A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 10 – O Templo incendiado

Josefo diz que em 8 de agosto Tito mandou colocar arietes na direção dos portões do Templo em seu lado ocidental, batendo por seis dias seguidos sem qualquer resultado. O mesmo se deu quanto à tentativa de arrancar algumas pedras dos alicerces das portas. Tentaram também escalar o portão com escadas, o que os judeus repeliam, e assim, vários romanos perderam suas vidas. Tito, vendo que o seu desejo de conservar o Templo custava a vida de um grande número de soldados, mandou incendiar-lhe os pórticos, que queimaram pelo restante daquele dia e toda a noite, de maneira que, no dia seguinte, ordenou que fosse extinto o fogo e o caminho aplainado para a passagem das tropas.

Reuniu em seguida seus comandantes para deliberarem sobre a resolução que deviam tomar com relação ao Templo. Diz Josefo que “uns, foram de opinião de se usar do poder que lhes dava o direito da guerra, porque enquanto ele subsistisse, os judeus que ali se reuniram de todas as partes da terra, sempre se haveriam de revoltar. Outros disseram, que se os judeus o abandonassem, sem querer mais defendê-lo, julgavam que então poderia ser conservado.

No entanto, se continuassem a fazer guerra, seria preciso incendiá-lo, porque não deveria mais ser considerado como um Templo, mas como uma fortaleza e seria aos judeus somente que se deveria atribuir a ruína do mesmo, porque lhe tinham sido a causa. Depois de terem assim opinado, Tito disse que ainda que os judeus se servissem do Templo como de uma praça de guerra, para continuar na sua revolta, não era justo vingar-se em coisas inanimadas, pelas faltas cometidas pelos homens, reduzindo a cinzas uma obra cuja conservação seria tão grande ornamento para o império. Ninguém mais en¬tão pôde duvidar de seus sentimentos; Alexandre, Cerealis e Fronto foram da mes¬ma opinião; dissolveu-se o conselho e o príncipe ordenou que se desse descanso às tropas, para pô-las em condições de dar um assalto mais forte ainda, quando fosse necessário. Ordenou em seguida a algumas coortes que apagassem o fogo e fizes¬sem uma estrada, pelo meio das ruínas. Os judeus, cansados e esgotados por tan¬tas fadigas, nada mais empreenderam naquele dia.” (Ibid 463)

Tito resolveu atacar o Templo no dia dez de agosto. Josefo vê naquela decisão, não um ato isolado de Tito, mas verdadeiramente a vontade de Deus a ditar o destino daquele povo: “e assim estava-se na véspera desse dia fatal, em que Deus tinha, há tanto tempo, condenado aquele lugar santo a ser incendiado e destruído depois de uma longa série de anos, como ele tinha outrora, no mesmo dia, sido destruído por Nabucodonosor, rei de Babilônia. Mas não foram estrangeiros, foram os mesmos judeus a causa única de tão funesto incêndio. Um soldado, então, sem para isso ter recebido ordem alguma, e sem temer cometer um horrível sacrilégio, mas, como levado por inspiração divina, fez-se levantar por um companheiro e atirou pela janela de ouro um pedaço de madeira aceso no lugar pelo qual se ia aos edifícios, ao redor do Templo do lado do norte. O fogo ateou-se imediatamente; em tão grande desgraça, os judeus lançavam gritos espantosos. Corriam procurando apagá-lo e nada mais os obri¬gava a poupar suas vidas, quando viam desaparecer diante de seus olhos aquele Templo que os levava a poupá-las pelo desejo de conservá-lo.” (Ibid 466 – 467)

Quando soube do ocorrido, Tito tentou apagar o fogo. “Todos os chefes seguiram-no e as legiões depois dele, com grande confusão e tumulto, clamores tais, que se pode imaginar, quando em tal contingência um grande exército marcha, sem ordem e sem disciplina. Tito gritava com todas as forças, fazia sinais com a mão para obrigar os seus a apagar o fogo, mas tão grande barulho impedia que ele fosse ouvido; o ardor e a cólera de que os soldados esta¬vam cheios, naquela guerra, não lhes permitia notar os sinais que lhe fazia. Assim, aquelas legiões que entravam em massa, não podiam em sua impetuosidade ser contidas nem por suas ordens, nem por suas ameaças; o furor as conduzia; elas apertavam-se de tal modo que muitos caíam e eram pisados, outros, caindo sobre as ruínas do pórtico e das galerias, ainda acesas e fumegantes, não eram, embora vencedores, menos infelizes que os vencidos. Quando todos aqueles soldados che¬garam ao Templo fingiram não entender as ordens que o imperador lhes dava. Os que estavam atrás exortavam os mais adiantados a pôr fogo e não restava então aos revoltosos nem uma esperança de poderem impedi-lo.

De qualquer lado que se lançassem os olhos, só se viam fuga e mortan¬dade. Matou-se um grande número de pessoas do baixo povo, gente desarmada e incapaz de se defender. Em volta do altar havia montes de cadáveres, que eram atirados, depois de assassinados, àquele lugar santo, o qual não era destinado a sacrificar tais vítimas; rios de sangue corriam por todos os degraus.

Tito, vendo que lhe era impossível deter o furor dos soldados e o fogo começava a incendiar tudo em toda parte, entrou com os seus principais chefes no Santuário e achou, depois de tê-lo observado, que sua magnificência e rique¬za sobrepujavam ainda de muito o que a fama havia espalhado entre as nações estrangeiras e que tudo o que os judeus diziam a esse respeito, ainda que pare¬cesse incrível, nada acrescentava à verdade.

Quando viu que o fogo não tinha ainda chegado ali, mas consumia então so¬mente o que estava nas vizinhanças do Templo, julgou, como era verdade, que ainda poderia ser conservado; rogou, ele mesmo, aos soldados que apagassem o fogo e mandou um oficial de nome Liberal, um de seus guardas, que desse mesmo pauladas, nos que se recusassem a obedecer. Mas nem o temor do castigo nem o respeito pelo general puderam impedir-lhes o efeito do furor, da cólera e do ódio pelos judeus; alguns mesmos eram impelidos pela esperança de encontrar aqueles lugares santos cheios de riquezas, porque viam que as portas estavam recobertas de lâminas de ouro e quando Tito avançava para impedir o incêndio, um dos soldados que havia entrado, já tinha posto fogo na porta. Dentro acendeu-se então uma grande labareda que obrigou Tito e os que o acompanhavam a se retirar sem que nenhum dos que estavam fora procurasse apagá-la. Assim, esse santo e soberbo Templo foi incendiado, não obstante todos os esforços de Tito para impedi-lo.” (Ibid 468-469)

Josefo afirma que o Templo foi incendiado “no mesmo mês e no mesmo dia em que os babilônios outrora o haviam também incendiado. Esse segundo incêndio aconteceu no segundo ano do reinado de Vespasiano, mil cento e trinta anos, sete meses e quinze dias depois que o rei Salomão o havia construído pela primeira vez; seiscentos e trinta e nove anos, quarenta e cinco dias depois que Zorobabel o tinha feito restaurar, no segundo ano do reinado de Ciro.

1 Comentário

Filed under Uncategorized

One response to “A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 10 – O Templo incendiado

  1. Chicco Sal

    Republicou isso em POIMENIAe comentado:
    Junte as suas notas qui… (opcional)