Monthly Archives: Junho 2011

O surgimento dos partidos religiosos em Israel

Conforme instituição de Moisés (Nm 1:49-50), entre todas as tribos de Israel foram os levitas os escolhidos para zelar pela religião do povo.

Quando chegamos ao tempo do rei Salomão, vemos Zadoque e seus descendentes incumbidos desta grande honra. Zadoque foi quem ungiu Salomão rei em lugar de Davi (1 Rs 1:39), e foi ele próprio constituído principal sacerdote no mesmo dia.

Surgiu, desta forma, a casta dos zadoquitas ou sadoquitas como sacerdotes da nação (1 Cr 29:22).

Curiosamente, dentro do judaísmo de nossos dias, os Cohen são considerados sucessores desta casta sacerdotal, principalmente pelo peso das palavras do Profeta Ezequiel confirmados por vários textos (Ez 40:46, Ez 43:19, Ez 44:15, Ez 48:11). Serão estes, segundo a tradição judaica, os que assumirão os serviços no Templo a ser reconstruído em Jerusalém em algum tempo no futuro.

Nos dias de hoje, com o avanço da ciência, os Cohen podem ser distinguidos através de um conjunto de marcadores genéticos chamados “Cohen Modal Haplotype” (CMH) que é encontrado entre judeus asquenazes (oriundos provenientes da Europa Central e Oriental) e sefarditas (originários da Península Ibérica – Portugal; e Espanha), não existindo tal seqüência genética entre não judeus. Não se deve, no entanto, confundir o sobrenome Cohen com a casta Cohen que são coisas distintas.

Quando os Selêucidas tomaram o poder na Judéia, a religião passou a ser moeda de troca, movida por interesses políticos. Desta forma, o cargo de sumo sacerdote passou a ser exercido por pessoas com fortes vínculos políticos, porém estranhas à tradição.

Quando eclodiu a revolta dos macabeus, os Hassidim se juntaram a Matatias por questão de convicção religiosa no intento de combater os pagãos que profanavam a religião de Israel.

Os macabeus, a princípio por força de seu prestígio junto ao povo, passaram a ser pontificados como sumos sacerdotes, o que não foi bem visto entre os Hassidim. Esta é a raiz do surgimento dos três principais partidos religiosos de Israel, tão presentes nos dias de Jesus: os fariseus, os saduceus e os essênios.

Flávio Josefo bem como outros historiadores (Hipólito, Solino, Filon de Alexandria) nos deram a conhecer historicamente a seita dos essênios, cujo nome significa “devotos”.

A história antiga nos permite localizá-los geograficamente nas proximidades do Mar Morto, na região conhecida como Qunram, situada no deserto de Engadi, entre Massada e a cidade de Jericó, precisamente onde foram descobertos os célebres Manuscritos de Qunram em 1948.

Os essênios se consideravam os únicos e verdadeiros sadoquitas, continuadores da ordem sacerdotal de Sadoque, e desta forma rejeitavam a classe religiosa responsável pelo culto no Templo.

A tradição cristã reputa que João Batista era essênio, não só pela semelhança entre a doutrina de justiça social desta seita e seus ensinamentos, bem como pelos costumes praticados por João, conforme os evangelhos. Há semelhanças de fato, mas dificilmente se pode aceitar isto como certo.

Os essênios eram estudiosos dos profetas, bem como acreditavam na vinda do Messias e na proximidade do fim dos tempos, quando seria executado o julgamento de Deus sobre os homens. Viviam uma vida de rigores, privilegiando o bem comum ao invés da posse privada de bens.

Não habitavam, porém somente reclusos a comunidades afastadas, havendo essênios que viviam nas cidades, procurando, contudo exercer um modo de vida austero. Eram desta forma uma alternativa mais próxima à Lei de Moisés, o que fez com que muitos hassidins adotassem a seita como prática religiosa.

Entre as três principais correntes religiosas, pode-se dizer que os essênios eram ao mesmo tempo a mais respeitada, pela sinceridade de seu comportamento, e a segunda maior em termos numéricos.

Os fariseus se consideram os herdeiros dos hassidins, sendo muitos deles, escribas por profissão, socialmente se situavam entre as populações de classes média e média-baixa, constituindo, desta forma, a grande maioria do povo.

Eram zelosos pela lei de Moisés, mas valorizavam sobretudo os ritos e tradições religiosas. Desta forma, conforme se constata em seus embates com Jesus registrados nos evangelhos, o valor da tradição se sobrepunha ao sentido da Lei de Moisés. Criam na vinda do Messias, na ressurreição dos mortos, bem como em anjos e demônios.

Com o massacre dos essênios que se juntaram aos zelotes contra os romanos no ano 70 D.C., são os fariseus o remanescente do judaísmo antigo, que por sua vez veio a implantar as sinagogas pelo mundo todo após a destruição do Templo no ano 70 de nossa era.

A seita dos saduceus, por sua vez, era basicamente constituída por sacerdotes e escribas, embora fosse uma minoria da população, era a mais representativa parcela do sinédrio. Por serem em sua maioria sacerdotes, viam-se como os legítimos herdeiros do Sumo Sacerdócio do Templo, e da liderança religiosa de Israel. Não criam na vinda do Messias, nem na ressurreição dos mortos, nem em anjos ou demônios. Os saduceus desapareceram da história de Israel depois da destruição do Templo em 70 DC.

Anúncios

1 Comentário

Filed under Uncategorized

O período Asmoneu

134 a 104 AC – João Hircano
João Hircano, filho de Simão Macabeu, sucedeu seu pai como líder e sumo-sacerdote, governando os judeus de 134 a 104 AC
Teve um princípio de governo tumultuado, pois foi atacado por Antíoco que tornou os judeus novamente tributários dos selêucidas.

Quando Antíoco faleceu, Hircano atacou algumas cidades controladas pelos selêucidas, entre as quais Siquém, a então capital da Samaria, vindo a destruir o Templo contruído por autorização de Alexrandre, o Grande. Segundo Josefo, a destruição ocorreu 200 anos depois do templo ter sido erguido.

Combateu na Iduméia e controlou cidades importantes como Andora e Marissa. Todos os povos dominados por Hircano tiveram que se submeter às leis judaicas e adotar sua religião, obrigando todos os homens à circuncidarem.

Cunhou moedas com a inscrição “João, sumo-sacerdote e chefe da comunidade judaica”.

Hircano renovou a aliança estabelecida por Judas Macabeu com os romanos, mesmo sem ter qualquer garantia de proteção de Roma que naquele momento passava por momentos de tribulação política.

Josefo afirma que o período em que Hircano reinou foi próspero para os judeus, não só na Judéia , como também em Alexandria do Egito e na ilha de Chipre.

Nesta ocasião Ananias, filho de Onias, o sacerdote que construíra o templo dos judeus em Heliópolis, no Egito, e era então comandante do exército da rainha Cleópatra, que não deve ser confundida com a homônina dos dias de Cesar.Pode-se dizer que em seus dias se travou a primeira queda de braço entre fariseus e saduceus.

Hircano era fariseu, e desta forma prestou-lhes homenagem certa ocasião servindo um banquete. Neste dia, um dos fariseus, de nome Eleazar, sugeriu a Hircano que abdicasse ao sumo-sacerdócio, porque naquele tempo corria um boato que sua mãe teria sido escrava dos durante o reinado de Antíoco Epifâneo, o que o tornava impuro para a função.

Desta forma, um saduceu chamado Jônatas, muito amigo de Hircano, o convenceu que deveria abandoná-los e passar para o seu partido, sugerindo-lhe que perguntasse qual tipo de castigo merecia aquele fariseu.

Como seus pares sugeriram um castigo muito brando, Hircano mudou para os saduceus, mandando abolir a lei dos fariseus e castigá-los, o que lhe foi mal visto, pois esta seita tinha grande apoio popular. Mesmo assim conseguiu governar por toda sua vida. Josefo lhe atribuiu entre outros predicados o dom da profecia.

104 até 103 AC – Aristóbulo I
Hircano foi sucedido por seu filho mais velho, Aristóbulo I, que veio a ser o primeiro dos asmoneus a requerer para si o título de rei. Flávio Josefo nos informa que este mandou encerrar os irmãos e sua própria mãe na prisão onde esta viria a morrer de fome.

Aristóbulo manteve a política de controle rígido sobre a Samaria iniciada por seu pai, vindo a fazer nova guerra contra os idumeus quando conquistou boa parte de seu território. Manteve da mesma forma a doutrina de judaizar os povos conquistados obrigando-os à circuncisão, bem como a adoção da religião israelita.

Dizem os historiadores, entre eles Josefo e Estrabão, que Aristóbulo era uma pessoa paciente e afável.

103-76 AC – Alexandre Janeu I
Depois da morte de Aristóbulo, sua esposa Salomé mandou que libertassem da prisão os irmãos do rei, vindo a fazer de Alexandre, o mais velho deles, rei em lugar de seu marido, o qual foi congominado Janeu.

Já no tempo de Alexandre se toma conhecimento da existência do partidos dos fariseus. É interessante notar que quanto mais poder acumulam os asmoneus, mais se distanciam do povo e dos ideais que nortearam os destinos dos primitivos Macabeus.

É neste sentido que os fariseus crescem na graça do povo a proveitando-se da desaprovação popular, cuminando num episódio no ano 90 AC, durante a celebração da festa dos Tabernáculos, em que a população atacou Alexandre com limões na hora do sacrifício e foram por esta causa massacrados em revide cerca de 6 mil pessoas.

Alexandre reinou por 27 anos e é de se notar a grande expansão territorilal conseguida durante seu governo, havendo subjugado os idumeus, a costa de Jope e as terras ao leste do Jordão.

Conforme Fávio Josefo, o alcoolismo fez com que a saúde de Alexandre se debilitasse favorecendo ser acometido de uma febre que durou tres anos fazendo-o morrer bastante jovem, aos 49 anos de idade.

Antes de morrer chamou sua esposa e lhe aconselhou que buscasse fazer um gesto de amizade para com os fariseus, pois sendo estes fúteis e vaidosos, gostavam de ser adulados; evitaria assim contar com a oposição destes.

Aconselhou-a também a entregar a estes o seu próprio corpo para que decidissem se seria sepultado com honras ou difamado. Mostraria desta forma real apreço por sua opinião.

Alexandra seguiu seus conselhos, e sentindo-se seguros, os fariseus fizeram enterrar Alexandre com grandes honras conforme nenhum rei havia recebido antes dele.

76-66 AC – Alexandra
Embora tivesse dois filhos, Hircano e Aristóbulo, o falecido Alexandre Janeu deixou em testamento o direito de governar para sua esposa Alexandra. Sua primeira atitude foi fazer de Hircano, seu filho mais velho, sumo-sacerdote.

De fato Alexandra tinha de raínha apenas o nome, pois eram os fariseus que governavam de fato. Desta forma buscaram os fariseus se vingar de todos aqueles que haviam de alguma forma sido fiéis ao antigo rei, fazendo com que estes fossem impiedosamente mortos.

No tempo de Alexandra os fariseus conseguiram reaver os direitos que haviam sido extintos por Hircano, falecido rei e sogro da raínha.

Numa ocasião em que a raínha Alexandra adoeceu gravemente, Aristóbulo, seu filho mais jovem, executou um plano de levantar contra a ela as cidades fortificadas da Judéia, vindo a conquistar na ocasião 22 praças. Mas quando se aproxima de Jerusalém encontra sua mãe prestes a morrer.

66-63 AC – Aristóbulo II
Aristóbulo empreendeu então uma guerra contra seu irmão pela posse do governo. Chegaram, no entanto, a um entendimento, de maneira que Aristóbulo reinou e Hircano retirou-se para uma vida de ócio.

No tempo de Aristóbulo começa o fio da meada da história de um importante personagem que muito nos interessa, a de Herodes, o Grande.

O pai de Herodes, de nome Antípatro, era um idumeu muito rico, descendente das famílias dos judeus que vieram da Babilônia, que naquele tempo era governador da Idumeia.

Através de sua riqueza e seus relacionamentos, Antípatro fez grandes intigras a ponto de convencer Hircano, irmão de Aristóbulo, a se refugiar junto aos árabes, e a estes convenceu com presentes e subornos devolver algumas cidades conquistadas no passado pelos judeus, caso o depusessem Aristóbulo e entronisassem Hircano.

Este rei árabe, de nome Aretas, atacou Aristóbulo e o venceu, obrigando-o a refugiar-se no Templo, mas Aristóbulo buscou a ajuda de Pompeu, que a troco de muito dinheiro lhe restituiu o trono, permitindo assim que recompusesse seu exército e atacasse os árabes e os vencesse.

Outra reviravolta causada pelas lutas entre os dois irmãos a fim de obter o poder veio a culminar desta feita não só com a deposição de Aristóbulo por parte de Pompeu, como também pela perda da liberdade de todo o povo, pois desde então a Judeia passou a ser tributária de Roma.

Foi sepultada assim pela ambição dos dois irmãos a liberdade que fora conquistada a custa da revolta dos Macabeus. Os muros de Jerusalém foram desta feita arrasados por Pompeu. Aristóbulo foi levado prisioneiro para Roma, e Hircano restituiu seu cargo de sumo-sacerdote.

Crasso, a caminho da guerra contra os partos viria tempos depois a passar por Jerusalém e saquear do Templo vultuosas quantias em ouro e peças de grande valor. (Flávio Josefo – Hist. Dos Hebreus, Vol. 4, Cap III, § 572-585)

Os dois generais que destruiram mais uma vez o Templo de Deus, Pompeu e Crasso, formariam em poucos anos juntos com Júlio Cesar uma aliança para governar Roma.

1 Comentário

Filed under Uncategorized

A revolta dos Macabeus

167 AC (Anno Mundi 3729) – início da revolta dos Macabeus
Os judeus conseguiram vencer os exércitos helênicos e estabelecer um reino judaico independente na região entre 142 a.C.- 63 a.C., quando então foram dominados pelos romanos. Durante este período de 142-63 a.C., a família dos macabeus estabeleceu-se no poder e iniciou uma nova dinastia real e sacerdotal, dominando tanto o poder secular como o religioso. Isto provocou uma série de crises e divisões dentro da sociedade israelita da época, visto que pela suas origens os Macabeus (também conhecidos pelo nome de família como Asmoneus) não eram da linhagem de Davi, não podendo assim ocupar o trono de Israel, e também não eram da linhagem sacerdotal araônica.

Antíoco Epifâneo reinou sobre a Síria entre 175 AC e 164 AC, vindo a invadir Israel e profanar o Templo de Jerusalém em 167 AC, proibindo o culto judaico, a guarda do sábado, além de outros costumes tais como a circuncisão. Saqueou toda Jerusalém de suas riquezas e mandou construir um altar no Templo e fez ali sacrificar porcos.

Josefo cita, ele próprio, as maldades praticadas por este governante: “A maior parte do povo obedeceu-lhe, fê-lo voluntariamente ou por medo; mas estas ameaças não puderam impedir aos que tinham virtude e generosidade de observar as leis dos pais.

O cruel príncipe fazia a estes morrer por vários tormentos. Depois de os ter feito retalhar a golpes de chicote, sua horrível desumanidade não se contentava de fazê-los sacrificar, mas, enquanto respiravam, ainda fazia enforcar e estrangular perto deles suas mulheres e os filhos que tinham sido circundados.

Mandava queimar todos os livros das Sagradas Escrituras e não perdoava a um só de todos aqueles em cujas casas os encontrava.” (Hist. Dos Hebreus, Vol 4, Cap. 4, § 465)

Afora a História dos Hebreus de Josefo, I e II Macabeus são os únicos relatos que temos acerca do período helênico na Judéia.

Embora se diga que Josefo parafraseou o livro apócrifo de I Macabeus, suas narrativas são bem mais completas e diferem em algumas datas e pontos, por exemplo, no que diz respeito ao intento de Antíoco conquistar o Egito: Conforme I Macabeus, ele logrou fazê-lo, enquanto Josefo diz que Antíoco foi dissuadido por ameaças dos romanos a abandonar o Egito.

Matatias iniciou a revolta dos Macabeus. No geral, a dinastia que se consolidou em Israel da descendência de Matatias passou a ser conhecida como “asmoneus”, termo que deriva do nome Asmoneu, ancestral de Matatias, conforme explica o próprio Josefo: “Naquele mesmo tempo, numa aldeia da Judéia chamada Modim, havia um sacerdote da descendência de Joaribe, nascido em Jerusalém, que se chamava Matatias, filho de João, filho de Simão, filho de Asmoneu.” História dos Hebreus, Capítulo 8, § 467)

Na literatura judaica o título “Macabeus” se refere mais propriamente aos filhos de Matatias, Judas e seus irmãos Jônatas e Simão, sendo o título “Asmoneu” mais apropriado para se referir aos descendentes seguintes.

É mais correto ver os “macabeus” Judas, Jônatas e Simão, filhos de Matatias, como chefes da resistência judaica, e não propriamente como “reis” de um suposto estado Macabeu. Os três, cada qual a seu tempo, acumularam as funções de chefes militares e de sumo-sacerdotes do Templo de Jerusalém.

Neste tempo, muitas das cidades de Israel se encontravam tomadas pelos selêucidas e seus aliados judeus, entre as quais se pode citar Jericó, Emas, Betoron, Betel, Tocon e Gazara entre outras.

Após este período, podemos sim entender a existência de um estado Asmoneu, que experimentará uma completa independência durante um período de 70 anos entre 134 e 63 AC, o que não deixa de nos sugerir uma antítese com os 70 anos de cativeiro na Babilônia.

165 AC a 164 AC – Matatias
A revolta dos Macabeus foi iniciada por Matatias, que fugindo das atrocidades praticadas em Jerusalém por conta da nova ordem imposta por Antíoco Epifâneo, veio a habitar com seus cinco filhos na cidade de Modin, onde alcançaram grande respeito por parte de seus moradores.

Certo dia apareceu em Modin um oficial do rei a ordenar que se oferecessem sacrifícios no altar conforme o novo costume imposto por Antíoco. Matatias se recusou a fazê-lo e matou um dos judeus que ali sacrificava, bem como o oficial do rei, vindo assim a se refugiar com seus familiares nas montanhas.

Juntou-se pouco tempo depois a este pequeno grupo familiar, alguns judeus assideus, que igualmente fiéis à sua religião, decidiram combater Antíoco; muitos outros grupos foram se juntando a este núcleo, de tal forma que se constituiu um pequeno e valente exército disposto a combater os pagãos.

Conta Josefo que uma guarnição do rei buscou um dos grupos revoltosos para fazê-los desistir da sedição, vindo a encontrá-los num dia de sábado. Pela reverência que tinham ao dia do descanso, o grupo se recusou a pegar em armas para se defender vindo assim a ser impiedosamente sufocado dentro da caverna em que se encontravam.

Os sobreviventes vieram relatar a Matatias o acontecido e este os repreendeu severamente a que nunca mais procedessem desta forma, pois ao entregar sua vida sem luta, violavam igualmente a Lei de Deus, fazendo-se homicidas de si mesmos.

164-160 AC – Judas Macabeu
Cerca de um ano depois de iniciada a revolta Matatias veio a falecer, vindo a ocupar seu lugar na liderança do grupo seu filho Judas, de apelido Macabeu, cujo significado é “martelo”, de onde vem o nome revolta dos Macabeus.

Conforme a tradição judaica, a revolta dos Macabeus abriu um precedente na história da humanidade: nunca antes uma nação ousou morrer por seu Deus. Esta foi a primeira guerra religiosa e ideológica da história da civilização.

Judas Macabeu provou na liderança de seu povo ser um general competente, havendo derrotado sucessivas vezes exércitos imensamente mais numerosos e mais preparados no sentido militar. Era, segundo se constata, dono de quatro predicados importantes: forte senso de determinação, coragem pessoal, visão militar e fé incondicional no Deus de seus pais.

Depois de sucessivas vitórias sobre o exército de Antíoco Epifânio, Judas logrou reconquistar Jerusalém. Ocupou-se então de restaurar e purificar o Templo, vindo a consagrá-lo novamente ao serviço religioso judaico, exatamente três anos após Antíoco o haver violado.

A celebração deste evento marca a origem da Festa das Luzes celebrada pelos judeus até os dias de hoje no mês de Kislêv (Dezembro).

Josefo nos faz compreender que ao tempo de Judas Macabeu Roma já se avultava como potência européia (Vol 4, Cap. XIII, § 492), havendo já dominado por aquele tempo a Galácia, Espanha, Cartagena e Grécia.

Desta forma pareceu bem a Judas Macabeu fazer com os romanos um pacto de coperação em que Roma se comprometia a advertir àqueles que estavam sobre sua obediência a não atacar ou colaborar com aqueles que se indispusessem contra os judeus e da mesma forma estes fariam o mesmo por Roma.

No seu tempo veio a falecer Antíoco Epifânio, segundo Josefo, de desgosto, por ver as sucessivas vitórias dos Macabeus na palestina, bem como as vitórias de outros inimigos frente ao seu exército.

Antíoco Eupator, seu filho, reinou em seu lugar, vindo no início de seu reinado a propor paz a Judas Macabeu, proposta esta que não tardou a descumprir, ordenando que se destruíssem os muros ao redor do Templo e que se matasse Onias, o sumo-sacerdote.

160 a 143 AC – Jônatas
Após seis anos de consecutivas vitórias sobre os selêucidas, Judas Macabeu veio a falecer, sendo então substituído por seu irmão Jônatas.

Registra-se no tempo de Jônatas o cumprimento da profecia de Isaías que nos dá conta da construção em Heliópolis, no Egito, de um templo semelhante ao de Jerusalém.

Este templo foi erguido por Onias, filho homônimo de Onias, sumo-sacerdote de Israel no tempo de Pitolomeu Filometor, rei do Egito. Vejamos o texto de Isaías:

“Naquele tempo o Senhor terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao Senhor, junto da sua fronteira. E servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito, porque ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e um protetor, que os livrará.” (Is 19:18-20)

142 até 134 AC – Simão
Jônatas liderou o povo de 160 a 143 AC, sendo seguido depois de sua morte por seu irmão Simão que governou o povo entre 142 até 134 AC, encerrando assim o período dos irmãos Macabeus.

Simão empreendeu vários combates contra seus adversários, vindo a obter grandes vitórias junto às cidades de Gazara, Jope e Jamnia, tendo conseguido tomar finalmente a fortaleza de Jerusalém, um complexo de resistência militar que havia sido construído ao lado do Templo, com a finalidade de vigiar qualquer insurreição que pudesse ser ali iniciada.

Tal fortaleza estava construída num lugar alto ao lado do Monte Moriá, e Simão fez com que depois de destruída a fortaleza, fosse o monte rebaixado. Diz Josefo que esta tarefa demorou três anos para ser concluída, de maneira que o monte foi aplainado e nada mais de evelvado sobou senão o Templo.

5 comentários

Filed under Uncategorized

A Septuaginta

250 AC (Anno Mundi 3646) – a Septuaginta
Com a divisão do império construído por Alexandre, Pitolomeu, chamado Soter, tornou-se senhor do Egito, o qual governou entre os anos 323 AC até 284 AC, dois anos antes de sua morte, quando renunciou em favor de seu filho mais jovem, Ptolomeu Filadelfo.

A dinastia dos Ptolomeus dominaria a terra dos faraós por longo tempo, e teria na famosa Cleópatra, sua última representante.

Ptolomeu Filadelfo passou a reinar em 284 AC e notabilizou-se pela boa amizade que devotou aos judeus. Conforme Flávio Josefo este governante chegou a libertar 120 mil escravos judeus no Egito a custa de seus próprios recursos financeiros, pois tais escravos pertenciam em sua maioria aos soldados de seu exército que receberam por isto a devida indenização.

Por recomendação de Demétrio Falero, seu bibliotecário chefe, Ptolomeu Filadelfo empreendeu o projeto de tradução para o grego das leis dos judeus (Pentateuco) arcando plenamente com suas despesas.

Setenta e dois sábios judeus empreenderam esta tarefa (de onde vem o nome Septuaginta dado à tradução), consumindo igualmente nesta tarefa 72 dias. (Hist. Dos Hebreus – Flávio Josefo, Vol 3, Cap.II, § 454)

A rigor, apenas o Pentateuco foi traduzido neste tempo, sendo o restante do Antigo Testamento traduzido por completo ao longo dos 100 anos seguintes.

2 comentários

Filed under Uncategorized

Alexandre, o Grande

330 AC (Anno Mundi 3565) – Alexandre, o Grande, conquista a Pérsia
Alexandre era filho de Felipe, rei da Macedônia. Foi educado por Aristóteles, um dos maiores filósofos da humanidade, e veio a assumir o trono aos 20 anos de idade após o assassinato de seu pai.

Conquistou a Pérsia derrotando Dario III em 330 AC, e ao falecer em 323 AC seu reino se estendia desde a Grécia até o Afeganistão. O império persa subsistiu, desta forma, por 213 anos.

Segundo Flávio Josefo (História dos Hebreus, Vol. 3, Cap. I, §. 451), tomando os judeus como observadores deste confronto, a expectativa sobre o embate entre Alexandre e Dario III era de que Dario saísse vencedor.

Deu-se, porém, o contrário, e uma vez derrotado Dario, Alexandre seguiu para a Síria tomando Damasco e Sidon, vindo a empenhar-se então na conquista da cidade de Tiro.

Neste tempo a Samaria era governada por um tal Sambalate, que havia por sinal sido criado por Dario III. Sambalate estivera ao lado de Dario por toda sua vida, mas quando a situação se inverteu favorável a Alexandre, este não tardou em passar para seu lado enviando inclusive oito mil homens de seu exército para auxiliar Alexandre na guerra contra Dario.

Aproveitando-se da ocasião, com Alexandre vitorioso, Sambalate, governador da Samaria, pediu-lhe autorização para construir um templo no Monte Gerazim, perto de Siquém, na Samaria, e constituir nele seu genro, Manassés, como sumo-sacerdote, uma vez que este já havia ocupado o mesmo cargo no Templo de Jerusalém, mas por razões políticas havia sido afastado do mesmo. Alexandre autorizou e recomendou que a construção fosse ultimada com muita urgência.

Este templo viria a ser destruído no ano 128 AC por João Hircano, 200 anos depois de haver sido construído, mas o local continou sendo um ponto de adoração para os samaritanos, conforme se lê no Evangelho de João que nos relata o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana (Jo 4:19-21).

Alexandre enviou nesta ocasião uma carta ao sumo sacerdote de Jerusalém, por nome Jaddo, em que lhe pedia três coisas: auxílio, comércio livre com seu exército, e a mesma ajuda que dava a Dario.

Jaddo respondeu a Alexandre que por força de juramento nada poderia fazer contra Dario enquanto este vivesse, pois havia entre eles um pacto.

Alexandre prometeu então punir Jerusalém logo que se desocupasse de Tiro, e de fato, marchou contra a cidade conforme prometera.

Diz Josefo que se preparou assim toda Jerusalém para sua chegada esperando pelo pior, e que por inspiração divina os sacerdotes se vestiram de branco para recebê-lo.

Ao ver então o nome de Deus gravado em ouro na tiara do sumo sacerdote, Alexandre se prostrou em adoração. Indagado por Parmênio, um de seus generais (a quem Alexandre viria a assassinar posteriormente), por qual razão o homem diante de quem todos se prostravam adorava agora um simples sacerdote, Alexandre respondeu:

“Não é a ele, o sumo-sacerdote que adoro, mas é ao Deus de quem ele é ministro, pois quando eu ainda estava na Macedônia e imaginava como poderia conquistar a Ásia, Ele me apareceu em sonhos com estes mesmos hábitos, e me exortou que passasse o estreito do Helesponto e garantiu-me que Ele estaria à frente de meu exército e me faria conquistar o império dos persas. Eis por que jamais tendo visto antes a ninguém revestido de trajes semelhantes aos que Ele me apareceu em sonho, não posso duvidar de que foi por ordem de Deus que empreendi esta guerra e assim venci Dario.”

Alexandre depois de assim ter respondido a Parmênio subiu ao templo e ofereceu sacrifícios a Deus conforme a orientação do sumo-sacerdote, que lhe mostrou na ocasião o Livro de Daniel, onde estava escrito que um príncipe da Grécia destruiria o império dos persas e disse-lhe que não duvidava de quera dele de quem falava a profecia.

O relato de Josefo não encontra paralelo na Bíblia, mas quem pode duvidar que que seja verdadeiro o seu testemunho? A Bíblia revela que Deus chamou homens poderosos como Nabucodonosor e Ciro para cumprir Sua vontade e mesmo não sendo mencionado o fato na Bíblia, muito mais Alexandre que todos os demais prestaram um enorme serviço ao Senhor da história, pois Jesus, na plenitude dos tempos (Gl 4:4), pregará aos judeus o evangelho que se espalhará pelo mundo escrito e falado na língua grega.

Alexandre aproximou o ocidente do oriente originando assim uma cultura helênica de caráter mundial a partir do estímulo ao comércio, tolerância religiosa e casamentos inter culturais.

323 AC (Anno Mundi 3573) – morre Alexandre, o Grande
Alexandre morreu na cidade de Babilônia em 323 AC, tendo seu reino sendo divido entre os chefes de seu exército: Depois muita luta e várias revoltas por todo império, Antígono teve a Ásia; Seleuco, a Babilônia e as nações vizinhas; Cassasndro, a Macedônia, e Ptolomeu, filho de Lago, o Egito.

3 comentários

Filed under Uncategorized