A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 11 – Tito entra em Jerusalém

Ao mesmo tempo em que o fogo consumia o Templo os romanos matavam a todos os que encontravam. Mais proveitosa é a leitura do próprio texto de Josefo: ” Não perdoavam nem à idade, nem à condição. Os velhos e as crianças, os sacerdotes e os leigos, eram todos passa¬dos a fio de espada; todos eram envolvidos nessa matança geral e os que recorriam aos rogos não eram tratados com mais clemência do que os que tinham a coragem de se defender até o fim; o gemido dos moribundos misturava-se com o barulho do crepitar das chamas, que avançavam sempre e o incêndio de tão grande edifício, situado num lugar elevado, fazia, aos que o contemplavam de longe, pensar que toda a cidade estava sendo devorada pelas chamas.
Nada se poderia ouvir de mais horrível, do que o ruído que ecoava pelo ar, em todas as direções.

Não se pode imaginar o que faziam as legiões romanas, tomadas de furor; os gritos dos revoltosos, que se viam envolvidos de todos os lados pelas armas e pelo fogo misturavam-se com as queixas e lamentações do pobre povo, que estava no Templo e que levado pelo desespero, ao fugir, atirava-se nos braços dos inimigos; vozes confusas elevava até o céu a multidão que estava no alto do monte fronteiro ao Templo, contem¬plando o horrível espetáculo. Aqueles mesmos que a fome tinha reduzido aos extremos, aos quais a morte estava prestes a fechar os olhos para sempre, percebendo o incêndio do Templo, reuniam todas as suas forças para deplorar tão grave desgraça; os ecos dos montes vizinhos e da região que está além do Jordão multiplicavam ainda esse barulho horrível. Por mais espantoso que fosse, porém, os males que causava eram-no ainda mais. O fogo, que devorava o Templo, era tão grande e violento que parecia que o mesmo monte sobre o qual estava situado ardia todo inteiro. O sangue corria em tal quantidade que parecia querer competir com o fogo, quem se estenderia mais. O número dos mortos era muito maior que o daqueles que os sacrifica¬vam à sua cólera e vingança; toda a terra estava coberta de cadáveres; os soldados pisavam-nos, para poder continuar a perseguir os que ainda tentavam fugir. Por fim os revoltosos organizaram tão violento ataque que repeliram os romanos, chegaram ao Templo exterior e de lá retiraram-se para a cidade.

Os romanos, julgando que uma vez queimado, seria inútil poupar o restante, incendiaram, também todos os edifícios dos arredores; e assim eles foram destruídos com tudo o que restava dos pórticos e das portas, exceto as duas que estavam do lado do oriente e do sul, que eles destruíram depois, até os alicerces. Incendiaram também a tesouraria que estava cheia de uma quantidade enorme de riquezas, quer em dinheiro quer em soberbas peças de vestuário e outras coisas preciosas, porque os mais ricos dos judeus para lá haviam levado o que tinham de melhor.
Fora do Templo só restava uma galeria, onde seis mil pessoas do povo, homens, mulheres e crianças se tinham reunido para se salvar; mas os soldados, levados pela cólera, incendiaram-na também, sem esperar a ordem de Tito, uns morreram queimados, outros atirando-se para baixo, para não sofrer morte se¬melhante, se suicidaram, de sorte que nem um só se salvou. (Ibid 472-474)

Com o Templo tomado, passaram os soldados a atacar indistintamente as populações da cidade, matando sem qualquer traço de piedade mulheres, crianças e velhos. As casas eram saqueadas e incendiadas. Os que nelas entravam, para saqueá-las, encontravam-nas cheias de cadáveres de toda a família que a fome havia feito perecer.

Josefo diz que “foi a oito de setembro que Jerusalém, depois de ter sofrido tantos males, por fim, desapareceu sob o violento incêndio. Durante o assédio, mil sofrimentos a atormentaram, fazendo que sua felicidade e seu esplendor, que desde a funda¬ção haviam sido enormes, se eclipsassem, depois de a terem tornado digna de inveja. Mas em tal conjuntura, depois de tantos males, essa infeliz cidade não é digna de lástima, a não ser por ter agasalhado em seu seio aquela multidão de víboras, que a devoraram e foram a causa de sua ruína.” (Ibid 495)

Mesmo com a cidade entregue à superioridade dos romanos, ainda assim continuou a mortandade de pessoas, mesmo havendo ordens de Tito para que fossem poupados os que desejassem a paz.

Josefo conta que “dentre os que foram poupados, os que tinham mais de dezessete anos foram enviados para trabalhar nas obras públicas e Tito distribuiu um grande número deles pelas províncias para servirem de espetáculo de gladiadores e combater contra as feras. Os que tinham menos de dezessete anos foram vendidos.

Dessa forma, enquanto estes míseros eram encaminhados como escravos, onze mil outros morreram, uns, porque seus guardas que os odiavam não lhes deram de comer, outros, porque não o queriam fazer, desgostosos como esta¬vam da vida, preferiam mesmo morrer e também porque dificilmente se encon¬trava trigo para alimentar tanta gente”. (Ibid 497)

3 comentários

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3 responses to “A Guerra dos Judeus contra os Romanos – Parte 11 – Tito entra em Jerusalém

  1. HILDEBRANDO BARBOSA GOMES

    É UM DESASTRE SÒ. A FÚRIA DE DEUS DEMORA ,MAS É CERTA.

  2. Chicco Sal

    Republicou isso em POIMENIAe comentado:
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    • HILDEBRANDO BARBOSA GOMES

      JÁ RESPONDI. È LAMENTÁVELO POVO CHAMADO POVO DE DEUS PASSAR POR ONDE PASSOU.