Monthly Archives: Outubro 2011

A Ressurreição de Jesus

Ano 30 DC – 16 de Nisan – sexta-feira – a compra das especiarias
Vejamos o texto de Marcos 16:1-2: “E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.” Marcos 16:1-2

O texto acima faz distinção clara ao fato de que o SÁBADO em questão se refere ao 15 de Nisan, pois, “passado o SÁBADO”, por suposto o dia seguinte à crucificação, as mulheres foram comprar aromas. Teriam comprado os aromas na sexta-feira, para descansarem o sábado regular e no Domingo irem ao túmulo. Vê-se claramente que há um dia útil entre este Sábado referido e o domingo.

 

Ano 30 DC – 18 de Nisan –  Domingo – ressurreição de Jesus
No domingo muito cedo as mulheres foram ao local do sepultamento de Jesus e constataram que ele havia ressuscitado. (Lc 24:1)
Jesus permaneceu entre seus seguidores por quarenta dias depois da sua ressurreição (At 1:3), quando operou muitos sinais e foi visto por centenas de pessoas.

João, no encerramento de seu evangelho diz que nem todas as coisas feitas por Jesus foram registradas em livros. Os evangelhos expressam, desta forma, apenas o singelo ponto de vista de seus autores, que no momento em que os escreviam, tinham em mente um propósito específico. A mensagem de Jesus, no entanto, transcende os escritos bíblicos.

Poderia um simples carpinteiro, nascido numa cidade humilde de um país sem expressão econômica alguma, associado a pescadores e homens de profissões rudimentares mudar o curso da história a ponto de o tempo em todo mundo ser dividido em antes e depois de seu nascimento?  Apenas o Filho de Deus poderia realizar uma tal proeza.

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15 a 17 de Nisan – quinta, sexta e Sábado no seio da Terra – o sinal do Profeta Jonas

Um dos principais textos contrários à tese da sexta-feira é a referência dada pelo próprio Senhor Jesus quando os fariseus lhe pediram um sinal, ao que ele respondeu: “Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas; Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.” (Mateus 12:40)

Se Jesus foi sepultado na sexta-feira, obviamente não teria cumprido os três dias e três noites, uma vez que ressuscitou no domingo.

Os que são a favor de manter a sexta-feira como dia da crucificação entendem que Jesus teria empregado aqui uma expressão idiomática, o que é de fato sustentável à luz da própria Bíblia. Gênesis 42:17-18, por exemplo, relata o confronto de José com seus irmãos no Egito: “E pô-los juntos, em prisão, três dias. E ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; porque eu temo a Deus.”  Neste caso a expressão três dias e três noites tem o mesmo valor que três dias. Outro exemplo pode ser visto na passagem em que os amalequitas saqueiam Ziclague e levam cativas as esposas de Davi em 1 Sm 30:7-13, onde também três dias e três noites têm o mesmo valor que três dias.

Ao se aplicar, no entanto, o sentido literal às palavras de Jesus, partindo do domingo, como dia da ressurreição, teríamos que entender que o Senhor ficou sepultado o dia e a noite do sábado, o dia e a noite da sexta-feira, e o dia e a noite da quinta-feira, e desta forma teria sido crucificado na quarta-feira, e sepultado nas primeiras horas da quinta-feira.

A quinta-feira deve ser objeto de certa reflexão acerca do tempo que José de Arimateia teria para cuidar do sepultamento de Jesus depois de ser dado como morto às 15 horas daquele dia, cerca de 4 horas antes do início do novo dia. Seriam estas 4 horas tempo suficiente para José de Arimateia ir ao palácio do governador, obter a autorização de Pilatos, retornar ao Calvário, tirar Jesus da Cruz, limpar seu corpo e enterrá-lo? Vejamos os fatos:
1 – Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã, conforme nos relata Marcos 15:25: “E era a hora terceira, e o crucificaram.”
2 – Marcos 15:34 e Mateus 27:46 nos informam que Jesus morreu às 15 horas, hora nona do horário judaico.
3 – Lucas (23:50-54) e Marcos (15:42-46) relatam que José de Arimateia pediu a Pilatos o corpo de Jesus para ser sepultado.

Vejamos o texto de Marcos: “E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, chegou José de Arimateia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus. E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.  E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José; o qual comprara um lençol fino, e, tirando-o da cruz, o envolveu nele, e o depositou num sepulcro lavrado numa rocha; e revolveu uma pedra para a porta do sepulcro.”

Os textos não dizem se José de Arimateia estava presente no Calvário quando Jesus morreu. Seria mais provável que estivesse em Jerusalém já preocupado com o sepultamento, e desta forma, quando chegou a notícia da morte de Jesus, solicitou uma audiência com o governador, e só depois de ter o seu consentimento foi sepultá-lo.

Quem provavelmente retornou do Calvário com a notícia teria sido o centurião a quem Pilatos indagou, ou mesmo outro soldado, que teria gasto pelo menos uma hora entre certificar a morte de Jesus e chegar a Jerusalém, considerando que o Calvário está próximo a uma das entradas da cidade.

José gastaria então uma hora na melhor das hipóteses para conseguir e terminar a audiência com Pilatos, e mais meia hora para retornar ao Calvário.

Retirar Jesus da Cruz, limpar o seu corpo, respeitar o pranto de sua mãe, João, das outras mulheres e demais seguidores de Jesus, e depois transportá-lo ao local do sepultamento  com certeza não tomaria menos de duas ou três horas, sendo que qualquer destas hipóteses faria com que Jesus fosse sepultado no anoitecer, ou seja, quando já teria iniciado um novo dia na contagem de tempo judaica, e desta forma, o dia do sepultamento já não seria o mesmo dia da morte do Senhor, mas sim um novo dia, o SÁBADO.

Temos que fazer então duas reflexões: uma que conforme vimos ao tratar das festas judaicas, nem sempre o Sábado é o dia seguinte à sexta-feira; o  segundo ponto se refere ao princípio de nossa análise: Jesus, para cumprir literalmente o sinal de Jonas deveria ter morrido na quarta-feira e desta forma ser sepultado nas primeiras horas da quinta-feira. Desta  forma se cumpriria integralmente sua própria profecia e consequentemente teria sido crucificado na quarta-feira, 14 de Nisan, mesmo dia em que se prepara a Páscoa, o chamado dia da preparação até os dias de hoje, dia em que o cordeiro é sacrificado.

Muitas de nossas interpretações acerca da crucificação de Jesus são influenciadas pela tradição e, sobretudo, pelos filmes, pois como se sabe, uma imagem vale mais que mil palavras.

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Ano 30 DC – 14 de Nisan – quarta-feira – 9 horas da manhã – a crucificação

Marcos usa a forma judaica de contar o tempo para nos informar que às 9 horas da manhã Jesus foi crucificado: “E era a hora terceira, e o crucificaram.”  (Marcos 15:25)

É do consenso geral que o Evangelho de Marcos teve como destinação primeira a cultura romana, e desta forma, ao se referir às horas tem o cuidado de usar a contagem judaica, de maneira a não associar seus leitores à idéia de transferência de qualquer responsabilidade aos romanos pela morte de Jesus.
 
Ano 30 DC – 14 de Nisan – quarta-feira – das 12 às 15 horas – trevas sobre a Terra
Marcos informa que entre o meio dia e 15 horas houve trevas sobre a Terra: Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona”
 
Ano 30 DC – 14 de Nisan – quarta-feira – 15 horas – morte de Jesus
Conforme MT 27:50-54, às 15 horas, quando Jesus deu seu último suspiro, o véu que isolava no Templo o lugar santíssimo se rasgou de cima a baixo; a terra tremeu e muitos crentes em Jesus foram ressuscitados. Naquele preciso instante. Jesus consumara sua missão.

Recordando o contexto da conversa que Jesus tivera com a mulher samaritana, chegara o tempo em que não havia mais separação entre o homem e o criador. O véu do Templo fazia a separação do Lugar Santo do Santíssimo, onde apenas o sumo sacerdote entrava uma vez por ano para expiar os pecados da nação. Estava desfeita a separação do homem com o seu Criador, permitindo desta forma o cumprimento das palavras de Jesus à mulher samaritana: ” Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.”(João 4:23)

Jesus morreu, portanto, no mesmo dia que os judeus sacrificavam o cordeiro da Páscoa. “Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.” (Ex 12:1-6)

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Ano 30 DC – 14 de Nisan – quarta-feira – início do julgamento de Pilatos

Conforme o relato de João, o julgamento de Jesus perante Pilatos começou às 6 horas da manhã: ” E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei. (João 19:14)

Este é outro texto que deixa claro o dia da crucificação, 14 de Nisan, dia da Preparação da Páscoa.

João usa aqui, diferentemente de Marcos, o horário romano, onde o dia, igual à nossa forma de contar o tempo, se inicia à meia noite.

Pilatos, não vendo em Jesus crime algum, ouvindo dizer que era Galileu, e sabendo que Herodes, tetrarca da Galileia se encontrava em Jerusalém por causa da semana da Páscoa, enviou-lhe Jesus para que ele o julgasse. Também Herodes, não podendo culpar Jesus de coisa alguma o devolveu a Pilatos. (Lucas 23:6-12)

Pilatos insistiu na inocência de Jesus certo de que propondo o indulto da Páscoa, onde por tradição o governador soltava um judeu, certamente Jesus seria solto em detrimento a Barrabás, mas o povo preferiu sua morte.

Mateus 27:24-25 reporta que Pilatos vendo crescer o tumulto lavou suas mãos dizendo-se inocente do sangue de Jesus e o entregou à morte. O mesmo texto destaca a resposta do povo diante da hesitação de Pilatos: “o seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos”. As duas coisas teriam repercussão eterna: lavo as mãos é uma expressão utilizada até os dias de hoje. Quanto à maldição imprecada pelos judeus sobre eles próprios e seus filhos a própria história cuidou de mostrar o seu efeito.

Jesus foi condenado à MORTE. Seu crime, conforme João 19:7, reside na sentença de Caifás: “Nós temos uma Lei e, segundo a nossa Lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.”

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Ano 30 DC – 14 de Nisan – quarta-feira – Dia da Preparação

Todas as passagens do Novo Testamento quanto ao “dia da preparação” se referem ao 14 de Nisan, dia da preparação da Páscoa, conforme a Lei de Moisés. Em nenhum caso se refere à sexta-feira. Vejamos todos eles:
 
1 – Relato de Lucas quanto ao sepultamento de Jesus: “E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado.”  (Lucas 23 : 54)
 
2 – Relato de João quanto às palavras jocosas de Pilatos dirigiras aos fariseus no dia da crucificação do Senhor: “E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei.”  (João 19 : 14)
 
3 – Relato de João quanto à providência que os fariseus queriam tomar para apressar a morte de Jesus: “Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.”  (João 19 : 31)
 
4 – Relato de João quanto ao sepultamento de Jesus: “Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus.”  (João 19 : 42)
 
5 – Mateus se refere ao dia seguinte à morte de Jesus quando os sacerdotes foram solicitar a Pilatos a guarda do túmulo: “E no dia seguinte, que é o dia depois da Preparação, reuniram-se os príncipes dos sacerdotes e os fariseus em casa de Pilatos,”  (Mateus 27 : 62)
 
Conforme vimos, o 14 de Nisan era o dia da preparação da Páscoa, uma quarta-feira, conforme o calendário judaico do ano 30 de nossa era. De acordo com a Lei, o 15 de Nisan, que naquele ano caiu numa quinta-feira, era um SÁBADO, dia solene de descanso.

Vê-se pelo texto de Mateus que não é o sumo sacerdote quem vai a Pilatos, mas sim, os príncipes dos sacerdotes. Foi uma forma de os príncipes darem sua cota pessoal de sacrifício, poupando o sumo sacerdote de violar o Sábado.

João 19:31 faz referência que aquele era um grande dia de SÁBADO, pois era um dos dois SÁBADOS da festa, ou seja, o 15 e 21 de Nisan, dias de descanso solene. O SÁBADO, 15 de Nisan, caiu numa quinta-feira, e o SÁBADO, 21 de nisan, último dia da Festa dos Ázimos, caiu numa quarta-feira.

Conforme o capítulo 13 de João, Jesus ceou com os discípulos, e depois da Ceia lavou-lhes os pés. Só então Judas, que havia previamente combinado o preço da traição de Jesus com os sacerdotes (Mateus 26:14-16) ausentou-se do cenáculo para entregá-lo às autoridades.

Jesus foi preso no Monte das Oliveiras tarde aquela noite. Foi primeiramente levado à casa de Anás (João 18:13), sogro de Caifás, o sumo sacerdote aquele ano, e mais tarde levado à presença do próprio Caifás.

João era de alguma forma conhecido de Anás (João 18:15) e desta forma pode acompanhar Jesus até o interior da casa onde foi interrogado, e também interceder para que fosse permitida a entrada de Pedro no pátio. Foi na casa de Anás que Pedro negou Jesus (João 18:17) pela primeira vez. Dali Jesus foi enviado à casa de Caifás onde Pedro o negou por mais duas vezes. (João 18:24-27)
Conforme Marcos 14:61-64, Jesus foi achado pelo sumo sacerdote culpado de crime punível com morte, e por não ter poder para executar a condenação levaram Jesus à presença de Pilatos para que o sentenciasse. O teólogo americano Robert Gundry comenta em seu Panorama do Novo Testamento (Editora Vida Nova, 2ª edição, 1981, Página 217) que Anás, genro de Caifás, havia sido deposto do cargo de sumo sacerdote por haver sentenciado um judeu à morte na ausência do governador.

O texto de João 18:28  diz que “depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa”. É mais um texto que mostra claramente que a Ceia do Senhor não correspondeu a Páscoa judaica, e que era o dia 14 de Nisan, uma vez que os sacerdotes não queriam se contaminar para comer a Páscoa, o que acontecia no dia 15 de Nisan. Definitivamente Jesus foi morto do 14 de Nisan.

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A Ceia do Senhor

A ceia pascal, como já vimos, é composta da carne do cordeiro sacrificado, além do pão ázimo, e de ervas amargas. As ervas amargas representam os dias de sofrimento no Egito, enquanto o pão sem fermento representa a pressa dos hebreus em deixar aquele lugar.

Já a Ceia do SENHOR, a última ceia de Jesus, não tinha estes elementos. Havia, sim, o pão, que o texto bíblico não informa se levedado ou não, além do vinho, algo que não faz parte da ceia pascal.

Se Jesus tivesse comido a Páscoa, certamente haveria à mesa estes elementos, as ervas amargas, o cordeiro e o pão sem levedura. Em Mateus 5:17 o próprio Jesus afirma: ” Não cuideis que vim destruir a Lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir”, e se estivesse cumprindo a Lei, tais elementos estariam à mesa, mas não estavam, o que nos faz concluir que não era de fato a ceia pascal, conforme a informação de João.

Ano 30 DC – 13 de Nisan – Terça-feira – a preparação da Ceia do Senhor
A crucificação de Jesus veio a acontecer, de acordo com a maneira dos judeus contarem o tempo, no mesmo dia da crucificação. Embora a Ceia tenha ocorrido à noite e a crucificação na manhã seguinte, trata-se do mesmo dia, pois para os judeus o dia se inicia no por do sol, e não no alvorecer.

Se por um lado Mateus, Marcos e Lucas aparentemente apontam para a crucificação na sexta-feira, por ser véspera de sábado, que supostamente, conforme se crê, seria a Páscoa, João afirma que ela ocorreu antes disto.

Estar ciente de que a Bíblia é a Palavra de Deus, não é só o aspecto mais importante da interpretação da Escritura, mas sim, o único que devemos ter em mente, pois, sendo a Palavra do próprio Deus, a Bíblia é perfeita em cada mínimo detalhe, e sendo assim, não devemos temer colocá-la à prova em circunstância nenhuma.

Ora, se a Palavra de Deus é perfeita, temos que entender que ambas versões falam da mesma coisa, e desta forma nos resta entender o significado das narrativas dos sinóticos. Tomemos como material de análise o texto de Lucas 22:7-14, uma vez que Marcos e Mateus se estruturam da mesma forma.

A narrativa de nenhum dos evangelhos segue uma linha cronológica. Não é possível, desta forma, estabelecer com precisão nem a cronologia da maioria dos eventos da vida de Jesus, e nem tampouco ordenar a sequência dos acontecimentos com certeza absoluta. Também os evangelhos não têm o propósito de contar a história de Jesus.

Os evangelhos se completam e se harmonizam. Se não tivéssemos, por exemplo, o Evangelho de João, concluiríamos que o ministério de Jesus teria durado cerca de um ano, e não três. Não tivéssemos Lucas, não saberíamos com precisão a data do batismo de Jesus, e desta forma, a preocupação dos redatores não é narrar a história de Jesus, mas sim, os seus ensinamentos. E se não narram a história, por que esperar que os capítulos estejam cronologicamente ordenados?

É o caso dos relatos dos três sinóticos: nenhum deles poderia estar dizendo que no dia dos ázimos, 14 de Nisan, Jesus mandou que os discípulos fossem preparar a Páscoa. Quando o verso 7 de Lucas, no caso que estamos examinando, diz que chegou o dia dos ázimos, não está se referindo que naquele dia Jesus mandou preparar a Páscoa, mas sim que naquele dia comeu a Páscoa com os discípulos, que por suposto, teria sido preparada anteriormente. Se discordarmos disto, fazemos o Evangelho de João mentiroso, uma vez que ele afirma que a data foi outra.

Uma forma melhor de entender esta explicação é ler o texto referido (Lucas 22 7-14) colocando o verso 7 em seu real contexto cronológico, querendo assim significar a data da Ceia, e não da preparação. Vejamos como fica:

Lucas 22
8 E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos.
9 E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos?
10 E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar.
11 E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?
12 Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado; aí fazei preparativos.
13 E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa.

7 Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa.

14 E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos

Não estamos aqui alterando a Escritura, mas sim, propondo um arranjo cronológico diferente que nos possa permitir entender qual assunto está em foco. Entendendo desta forma, que a narrativa está datando a Ceia, e não o dia dos preparativos, os textos sinóticos se alinham perfeitamente ao de João, sem qualquer conflito.

No dia 13 de Nisan, terça-feira, os apóstolos prepararam a Ceia, que foi tomada por Jesus e seus discípulos depois do por do sol daquele dia, quando já iniciava um novo dia, o dia da preparação, 14 de Nisan.

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Aspectos a serem considerados a respeito da Ceia e Crucificação do Senhor

Jesus foi crucificado no mesmo dia em que tomou a Ceia junto com os apóstolos. A ceia foi tomada às primeiras horas dia judaico, ou seja, por volta de 19 horas, e a crucificação ocorreu na manhã seguinte, por volta das 9 horas da manhã, hora terceira, conforme o horário judaico. Temos sempre que nos recordar que dia judaico se inicia ao por do sol, e não no alvorecer, e que as horas são medias a partir do por do sol, no que se refere à noite, e a partir do alvorecer, no que se refere à manhã.

O horário do por do sol em Jerusalém varia no decorrer do ano entre as 17:40 horas no inverno, até 19:15 horas no verão. Jerusalém esta situada no hemisfério norte, onde a primavera começa em 21 de março, e desta forma, tendo sido Jesus crucificado em Abril, o por do sol se dava por volta das 19 horas.

O principal alicerce sobre o qual construímos nossa conclusão sobre a crucificação na sexta-feira se relaciona aos repetidos relatos dos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) a respeito da data da crucificação como sendo uma véspera do Sábado.

Também com relação à Ceia, os três são unânimes e repetem quase com as mesmas palavras que : “no primeiro dia da festa dos pães ázimos, chegaram os discípulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa? ” (Mateus 26:17); Marcos relata o fato com a mesma ênfase: “E, no primeiro dia dos pães ázimos, quando sacrificavam a páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a páscoa?” (Marcos 14:12); Lucas, relata desta maneira: “Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa. E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos.” (Lucas 22:7-8)

O argumento de Lucas é o mais claro, pois enfatiza que “era o dia dos ázimos, dia em que ” importava sacrificar a páscoa”, de maneira que não resta dúvida que Lucas se refere ao 14 de Nisan, conforme estabelece a Lei de Moisés, o que nos faz crer que o Senhor comeu de fato a páscoa judaica.

Mesmo sendo um fato amplamente conhecido, vejamos como Lucas relata toda a história: “Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa. E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei preparativos. E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa. E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; (Lucas 22:7-15)

Dos quatro evangelistas, nunca é demais lembrar que Mateus e João foram discípulos de Jesus desde o início de seu ministério. Marcos era discípulo de Pedro, enquanto Lucas era ligado ao apóstolo Paulo.

Se por um lado Mateus, Marcos e Lucas datam da mesma forma o acontecimento, concordando claramente com 14 de Nisan, João, no entanto, parece se lembrar que a Ceia do Senhor tenha ocorrido em outra data, antes da Páscoa: “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. E, acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.” (João 13:1-5)

É bom observarmos que conforme o texto de Lucas citado acima, Jesus enviou dois dos discípulos para preparar a Páscoa, Pedro e João, de maneira que não há por que duvidar que João sabia o que estava escrevendo, pois foram ele e Pedro que organizaram a última ceia de Jesus.

Bem, se a resposta a ser dada tivesse que respeitar a opinião da maioria, teríamos de fato que acatar que os sinóticos estão certos e que João se enganou quanto à data. Mas de fato a Bíblia tem pouco a ver com o direito da maioria e mais com a inspiração do Espírito Santo quanto ao resultado daquilo que foi escrito, e assim, antes de colocarmos a questão, muito apropriada, por sinal, de quem está certo, e quem está errado, é bom verificarmos um preceito básico de interpretação da Bíblia: Ela é perfeita e não contém erros, e desta maneira somos levados a crer que ambas definições da data da Ceia do Senhor estão corretas.

Veja por exemplo as duas diferentes referências bíblicas para o início de reinado Jorão de Israel. 2 Rs 1:17 diz que: “Assim, pois, morreu (Acazias), conforme a palavra do SENHOR, que Elias falara; e Jorão começou a reinar no seu lugar no ano segundo de Jeorão, filho de Jeosafá, rei de Judá; porquanto não tinha filho (era irmão de Acazias).

Já 2 Rs 3:1 relata o mesmo acontecimento de outra forma: “E Jorão, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no décimo oitavo ano de Jeosafá, rei de Judá; e reinou doze anos.”

Seria aqui caso aqui de perguntar qual dos dois relatos está correto? De maneira alguma, pois estão ambos corretos, uma vez que definem a corregência entre Jeosafá e Jeorão, pai e filho.

O apóstolo Pedro nos assegura que “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1 : 21) Assim, a Bíblia como um todo e cada mínimo detalhe nela contido é a expressão absoluta da palavra do próprio Deus, e não o produto do desenvolvimento religioso, ou da vontade, ou da inspiração individual do homem.
Qual então a conclusão sobre o impasse? A conclusão é que estão ambas informações corretas, e a nós compete conciliá-las.

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