no calendário gregoriano, eliminando desta forma os 11 dias acumulados desde 46 AC pelo fato de o ano juliano ser 11 minutos mais longo que o gregoriano.

Outubro de 1582 no calendário juliano – salto de 11 dias para o gregoriano

Para evitar que esta diferença voltasse a se acumular, foi definido que os anos seculares (múltiplos de 100) só seriam bissextos se fossem divisíveis por 400. No calendário juliano todos os anos seculares (1500, 1600, 1700, 1800, etc) eram considerados bissextos, com um dia a mais.

Enquanto a duração do ano juliano era de 365,25 dias (365 dias e seis horas), o  ano Gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas,  49 minutos e 12 segundos, ainda assim, mesmo após a correção, somando atualmente mais 27 segundos do que o ano trópico, o que vai redundar que nos próximos 3.000 anos vai haver um dia a mais que teria que ser corrigido no futuro.

Portugal, Espanha e Itália adotaram imediatamente o novo calendário. Vários países europeus o fizeram ainda no século XVI e  outros no decorrer do tempo. Os últimos países a adotar o calendário gregoriano foram a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.

Na estrutura semanal do calendário gregoriano, a língua portuguesa, entre outras, trata o dia do descanso como Domingo, dia do Senhor (Dominus dei).  No ingles, por exemplo, o Domingo é chamado Sunday, dia do Sol, o que remonta o culto pagão de deificar os astros, uma tradição que se estende aos demais dias em outras línguas.

Segunda-feira, em ingles é Monday, em espanhol Lunes, e em frances Lundi, em homenagem à Lua, que depois do Sol era o astro que mais impressionava os homens, sobretudo pela influência que exercia sobre as marés;
Terça-feira homenageia Marte, que na mitologia romana era o senhor da guerra;
Quarta-feira é dedicada a Mercúrio, deus do comércio;
Quinta-feira é o  dia de Júpiter, pai dos deuses pagãos;
Sexta-feira é devotada a Venus, a deusa do amor;
Sábado é o dia de Saturno, que era adorado pelos romanos como o deus que representava o tempo, equivalente ao Cronos grego. Na lingua inglesa  Saturno é homenageado como Saturday.

Vê-se que o  Sábado é na maioria das línguas latinas nitadamente influenciado pelo termo hebraico Shabbath, dia do descanso da Lei de Moisés.

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A correspondência do Anno Mundi 3896 e o ano 1 de nossa era

A correspondência do Anno Mundi 3896 ao ano 1 de nossa era

Uma vez que o Anno Mundi 3925 equivale ao ano gregoriano 30 DC, subtraindo estes 30 anos, temos que o Anno Domini (ano 1) corresponde ao Anno Mundi 3896.

Desta forma, são contados de acordo com a Bíblia 3896 anos desde a criação de Adão até o ano 1 de nossa era, que de fato não corresponde, conforme veremos, ao ano do nascimento de Jesus.

É este, portanto, 3896, o nosso algoritmo de conversão de datas Anno Mundi para o calendário Gregoriano. Vejamos um exemplo: quando contamos 1656 anos desde Adão até o dilúvio, calculamos o ano Gregoriano correspondente subtraindo 3896 de 1656, resultando -2240, número negativo que corresponde ao tempo antes de Cristo, portanto, o Anno Mundi 1656, ano do dilúvio, correspondente ao ano 2240 AC.

1.656

3.896

-2.240

Uma bela curiosidade pode ser observada com a data referente ao nascimento de Abraão no Anno Mundi 1948, que por sua vez corresponde também ao mesmo ano Gregoriano 1948 AC. Assim, Abraão nasceu no Anno Mundi 1948, correspondente ao também 1948 AC.

1.948

3.896

-1.948

Não é possível deixar de admirar o fato de que 1948 anos se passaram desde a criação de Adão até o nascimento de Abraão; mais outros 1948 anos e chegamos ao ano 1 de nossa era. Mais outros 1948 anos e chegamos a reinstalação do Estado de Israel em 1948 numa seção da ONU presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha.

 

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30 DC – Anno Mundi 3925 – Crucificação de Jesus

Lucas nos fornece a única data concreta mencionada não só nos evangelhos (Lc 3:1), mas em todo o Novo Testamento, o ano quinze do império de Tibério César. Não há de fato outra data que se possa reconhecer em toda a vida de Jesus ou no Novo Testamento exceto esta, e parece claro que ao fornecê-la, Lucas procura datar um fato importante.

Todos os quatro evangelhos relatam o batismo de Jesus, mas apenas Lucas, o médico com vocação de historiador, nos dá um detalhe precioso e único em termos cronológicos: a data de seu batismo.

É necessária a leitura acurada de Lucas 3:1-20 para nos esclarecer qual o foco principal entre os assuntos ali tratados, pois uma leitura desatenta pode nos levar a concluir que o evangelista está datando o início do ministério de João e não propriamente o batismo de Jesus. É bom que se reconheça que a maioria dos comentaristas conclui que se trata do início do ministério de João Batista.

Quando se lê a Bíblia com o intuito de datá-la, fica nítida a dinâmica dos autores sagrados no que se refere à sua cronologia. É, portanto, muito diferente de se pegar um determinado texto do Novo Testamento, como este, Lucas 3:1, por exemplo, e concluir que se trata do início do ministério de João Batista.

Os comentaristas judeus, muito mais atentos à esta matéria que os analistas cristãos, podem nos ensinar muito a este respeito, a começar por uma pergunta que a regra mais básica da interpretação bíblica nos obriga a fazer a respeito do texto em questão: Por qual razão a única data fornecida no Novo Testamento inteiro apontaria para um evento na vida de João Batista, se toda a Bíblia, toda ela, aponta única e exclusivamente para a pessoa de Jesus?

Lucas situa primeiramente o ano em que se dá o principal acontecimento de seu relato, o 15º ano de Tibério, sincronizando o imperador romano com os demais líderes contextualizados naquele ano, entre os quais Pilatos, governador da Judéia, Herodes, o tetrarca da Galiléia (filho de Herodes, o Grande), Anás e Caifás, sumos sacerdotes. Todos estes terão algum tipo de relacionamento com Jesus, e apenas Herodes está ligado a João.

Por passar a relatar a partir deste ponto eventos relacionados à vida de João Batista, poder-se-ia compreender que a data se refere ao início do ministério de João. No entanto, tal possibilidade não pode ser aceita, pois Lucas nos faz sim, um breve relato do ministério de João, sintetizando sua pregação às multidões, e culmina dizendo que Herodes terminou por lançá-lo na prisão (Lc 3:20), para depois contar que Jesus foi por ele batizado (Lc 3:21).

Recorde-se a forma como a Bíblia data a Torre de Babel: diz que aconteceu nos dias de Pelegue (Gn 10:25). Mas Pelegue teve uma vida extensa, e desta forma Babel só poderia se referir às duas únicas datas exatas de sua vida, seu nascimento ou sua morte, e neste caso, refere-se à sua morte.

Como o relato de Lucas cobre praticamente todo o ministério de João, indo desde o seu aparecimento até a sua prisão, para só depois mencionar o batismo de Jesus, entende-se desta forma que o batismo é o assunto em foco. De outra forma a data não seria útil para nada, pois nenhum outro assunto do texto em questão é por si só uma âncora.

Não fosse assim, a qual evento da vida de João se referiria o ano 15 de Tibério? Seria o ano em que João começou a pregar o batismo de arrependimento (v. 3), ou seria o ano em que foi preso por Herodes (v. 20)?  A que se referiria a data explicitada por Lucas?

Pelo mesmo princípio da interpretação da data de Babel, no caso de Lucas, considerando todos os eventos relacionados a João, apenas dois seriam datáveis: o início de seu ministério e o batismo de Jesus. Qual o mais importante? Evidentemente que o  início do ministério de Jesus.

Pode-se assim concluir que Jesus foi batizado no 15º ano de Tibério Cesar no poder, correspondente ao ano 28 (DC) de nosso calendário, data esta facilmente comprovável pela história secular.

Tibério, segundo todas as fontes históricas acreditadas passou a reinar no ano 14 DC, ano da morte de Augusto. Desta forma, o ano 14 DC é seu primeiro ano de governo e 28 DC é seu 15°, uma vez que 14 DC é contado como primeiro ano de seu governo.

A data de Lucas (Lc 3:1) é a única âncora cronológica em todo o Novo Testamento. Estejamos atentos a isto, pois não há nenhuma outra data identificável por um calendário no Novo Testamento senão esta. O único evento da vida de Jesus claramente mencionado por um calendário é o seu batismo. Seria coincidência?

Partindo, desta forma, do ano 28 DC como data de seu batismo, e sabendo que seu ministério durou cerca de três anos, pois os evangelhos mencionam três diferentes Páscoas, podemos concluir que Jesus foi crucificado em 30 DC, Anno Mundi 3925.

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A ligação de Daniel 9 com a crucificação de Jesus no Anno Mundi 3925

O período abrangido pelo Antigo Testamento se encerra com a morte do rei Artaxerxes I em 434 AC. Começa então o chamado período inter-testamentário, que se estende até o nascimento do Senhor Jesus, ou melhor ainda, cerca de um ano antes, com o advento do censo romano determinado por Augusto Cesar, primeiro fato histórico narrado pelo Novo Testamento. Designamos normalmente o período intertestamentário por “quatrocentos anos de silêncio”.

A última data de interesse bíblico possível de ser determinada no Antigo Testamento é a que justamente nos auxilia  na localização do ano da crucificação de Jesus. Trata-se do 20º ano de Artaxerxes I, a partir do qual, conforme Dn 9:24-25, somos levados pela adição de 483 anos ao Anno Mundi 3925, ano da crucificação de Jesus, quando se cumpre o tempo de 69 das 70 semanas profetizadas por Daniel.

Evento

Data

20º ano de Artaxerxes I

3442 A.M. – 454 AC

69 semanas de Daniel em anos corridos

483 anos (69 semanas * 7 anos)

Ano da crucificação de Jesus

3925 A.M.

Vejamos o que nos diz Daniel: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.” (Dn 9:24:25)

De acordo com o Dr. Aníbal Pereira dos Reis” (conforme visto no tratamento de 3442 A.M.), o vocábulo hebraico “chabua”, comumente traduzido por semana, fundamentalmente significa setenário, que é o espaço de sete dias ou sete anos, o que é confirmado com absoluta precisão pelo texto de  Levítico 25:8: “Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos.”

Desta forma, a partir deste ano (3925 A.M.), é necessário calcular quantos anos viveu Jesus para chegarmos ao seu nascimento e demais datas de seu ministério.

Teoricamente, determinar o nascimento de Jesus seria uma tarefa fácil, uma vez que se trataria de apenas subtrair de 3925 os 33 anos, suposta idade que teria ao ser crucificado. A idade de 33 anos lhe é tradicionalmente atribuída pelo fato de Lc 3:23 declarar que Jesus tinha “cerca de 30 anos” quando iniciou seu ministério e pela adição de três anos a que se referem os relatos contidos no Evangelho de João sobre as festas das quais participou, entre elas, três diferentes Páscoas.

A qual ano do calendário gregoriano equivale o Anno Mundi 3925?

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