Sobre Flávio Josefo (37 DC – 100 DC)  

O primeiro fato histórico importante, seguinte à ascensão de Jesus, não só do ponto de vista religioso, mas do arbítrio da história universal, é a destruição de Jerusalém no ano 70 de nossa era. A destruição da cidade está situada no meio de um período de sete anos que vai desde o início da guerra dos judeus contra os romanos até a primavera do ano 73 quando a Fortaleza de Massada foi retomada dos judeus revoltosos.
É o cumprimento cabal da septuagésima semana profetizada por Daniel: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo”.
Vimos que as 69 primeiras semanas, 483 anos contados a partir do vigésimo ano de Artaxerxes I nos levam à data da crucificação de Jesus: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo”.
A última das setenta semanas se refere à destruição da cidade: “E o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador”. (Dn 9:24-27)

A grande testemunha histórica deste acontecimento foi Flávio Josefo, que segundo sua autobiografia, nasceu no ano 37 DC, primeiro ano de governo de Caio Calígula.
Seu nome hebraico era Yosef ben Matityahu e o nome Flávio Josefo deriva de seu nome romano – Titus Flavius Josephus – tomado a partir de 69 DC, quando o imperador Vespasiano o libertou depois de captura-lo na guerra dos judeus contra os romanos, e na condição de cidadão romano, veio assim assumir os nomes de seus benfeitores, Vespasiano (Flavius Vespasianus) e Tito, seu filho (Titus Flavius Caesar Vespasianus Augustus) como nomes próprios.
Era de origem nobre; sua mãe era descendente da realeza asmoniana (conseguinte aos macabeus), enquanto seu pai era da casta sacerdotal. Desde a infância demonstrou interesse pelos assuntos políticos e religiosos de sua nação, havendo aprendido muito cedo sobre as seitas dos fariseus, saduceus e essênios, decidindo, na juventude, integrar-se à primeira.
Aos vinte anos de idade viajou a Roma, vindo a travar amizade com diversas pessoas da sociedade, como também encontrar muitos judeus inclinados a trabalhar por uma revolta contra os romanos. No auge da guerra dos judeus contra os romanos, Josefo foi enviado pelos principais de Jerusalém como governador para a Galileia.
Temos citado aqui duas de suas obras mais famosas: A História dos Hebreus (Antiguidades Judaicas), e a Guerra dos Judeus Contra os Romanos, que são testemunhos dos acontecimentos ocorridos no século I de nossa era e importantes referências históricas complementares aos escritos do Novo Testamento.
Observe que à exceção dos livros do Apóstolo João, todos os demais livros do Novo Testamento foram escritos antes da destruição do Templo em 70 DC, e que João, quando escreve suas epístolas e o Apocalipse, o faz já distante deste acontecimento cerca de vinte anos.
Josefo foi testemunha ocular da destruição de Jerusalém, e mais que isto, teve um papel de grande destaque durante a referida guerra.
 
Datas dos escritos do Novo Testamento
 
livros do NT - Datas 

É interessante notar, que não por coincidência, sua obra tenha sobrevivido até os nossos dias. Quis Deus, portanto, que seus escritos se perpetuassem para testificar de maneira imparcial a absoluta precisão da profecia do Senhor Jesus quanto ao destino de Jerusalém. Jesus disse que não ficaria no Templo pedra sobre pedra, e Josefo atesta como isto aconteceu.
Jesus, após condenar severamente a conduta dos fariseus, conforme Mateus 23, disse que todo o peso dos pecados da nação recairiam sobre aquela geração: “Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. (Mt 23:36)
Josefo atesta que tudo o que foi predito por Jesus aconteceu àquela geração. Era, portanto, necessário que esta história fosse contada por um judeu, e não por um cristão, para que fosse insuspeita, e sobretudo por uma pessoa credível e capaz de relatar tais acontecimentos de maneira imparcial.
Cito, por fim, as palavras de Vicente Pedroso, tradutor da obra de Josefo, que na apresentação das Antiguidades Judaicas (Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 8a edição, 2004) sobre a importância da história para se compreender o Plano de Deus, nos diz o seguinte: “Flávio Josefo é considerado um dos maiores historiadores de todos os tempos. Acha-se ele, devido à sua importância não so¬mente aos judeus mas também a toda a humanidade, ao lado de Heródoto, Políbio e Estrabão. Embora não fosse profeta, e apesar de não contar com a inspiração dos escritores bíblicos, mostra-nos ele claramente como as pro¬fecias do Antigo Testamento cumpriram-se na vida dos filhos de Abraão. O que isto vem demonstrar? Que a história, qual solícita e amável serva dos desígnios divinos, tem como função realçar a intervenção do Todo Poderoso nos negócios humanos”.
O observador inteligente da vida há de convir que a historia não é mera permissão de Deus, mas o exercício da sua soberana vontade.

Vale, por fim, acrescentar um comentário de Josefo acerca do Senhor Jesus, em que, no Capítulo IV da História dos Hebreus, Parágrafo 772, diz o seguinte:

“Nesse mesmo tempo, apareceu JESUS, que era um homem sábio, se é que podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muito judeus, mas também por muitos gentios. Ele era o CRISTO. Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas haviam predito, dizendo também que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, os quais vemos ainda hoje, tiraram o seu nome.”

3 comentários

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3 responses to “Sobre Flávio Josefo (37 DC – 100 DC)  

  1. como sempre muito bom e muito interessante, porem a quem diga que as profecias de Jesus se referiam a grande tribulação, fico feliz que tenha atualizado o blog, Paz do Senhor

  2. Reinaldo

    Ouvi falar que Josefo foi contemporâneo de Jesus, e que ele era ateu. é verdade?

  3. Reinaldo, Josefo nasceu em 37, e Jesus foi crucificado em 30, não foram, portanto, contemporâneo.

    Não era ateu, uma vez que era sacerdote, havendo, inclusive, na obra História dos Hebreus, Capítulo IV, Parágrafo 772 dito o seguinte:

    “Nesse mesmo tempo, apareceu JESUS, que era um homem sábio, se é que podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muito judeus, mas também por muitos gentios. Ele era o CRISTO. Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas haviam predito, dizendo também que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, os quais vemos ainda hoje, tiraram o seu nome.”