As festas na vida de Jesus

João aponta (Jo 5:1) uma festa não esclarecida que teria também ocorrido no ano 28 DC. O fato de Jesus ter-se deslocado para Jerusalém nesta ocasião indica que seria provavelmente a Festa dos Tabernáculos, uma vez que todas as páscoas indicadas em seu evangelho estão distintamente caracterizadas. João, por sinal, é o único dos evangelistas a se referir a todas as páscoas, e não fosse pelo seu registro, poderíamos ser levados a concluir que o Ministério de Jesus tivesse durado apenas um ano.

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O período entre 3 AC e 14 DC

3 AC – Anno Mundi 3893 – a fuga para o Egito e a matança dos inocentes
Uma vez cumprida a purificação de Maria e a apresentação de Jesus no Templo, nada mais impedia que a família retornasse a Nazaré, seu local de residência.

Tendo sido, no entanto, advertidos por sonho que Herodes buscaria a criança para matá-la, seguiram para o Egito, onde permaneceram por cerca de dois anos até que Herodes estivesse morto.

Quando Herodes deu por falta de algum retorno da parte dos magos, logo concluiu que haviam partido, e desta forma, tomando como base a data que lhe haviam informado sobre o aparecimento da estrela, mandou que fossem mortos todos os meninos nascidos em Belém de menos de dois anos.

Podemos inferir, desta maneira, que a estrela tenha sido avistada pelos magos nesta época, cerca de dois anos antes do nascimento de Jesus. Depois da morte de Herodes a família retornou a Nazaré, muito provavelmente em 1 AC, uma vez que Herodes faleceu, conforme vimos, antes da Páscoa daquele ano.

9 DC – (Anno Mundi 3905) – Jesus celebra a Páscoa em Jerusalém
Conforme Lucas 2:42, Jesus esteve em Jerusalém para a celebração da Páscoa quando tinha 12 anos de idade, em 9 DC, portanto.

14 DC – (Anno Mundi 3909) – morte de Augusto e ascensão de Tibério César
A história secular registra a ascensão de Tibério ao trono de Roma no ano 14 de nossa era. Lucas 3:1 faz referência a Tibério quando aponta o batismo de Jesus em seu 15° ano de governo.

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3 AC – Anno Mundi 3893 – o nascimento de Jesus

Obviamente todos os fatos analisados até aqui com relação à morte de Herodes e a Estrela de Belém são importantes, mas pode-se perceber que nenhum deles é por si só suficiente para se estabelecer com precisão a cronologia da visita dos magos, ou do nascimento de Jesus.

Precisamos de outro indicativo, pois não podemos simplesmente retroagir dois anos a partir da morte de Herodes, seja ela aceita como 1 AC ou 4 AC, e concluir que os magos tenham avistado, conforme as teorias vistas, a estrela nestas datas, muito menos chegar ao nascimento de Jesus desta forma. Não há lógica para isto, uma vez que não há nenhuma informação que vincule com absoluta precisão estes fatos.

Veja que embora as teorias que datam o surgimento da Estrela de Belém falem concretamente de fenômenos muito convincentes, estas, por si mesmas, não nos permitem acatar com exatidão nenhuma data.

Temos então que utilizar a informação de Lucas 3:23 como âncora a data de nascimento de Jesus, onde o evangelista nos diz que na época de seu batismo, portanto, no início de seu ministério, “o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos”.

Lucas enfatiza a idade de Jesus mostrando claramente que de acordo com a Lei de Moisés ele estaria apto para o ministério: “Da idade de trinta anos para cima até aos cinqüenta anos, será todo aquele que entrar neste serviço, para fazer o trabalho na tenda da congregação”. (Números 4:3)

Constatamos também que Jesus foi batizado no ano 28 DC, 15° ano do governo de Tibério César (Lc 3:1). Retroagindo os 30 anos de Jesus na ocasião, temos que seu nascimento, de acordo com a informação de Lucas, deu-se, com maior probabilidade, em 3 AC.

O Apóstolo Paulo nos diz em Gálatas 4:4 que na “plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” .

Plenitude dos tempos, no grego (πλήρóμα τον χρόνου pléroma ton cronou), significa o tempo cumprido, que cumpriu-se o tempo, completou-se o tempo, que a soma de tudo está cumprida.

Em termos concretos, a plenitude dos tempos reflete em 3 AC um mundo pronto para receber o Evangelho, dado primeiro aos judeus, e depois aos gentios.

Já nos primórdios da Igreja, quando primeiramente o poder religioso se sente ameaçado pelo caráter universal das boas novas de Deus, vem a perseguição sobre os primeiros cristãos, que fugindo de seus perseguidores, levam o Evangelho pelas estradas romanas. Todos os caminhos levam a Roma, diz o ditado até os nossos dias, e é por elas que os primeiros seguidores de Jesus andaram até os confins da Terra espalhando a mensagem do Evangelho.

Na plenitude dos tempos o mundo usa o grego como língua universal, de maneira que a proclamação da mensagem de Jesus transcende as fronteiras do aramaico falado em Israel, e permite sua perfeita compreensão na língua franca daqueles tempos.

Coube, desta forma, a Alexandre, o Grande, que impôs o grego como língua franca do mundo, um importante papel na preparação da vinda do Messias prometido, como da mesma forma coube a Roma interligar os principais centros comerciais à capital do império, bem como sedimentar os conceitos de cidadania e justiça.

Deus é o Senhor da história, e na plenitude dos tempos satisfizeram-se todas as condições para a vinda de Jesus, não somente as físicas, como estradas e língua, mas todas as evidências que as profecias milenares haviam antecipado no curso da história de Israel, e era chegado o tempo de se realizarem.

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A visita dos magos a Jesus

Somos, de uma maneira geral, levados a pensar no nascimento de Jesus fortemente influenciados pelas imagens dos presépios expostos na época do natal. Formamos, desta maneira, a idéia do menino Jesus deitado numa manjedoura, cercado pelos pais, pelos anjos, os pastores, os animais, e os magos que vieram do oriente para homenageá-lo. Por cima do recinto paira a Estrela de Belém.

Como no caso que estivéssemos vendo uma fotografia deste instante, fatos, personagens e tempo se fundem na impressão de que estas coisas todas se sincronizam numa determinada hora de um determinado dia. Ninguém está fora do alcance da sugestão destas imagens, uma vez que o comércio se encarrega de divulgá-las todos os anos desde muito antes da celebração do natal.

A imagem, no entanto, nos serve como ponto de partida para analisar os principais eventos do nascimento de Jesus, pois sugere que aconteceram juntas, coisas que estão separadas por um considerável espaço de tempo, seu nascimento e a visita dos magos.

A estrela pairando sobre a cidade de Belém, em termos reais, conforme vimos, marca um evento acontecido entre cerca de dois meses a dois anos após o nascimento de Jesus, quando os magos chegam à pequena cidade para homenagear o menino.

A tradição costuma tratá-los como reis magos, o que provavelmente é decorrente da interpretação do Salmo 72:11, que diz: “e todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão”.

A Bíblia não diz quantos eram os magos. Inferimos que seriam três porque foram três os presentes trazidos: incenso, mirra e ouro. Conta Mateus que vieram a Jerusalém seguindo a estrela que lhes aparecera no oriente

Daniel 2:27 faz referência à existência de magos na corte de Nabucodonosor. Algumas versões da Bíblia os chamam de magos, outras por sábios, o que é mais adequado.

‘khar-tome’, que tem sua origem, conforme o Dicionário Strong, no idioma caldeu, significando literalmente mágico. Mateus 2:1 os trata pela palavra grega magos ( μάγος), cuja definição se aproxima mais de um cientista do oriente, um sábio.

O sentido com o que entendemos o significado da palavra mago nos dias de hoje difere substancialmente de seu significado no tempo do relato de Mateus. Para nós, um mago é uma pessoa que tem habilidade de fazer truques, ou ainda num sentido mais místico, alguém com poderes sobrenaturais. No relato de Mateus se refere a sábios, pessoas com grande conhecimento em astronomia, habituados desta forma, a lidar com os dados complexos que lhes permitiam a análise da ciência astronômica. Magos ou sábios, como quer que os tratemos, suas imagens estarão sempre conectadas à Estrela de Belém.

Oito dias após seu nascimento, conforme Lucas 2:21, Jesus, no cumprimento da Lei de Moisés foi circuncidado. Mais 33 dias se passam no cumprimento dos dias da purificação de Maria até que Jesus foi levado ao Templo em Jerusalém para ser apresentado ao Senhor. (Lc 2:22)

É preciso recordar que logo após a visita dos magos, a família é advertida para seguir para o Egito, pois Herodes iria procurar a criança para matá-la, e desta forma, todos os rituais previstos na lei, a circuncisão e a purificação de sua mãe, já haviam sido cumpridos antes da visita.

A lei, conforme Levítico 12:1-4, dizia assim: “Se uma mulher conceber e der à luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda. E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. Depois ficará ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa santa tocará e não entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação”.

Somente depois disto vieram os sábios do oriente homenagear Jesus, e desta forma, os dois eventos, o nascimento, e a visita dos magos, estão separados por um período mínimo de quarenta dias, e conforme o relato de Mateus, a família já estava na ocasião instalada em uma casa onde “acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2:11)

Alguns defendem que este período poderia ser maior, entre um e dois anos depois do nascimento. No entanto, parece que é mais razoável que a visita tenha de fato ocorrido logo depois da purificação de Maria, pois, sendo a família residente em Nazaré, de onde vieram a Belém apenas para cumprir com a obrigação imposta por Augusto, seria natural permanecerem na cidade até o cumprimento da purificação de Maria, e a apresentação de Jesus no Templo, uma vez que Belém está muito próxima de Jerusalém, cerca de 15 km.

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Outras teorias sobre a Estrela de Belém

Há outras teorias a respeito da Estrela de Belém, como por exemplo, a do astrônomo Mark Thompson, membro da Real Sociedade Astronômica Britânica, que defende que o fenômeno se refere à conjunção de Júpiter e Régulus, a principal estrela da constelação de Leão, que entraram em conjunção em 14 de setembro de 3 AC, 17 de fevereiro de 2 AC, e 8 de maio de 2 AC.

A imagem acima mostra para efeito de se entender a movimentação de Júpiter em direção a Regulus, o campo celeste em 29 de agosto de 3 AC, tendo no centro da imagem o planeta Júpiter no plano eclíptico, e abaixo a estrela Regulus, a principal da Constelação de Leão.

A imagem acima mostra Júpiter e Regulus em conjunção no dia 14 de setembro de 3 AC, duas semanas depois das posições expostas na imagem anterior. Note-se que a data aponta o ano -2 que se refere a 3 AC pelo fato de software admitir ano zero, que não existe no calendário gregoriano.

Frederick A. Larson é outro entusiasta da teoria de que a Estrela de Belém se refere ao encontro de Júpiter e Regulus. Larson é autor do livro e DVD “The Star of Bethlehem”, cuja apresentação está resumida no website http://www.bethlehemstar.net

De acordo com suas conclusões, a partir de 13 de setembro de 3 AC ocorre uma concentração de símbolos nas estrelas, o que levaria os magos a concluir que o rei dos judeus havia nascido, sendo que em 18 de junho de 2 AC, Júpiter coroa a estrela Regulus, indo depois disto se encontrar com Vênus, o planeta que simboliza a mãe.

Ainda segundo seu relato, esta conjunção foi tão espetacular que é mostrada por centenas de planetários por todo mundo, por cientistas que nada sabem a respeito do nascimento de Jesus.

Como vemos, a teoria de Júpiter e Regulus tem boa aceitação e foi desenvolvida por diversos outros autores. Tem como um dos pontos fortes a relação de importância que estes astros possuem, de acordo com a tradição oriental, sobretudo no que diz respeito à simbologia judaica.

Júpiter, por ser o maior dos planetas de nosso sistema solar, onze vezes maior que a Terra, é tido como símbolo de realeza. É chamado o planeta rei;

Regulus, do latim Rex, também significa rei, e é a estrela mais brilhante da Constelação de Leão;

O leão é o símbolo da Tribo de Judá, e a ancestralidade de Jesus vem desta ascendência;

A conjunção proposta aconteceu na Constelação de Leão.

Simulando a trajetória de Júpiter em direção a Regulus, de fato a rota poderia guiar os magos que vinham do oriente em direção ao ocidente até Jerusalém, uma vez que é este é o deslocamento natural dos planetas.

De Jerusalém, conforme Mateus, quando se dirigiam para Belém, fariam agora a rota ocidente – oriente, o contrário da vinda. Também neste caso Júpiter faz este movimento, que é chamado em astronomia de movimento retrógrado, durante o qual, por um certo tempo, do ponto de vista de quem observa da Terra, Júpiter pareceria estar parado sobre Belém. Isto pode ser comprovado pela simulação em um software,e numa analogia simplória, seria como alguém que vem de carro por uma estrada a 90 km por hora e ultrapassa um carro que vai a 80 km por hora.

No momento da ultrapassagem, por breve espaço de tempo, tem-se a impressão que o carro que está sendo ultrapassado se encontra parado, e a seguir à ultrapassagem, que o carro ultrapassado segue em sentido contrário.

É o caso de Júpiter com relação à Terra, pois suas velocidades de translação, a volta ao redor do Sol, são muito diferentes, uma vez que o ano de Júpiter dura 12 anos terrestres.

Há que se observar, no entanto, estas explicações com muita cautela, pois há em muitas destas teorias, uma grande carga de sensacionalismo, como por exemplo, o fato de algumas incluirem mais conclusões do que o assunto em foco demanda.

Exemplificamos duas situações recorrentes e comuns a algumas teorias: uma, a que se refere ao 25 de dezembro, que como se sabe, é apenas uma tradição, além de ser uma data muito improvável, como já vimos. Mesmo assim, alguns analistas pegam fatos astronômicos ocorridos nesta data, no mesmo ano da conjunção proposta, e vinculam com o tema, de maneira a fazer coincidir perfeitamente todas as respostas.

Outra situação forçada diz respeito ao fato de que nas datas analisadas, no mês de setembro de 3 AC, a Constelação de Leão se encontra oposta à Constelação de Virgem, e desta maneira, alguns intérpretes forçam uma analogia relacionando este fato com o texto contido em Apocalipse 12, onde a mulher após dar a luz a um menino é perseguida pelo dragão que objetiva matar a criança. Desta forma, Apocalípse 12 entra, segundo algumas destas teorias, no contexto revelado pelas estrelas na data em questão, significando que a mulher é Maria, a criança é Jesus e o dragão é Herodes, que busca matar a criança.

Ora, na ânsia de querer colocar todos os ovos na mesma cesta, estes analistas jogam por terra toda a explicação natural contida em suas teorias, fazendo desta forma com que as mesmas sejam deixadas de lado por quem espera encontrar um mínimo de racionalidade nas mesmas.

É fato que pessoas pouco dadas à pesquisa, ou à interpretação séria das escrituras, abraçam abertamente estas teorias e as defendem como revelação divina. No entanto, há que se estar atento ao exagero de coincidências.

Seja como for, seja qual for, é certo que a Estrela de Belém nos remete a um fenômeno natural, porém dificílimo de ser apontado com exatidão.

Se você, por exemplo, examinar os céus através de um destes softwares de simulação na data de seu nascimento, com certeza irá encontrar algum tipo de alinhamento planetário, ou de um planeta com uma estrela, ou duas estrelas. E daí? O que isto quer dizer?

O fato é que ao saírem da linha racional da astronomia, entram na irracionalidade da astrologia, que Kepler, menos rigoroso que Moisés, tratava como “a filha tola da astronomia”.

Kepler observou em sua obra intitulada Tertius Interveniens, que “o mundo, afinal de contas, é muito mais tolo. É de fato tão tolo, que esta velha e sensível mãe, a astronomia, é mal falada por força das travessuras tolas de sua filha”.

Uma destas teorias está certa, e se nenhuma destas estiver, a explicação razoável para a estrela é que tenha sido de fato algum fenômeno semelhante a estes, e assim, se concordamos com o nascimento de Jesus em 3 AC, então o ano que os magos teriam avistado a estrela pela primeira vez teria sido 5 AC, e assim teríamos que segui-la ate 3 AC. Se concordamos com outra data, dois anos antes dela estaria nos céus o sinal da estrela.

Uma última observação importante é que fosse possível determinar com exatidão o dia em que a estrela pairou sobre Belém, este dia revelaria a data em que os magos chegaram ao local onde estava Jesus, mas nada diria sobre o seu nascimento, pois, conforme já vimos pelo texto de Mateus, as datas estão separadas, não se sabendo ao exato por quanto tempo. Alguns propõem que seja por cerca de 40 dias, enquanto outros por um período entre um e dois anos, e tudo é possível.

Caso queira fazer você mesmo as suas simulações a respeito destas datas, baixe gratuitamente em seu computador o excelente software Stellarium no endereço: http://www.stellarium.org/

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A teoria de Kepler quanto à Estrela de Belém

No campo da ciência, Johannes Kepler (1571 – 1630), astrônomo e matemático alemão, foi o primeiro cientista moderno a se interessar pela Estrela de Belém. Foi Kepler quem descreveu as leis dos movimentos planetários que são utilizadas até os dias de hoje por todos os astrônomos, e entenda-se por todos os astrônomos, no sentido de valorizar Kepler como cientista, que são todos mesmo, incluindo a NASA. Kepler é para a astronomia o que Newton é para a física.

Por volta de 1603, Kepler, observando o comportamento de Júpiter e Saturno, intuiu que a Estrela de Belém poderia se referir ao mesmo fenômeno, e desta forma, usando suas próprias leis, e baseado no consenso histórico de que Herodes havia morrido em 4 AC, recriou a posição destes astros nos céus de Jerusalém entre os anos 7 AC a 5 AC.

Como resultado desta simulação, Kepler constatou ter ocorrido uma tríplice conjunção de Júpiter e Saturno em 27 de maio, 5 de outubro e 1 de dezembro, todas no ano 7 AC, sugerindo desta forma, que este fenômeno fosse a nossa estrela.

Para efeito de ilustração, a figura acima mostra (no centro) as posições de Júpiter e Saturno em 16 de abril de 7 AC, pouco mais de um mês antes da conjunção apontada por Kepler na Constelação de Peixes. O grande brilho à esquerda é o Sol. A imagem serve apenas para demonstrar, quando comparada com a imagem seguinte, como se deu a aproximação destes dois planetas neste espaço de tempo.

A imagem acima reproduz o que Kepler teria “visualizado” em 1 de dezembro de 7 AC. De fato, o efeito desta aproximação, para quem observasse o fenômeno da Terra, redundaria num brilho dos planetas bastante acima do normal. Seria esta a Estrela de Belém?

Conforme vimos, à luz da interpretação histórica, pode-se concluir com certa segurança que os dados de Flávio Josefo acerca da morte de Herodes foram mal interpretados, o que jogaria a morte de Herodes em 1 AC, e desta forma, a estrela de Kepler não seria a dos magos, uma vez que, baseado em uma data histórica possivelmente errada, reproduz o céu muito antes do nascimento de Jesus.

Mesmo sendo um gênio, imagine-se a dificuldade em fazer a mão todos estes cálculos, quanto tempo e trabalho deve ter custado a Kepler.

Nos dias de hoje, graças aos computadores, podemos recriar a mesma simulação de Kepler em questão de minutos. A bem da verdade, podemos, mesmo sendo pessoas sem qualquer qualificação em astronomia, fazer muito mais do que ele fez, pois os softwares de astronomia nos permitem varrer os céus segundo a segundo, e desta forma, localizando primeiramente as datas fixadas por Kepler, podemos ver a movimentação destes planetas de um dia para o outro, ou com variação de minutos, o que para quem observa, é o resultado semelhante a um filme.

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A Estrela de Belém

Na Bíblia, a adoração dos astros foi proibida pela Lei de Moisés, conforme se lê em Deuteronômio 17:3-5: “se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei, e te for denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel, então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra”.

Curvar-se, portanto, diante do exército celeste, aos astros de uma maneira geral, que é o que faz a astrologia, é contra a Lei de Deus, e é nisto que incorrem os que leem horóscopo, mapa astral, e coisas afins.

Por outro lado, por toda a Escritura, os autores sagrados sempre se valeram dos astros para revelar a grandeza e os sinais da parte de Deus, tanto no Antigo Testamento como no Novo.

Davi, revelando ter uma grande consciência quanto à graça infinita de Deus diz no Salmo 8: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés”.

Para além de exaltar por toda a Bíblia a majestade de Deus, os astros são também usados para nossa advertência. O Profeta Joel, por exemplo, mandou desde a antiguidade um aviso aos inimigos de Israel dos nossos dias, que estes pagarão com suas próprias vidas o preço de atentar contra o povo escolhido, anunciando na Escritura, que no dia da vingança de Deus contra eles, “o sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor”, num claro veredito contra as nações que hão de se levantar contra Israel muito em breve. (Joel 3: 15)

O Profeta está em perfeita sincronia com o Senhor Jesus, quando este, no Sermão Profético, confirma estas palavras dizendo que “logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.”(Mt 24:29)

A Estrela de Belém é um destes muitos sinais da Bíblia, usada, por sua vez, para marcar para sempre nas estrelas, a chegada do redentor da humanidade.

Talvez por ser um fenômeno fácil de ser imaginado, é difícil de ser explicado com exatidão em termos científicos. Nossa imaginação nos leva a pensar que fosse algo como um cometa, ou mesmo uma Nova ou Super Nova, algo extraordinário.

Nova e Supernova são fenômenos semelhantes , variando apenas em função do tamanho das estrelas que os causam. Enquanto uma Nova se refere a uma estrela anã, a Supernova se refere a uma estrela de grande massa, 10 vezes maior que o nosso Sol.

Quando termina o seu combustível, no caso de uma Supernova, ocorre uma explosão que libera a mesma energia que o Sol produziria em toda a sua expectativa de vida, ou seja, em 10 bilhões de anos, e desta forma, uma explosão de tamanha magnitude poderia ser observada da Terra, a olho nu, por diversos meses seguidos.

Em nossos dias, com a popularização da ciência pela TV e pela internet, quase todos têm conhecimento destes fenômenos, mas não deixa de chamar a nossa atenção o que o rei Davi, quase mil anos antes de Cristo, escreveu no Salmo 102:25-26: “Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados “. Como poderia alguém ter, naqueles remotos tempos de tão pouca ciência, conhecimento de que as estrelas envelhecem?

O último registro de uma Supernova ocorrida em nossa galáxia, a Via Láctea, ocorreu em 1604, tendo sido observada por Kepler, sobre quem falaremos adiante, que a estudou juntamente com o dinamarquês Tycho Brahe. Este fenômeno, cujo brilho durou nos céus por 18 meses, de outubro de 1604 a abril de 1605, veio derrubar o conceito estabelecido por Aristóteles de que o Universo era fixo e imutável.

Pode-se concluir, portanto, que se a nossa estrela fosse uma Supernova, ou mesmo ainda um cometa, todos a teriam visto, incluindo Herodes, que conforme o texto de Mateus nada sabia a este respeito, nem ele, nem os habitantes de Jerusalém. Mateus 2:7 nos dá conta de que o próprio Herodes “inquiriu exatamente deles (os magos) acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera”.

Desta forma, podemos primeiramente concluir que qualquer pessoa comum, sem conhecimento astronômico, nada teria visto nos céus de Israel. Já os magos, astrônomos experientes, habituados à rotina celeste, acompanharam um fenômeno tão extraordinário, que o entenderam como algo sobrenatural, um sinal, e conforme o consenso geral, concluíram que a estrela indicava o nascimento de um rei. Seria isto?

Se a estrela indicasse a eles, que estava por nascer o futuro rei dos judeus, que importância teria isto no contexto mundial a ponto de fazer estes sábios se deslocarem desde o oriente até o pequeno Israel? O que era Israel naquele tempo? Saberiam os magos a qual nascimento se referia a estrela? Conheceriam eles as escrituras sagradas?

Com certeza conheciam. Se não conhecessem, faria sentido pensar que empreendessem esta jornada, se houvesse nascido, num caso concreto, um novo imperador de Roma, aquele que num futuro próximo governaria todo o mundo, mas não o rei da Judéia.

No entanto, quando pensamos na insignificância política do Israel daquele tempo, somos de fato obrigados a concluir que os magos conheciam as escrituras, e desta forma, sabiam perfeitamente que a estrela não indicava um nascimento qualquer, mas sim, do Rei dos reis, o Messias, o filho de Deus.

Desta forma, é bastante plausível entender que estes magos fossem não propriamente descendentes de Abraão, mas sim estudiosos da cultura de seu tempo, e com certeza absoluta, conhecedores dos textos sagrados que revelavam a vinda do Messias.

Caso fossem hebreus, as escrituras os revelariam como tal, mas certamente não eram. O Evangelho de Lucas, por exemplo, nos mostra o comportamento dos crentes judeus quando se deu o nascimento de Jesus, desde Isabel e Zacarias, os pais de João Batista, até os pastores, e Simeão e Ana, que adoraram Jesus na qualidade de filhos de Abraão. Todos se identificam como descendentes de Abraão, e como tal, entendem pela Escritura que sinais inequívocos revelam que é chegada a plenitude dos tempos.

Num paralelo com Lucas 11:31, podemos concluir que também estes magos se levantarão no dia do juízo, não só contra os seus contemporâneos, como contra toda a humanidade que não entende quem era o recém nascido. Não foi Jesus quem disse que “a rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois até dos confins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão”. Pois não fizeram os magos a mesma coisa?

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