A Guerra dos Judeus Contra os Romanos – Parte 2 – Galba, Otom e Vitélio

Vespasiano, antes de atacar Jerusalém, como quisesse fazê-lo por todos os lados, mandou construir fortes em Jericó e cidades ao derredor, conforme eram tomadas. Milhares de judeus foram mortos nesta campanha e as cidades incendiadas e arrasadas. Quando o ataque a Jerusalém era iminente, “Vespasiano recebeu a notícia da morte do imperador Nero, depois de ter reinado treze anos. Suspendeu assim a marcha contra Jerusalém, querendo antes saber quem seria o sucessor de Nero, e quando viu que o império tinha caído nas mãos de Galba, julgou dever adiar seu projeto, nada empreendendo até receber suas ordens.

Mandou para esse fim, Tito, seu filho, procurá-lo e prestar-lhe em seu nome suas primeiras homenagens. O rei Agripa quis fazer também a mesma viagem, para saudar o novo imperador, mas como era inverno e eles tinham embarcado em grandes navios, não tinham ainda passado a Acaia quando souberam que Galba tinha sido morto, depois de ter reinado somente sete meses e sete dias e que Otom o havia substituído. Essa mudança não impediu que Agripa continuas¬se com a mesma resolução de ir a Roma. Mas Tito, como inspirado divinamente, voltou logo para junto de seu pai, e com ele foi a Cesaréia. Tão grandes e extraordinários movimentos, capazes de causar a ruína do império, mantinham todos os espíritos em suspensão e não se podia mais pensar na guerra da judéia, porque não se podia pensar em dominar os estrangeiros, quando se tinha tanto motivo de temer pela salvação da mesma pátria. ” (Ibid 344)

Galba havia sido assassinado no centro de Roma, e Otom o sucedera, mas as legiões romanas na Germânia escolheram Vitélio como imperador, e assim, havendo o confronto entre os dois postulantes, Otom foi derrotado e se matou depois de ter reinado três meses.

Vespasiano, não querendo mais perder tempo retomou a campanha na Judeia. À medida que se apoderava das cidades, deixava guarnições em todas elas.

Roma, naquele mesmo tempo, estava em plena guerra civil: como Vitélio houvesse entrado na cidade com inúmeras tropas, e ainda pelo fato destes soldados estarem desacostumados ao luxo e riqueza, puseram-se a saquear as casas matando quem quer que se colocasse em seus caminhos.

Quando Vespasiano retornou a Cesareia, depois de retomar, à exceção de Massada, Herodiom, e Macherom, todas as praças que estavam nas mãos dos revoltosos, soube da situação em que se encontrava Roma, e que Vitélio fizera a si mesmo imperador. Isto causou a Vespasiano uma grande indignação, porque lhe era intolerável ver o império ser usurpado como uma presa qualquer.

Diz Josefo que o mau humor de Vespasiano em conversas com seus oficiais tornou-se conhecido de seus soldados, que por sua vez, passaram a confabular entre si quão injusta era a situação e que ao invés de Vitélio era Vespasiano muito mais merecedor de tal honraria. Não tardou, desta forma, que toda esta indignação se transformasse em atitude, de maneira que Vespasiano, amparado pelas suas legiões, aceitou a incumbência de seus comandados, sendo assim aclamado imperador de Roma. Restava agora conquistar a cidade.

Como estivesse distante de Roma, e o inverno se aproximasse, achou por bem controlar antes Alexandria, no Egito, que além de possuir uma considerável força militar, pois lá estavam estacionadas duas legiões de soldados, era também, e principalmente, o principal polo produtor de trigo e cereais que abastecia Roma. Enviou, então, uma carta a Tibério Alexandre, governador de Alexandria, contando que fora aclamado imperador por seus soldados, e que necessitava de sua ajuda para assumir tamanha responsabilidade. Tibério fez de imediato um pacto de lealdade com Vespasiano, fazendo com que suas legiões também jurassem fidelidade ao novo imperador.

A notícia da escolha de Vespasiano espalhou-se com grande rapidez pelo oriente, e foi acolhida com grande alegria por todos, uma vez que Vespasiano era tido em grande conta por seus serviços prestados ao império. Acrescente-se a isto a adesão das legiões que estavam na Hungria e Moésia que pouco antes haviam se revoltado contra Vitélio, além do fato de ter na própria cidade de Roma, Tito Flávio Sabino , irmão de Vespasiano, como prefeito da cidade (56 a 59).

Vespasiano enviou a Roma, um exército liderado por Múcio, e além deste, Antônio Primo, governador da Moésia (leste europeu – compreendida hoje bela Sérvia e Bulgária). Contra o último Vitélio enviou trinta mil homens liderados por Cesina, aquele que havia derrotado Otom, e por esta razão, digno de sua confiança. Mas ao avistar as legiões de Antônio Primo, Cesina aderiu ao partido de Vespasiano.

Em Roma, quando chegou a notícia de que Primo se aproximava da cidade, Sabino, irmão de Vespasiano, apoderou-se do Capitólio, contando com a ajuda de Domiciano, seu sobrinho, filho mais novo de Vespasiano.

Contra eles Vitélio enviou todas as suas forças, de maneira que Sabino foi morto juntamente com quase todos que o ajudaram nesta empreitada. Domiciano, que viria no futuro a reinar sobre Roma, escapou como que por milagre. No dia seguinte Primo chegou com seu exército derrotando Vitélio de forma definitiva, depois deste reinar apenas oito meses. Somente no dia seguinte Múcio entrou em Roma com seu exército. O poder foi colocado então nas mãos de Domiciano até que seu pai chegasse a Roma.

E assim, tendo que retornar a Roma, Vespasiano deixou encarregado de tomar Jerusalém, seu filho, Tito.

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One response to “A Guerra dos Judeus Contra os Romanos – Parte 2 – Galba, Otom e Vitélio

  1. HILDEBRANDO BARBOSA GOMES

    FOI TIMO A DESCRIO. OBRIGADO