A Estrela de Belém

Na Bíblia, a adoração dos astros foi proibida pela Lei de Moisés, conforme se lê em Deuteronômio 17:3-5: “se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei, e te for denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel, então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra”.

Curvar-se, portanto, diante do exército celeste, aos astros de uma maneira geral, que é o que faz a astrologia, é contra a Lei de Deus, e é nisto que incorrem os que leem horóscopo, mapa astral, e coisas afins.

Por outro lado, por toda a Escritura, os autores sagrados sempre se valeram dos astros para revelar a grandeza e os sinais da parte de Deus, tanto no Antigo Testamento como no Novo.

Davi, revelando ter uma grande consciência quanto à graça infinita de Deus diz no Salmo 8: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés”.

Para além de exaltar por toda a Bíblia a majestade de Deus, os astros são também usados para nossa advertência. O Profeta Joel, por exemplo, mandou desde a antiguidade um aviso aos inimigos de Israel dos nossos dias, que estes pagarão com suas próprias vidas o preço de atentar contra o povo escolhido, anunciando na Escritura, que no dia da vingança de Deus contra eles, “o sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor”, num claro veredito contra as nações que hão de se levantar contra Israel muito em breve. (Joel 3: 15)

O Profeta está em perfeita sincronia com o Senhor Jesus, quando este, no Sermão Profético, confirma estas palavras dizendo que “logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.”(Mt 24:29)

A Estrela de Belém é um destes muitos sinais da Bíblia, usada, por sua vez, para marcar para sempre nas estrelas, a chegada do redentor da humanidade.

Talvez por ser um fenômeno fácil de ser imaginado, é difícil de ser explicado com exatidão em termos científicos. Nossa imaginação nos leva a pensar que fosse algo como um cometa, ou mesmo uma Nova ou Super Nova, algo extraordinário.

Nova e Supernova são fenômenos semelhantes , variando apenas em função do tamanho das estrelas que os causam. Enquanto uma Nova se refere a uma estrela anã, a Supernova se refere a uma estrela de grande massa, 10 vezes maior que o nosso Sol.

Quando termina o seu combustível, no caso de uma Supernova, ocorre uma explosão que libera a mesma energia que o Sol produziria em toda a sua expectativa de vida, ou seja, em 10 bilhões de anos, e desta forma, uma explosão de tamanha magnitude poderia ser observada da Terra, a olho nu, por diversos meses seguidos.

Em nossos dias, com a popularização da ciência pela TV e pela internet, quase todos têm conhecimento destes fenômenos, mas não deixa de chamar a nossa atenção o que o rei Davi, quase mil anos antes de Cristo, escreveu no Salmo 102:25-26: “Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados “. Como poderia alguém ter, naqueles remotos tempos de tão pouca ciência, conhecimento de que as estrelas envelhecem?

O último registro de uma Supernova ocorrida em nossa galáxia, a Via Láctea, ocorreu em 1604, tendo sido observada por Kepler, sobre quem falaremos adiante, que a estudou juntamente com o dinamarquês Tycho Brahe. Este fenômeno, cujo brilho durou nos céus por 18 meses, de outubro de 1604 a abril de 1605, veio derrubar o conceito estabelecido por Aristóteles de que o Universo era fixo e imutável.

Pode-se concluir, portanto, que se a nossa estrela fosse uma Supernova, ou mesmo ainda um cometa, todos a teriam visto, incluindo Herodes, que conforme o texto de Mateus nada sabia a este respeito, nem ele, nem os habitantes de Jerusalém. Mateus 2:7 nos dá conta de que o próprio Herodes “inquiriu exatamente deles (os magos) acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera”.

Desta forma, podemos primeiramente concluir que qualquer pessoa comum, sem conhecimento astronômico, nada teria visto nos céus de Israel. Já os magos, astrônomos experientes, habituados à rotina celeste, acompanharam um fenômeno tão extraordinário, que o entenderam como algo sobrenatural, um sinal, e conforme o consenso geral, concluíram que a estrela indicava o nascimento de um rei. Seria isto?

Se a estrela indicasse a eles, que estava por nascer o futuro rei dos judeus, que importância teria isto no contexto mundial a ponto de fazer estes sábios se deslocarem desde o oriente até o pequeno Israel? O que era Israel naquele tempo? Saberiam os magos a qual nascimento se referia a estrela? Conheceriam eles as escrituras sagradas?

Com certeza conheciam. Se não conhecessem, faria sentido pensar que empreendessem esta jornada, se houvesse nascido, num caso concreto, um novo imperador de Roma, aquele que num futuro próximo governaria todo o mundo, mas não o rei da Judéia.

No entanto, quando pensamos na insignificância política do Israel daquele tempo, somos de fato obrigados a concluir que os magos conheciam as escrituras, e desta forma, sabiam perfeitamente que a estrela não indicava um nascimento qualquer, mas sim, do Rei dos reis, o Messias, o filho de Deus.

Desta forma, é bastante plausível entender que estes magos fossem não propriamente descendentes de Abraão, mas sim estudiosos da cultura de seu tempo, e com certeza absoluta, conhecedores dos textos sagrados que revelavam a vinda do Messias.

Caso fossem hebreus, as escrituras os revelariam como tal, mas certamente não eram. O Evangelho de Lucas, por exemplo, nos mostra o comportamento dos crentes judeus quando se deu o nascimento de Jesus, desde Isabel e Zacarias, os pais de João Batista, até os pastores, e Simeão e Ana, que adoraram Jesus na qualidade de filhos de Abraão. Todos se identificam como descendentes de Abraão, e como tal, entendem pela Escritura que sinais inequívocos revelam que é chegada a plenitude dos tempos.

Num paralelo com Lucas 11:31, podemos concluir que também estes magos se levantarão no dia do juízo, não só contra os seus contemporâneos, como contra toda a humanidade que não entende quem era o recém nascido. Não foi Jesus quem disse que “a rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois até dos confins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão”. Pois não fizeram os magos a mesma coisa?

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A questão da morte de Herodes

A história data insistentemente a morte de Herodes em 4 AC. Sua morte nos é importante, pois, conforme vimos anteriormente, Herodes mandou que fossem mortos os meninos nascidos em Belém dois anos antes da data obtida dos magos, o que estava, por sua vez, relacionada ao surgimento da estrela vista por eles no oriente. Desta forma, o nascimento de Jesus teria que ter ocorrido antes disto, entre 5 e 7 AC.

Relatos de historiadores antigos, tais como Irineu, Hipólito de Roma, Orígenes, Clemente de Alexandria, Cassiodorus, Julius Africanus, Tertuliano, Hipólito,Euzébio, e Jerônimo, entre outros, colocam o nascimento de Jesus entre 2 e 3 AC. Embora a maioria deles seja catalogada do ponto de vista da doutrina cristã como hereges, vale o seu testemunho histórico, pois seus registros mostram aquilo que seria o consenso geral a respeito desta questão nos primeiros séculos da igreja.

Ainda segundo o consenso geral entre os historiadores, a data da morte de Herodes foi fixada baseada nas informações de Flávio Josefo, principalmente uma que relata a ocorrência de um eclipse lunar pouco tempo antes de sua morte, que veio a ocorrer antes da Páscoa daquele ano. Desta forma, a morte de Herodes teria ocorrido entre janeiro e abril.

Conforme veremos examinando os textos de Josefo, qualquer leitor que desconhecesse o fato de a história datar a morte de Herodes em 4 AC, lendo os seus textos jamais a dataria da mesma forma, uma vez que Josefo dá uma informação muito mais segura sobre este evento, quando explica que Herodes reinou 37 anos desde a sua nomeação por Marco Antônio, e 34 anos depois de haver expulso seu antecessor Antígono da Judéia.

Herodes foi confirmado rei da Judéia em 37 AC, e só esta informação já seria suficiente para datar sua morte em 1 AC.

No contexto do parágrafo 741, do capítulo X, do Livro XVII das Antiguidades Judaicas, Josefo relata assim o acontecimento:

“741. Herodes mudou imediatamente o seu testamento. Em lugar do prece¬dente, em que tinha nomeado Antipas, seu sucessor, contentou-se neste em nomeá-lo, tetrarca da Galiléia e da Peréia; deu o reino a Arquelau; a Filipe seu irmão, a Traconítida, a Gaulanita e a Batanéia, que erigiu em tetrarquia; a Salomé, sua irmã, jamnia, Azoto e Fazaelite, com cinqüenta mil peças de prata. Deu ainda grandes presentes a todos os outros parentes, quer em dinheiro quer em rendi¬mentos anuais: deu a Augusto, além de sua baixela de ouro e de prata, grande quantidade de móveis e objetos preciosos, dez milhões de peças de prata e cinco milhões idênticas, à imperatriz e a alguns de seus amigos.

Ele sobreviveu a Antipatro (filho de Herodes), apenas cinco dias, e morreu trinta e quatro anos depois de ter expulso Antígono do reino e trinta e sete, depois de ter sido declarado rei, em Roma.

Não houve jamais príncipe mais colérico, mais injusto, mais cruel e mais favorecido pela sorte. Pois, tendo nascido em condição humilde, chegou a subir ao trono, venceu perigos sem conta e viveu muitos anos.

Quanto aos seus dissabores domésticos, embora as tentativas de seus filhos contra ele o tivessem tornado muito infeliz, segundo meu parecer, ele foi mesmo feliz nisso, segundo o juízo que disso ele fazia, porque não os considerando mais como seus filhos, mas como inimigos, ele os castigou e vingou-se deles.”

Antígono, antecessor de Herodes, era considerado por Marco Antônio inimigo dos romanos, além de perigoso e faccioso, e desta forma, vendo que ele consistia ainda numa ameaça a Herodes, mandou matá-lo. A morte de Antígono, a quem Marco Antônio mandou cortar a cabeça, é relatada no Vol IV, Livro XV, Capítulo I, parágrafo 628 das Antiguidades Judaicas, sem qualquer referência à data do acontecimento.

Não obstante haver uma informação tão clara datando a morte de Herodes 37 anos depois de ser nomeado governador da Judéia, a maioria dos historiadores prefere se valer de outro indicativo da data de sua morte: a ocorrência do mencionado eclipse, conforme relato da mesma obra em seu capítulo VIII.

Este capítulo trata de um acontecimento em que alguns judeus arrancam do portal do Templo uma grande águia de ouro que Herodes havia ali colocado.

Corria naqueles dias um boato de que Herodes, já muito doente, havia morrido, de maneira que um grupo de judeus animou-se em arrancar e destruir aquele símbolo que afrontava o primeiro mandamento de Moisés. E de fato o fizeram, à luz do dia, perante uma grande multidão que estava no Templo.

Alguns deles foram presos e julgados por Herodes, que mandou queimar vivo o líder dos revoltosos, um homem de nome Matias, muito bem visto e querido por todos. O texto de Josefo completa a narrativa dizendo que “naquela mesma noite sobreveio um eclipse da lua”.

Este fato, conforme se pode observar na tabela abaixo, parece também haver sido mal interpretado, uma vez que no ano 4 AC, os dois eclipses lunares ocorridos foram parciais, não sendo, desta forma, fatos dignos de destaque, enquanto se observa que no 1 AC houve dois eclipses totais da lua, tendo o primeiro deles, ocorrido em 7 de janeiro, o mais indicativo de ser o referido por Josefo. Faça você mesmo a simulação destas lunações com o software referido abaixo.

A razão pela qual os historiadores provavelmente optam pelo eclipse de 4 AC deve-se ao fato de que a narrativa subsequente ao acontecimento está mais próxima da Páscoa daquele ano, cerca de um mês, que por sua vez, veio a ocorrer em abril. Desta forma, acreditam os historiadores que os fatos narrados se ajustam melhor num período mais curto. É um raciocínio aceitável, mas pouco provável, uma vez que num relato histórico de cerca de quatro mil anos seria difícil, ou impossível, determinar com exatidão a duração dos fatos narrados.

Além disto, adotar a referência do dito eclipse, passaria por cima do único indicativo claro acerca da morte de Herodes, este por sua vez muito mais preciso, onde Josefo diz que ele ” morreu trinta e quatro anos depois de ter expulso Antígono do reino e trinta e sete, depois de ter sido declarado rei, em Roma”, argumento este mais que suficiente por si só para determinar a data de sua morte.

Na mesma obra referida, no Livro XV, capítulo VII, parágrafo 644, Josefo data indiretamente o início do governo de Herodes, quando relata a ocorrência de um grande terremoto na Judéia. Vejamos o texto: “644. No sétimo ano do reinado de Herodes, o mesmo em que se deu a batalha de Áccio, entre Augusto e Antônio, aconteceu na Judeia o maior terremoto de que ali se teve notícia”.

A batalha de Áccio deu-se, conforme consenso histórico, em 31 AC, e desta forma, a informação de que Herodes iniciou seu governo em 37 AC é bastante segura. Herodes reinou 37 anos, vindo a falecer, portanto, no ano 1 AC, como já advogam nos dias de hoje muitos pesquisadores.

Acatar esta data como correta nos coloca mais próximos de outros resultados consequentes, mais aceitáveis à luz daquilo que a Escritura nos revela, tal como o fato de Jesus ter cerca de 33 anos ser crucificado, e haver nascido entre 3 AC e 2 AC, o que também se coaduna mais com o parecer da igreja primitiva.

https://cronologiadabiblia.wordpress.com/2011/10/05/a-estrela-de-belem/

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A hipótese do nascimento de Jesus em 6 AC – Anno Mundi 3890

Conforme Mt 2:1, algum tempo depois que Jesus nasceu vieram visitá-lo uns magos do oriente que indagaram às pessoas de Jerusalém sobre seu local de nascimento, fato que perturbou Herodes, e toda Jerusalém.

Quando os magos se despedem de Jesus e sua família, são avisados para retornarem por outro caminho, e a própria família se refugia no Egito.

Herodes mandou então que fossem mortos todos os meninos nascidos em Belém de dois anos para baixo (Mt 2:16), conforme seu cálculo sobre a idade limite que teria Jesus nesta ocasião.

Conforme vimos pelos relatos de Josefo a respeito do caráter de Herodes, é fácil compreender por qual razão ele veio a acrescentar mais este crime hediondo à sua longa lista de pecados. Por medo de perder o poder, Herodes veio a matar seus amigos e colaboradores mais próximos, assassinou dois sumos sacerdotes, um irmão, três filhos, e a própria esposa. Como vemos, não lhe foi difícil tomar a decisão de assassinar os infantes de Belém.

Desta forma, sabendo-se que a morte de Herodes é consensualmente acreditada pelos historiadores em 4 AC, descontados estes dois anos, poder-se-ia estabelecer o nascimento de Jesus em 6 AC, no Anno Mundi 3890. Parece razoável, uma vez que se alinha o nascimento de Jesus com uma data historicamente aceita.

É oportuno lembrar que Dionísio, o Exíguo, estabeleceu que Jesus nascera em 25 de Dezembro, a partir do que, a data foi fixada pela igreja católica, sendo hoje aceita pelas demais denominações cristãs.

Tradição à parte, sabe-se que o natal foi fixado em 25 de Dezembro porque pareceu bem à Igreja Católica fazer coincidir a celebração do nascimento de Jesus com a mais importante data celebrada por pagãos gregos e romanos naquele tempo, que se refere ao antigo festival do nascimento do deus Sol, o que veio a facilitar imensamente o sincretismo religioso e a aceitação da data no mundo pagão. (The Golden Bough – O Galho Dourado – James George Frazer – 1890, Pág 471).

Jesus nasceu provavelmente entre os meses de Agosto e Setembro pelas evidências dos textos bíblicos, como por exemplo, a que descreve os pastores de ovelhas fazendo a vigília do rebanho à noite (Lc 2:8), o que seria impossível de acontecer em Dezembro, uma vez que é inverno nesta época.

Israel está localizado entre 29°-33° ao norte do Equador, o que caracteriza seu clima como subtropical, com temperaturas no mês de Dezembro variando entre 5 e 18 graus centígrados em Tel-Aviv, podendo chegar a zero grau nas cercanias de Jerusalém e Belém.

José e Maria se deslocaram de Nazaré a Belém da Judéia por ocasião do censo romano ordenado por Augusto Cesar, quando cada chefe de família devia se apresentar em seu local de nascimento. Por que razão os romanos fariam um censo em pleno inverno quando poucas pessoas teriam condição de trafegar devido a dureza do clima da estação?

Desta forma, se vincularmos o nascimento de Jesus ao fato historicamente aceito de que a morte de Herodes ocorreu em 4 A.C., somos obrigados a concordar com seu nascimento em 6 A.C. ou minimamente em 5 A.C.

Se concordamos com 6 A.C., neste caso como o mais provável ano do nascimento de Jesus, por decorrência teríamos que concluir que Jesus foi crucificado aos 35 anos de idade, o que contraria a informação passada por Lucas (Lc 3:23) que Jesus tinha cerca de 30 anos quando foi batizado. Estaria correto?:

Há, de fato, dois fatores importantes a serem considerados para concluirmos o ano de nascimento de Jesus: a morte de Herodes, e as datas relacionadas à estrela de Belém.

Sabendo que conforme as leis de Kepler, podemos determinar com exatidão, em qualquer época, a posição de qualquer estrela ou planeta, examinaremos as principais teorias a este respeito na tentativa de encontrar nossa estrela. Esgotemos, antes disto, as questões referentes à morte de Herodes tratadas no post abaixo:

https://cronologiadabiblia.wordpress.com/2011/10/03/a-questao-da-morte-de-herodes/

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Os anos faltantes do calendário judaico

A história secular nos diz que o homem vive no planeta há milhões de anos; alguns supõem que são bilhões, porque ao negar a criação como ato da vontade soberana de Deus, precisam de um grande espaço de tempo para justificar como uma ameba conseguiu evoluir a ponto de se transformar num ser humano.

A contagem de tempo bíblica, por sua vez, nos mostra a existência de 3896 anos entre a criação do homem e o ano 1 de nossa era, o que nos mostra que hoje não completamos ainda 6 mil anos de existência sobre a Terra.

Os judeus possuem uma contagem bíblica diferente da nossa, uma vez que estabelecem 3760 anos para o mesmo período, entre a criação do homem até o ano 1 de nossa era.

Qualquer fonte histórica que você pesquise relacionada a este assunto vai apontar para um fenômeno conhecido como os “anos faltantes”, ou “missing years” do calendário judaico. Este fenômeno se resume à falta de algo em torno entre 130 e 165 anos quando confrontado com calendário gregoriano.

Enquanto historiadores de todos os tempos, entre os quais ícones do porte de Xenofonte (430 – 355 A.C.) e Heródoto (484 – 425 A.C.), entre outros, confirmam a existência de 10 reis governando a Pérsia por cerca de 215 anos, o entendimento dos judeus é que o período durou apenas 52 anos, nos quais reinaram apenas quatro reis, exclusivamente os que estão listados na Bíblia. Segundo esta crença, os reis daquele tempo usavam vários pseudônimos fazendo parecer que eram pessoas diferentes, enquanto se tratava da mesma pessoa.

A resposta não é satisfatória, porque embora a Bíblia se limite a relatar somente a metade do império persa, mesmo assim nos mostra a existência de seis reis, sendo eles: 1- Dario, o Medo (Daniel 5:31); 2 – Ciro, o Grande (Esdras 1:1); 3 – Cambises, filho de Ciro, que conforme Esdras 4:6 é tratado na Bíblia por Assuero; 4 – Dario I (Esdras 4:24), 5 – Xerxes I, também chamado na Bíblia de Assuero, conforme o livro de Ester, e finalmente o sexto, Artaxerxes I. (Esdras 6:7)

É aceitável eliminar da lista acima Dario, o Medo, pelo fato de não ser ele o imperador persa na ocasião, conquanto era apenas governante designado da Babilônia, mas se o ponto de vista judaico é bíblico, conforme afirmam, a cronologia de Ciro na Bíblia só é contada depois de Dario, e desta forma, seu tempo de governo deve ser computado.

De qualquer maneira, o tempo bíblico dos cinco reis restantes totaliza 109 anos, e se contarmos Dario, o Medo, conforme o faz a Bíblia, totaliza-se 112 anos, um ou outro, tempos muito superiores à contagem sugerida pela lógica judaica.

Para dizer que são quatro governantes, ter-se-ia também que eliminar Cambises, uma vez que tal nome não é nomeado na Bíblia, o que não é correto, uma vez que é chamado de Assuero.

Outro problema com esta contagem é que o império persa caiu diante de Alexandre, o Grande, que conforme se sabe, derrotou Dario III, encerrando desta forma o período de dominação persa, e desta forma, seria necessário juntar mais pelo menos este à suposta lista de 4 imperadores, e mesmo assim, seria preciso eliminar os anos que separam Artaxerxes I, o governante do tempo de Esdras, do tempo da conquista de Alexandre, o que significa sumir com mais de 100 anos adicionais de história, que somados à diferença da contagem bíblica, resulta na falta deste tempo.

Seria preciso eliminar, e de fato fizeram isto, cortaram estes anos, e em nome da tradição, esta contagem de tempo incorreta é aceita sem questionamento até os dias de hoje.

O responsável por este cálculo é o rabbi Yose ben Halafta, sobre quem falamos quando tratamos da Seder Olam Rabbah. Seguimos, por sinal, à risca, alguns de seus bons conselhos referentes à interpretação bíblica.

O rabino Yose fez isto por volta do ano 160 de nossa era, mais de um século depois de Jesus, que em última análise, é a razão do tal sumiço de tempo.

A explicação mais coerente para este fenômeno se dá como sendo provavelmente o resultado de uma manobra para ocultar dentro do próprio judaísmo a identificação histórica de Jesus como Messias, morto no tempo profetizado por Daniel (Dn 9:24-25).

Mas o que fazer com a profecia de Daniel? O rabino Yose interpretou a profecia das 70 semanas como sendo o tempo decorrido entre a destruição do primeiro e o segundo templos, eventos que estando biblicamente separados por exatos 663 anos precisavam de uma redução significativa para caber nos 490 anos de Daniel, ainda que a profecia de Daniel, nem de longe, nem nas entrelinhas, mencione o Templo de Jerusalém.

Sem nos estendermos mais neste assunto, é importante reconhecer que esta manobra cronológica desviou da verdade, ao longo dos séculos, milhões de judeus impedidos de conhecer Jesus como o Messias. O rabino Yose estabeleceu dentro do judaísmo um paradigma que a tradição religiosa dos judeus cuidou de manter.

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O Anno Domini e Dionísio, o Exíguo

Conclui-se, pelo visto anteriormente, que a reforma gregoriana nada tem a ver com a determinação do Anno Domini, ano 1 de nossa era, supostamente o ano de nascimento de Jesus,  que já estava determinado e era reconhecido no calendário juliano.

Esta data foi fixada pelo monge católico Dionísio, o Exíguo, no ano 525 DC, em decorrência de um trabalho de compilação da tabela para determinar a Páscoa nos anos futuros, que naquele tempo eram calculadas tendo por base o calendário juliano.

Seria um trabalho de continuidade da tabela anterior, que por uso e costume, era contada a partir da era diocleciana. Era costume contar eventos importantes a partir do início do reinado dos imperadores romanos, neste caso da tábua pascal vigente na época, a contagem era feita a partir de Diocleciano.

Diocleciano, imperador romano entre 284 e 305 DC, é notoriamente reconhecido por sua capacidade administrativa. Implantou profundas reformas no império, que contribuíram para adiar o declínio de Roma e criaram as bases do império bizantino.

De origem humilde, Diocleciano fez carreira militar chegando a comandante da guarda imperial e  posteriormente a cônsul, tendo sido reconhecido imperador pelo senado após matar Árrio Áper, assassino de Numeriano, o imperador que o antecedeu.

Entre suas reformas, impôs o latim como língua oficial do império, e também obrigou os agricultores a se fixar no campo, proibindo-os de abandoná-lo, suprimindo desta maneira, a liberdade individual. Seu tempo ficou conhecido como a era dos mártires, marcada pela perseguição dos cristãos, tendo ordenado em 303 DC, a destruição das igrejas, e a demissão dos cristãos do serviço público.

Para não continuar a se referir a Diocleciano na sua tabela pascal, Dionísio propôs que a contagem fosse referenciada a partir do nascimento de Jesus, trabalho este apresentado através da “Liber de Paschate”, publicado em 525. Foi assim introduzido o Anno Domini, suposto ano de nascimento de Jesus, fixado por Dionísio em 753 AUC (Anno Urb Conditae), portanto, ano 1.

Muito tempo depois a data veio a ser questionada em função de a morte de Herodes, o Grande, ser historicamente reconhecida como tendo ocorrido, de acordo com o calendário gregoriano, em 4 AC. Sabendo-se que Herodes era vivo no tempo do nascimento de Jesus, supõe-se que seu nascimento tenha ocorrido um ou dois anos antes disto, em 5 ou 6 AC.

Não se pode dizer que Dionísio tenha errado a data de nascimento de Jesus, quando parece  mais certo entender que se trata apenas de uma convenção por ele utilizada, sem que se saiba maiores detalhes da razão pela qual tenha chegado a esta conclusão. Teria, desta forma, ignorado a opinião de alguns pais da igreja que colocavam o nascimento de Jesus antes disto. Irineu, Clemente de Alexandria e Cassiodoro, por exemplo, reconheciam o ano 751 AUC, correspondente a 3 AC, enquanto Julis Africanus admitia 2 ou 3 AC. Tertuliano, Orígines, Eusébio de Cesaréia, Jerônimo e Hipólito, reconheciam o ano 752 AUC (2 AC).

Como Dionísio estabeleceu que Jesus teria nascido em 25 de Dezembro,  e como o ano juliano se inciava em 21 de Abril, convencionou-se posteriormente que o ano de seu nascimento seria 754 AUC, e desta forma, conforme o paradigma estabelecido pelo próprio Dionísio, Jesus teria nascido em 1 AC. De qualquer maneira, Dionísio não refere claramente que fosse esta a data de nascimento de Jesus, ou a data de sua encarnação, o que poderia ser entendido como concepção. É sobre este tema que nos ocuparemos adiante.

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A reforma do calendário juliano e a adoção do calendário gregoriano

Jesus nasceu em plena vigência do uso de dois calendários distintos: o romano (AUC – Anno Urb Conditae), cujo tempo era contado desde a fundação de Roma, e o calendário juliano instituído por Júlio Cesar em 46 AC.

O calendário gregoriano, aquele que usamos em nossos dias, foi promulgado pelo papa Gregório XIII em 24 de Fevereiro de 1582 em substituição ao calendário Juliano, vindo a ser implantado no mesmo ano, no dia 15 de Outubro.

Foi o resultado de um trabalho de cinco anos com o objetivo de corrigir um erro de onze dias  acumulados pelo calendário juliano, fazendo assim regressar o equinócio da primavera  do hemisfério norte a 21 de Março.

Em astronomia, equinócio é o instante em que o Sol, conforme visto da Terra, cruza o plano do equador celeste, redundando em que o dia e a noite duram o exatamente o mesmo tempo. O significado da palavra equinócio (noites iguais) vem do latim aequos (igual) e nox (noite), ou seja, dia e noite com exatamente 12 horas. Os equinócios ocorrem nos meses de Março e Setembro, definindo assim a mudança nas estações. Em março inicia a primavera no hemisfério norte, e o outono no hemisfério sul; em Setembro ocorre o inverso, iniciando a primavera no hemisfério sul e o outono no hemisfério norte.


 Desta forma, a reforma gregoriana fez com que o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582, uma quinta-feira no calendário juliano, fosse o dia 15 de Outubro, sexta-feira, no calendário gregoriano, eliminando desta forma os 11 dias acumulados desde 46 AC pelo fato de o ano juliano ser 11 minutos mais longo que o gregoriano.

Outubro de 1582 no calendário juliano – salto de 11 dias para o gregoriano

Para evitar que esta diferença voltasse a se acumular, foi definido que os anos seculares (múltiplos de 100) só seriam bissextos se fossem divisíveis por 400. No calendário juliano todos os anos seculares (1500, 1600, 1700, 1800, etc) eram considerados bissextos, com um dia a mais.

Enquanto a duração do ano juliano era de 365,25 dias (365 dias e seis horas), o  ano Gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas,  49 minutos e 12 segundos, ainda assim, mesmo após a correção, somando atualmente mais 27 segundos do que o ano trópico, o que vai redundar que nos próximos 3.000 anos vai haver um dia a mais que teria que ser corrigido no futuro.

Portugal, Espanha e Itália adotaram imediatamente o novo calendário. Vários países europeus o fizeram ainda no século XVI e  outros no decorrer do tempo. Os últimos países a adotar o calendário gregoriano foram a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.

Na estrutura semanal do calendário gregoriano, a língua portuguesa, entre outras, trata o dia do descanso como Domingo, dia do Senhor (Dominus dei).  No ingles, por exemplo, o Domingo é chamado Sunday, dia do Sol, o que remonta o culto pagão de deificar os astros, uma tradição que se estende aos demais dias em outras línguas.

Segunda-feira, em ingles é Monday, em espanhol Lunes, e em frances Lundi, em homenagem à Lua, que depois do Sol era o astro que mais impressionava os homens, sobretudo pela influência que exercia sobre as marés;
Terça-feira homenageia Marte, que na mitologia romana era o senhor da guerra;
Quarta-feira é dedicada a Mercúrio, deus do comércio;
Quinta-feira é o  dia de Júpiter, pai dos deuses pagãos;
Sexta-feira é devotada a Venus, a deusa do amor;
Sábado é o dia de Saturno, que era adorado pelos romanos como o deus que representava o tempo, equivalente ao Cronos grego. Na lingua inglesa  Saturno é homenageado como Saturday.

Vê-se que o  Sábado é na maioria das línguas latinas nitadamente influenciado pelo termo hebraico Shabbath, dia do descanso da Lei de Moisés.

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A correspondência do Anno Mundi 3896 e o ano 1 de nossa era

A correspondência do Anno Mundi 3896 ao ano 1 de nossa era

Uma vez que o Anno Mundi 3925 equivale ao ano gregoriano 30 DC, subtraindo estes 30 anos, temos que o Anno Domini (ano 1) corresponde ao Anno Mundi 3896.

Desta forma, são contados de acordo com a Bíblia 3896 anos desde a criação de Adão até o ano 1 de nossa era, que de fato não corresponde, conforme veremos, ao ano do nascimento de Jesus.

É este, portanto, 3896, o nosso algoritmo de conversão de datas Anno Mundi para o calendário Gregoriano. Vejamos um exemplo: quando contamos 1656 anos desde Adão até o dilúvio, calculamos o ano Gregoriano correspondente subtraindo 3896 de 1656, resultando -2240, número negativo que corresponde ao tempo antes de Cristo, portanto, o Anno Mundi 1656, ano do dilúvio, correspondente ao ano 2240 AC.

1.656

3.896

-2.240

Uma bela curiosidade pode ser observada com a data referente ao nascimento de Abraão no Anno Mundi 1948, que por sua vez corresponde também ao mesmo ano Gregoriano 1948 AC. Assim, Abraão nasceu no Anno Mundi 1948, correspondente ao também 1948 AC.

1.948

3.896

-1.948

Não é possível deixar de admirar o fato de que 1948 anos se passaram desde a criação de Adão até o nascimento de Abraão; mais outros 1948 anos e chegamos ao ano 1 de nossa era. Mais outros 1948 anos e chegamos a reinstalação do Estado de Israel em 1948 numa seção da ONU presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha.

 

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