Os anos faltantes do calendário judaico

A história secular nos diz que o homem vive no planeta há milhões de anos; alguns supõem que são bilhões, porque ao negar a criação como ato da vontade soberana de Deus, precisam de um grande espaço de tempo para justificar como uma ameba conseguiu evoluir a ponto de se transformar num Mozart.

A contagem de tempo bíblica, por sua vez, nos mostra a existência de 3896 anos entre a criação do homem e o ano 1 de nossa era, o que nos diz que hoje não completamos ainda 6 mil anos de existência sobre a Terra.

Os judeus possuem uma contagem bíblica diferente da nossa, uma vez que estabelecem 3760 ou 3761 anos para o mesmo período, entre a criação do homem até o ano 1 de nossa era.

Qualquer fonte histórica que você pesquise relacionada a este assunto vai apontar para um fenômeno conhecido como os “anos faltantes”, ou “missing years” no calendário judaico. Este fenômeno se resume à falta de algo em torno entre 130 e 165 anos quando confrontado com calendário gregoriano, dependendo da interpretação que se faça. Se fizer a sua própria pesquisa use preferencialmente o termo “missing years” que fornece mais material sobre o assunto.

Enquanto historiadores de todos os tempos, entre os quais ícones do porte de Xenofonte (430 – 355 A.C.) e Heródoto (484 – 425 A.C.), entre outros, confirmam a existência de 10 reis governando a Pérsia por cerca de 215 anos, o entendimento dos judeus é que o período durou apenas 52 anos, nos quais reinaram apenas quatro reis, exclusivamente os que estão listados na Bíblia. Segundo esta “ciência”, os reis daquele tempo usavam vários pseudônimos fazendo parecer que eram pessoas diferentes, enquanto se tratava da mesma pessoa.

A justificativa não é sequer razoável, porque embora a Bíblia se limite a relatar somente a metade do império persa, mesmo assim nos mostra a existência de seis reis, sendo eles: 1- Dario, o Medo (Daniel 5:31); 2 – Ciro, o Grande (Esdras 1:1); 3 – Cambises, filho de Ciro, que conforme Esdras 4:6 é tratado na Bíblia por Assuero; 4 – Dario I (Esdras 4:24), 5 – Xerxes I, também chamado na Bíblia de Assuero, conforme o livro de Ester, e finalmente o sexto, Artaxerxes I. (Esdras 6:7)

Poderiam eliminar da lista acima Dario, o Medo, pelo fato de não ser ele o imperador persa na ocasião, conquanto era apenas governante designado da Babilônia, mas se o ponto de vista judaico é bíblico, conforme afirmam, a cronologia de Ciro na Bíblia só é contada depois de Dario, e desta forma, seu tempo de governo deveria ser computado. De qualquer maneira, o tempo bíblico dos cinco reis restantes totaliza 109 anos, e se contarmos Dario, o Medo, conforme o faz a Bíblia, totaliza-se 112 anos, um ou outro, tempos muito superiores à contagem sugerida pela lógica judaica. Acrescente-se que para dizer que são quatro governantes, aparentemente eliminaram também Cambises, uma vez que tal nome não aparece na Bíblia, o que não é correto, uma vez que é chamado de Assuero.

O período persa, não é só particularmente fácil de ser manipulado na Bíblia, como único. Nenhum outro período da história de Israel poderia acomodar o fenômeno dos anos faltantes senão este, pois não há contagem dos tempos de governo destes imperadores no relato bíblico. Para se estabelecer a cronologia do período é preciso recorrer a fontes históricas.

Outro problema com esta contagem é que o império persa caiu diante de Alexandre, o Grande, que conforme se sabe, derrotou Dario III, encerrando desta forma o período de dominação persa, e desta forma, seria necessário juntar pelo menos mais este à suposta lista de 4 imperadores, e mesmo assim, seria preciso eliminar os anos que separam Artaxerxes I, o governante do tempo de Esdras, do tempo da conquista de Alexandre, o que significa sumir com mais de 100 anos adicionais de história, que somados à diferença da contagem bíblica, resulta na falta deste tempo.

Seria preciso eliminar, e de fato fizeram isto, cortaram estes anos, e em nome da tradição, esta contagem de tempo incorreta é aceita sem questionamento até os dias de hoje.

O responsável por este cálculo é o rabbi Yose ben Halafta, sobre quem falamos quando tratamos da Seder Olam Rabbah. Seguimos, por sinal, à risca, alguns de seus bons conselhos referentes à interpretação bíblica.

O rabino Yose fez isto por volta do ano 160 de nossa era, quase um século e meio depois de Jesus, que em última análise, é a razão do tal sumiço de tempo.

A explicação mais coerente para este fenômeno se dá como sendo provavelmente o resultado de uma manobra para ocultar dentro do próprio judaísmo a identificação histórica de Jesus como Messias, morto no tempo profetizado por Daniel (Dn 9:24-25).

Mas o que fazer com a profecia de Daniel? O rabino Yose interpretou as 70 semanas como sendo o tempo decorrido entre a destruição do primeiro e o segundo templos. Mas estes eventos estão separados por 663 anos, não 490, conforme o dado bíblico. Precisava, assim, de uma redução significativa para coincidir com a data de Daniel, o que resulta neste fenômeno de anos faltantes, mas nem de perto conforma a explicação dentro de um período aceitável do ponto de vista histórico.

Assim, o calendário judaico pode e deve ser interpretado como “gol de mão”, servindo apenas aos propósitos do judaísmo. Já como fonte histórica, sua contagem de tempo é não só desprezível, como também inútil, pois se um judeu hoje abre uma conta bancária, ou compra uma passagem de avião, estará estampado no papel a data cristã.

Sem nos estendermos mais neste assunto, é importante reconhecer que esta manobra cronológica desviou da verdade, ao longo dos séculos, milhões de judeus impedidos de conhecer Jesus como o Messias. O rabino Yose estabeleceu dentro do judaísmo um paradigma que a tradição religiosa dos judeus cuidou de manter.

A tradição é de fato a mais destacada porta de entrada do inferno. Lembra as palavras de Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.” (Mateus 23 : 15)

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O Anno Domini e Dionísio, o Exíguo

Conclui-se, pelo visto anteriormente, que a reforma gregoriana nada tem a ver com a determinação do Anno Domini, ano 1 de nossa era, supostamente o ano de nascimento de Jesus,  que já estava determinado e era reconhecido no calendário juliano.

Esta data foi fixada pelo monge católico Dionísio, o Exíguo, no ano 525 DC, em decorrência de um trabalho de compilação da tabela para determinar a Páscoa nos anos futuros, que naquele tempo eram calculadas tendo por base o calendário juliano.

Seria um trabalho de continuidade da tabela anterior, que por uso e costume, era contada a partir da era diocleciana. Era costume contar eventos importantes a partir do início do reinado dos imperadores romanos, neste caso da tábua pascal vigente na época, a contagem era feita a partir de Diocleciano.

Diocleciano, imperador romano entre 284 e 305 DC, é notoriamente reconhecido por sua capacidade administrativa. Implantou profundas reformas no império, que contribuíram para adiar o declínio de Roma e criaram as bases do império bizantino.

De origem humilde, Diocleciano fez carreira militar chegando a comandante da guarda imperial e  posteriormente a cônsul, tendo sido reconhecido imperador pelo senado após matar Árrio Áper, assassino de Numeriano, o imperador que o antecedeu.

Entre suas reformas, impôs o latim como língua oficial do império, e também obrigou os agricultores a se fixar no campo, proibindo-os de abandoná-lo, suprimindo desta maneira, a liberdade individual. Seu tempo ficou conhecido como a era dos mártires, marcada pela perseguição dos cristãos, tendo ordenado em 303 DC, a destruição das igrejas, e a demissão dos cristãos do serviço público.

Para não continuar a se referir a Diocleciano na sua tabela pascal, Dionísio propôs que a contagem fosse referenciada a partir do nascimento de Jesus, trabalho este apresentado através da “Liber de Paschate”, publicado em 525. Foi assim introduzido o Anno Domini, suposto ano de nascimento de Jesus, fixado por Dionísio em 753 AUC (Anno Urb Conditae), portanto, ano 1.

Muito tempo depois a data veio a ser questionada em função de a morte de Herodes, o Grande, ser historicamente reconhecida como tendo ocorrido, de acordo com o calendário gregoriano, em 4 AC. Sabendo-se que Herodes era vivo no tempo do nascimento de Jesus, supõe-se que seu nascimento tenha ocorrido um ou dois anos antes disto, em 5 ou 6 AC.

Não se pode dizer que Dionísio tenha errado a data de nascimento de Jesus, quando parece  mais certo entender que se trata apenas de uma convenção por ele utilizada, sem que se saiba maiores detalhes da razão pela qual tenha chegado a esta conclusão. Teria, desta forma, ignorado a opinião de alguns pais da igreja que colocavam o nascimento de Jesus antes disto. Irineu, Clemente de Alexandria e Cassiodoro, por exemplo, reconheciam o ano 751 AUC, correspondente a 3 AC, enquanto Julis Africanus admitia 2 ou 3 AC. Tertuliano, Orígines, Eusébio de Cesaréia, Jerônimo e Hipólito, reconheciam o ano 752 AUC (2 AC).

Como Dionísio estabeleceu que Jesus teria nascido em 25 de Dezembro,  e como o ano juliano se inciava em 21 de Abril, convencionou-se posteriormente que o ano de seu nascimento seria 754 AUC, e desta forma, conforme o paradigma estabelecido pelo próprio Dionísio, Jesus teria nascido em 1 AC. De qualquer maneira, Dionísio não refere claramente que fosse esta a data de nascimento de Jesus, ou a data de sua encarnação, o que poderia ser entendido como concepção. É sobre este tema que nos ocuparemos adiante.

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A reforma do calendário juliano e a adoção do calendário gregoriano

Jesus nasceu em plena vigência do uso de dois calendários distintos: o romano (AUC – Anno Urb Conditae), cujo tempo era contado desde a fundação de Roma, e o calendário juliano instituído por Júlio Cesar em 46 AC.

O calendário gregoriano, aquele que usamos em nossos dias, foi promulgado pelo papa Gregório XIII em 24 de Fevereiro de 1582 em substituição ao calendário Juliano, vindo a ser implantado no mesmo ano, no dia 15 de Outubro.

Foi o resultado de um trabalho de cinco anos com o objetivo de corrigir um erro de onze dias  acumulados pelo calendário juliano, fazendo assim regressar o equinócio da primavera  do hemisfério norte a 21 de Março.

Em astronomia, equinócio é o instante em que o Sol, conforme visto da Terra, cruza o plano do equador celeste, redundando em que o dia e a noite duram o exatamente o mesmo tempo. O significado da palavra equinócio (noites iguais) vem do latim aequos (igual) e nox (noite), ou seja, dia e noite com exatamente 12 horas. Os equinócios ocorrem nos meses de Março e Setembro, definindo assim a mudança nas estações. Em março inicia a primavera no hemisfério norte, e o outono no hemisfério sul; em Setembro ocorre o inverso, iniciando a primavera no hemisfério sul e o outono no hemisfério norte.


 Desta forma, a reforma gregoriana fez com que o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582, uma quinta-feira no calendário juliano, fosse o dia 15 de Outubro, sexta-feira, no calendário gregoriano, eliminando desta forma os 11 dias acumulados desde 46 AC pelo fato de o ano juliano ser 11 minutos mais longo que o gregoriano.

Outubro de 1582 no calendário juliano – salto de 11 dias para o gregoriano

Para evitar que esta diferença voltasse a se acumular, foi definido que os anos seculares (múltiplos de 100) só seriam bissextos se fossem divisíveis por 400. No calendário juliano todos os anos seculares (1500, 1600, 1700, 1800, etc) eram considerados bissextos, com um dia a mais.

Enquanto a duração do ano juliano era de 365,25 dias (365 dias e seis horas), o  ano Gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas,  49 minutos e 12 segundos, ainda assim, mesmo após a correção, somando atualmente mais 27 segundos do que o ano trópico, o que vai redundar que nos próximos 3.000 anos vai haver um dia a mais que teria que ser corrigido no futuro.

Portugal, Espanha e Itália adotaram imediatamente o novo calendário. Vários países europeus o fizeram ainda no século XVI e  outros no decorrer do tempo. Os últimos países a adotar o calendário gregoriano foram a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.

Na estrutura semanal do calendário gregoriano, a língua portuguesa, entre outras, trata o dia do descanso como Domingo, dia do Senhor (Dominus dei).  No ingles, por exemplo, o Domingo é chamado Sunday, dia do Sol, o que remonta o culto pagão de deificar os astros, uma tradição que se estende aos demais dias em outras línguas.

Segunda-feira, em ingles é Monday, em espanhol Lunes, e em frances Lundi, em homenagem à Lua, que depois do Sol era o astro que mais impressionava os homens, sobretudo pela influência que exercia sobre as marés;
Terça-feira homenageia Marte, que na mitologia romana era o senhor da guerra;
Quarta-feira é dedicada a Mercúrio, deus do comércio;
Quinta-feira é o  dia de Júpiter, pai dos deuses pagãos;
Sexta-feira é devotada a Venus, a deusa do amor;
Sábado é o dia de Saturno, que era adorado pelos romanos como o deus que representava o tempo, equivalente ao Cronos grego. Na lingua inglesa  Saturno é homenageado como Saturday.

Vê-se que o  Sábado é na maioria das línguas latinas nitadamente influenciado pelo termo hebraico Shabbath, dia do descanso da Lei de Moisés.

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A correspondência do Anno Mundi 3896 e o ano 1 de nossa era

A correspondência do Anno Mundi 3896 ao ano 1 de nossa era

Uma vez que o Anno Mundi 3925 equivale ao ano gregoriano 30 DC, subtraindo estes 30 anos, temos que o Anno Domini (ano 1) corresponde ao Anno Mundi 3896.

Desta forma, são contados de acordo com a Bíblia 3896 anos desde a criação de Adão até o ano 1 de nossa era, que de fato não corresponde, conforme veremos, ao ano do nascimento de Jesus.

É este, portanto, 3896, o nosso algoritmo de conversão de datas Anno Mundi para o calendário Gregoriano. Vejamos um exemplo: quando contamos 1656 anos desde Adão até o dilúvio, calculamos o ano Gregoriano correspondente subtraindo 3896 de 1656, resultando -2240, número negativo que corresponde ao tempo antes de Cristo, portanto, o Anno Mundi 1656, ano do dilúvio, correspondente ao ano 2240 AC.

1.656

3.896

-2.240

Uma bela curiosidade pode ser observada com a data referente ao nascimento de Abraão no Anno Mundi 1948, que por sua vez corresponde também ao mesmo ano Gregoriano 1948 AC. Assim, Abraão nasceu no Anno Mundi 1948, correspondente ao também 1948 AC.

1.948

3.896

-1.948

Não é possível deixar de admirar o fato de que 1948 anos se passaram desde a criação de Adão até o nascimento de Abraão; mais outros 1948 anos e chegamos ao ano 1 de nossa era. Mais outros 1948 anos e chegamos a reinstalação do Estado de Israel em 1948 numa seção da ONU presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha.

 

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30 DC – Anno Mundi 3925 – Crucificação de Jesus

Lucas nos fornece a única data concreta mencionada não só nos evangelhos (Lc 3:1), mas em todo o Novo Testamento, o ano quinze do império de Tibério César. Não há de fato outra data que se possa reconhecer em toda a vida de Jesus ou no Novo Testamento exceto esta, e parece claro que ao fornecê-la, Lucas procura datar um fato importante.

Todos os quatro evangelhos relatam o batismo de Jesus, mas apenas Lucas, o médico com vocação de historiador, nos dá um detalhe precioso e único em termos cronológicos: a data de seu batismo.

É necessária a leitura acurada de Lucas 3:1-20 para nos esclarecer qual o foco principal entre os assuntos ali tratados, pois uma leitura desatenta pode nos levar a concluir que o evangelista está datando o início do ministério de João e não propriamente o batismo de Jesus. É bom que se reconheça que a maioria dos comentaristas conclui que se trata do início do ministério de João Batista.

Quando se lê a Bíblia com o intuito de datá-la, fica nítida a dinâmica dos autores sagrados no que se refere à sua cronologia. É, portanto, muito diferente de se pegar um determinado texto do Novo Testamento, como este, Lucas 3:1, por exemplo, e concluir que se trata do início do ministério de João Batista.

Os comentaristas judeus, muito mais atentos à esta matéria que os analistas cristãos, podem nos ensinar muito a este respeito, a começar por uma pergunta que a regra mais básica da interpretação bíblica nos obriga a fazer a respeito do texto em questão: Por qual razão a única data fornecida no Novo Testamento inteiro apontaria para um evento na vida de João Batista, se toda a Bíblia, toda ela, aponta única e exclusivamente para a pessoa de Jesus?

Lucas situa primeiramente o ano em que se dá o principal acontecimento de seu relato, o 15º ano de Tibério, sincronizando o imperador romano com os demais líderes contextualizados naquele ano, entre os quais Pilatos, governador da Judéia, Herodes, o tetrarca da Galiléia (filho de Herodes, o Grande), Anás e Caifás, sumos sacerdotes. Todos estes terão algum tipo de relacionamento com Jesus, e apenas Herodes está ligado a João.

Por passar a relatar a partir deste ponto eventos relacionados à vida de João Batista, poder-se-ia compreender que a data se refere ao início do ministério de João. No entanto, tal possibilidade não pode ser aceita, pois Lucas nos faz sim, um breve relato do ministério de João, sintetizando sua pregação às multidões, e culmina dizendo que Herodes terminou por lançá-lo na prisão (Lc 3:20), para depois contar que Jesus foi por ele batizado (Lc 3:21).

Recorde-se a forma como a Bíblia data a Torre de Babel: diz que aconteceu nos dias de Pelegue (Gn 10:25). Mas Pelegue teve uma vida extensa, e desta forma Babel só poderia se referir às duas únicas datas exatas de sua vida, seu nascimento ou sua morte, e neste caso, refere-se à sua morte.

Como o relato de Lucas cobre praticamente todo o ministério de João, indo desde o seu aparecimento até a sua prisão, para só depois mencionar o batismo de Jesus, entende-se desta forma que o batismo é o assunto em foco. De outra forma a data não seria útil para nada, pois nenhum outro assunto do texto em questão é por si só uma âncora.

Não fosse assim, a qual evento da vida de João se referiria o ano 15 de Tibério? Seria o ano em que João começou a pregar o batismo de arrependimento (v. 3), ou seria o ano em que foi preso por Herodes (v. 20)?  A que se referiria a data explicitada por Lucas?

Pelo mesmo princípio da interpretação da data de Babel, no caso de Lucas, considerando todos os eventos relacionados a João, apenas dois seriam datáveis: o início de seu ministério e o batismo de Jesus. Qual o mais importante? Evidentemente que o  início do ministério de Jesus.

Pode-se assim concluir que Jesus foi batizado no 15º ano de Tibério Cesar no poder, correspondente ao ano 28 (DC) de nosso calendário, data esta facilmente comprovável pela história secular.

Tibério, segundo todas as fontes históricas acreditadas passou a reinar no ano 14 DC, ano da morte de Augusto. Desta forma, o ano 14 DC é seu primeiro ano de governo e 28 DC é seu 15°, uma vez que 14 DC é contado como primeiro ano de seu governo.

A data de Lucas (Lc 3:1) é a única âncora cronológica em todo o Novo Testamento. Estejamos atentos a isto, pois não há nenhuma outra data identificável por um calendário no Novo Testamento senão esta. O único evento da vida de Jesus claramente mencionado por um calendário é o seu batismo. Seria coincidência?

Partindo, desta forma, do ano 28 DC como data de seu batismo, e sabendo que seu ministério durou cerca de três anos, pois os evangelhos mencionam três diferentes Páscoas, podemos concluir que Jesus foi crucificado em 30 DC, Anno Mundi 3925.

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A ligação de Daniel 9 com a crucificação de Jesus no Anno Mundi 3925

O período abrangido pelo Antigo Testamento se encerra com a morte do rei Artaxerxes I em 434 AC. Começa então o chamado período inter-testamentário, que se estende até o nascimento do Senhor Jesus, ou melhor ainda, cerca de um ano antes, com o advento do censo romano determinado por Augusto Cesar, primeiro fato histórico narrado pelo Novo Testamento. Designamos normalmente o período intertestamentário por “quatrocentos anos de silêncio”.

A última data de interesse bíblico possível de ser determinada no Antigo Testamento é a que justamente nos auxilia  na localização do ano da crucificação de Jesus. Trata-se do 20º ano de Artaxerxes I, a partir do qual, conforme Dn 9:24-25, somos levados pela adição de 483 anos ao Anno Mundi 3925, ano da crucificação de Jesus, quando se cumpre o tempo de 69 das 70 semanas profetizadas por Daniel.

Evento

Data

20º ano de Artaxerxes I

3442 A.M. – 454 AC

69 semanas de Daniel em anos corridos

483 anos (69 semanas * 7 anos)

Ano da crucificação de Jesus

3925 A.M.

Vejamos o que nos diz Daniel: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.” (Dn 9:24:25)

De acordo com o Dr. Aníbal Pereira dos Reis” (conforme visto no tratamento de 3442 A.M.), o vocábulo hebraico “chabua”, comumente traduzido por semana, fundamentalmente significa setenário, que é o espaço de sete dias ou sete anos, o que é confirmado com absoluta precisão pelo texto de  Levítico 25:8: “Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos.”

Desta forma, a partir deste ano (3925 A.M.), é necessário calcular quantos anos viveu Jesus para chegarmos ao seu nascimento e demais datas de seu ministério.

Teoricamente, determinar o nascimento de Jesus seria uma tarefa fácil, uma vez que se trataria de apenas subtrair de 3925 os 33 anos, suposta idade que teria ao ser crucificado. A idade de 33 anos lhe é tradicionalmente atribuída pelo fato de Lc 3:23 declarar que Jesus tinha “cerca de 30 anos” quando iniciou seu ministério e pela adição de três anos a que se referem os relatos contidos no Evangelho de João sobre as festas das quais participou, entre elas, três diferentes Páscoas.

A qual ano do calendário gregoriano equivale o Anno Mundi 3925?

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20 AC – (Anno Mundi 3876) – Herodes constroi o “terceiro Templo”

De todas as obras de Herodes, a que mais nos interessa conhecer os detalhes se refere ao Templo de Jerusalém, pois foi este o Templo visitado por Jesus.

A ele normalmente nos referimos como “Segundo Templo”, pois nossa tradição nos reporta que Herodes apenas reformou o Templo que fora reerguido por Esdras por ocasião do retorno dos judeus do exílio babilônico. Dá respaldo a ser chamado “Segundo Templo”, o texto do Profeta Ageu dirigido a Zorobabel e seus companheiros com palavras de incentivo para continuarem as obras de sua reconstrução: ” A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos”. (Ag 2:8)

Flávio Josefo, conforme referido na História dos Hebreus, Vol. 5, Cap. XIV- § 676, nos dá a entender que se trata de um “Terceiro Templo”, uma vez que o Templo de Esdras, conforme Josefo, foi desmontado e ampliado por Herodes a partir de seu 18º ano de governo.

É possível compatibilizar as duas coisas se considerarmos que o pronome demonstrativo do original hebraico (זה – zeh) do texto de Ag 2:9 traduzido por “desta”, pode igualmente ser traduzido como “daquela”, ou seja, “a glória daquela última casa”, o que poderia se referir não propriamente ao Templo de Esdras, mas ao que Jesus visitou, considerando-se, é claro, a hipótese de Josefo de serem templos distintos.

É importante considerar que Josefo foi contemporâneo deste Templo, tendo-o certamente visitado em inúmeras ocasiões. Outro fator muito importante que atesta esta possibilidade se deve ao fato de que Josefo reconheceu Jesus como o Messias esperado. Vejamos a referência contida na História dos Hebreus – Vol. 5, § 772:

“Nesse mesmo tempo apareceu JESUS, que era um homem sábio, se todavia devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios.

Ele era o CRISTO. Os mais ilustres de nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele fê-lo crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome.”

O primeiro indício de que se trataria de um terceiro Templo se refere às suas dimensões, pois, segundo Josefo, ele foi contruído maior e mais alto que o Templo anterior. Vejamos suas próprias palavras: “Ergueu-se o Templo de cem côvados de comprimento e cento e vinte de altura. Mas os alicerces cederam e esta altura ficou reduzida a cem côvados”.

De acordo com 1 Rs 6:2, o Templo “que o rei Salomão edificou ao SENHOR era de sessenta côvados de comprimento, e de vinte côvados de largura, e de trinta côvados de altura”.

Conforme o Livro de Esdras, a única referência às dimensões do “Segundo Templo” é esta: “No primeiro ano do rei Ciro, este baixou o seguinte decreto: A casa de Deus, em Jerusalém, se reedificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura de sessenta côvados, e a sua largura de sessenta côvados.” (Ed 6:3)

O texto de Esdras nos notifica que o projeto de construção foi desta vez determinado por Ciro, com dimensões diferentes do projeto original, e aparentemente não houve qualquer contestação a este respeito, nem da parte dos sacerdotes, nem da parte de Deus.

Parece ser este ponto bastante adequado para traçarmos um paralelo entre a revelação progressiva de Deus para os homens e a questão do Templo.

Tanto a Casa de Deus conceituada no Tabernáculo no deserto quanto a que foi construída de materiais duros por Salomão têm uma característica em comum: a extrema rigidez de detalhes com os quais foram concebidas.

Não é sequer possível imaginar que tanto uma quanto outra tivessem qualquer detalhe de suas concepções alterados ainda que minimamente.

Já uma outra situação diferente é vista na reconstrução corrdenada por Esdras, pois independente das dificuldades que circundaram esta tarefa e do extremo amor e dedicação por parte daqueles que dela participaram, houve, aparentemente uma profunda modificação no projeto de Salomão que se refere às suas dimensões.

Lembremos que quando Davi transportava para Jerusalém a Arca que por vinte anos permanecera na casa de Abinadabe ocorreu um acidente: Os bois que puxavam o carro em que esta se encontrava se desiquilibraram e Uzá tocou a Arca (2 Sm 6:6-7). Não lhe era permitido tocá-la, e por esta razão foi morto por Deus, independente de sua intenção ser a melhor possível. Que se diria então se Deus não estivesse de acordo com as modificações nos templos reconstruídos?

O que parece mais correto, é que à medida que a revelação de Deus progride, menos importância tem o Templo na relação do homem com Deus, a culminar nos tempos vindouros em que Jesus travaria o seguinte diálogo com a mulher samaritana:

“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4:19-24)

Retornando ao relato de Josefo, outro indício de que seria um “Terceiro Templo” se refere à referência de o Templo original (de Esdras) haver sido desmontado por inteiro.

Herodes, segundo Josefo, não conseguiu a princípio convencer o povo de suas boas intenções pois muitos achavam que seu desejo era somente derrubar o Templo. Prometeu então não tocar o Templo antigo até que todo o material necessário para a construção do novo estivesse completamente disponível. Vejamos seu comentário:

“Empregou mil carretas para trazer as pedras, reuniu todo o material, escolheu dez mil operários dos melhores e sobre eles constituiu mil sacrificadores (sacerdotes) vestidos às suas custas, inteligentes e práticos nos trabalhos de pedreiro e carpinteiro. Depois que tudo estava preparado mandou demolir os velhos alicerces para serem reconstruídos e sobre eles ergueu-se o Templo de cem côvados de comprimento e cento e vinte de altura. Mas os alicerces depois cederam e esta altura ficou reduzida a cem côvados.”

Outro detalhe muito interessante que Josefo nos revela diz respeito ao muro de arrimo no entorno do Templo: “Herodes fez rodear por outro muro todo o sopé do montículo, embaixo do qual, do lado sul, há um profundo vale. Este muro, construído com grandes pedras ligadas com chumbo, vai até a extremidade em baixo do montículo e o rodeia por inteiro. É de forma quadrangular, tão alto e tão forte que não se poderia contemplá-lo sem admiração. Depois que este muro foi erguido, tão alto quanto o vértice do montículo, encheu-se todo o vazio que havia dentro dele. Formou-se assim uma plataforma, cujo perímetro era quatro estádios, pois cada uma das frentes tinha um estádio de comprimento e havia um pórtico colocado no meio dos dois ângulos.”

Em resumo Herodes teria aterrado o monte Moriá, vindo a construir o Templo sobre um espetacular platô o que o colocava numa altura admirável. Foi deste lugar que Satanáz desafiou Jesus. (Mt 4:5)

O tempo total de construção deste Templo, conforme Josefo, foi de nove anos e meio, tendo assim sido concluído em 11 AC. Contudo, de acordo com Jo 2:20, na visita em que Jesus expulsou os vendilhões do Templo, os judeus replicaram Jesus com estas palavras: “ Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?” (Jo 2:20)

Quarenta e seis anos contados a partir da data de início da construção por Herodes nos levaria ao ano 27 DC, um ano antes de Jesus ser batizado. Desta forma, ou este judeu estava enganado ou sabia de alguma coisa que não sabemos. A conclusão de se tratar de um segundo ou terceiro Templo é de menor importância e do foro de cada um, mas o fato é que o relato de Josefo não invalida o de Esdras e vice-versa.

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