Os eventos de antes da crucificação de Jesus

Ano 30 DC – 9 de Nisan – Sexta-feira– Jesus visita Lázaro
João nos revela que seis dias antes da Páscoa Jesus esteve em Betânia na casa de Lázaro: “Foi, pois, Jesus seis dias antes da Páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.” (Jo 12:1-2)

Na ocasião desta visita os principais dos sacerdotes já buscavam uma oportunidade de matar Jesus, mas João nos esclarece ainda mais o fato: “E muita gente dos judeus soube que ele estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dentre os mortos. E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro.” (Jo 12:9-10)

Ano 30 DC – 10 de Nisan – Sábado- entrada triunfal em Jerusalém
No dia seguinte à visita a Lázaro, conforme João 12:12, um Sábado, não Domingo, conforme o calendário judaico, Jesus entra em Jerusalém, cumprindo desta forma a rigor a palavra do Profeta Zacarias escritas mais de cinco séculos antes deste dia: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e salvo, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta.” (Zc 9:9)

Conforme a profecia, nas palavras de Marcos: “levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele. E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor; Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.” (Mc 11:7-10)

Segundo a Lei de Moisés, conforme escrito em Êxodo 12:1-6, em absoluta concordância com a exigência da Lei, no décimo dia do primeiro mês, 10 de Nisan, Jesus é apartado como o cordeiro de Deus para o sacrifício da Páscoa: “Falai a toda a congregação de Israel, dizendo:

Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.” (Ex 12:1-6)

Ano 30 DC – 10 de Nisan – Sábado – os vendilhões do Templo
Uma vez em Jerusalém, Jesus expulsa os vendilhões do Templo, consoante o que dissera o Profeta Jeremias: “E então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Fomos libertados para fazermos todas estas abominações? É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor.” (Jr 7:10-11)

Marcos nos explica assim este acontecimento: “E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo. E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.” (Mc 11:15-17)

Conforme o Evangelho de Mateus (Mt 21:14-17), Jesus curou no Templo a muitos que o procuraram, e saindo do Templo pernoitou em Betânia (v 17).

Ano 30 DC – 12 de Nisan – Segunda-feira – o Sermão Profético e os planos de prender Jesus
Conforme Mateus 26:1-5, Jesus pronunciou o Sermão Profético no dia 12 de Nisan, dois dias antes da Páscoa: “Aconteceu que, quando Jesus concluiu todos estes discursos (entre os quais o Sermão Profético), disse aos seus discípulos: Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado. Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás. E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem. Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo.”

A informação de Mateus é preciosa: os sacerdotes intencionam prender Jesus, mas não durante a Festa da Páscoa para que não houvesse tumulto. A que se refere Mateus? Seria a intenção dos sacerdotes prender Jesus antes ou depois da festa?
Nossa tradição nos faz acreditar que não era nenhuma das duas opções, justamente o contrário, pois conforme se aceita, Jesus foi preso não só durante a Festa, como também teria sido crucificado no seu principal dia de celebração, o 15 de Nisan.

Esta é mais uma evidência de que Jesus não foi crucificado na sexta-feira. Mesmo tendo em consideração que não existia naquele tempo nenhum compromisso da parte do poder religioso com Deus, é muito evidente que uma atitude destas, de se crucificar um judeu durante a Páscoa, seria um abuso de autoridade inconcebível, e não só isto, implicaria que o próprio sumo sacerdote violasse o mais sagrado e observado dos mandamentos do judaísmo, a guarda do Sábado.

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O calendário judaico do ano 30

De acordo com o calendário judaico não há qualquer hipótese de Jesus ter sido crucificado numa sexta-feira, nem no ano 30, nem em qualquer outro ano da década que circunda esta data.

Na forma de contar o tempo dos judeus o primeiro dia de cada mês sempre coincide com a lua nova, e o 15° dia com a lua cheia, o que não significa, no entanto, que a troca da lua aconteça em simultâneo com estes dias, apenas que estes dias acontecem nestas luas.

Há, à disposição de todos, na internet, vários sites judaicos que exibem este calendário, permitindo a busca de datas entre o ano 1 de nossa era até os dias de hoje. Cito dois, para sua própria consulta: http://www.jewishyear.com/ e http://elkind.net/calendar/

É baseado neles que montamos o calendário do mês de Nisan do ano 30, ano da crucificação de Jesus, correspondente ao nosso mês de Abril.

De acordo com a nossa tradição, Jesus foi crucificado numa sexta-feira, mesmo dia da última ceia com seus discípulos, referente à celebração da Páscoa judaica, o que acontece, de acordo com a Lei de Moisés, às primeiras horas do dia 15 de Nisan, que conforme vimos, se inicia no entardecer do dia 14, logo após o por do sol.

Na estrita observância de seus costumes, podemos ainda hoje ver que os judeus fazem distinção das horas nos diversos pontos do planeta. Embora o padrão Greenwich Mean Time (GMT) sincronize os horários de todo mundo, há de fato uma defasagem nos horários do por do sol de acordo com a localização da cidade.

Com relação à data em 2011, por exemplo, 14 de Nisan caiu num 18 de Abril. A Páscoa judaica foi celebrada no por do sol deste dia, já 15 de Nisan no calendário judaico, o que fez com que em Nova York a celebração acontecesse após às 19:37 horas, hora em que se põe o sol nesta cidade. Em Buenos Aires aconteceu a partir das 18:26 horas; em Jerusalém após às 19:09 horas, no Rio de Janeiro após às 17:37 horas, etc.

Se a última ceia de Jesus corresponde à celebração da Páscoa judaica, conforme entende a nossa tradição, a mesma teria acontecido obviamente no 15 de Nisan.

Lembrando que a quinta-feira se inicia no entardecer da quarta-feira pouco depois das 19 horas (no mês de abril) em Jerusalém, todos os eventos seguintes à ceia, ou seja, a prisão de Jesus no Horto das Oliveiras, sua tortura na casa de Caifás, o julgamento de Pilatos, a crucificação, todos estes eventos teriam ocorrido no mesmo dia, entre as cerca das 19 horas, primeira hora do 15 de Nisan, até aproximadamente o mesmo horário do dia seguinte, e desta forma, 15 de Nisan daquele ano deveria ter coincidido com uma sexta-feira.

No entanto, ao examinarmos o calendário da Páscoa do ano 30, encontramos o 15 de Nisan numa quinta-feira, e não sexta-feira, como seria esperado, e assim, poderíamos considerar que o evento não ocorreu no ano 30, ou que o calendário judaico está errado.

Examinando os anos da década que circunda o ano 30, anos entre 25 e 36, também não encontramos nenhum 15 de Nisan numa sexta-feira. Veja a tabela abaixo:

Se não há nenhuma sexta-feira coincidente com 15 de Nisan na década examinada, a outra maneira de entender a questão implicaria propor que o calendário judaico está errado, e assim apontar onde está a falha, se ela de fato existir. Mas não existe.

Alguns poderiam considerar a possibilidade de um suposto erro ser influenciado pelo advento dos chamados “anos faltantes” na contagem do tempo judaica. Mas estes anos faltantes são o resultado do encurtamento do tempo histórico da dominação grega que fez coincidir o ano 1 de nossa era com o ano 3760 dos judeus, o que tem de real apenas o fato de ser uma convenção, como também o é o nosso Anno Domini.

Há de fato um desacordo entre os dois calendários quando se trata da conversão da data judaica para a gregoriana, que não pode, no entanto, ser considerado erro, pois sendo o ano judaico 11 dias mais curto que o nosso, os dois calendários só se sincronizam a cada 19 anos, de maneira que esta falta em nada nos afeta, uma vez que todos os eventos relacionados à crucificação de Jesus são datados e compreensíveis apenas à luz do calendário judaico, e não do nosso.

Veja que os calendários judaicos que sugerimos acima apresentam 15 de Nisan do ano 30 como sendo o dia 4 de Abril, quinta-feira, quando os calendários lunares perpétuos mostram que foi 6 de Abril, entrada da Lua Cheia, conforme se pode constatar no endereço eletrônico abaixo:

http://www.cienciaseternas.com/Horoscopos/CalendarioPerpetuo.htm

Não é demais lembrar que no calendário judaico, o início do mês sempre coincide com a Lua Nova, e consequentemente, o dia 15 sempre com a Lua Cheia, e desta forma, qualquer que seja o ano, poderemos inferir que a noite da prisão do Senhor no Getsêmani era noite de Lua Cheia, noite clara.

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As Festas dos judeus e a definição do Sábado

As festas têm uma grande importância na cultura judaica, estando presentes na vida dos hebreus mesmo antes da Lei de Moisés estabelecer várias celebrações como estatuto religioso. Note que Moisés, quando pela primeira vez se dirigiu a Faraó pedindo que deixasse Israel partir do Egito , portanto, antes que existisse a Lei, se refere à celebração de uma festa: “E Moisés disse: Havemos de ir com os nossos jovens, e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque temos de celebrar uma festa ao Senhor.” (Êxodo 10 : 9)

Conforme todo o capítulo 23 de Levítico, as festas são chamadas as “solenidades do Senhor”, começando pela ordenança do Sábado: “Seis dias trabalho se fará, mas o sétimo dia será o Sábado do descanso, santa convocação; nenhum trabalho fareis; Sábado do Senhor é em todas as vossas habitações.” (Lv 23:3)

Os judeus celebram até os dias de hoje seis grandes festas: a Páscoa, os Pães Ázimos, o Pentecostes (Shavuot, ou Festa das Semanas), a Festa das Trombetas (Rosh Hashaná), a Festa da Expiação (yom Kippur) e a Festa dos Tabernáculos (Sucót, ou Festa das Cabanas), todas elas instituídas pela Lei de Moisés. Além destas celebram outras “festas menores”, que são as comemorações do Chanucá e Purim, instituídas depois da Lei de Moisés. Vejamos as principais:

A Páscoa e a Festa dos Pães Ázimos – 14 e 15 de Nisan – que se fundem numa só festa, celebrada a partir de 14 até 21 de Nisan (Março / Abril), primeiro mês do ano civil judaico, conforme Levítico 23:4-8;

A Festa das Semanas, ou Festa das Primícias, ou Shavuot para os judeus, que a partir do domínio Grego recebeu o nome de Pentecostes, é celebrada 50 dias após a Páscoa, em 6 de Sivan (Maio / Junho). conforme Levítico 23:9-25;

A Festa das Trombetas, no mês sétimo dos judeus, (Setembro / Outubro), no dia 1 de Tishrei, marcada pelo som das trombetas;

A Festa da Expiação, ou Yom Kippur para os judeus, celebrada no dia 10 de Tishrei (Setembro / Outubro), que conforme Levítico 23:29-44 celebra o dia da expiação dos pecados do povo perante Deus;

A Festa dos Tabernáculos, ou Festa das Tendas, ou da Colheita, ou Sucot para os judeus, em 15 de Tishrei (Setembro / Outubro), o mês sétimo, tem um sentido agrícola e religioso, marcando o final da colheita das frutas, encerrando assim mais um ano de colheita.

Na análise dos mandamentos de Deus com relação ao respeito devido aos dias de festa, destacamos um valor que se sobressai aos demais: o conceito do Sábado.

A primeira consideração do texto de Levítico (Lv 23) é devida ao próprio dia de Sábado, que conforme a Lei era dia de descanso, sendo proibida nele a execução de qualquer trabalho: ‘Seis dias trabalho se fará, mas o sétimo dia será o Sábado do descanso, santa convocação; nenhum trabalho fareis; Sábado do Senhor é em todas as vossas habitações.” (Lv 23:3)

Os dias de festas eram considerados convocações santas, de maneira que nenhum trabalho deveria ser executado, tal como no Sábado. Vejamos alguns textos:

1 – Levítico 23:6-7 diz respeito à Festa dos Pães Ázimos que segue à Páscoa: “E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos do SENHOR; sete dias comereis pães ázimos. No primeiro dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis. Mas sete dias oferecereis oferta queimada ao SENHOR; ao sétimo dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.” Desta forma, eram, o primeiro e o sétimo dias da Festa dos Ázimos considerados dias de descanso, respectivamente 15 de Nisan e 21 de Nisan, que eram SÁBADOS, independente do dia da semana que caíssem.

2 – A Festa do Pentecostes é celebrada no Domingo, 50° dia após o início da Festa dos Pães Ázimos, dia 6 de Sivan (Maio / Junho). A Festa dos Ázimos começa do dia 15 de Nisan, portanto, a contagem para o Pentecostes se inicia em 16 de Nisan. Vejamos o texto bíblico:”Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao Sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia seguinte ao sétimo Sábado, contareis cinqüenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao SENHOR.” (Lv 23: 15-16)

A contagem para o Pentecostes começa no 16 de Nisan. Observe que o texto especifica “o dia seguinte ao SÁBADO” como início da contagem, o que significa que o dia 15 de Nisan, independente do dia da semana em que caia, é considerado um SÁBADO, dia de descanso, conforme a Lei de Moisés: “E naquele mesmo dia apregoareis que tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; estatuto perpétuo é em todas as vossas habitações pelas vossas gerações.” (Lv 23:21)

Por causa do calendário católico nossa celebração do Pentecostes é sempre um Domingo, porque são contados 50 dias a partir do “Domingo da Páscoa”, o que transforma a data numa simples convenção.

Por causa do catolicismo os judeus confundem todos os “cristãos” colocando-os num mesmo saco. Para o judeu, cristão e católico é a mesma coisa. Perdem, desta forma, a oportunidade de conviver com os cristãos verdadeiros, cujo entendimento da fé no mesmo Deus os faz ter apreço pelos judeus, sabendo que um dia entenderão que Jesus era o Messias esperado.

O papa recentemente isentou os judeus da responsabilidade de haverem crucificado Jesus. Mas quem isentaria a igreja católica por haver queimado nas fogueiras da inquisição milhões de pessoas no decorrer da história? Ou quem isentaria Pio XII cuja colaboração com os nazistas levou milhões de judeus à câmara de gás? Não foram os judeus que condenaram Jesus à norte, mas a humanidade toda. Esta é uma responsabilidade individual de cada ser humano. Cada um de nós tem uma parte nisto.

3 – Referente à Festa das Trombetas, que ocorre no dia 1 de Tishrei (Setembro / Outubro), também independente do dia da semana em que caia é considerado um SÁBADO: “E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis, mas oferecereis oferta queimada ao SENHOR. (Lv 23:23-25)

4 – Quanto ao Yom Kippur, Festa da Expiação, a ordenança é a mesma, ou seja, independente do dia da semana em que caia, é dia de descanso: “Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao SENHOR. E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus.” (Lv 23:27-28)

No contexto do Yom Kippur, para não deixar dúvida quanto a este fato, o texto de Moisés enfatiza ainda mais a questão do Sábado: “Também toda a alma, que naquele mesmo dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo. Nenhum trabalho fareis; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações em todas as vossas habitações. SÁBADO de descanso vos será; então afligireis as vossas almas; aos nove do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso Sábado.” (Lv 23:30-32)

O texto acima repete várias vezes que este dia tinha um valor de SÁBADO, e como tal deveria ser respeitado, independente do dia da semana em que caísse.

5 – A mesma situação se dá com relação à Festa dos Tabernáculos (Lv 23:35) onde o primeiro e o oitavo dias são Sábados: “Porém aos quinze dias do mês sétimo, quando tiverdes recolhido do fruto da terra, celebrareis a festa do Senhor por sete dias; no primeiro dia haverá descanso, e no oitavo dia haverá descanso.” (Lv 23:39)

Tenhamos isto em mente quando analisarmos as datas referentes à Ceia do Senhor.

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O calendário da Páscoa judaica

A primeira coisa que se deve atentar quando se trata de entender as datas dos evangelhos referentes à crucificação do SENHOR, é o fato de que devemos pensar em termos de calendário judaico, tanto no que diz respeito aos dias do mês, como da semana, e das horas.

Como já vimos, o calendário judaico difere substancialmente do nosso, não só em termos do início de seu ano civil (mês de Nisã ou Nisan), equivalente a Março ou Abril de nosso calendário, como também pelo fato de os dias do mês não serem coincidentes, uma vez que o mês judaico é mais curto. Os dias da semana, no entanto, são os mesmos.

Veja que a contagem das horas nos relatos dos evangelhos também difere da nossa. Em Mt 27:45 lemos que “desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona”, o que em nossa contagem de tempo equivale dizer entre o meio-dia e 15 horas, pois as horas, neste caso, são contadas a partir das 6 da manhã.

Desta forma, quando pensarmos em termos de “dia da semana”, temos que recordar que a sexta-feira, por exemplo, que para nós começa à meia noite da quinta-feira, para o judeu começa às 18 horas da nossa quinta-feira, seis horas antes.

Nos dias de hoje, em termos comerciais, Israel acompanha o horário civil padrão do mundo cristão. Em outras palavras, se você consultar o site do jornal Jerusalém Post (www.jpost.com) , por exemplo, numa sexta-feira, às 20 horas, embora os judeus religiosos estejam recolhidos celebrando o Sábado, seu dia de descanso, o horário demonstrado é GTM +2 (Greenwich Mean Time) da sexta-feira, e não o horário religioso. A principal finalidade de manutenção do calendário judaico diz respeito à rigorosa observação das festas e dias de descanso.

Não é possível, desta forma, ler os textos referentes à última Páscoa de Jesus pensando em termos de Março ou Abril, ou mesmo nas tábuas pascais que adotamos, que são católicas. O cálculo católico é feito para sempre coincidir a morte de Jesus numa sexta-feira, de maneira que todos os anos se celebra a páscoa num fim de semana. Em termos comparativos é como se você tivesse nascido num Domingo e desde então comemorasse seu aniversário sempre aos domingos.

Dirão alguns que o importante é celebrar o fato, e não a data. Mas a verdade é que ao deixarmos o fato de lado, deixamos de compreender, conforme veremos, o real significado dos acontecimentos.

Esquecendo o calendário pascal católico, que por ser pagão é completamente equivocado, vejamos que a Páscoa bíblica se inicia com a preparação do cordeiro no dia 14 de Nisan, primeiro mês do calendário judaico: “Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.” (Êxodo 12 : 2) “No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a Páscoa do Senhor.” (Lv 23:5)

No dia 14 de Nisan os judeus preparavam, segundo a Lei de Moisés, o cordeiro pascal, sendo por isto chamado de “dia da preparação”. O sangue do cordeiro era aspergindo nos umbrais das portas como memorial da passagem do anjo da morte pelo Egito. Conforme a Lei, as famílias deveriam desde o entardecer do dia 14 se recolher para dentro de seus lares a fim de “comer a Páscoa”, e desta forma, a ceia pascal já ocorria nas primeiras horas do dia 15 de Nisan.

Quando em nossa cultura pensamos em primeiras horas, pensamos em horas da manhã, mas na contagem de tempo judaica, bíblica, portanto, refere-se às primeiras horas depois do por do sol.

Os elementos da ceia pascal são a carne do cordeiro, o pão sem fermento, e as ervas amargas que eram comidos à noite: “E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão.” (Êxodo 12:8)

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As festas na vida de Jesus

João aponta (Jo 5:1) uma festa não esclarecida que teria também ocorrido no ano 28 DC. O fato de Jesus ter-se deslocado para Jerusalém nesta ocasião indica que seria provavelmente a Festa dos Tabernáculos, uma vez que todas as páscoas indicadas em seu evangelho estão distintamente caracterizadas. João, por sinal, é o único dos evangelistas a se referir a todas as páscoas, e não fosse pelo seu registro, poderíamos ser levados a concluir que o Ministério de Jesus tivesse durado apenas um ano.

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O período entre 3 AC e 14 DC

3 AC – Anno Mundi 3893 – a fuga para o Egito e a matança dos inocentes
Uma vez cumprida a purificação de Maria e a apresentação de Jesus no Templo, nada mais impedia que a família retornasse a Nazaré, seu local de residência.

Tendo sido, no entanto, advertidos por sonho que Herodes buscaria a criança para matá-la, seguiram para o Egito, onde permaneceram por cerca de dois anos até que Herodes estivesse morto.

Quando Herodes deu por falta de algum retorno da parte dos magos, logo concluiu que haviam partido, e desta forma, tomando como base a data que lhe haviam informado sobre o aparecimento da estrela, mandou que fossem mortos todos os meninos nascidos em Belém de menos de dois anos.

Podemos inferir, desta maneira, que a estrela tenha sido avistada pelos magos nesta época, cerca de dois anos antes do nascimento de Jesus. Depois da morte de Herodes a família retornou a Nazaré, muito provavelmente em 1 AC, uma vez que Herodes faleceu, conforme vimos, antes da Páscoa daquele ano.

10 DC – (Anno Mundi 3905) – Jesus celebra a Páscoa em Jerusalém
Conforme Lucas 2:42, Jesus esteve em Jerusalém para a celebração da Páscoa quando tinha 12 anos de idade, em 10 DC, portanto.

14 DC – (Anno Mundi 3909) – morte de Augusto e ascensão de Tibério César
A história secular registra a ascensão de Tibério ao trono de Roma no ano 14 de nossa era. Lucas 3:1 faz referência a Tibério quando aponta o batismo de Jesus em seu 15° ano de governo.

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3 AC – Anno Mundi 3893 – o nascimento de Jesus

Obviamente todos os fatos analisados até aqui com relação à morte de Herodes e a Estrela de Belém são importantes, mas pode-se perceber que nenhum deles é por si só suficiente para se estabelecer com precisão a cronologia da visita dos magos, ou do nascimento de Jesus.

Precisamos de outro indicativo, pois não podemos simplesmente retroagir dois anos a partir da morte de Herodes, seja ela aceita como 1 AC ou 4 AC, e concluir que os magos tenham avistado, conforme as teorias vistas, a estrela nestas datas, muito menos chegar ao nascimento de Jesus desta forma. Não há lógica para isto, uma vez que não há nenhuma informação que vincule com absoluta precisão estes fatos.

Veja que embora as teorias que datam o surgimento da Estrela de Belém falem concretamente de fenômenos muito convincentes, estas, por si mesmas, não nos permitem acatar com exatidão nenhuma data.

Temos então que utilizar a informação de Lucas 3:23 como âncora a data de nascimento de Jesus, onde o evangelista nos diz que na época de seu batismo, portanto, no início de seu ministério, “o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos”.

Lucas enfatiza a idade de Jesus mostrando claramente que de acordo com a Lei de Moisés ele estaria apto para o ministério: “Da idade de trinta anos para cima até aos cinqüenta anos, será todo aquele que entrar neste serviço, para fazer o trabalho na tenda da congregação”. (Números 4:3)

Constatamos também que Jesus foi batizado no ano 28 DC, 15° ano do governo de Tibério César (Lc 3:1). Retroagindo os 30 anos de Jesus na ocasião, temos que seu nascimento, de acordo com a informação de Lucas, deu-se, com maior probabilidade, em 3 AC.

O Apóstolo Paulo nos diz em Gálatas 4:4 que na “plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” .

Plenitude dos tempos, no grego (πλήρóμα τον χρόνου pléroma ton cronou), significa o tempo cumprido, que cumpriu-se o tempo, completou-se o tempo, que a soma de tudo está cumprida.

Em termos concretos, a plenitude dos tempos reflete em 3 AC um mundo pronto para receber o Evangelho, dado primeiro aos judeus, e depois aos gentios.

Já nos primórdios da Igreja, quando primeiramente o poder religioso se sente ameaçado pelo caráter universal das boas novas de Deus, vem a perseguição sobre os primeiros cristãos, que fugindo de seus perseguidores, levam o Evangelho pelas estradas romanas. Todos os caminhos levam a Roma, diz o ditado até os nossos dias, e é por elas que os primeiros seguidores de Jesus andaram até os confins da Terra espalhando a mensagem do Evangelho.

Na plenitude dos tempos o mundo usa o grego como língua universal, de maneira que a proclamação da mensagem de Jesus transcende as fronteiras do aramaico falado em Israel, e permite sua perfeita compreensão na língua franca daqueles tempos.

Coube, desta forma, a Alexandre, o Grande, que impôs o grego como língua franca do mundo, um importante papel na preparação da vinda do Messias prometido, como da mesma forma coube a Roma interligar os principais centros comerciais à capital do império, bem como sedimentar os conceitos de cidadania e justiça.

Deus é o Senhor da história, e na plenitude dos tempos satisfizeram-se todas as condições para a vinda de Jesus, não somente as físicas, como estradas e língua, mas todas as evidências que as profecias milenares haviam antecipado no curso da história de Israel, e era chegado o tempo de se realizarem.

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