Aspectos a serem considerados a respeito da Ceia e Crucificação do Senhor

Jesus foi crucificado no mesmo dia em que tomou a Ceia junto com os apóstolos. A ceia foi tomada às primeiras horas dia judaico, ou seja, por volta de 19 horas, e a crucificação ocorreu na manhã seguinte, por volta das 9 horas da manhã, hora terceira, conforme o horário judaico. Temos sempre que nos recordar que dia judaico se inicia ao por do sol, e não no alvorecer, e que as horas são medias a partir do por do sol, no que se refere à noite, e a partir do alvorecer, no que se refere à manhã.

O horário do por do sol em Jerusalém varia no decorrer do ano entre as 17:40 horas no inverno, até 19:15 horas no verão. Jerusalém esta situada no hemisfério norte, onde a primavera começa em 21 de março, e desta forma, tendo sido Jesus crucificado em Abril, o por do sol se dava por volta das 19 horas.

O principal alicerce sobre o qual construímos nossa conclusão sobre a crucificação na sexta-feira se relaciona aos repetidos relatos dos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) a respeito da data da crucificação como sendo uma véspera do Sábado.

Também com relação à Ceia, os três são unânimes e repetem quase com as mesmas palavras que : “no primeiro dia da festa dos pães ázimos, chegaram os discípulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa? ” (Mateus 26:17); Marcos relata o fato com a mesma ênfase: “E, no primeiro dia dos pães ázimos, quando sacrificavam a páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a páscoa?” (Marcos 14:12); Lucas, relata desta maneira: “Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa. E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos.” (Lucas 22:7-8)

O argumento de Lucas é o mais claro, pois enfatiza que “era o dia dos ázimos, dia em que ” importava sacrificar a páscoa”, de maneira que não resta dúvida que Lucas se refere ao 14 de Nisan, conforme estabelece a Lei de Moisés, o que nos faz crer que o Senhor comeu de fato a páscoa judaica.

Mesmo sendo um fato amplamente conhecido, vejamos como Lucas relata toda a história: “Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa. E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei preparativos. E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa. E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; (Lucas 22:7-15)

Dos quatro evangelistas, nunca é demais lembrar que Mateus e João foram discípulos de Jesus desde o início de seu ministério. Marcos era discípulo de Pedro, enquanto Lucas era ligado ao apóstolo Paulo.

Se por um lado Mateus, Marcos e Lucas datam da mesma forma o acontecimento, concordando claramente com 14 de Nisan, João, no entanto, parece se lembrar que a Ceia do Senhor tenha ocorrido em outra data, antes da Páscoa: “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. E, acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.” (João 13:1-5)

É bom observarmos que conforme o texto de Lucas citado acima, Jesus enviou dois dos discípulos para preparar a Páscoa, Pedro e João, de maneira que não há por que duvidar que João sabia o que estava escrevendo, pois foram ele e Pedro que organizaram a última ceia de Jesus.

Bem, se a resposta a ser dada tivesse que respeitar a opinião da maioria, teríamos de fato que acatar que os sinóticos estão certos e que João se enganou quanto à data. Mas de fato a Bíblia tem pouco a ver com o direito da maioria e mais com a inspiração do Espírito Santo quanto ao resultado daquilo que foi escrito, e assim, antes de colocarmos a questão, muito apropriada, por sinal, de quem está certo, e quem está errado, é bom verificarmos um preceito básico de interpretação da Bíblia: Ela é perfeita e não contém erros, e desta maneira somos levados a crer que ambas definições da data da Ceia do Senhor estão corretas.

Veja por exemplo as duas diferentes referências bíblicas para o início de reinado Jorão de Israel. 2 Rs 1:17 diz que: “Assim, pois, morreu (Acazias), conforme a palavra do SENHOR, que Elias falara; e Jorão começou a reinar no seu lugar no ano segundo de Jeorão, filho de Jeosafá, rei de Judá; porquanto não tinha filho (era irmão de Acazias).

Já 2 Rs 3:1 relata o mesmo acontecimento de outra forma: “E Jorão, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no décimo oitavo ano de Jeosafá, rei de Judá; e reinou doze anos.”

Seria aqui caso aqui de perguntar qual dos dois relatos está correto? De maneira alguma, pois estão ambos corretos, uma vez que definem a corregência entre Jeosafá e Jeorão, pai e filho.

O apóstolo Pedro nos assegura que “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1 : 21) Assim, a Bíblia como um todo e cada mínimo detalhe nela contido é a expressão absoluta da palavra do próprio Deus, e não o produto do desenvolvimento religioso, ou da vontade, ou da inspiração individual do homem.
Qual então a conclusão sobre o impasse? A conclusão é que estão ambas informações corretas, e a nós compete conciliá-las.

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12 Comentários

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12 responses to “Aspectos a serem considerados a respeito da Ceia e Crucificação do Senhor

  1. Marcos

    Olá irmãos. Todos os evangelhos estão corretos. Porém resumidos.
    Jesus foi crucificado na quarta (14) e ressuscitou no Sábado (17).
    Em observação ao 3º parágrafo, devemos lembrar que toda Santa Convocação era considerada como um SÁBADO. Por isso, alguns Sábados caíam em dias semanais comuns. E devemos observar que o 1º dia da Festa dos Pães Ázimos, dia 15 (quinto dia) foi Santa Convocação. Portanto Sábado.
    Enfim, naquela semana houveram dois Sábados.

  2. Elias

    A Paz. Não li todo o artigo acima, mas baseado no comentário acima, gostaria de deixar uma reflexão: considerando que Jesus tenha sido crucificado em uma sexta, não poderia de maneira alguma ter ressucitado no domingo, pois estaria negando sua palavra quando disse que estaria morto durante 3 dias e 3 noites assim como Jonas esteve no ventre de um grande peixe…

  3. Juarez

    A paz do Senhor irmão, sei que o Senhor é muito sábio e, eu tenho muitas duvidas porque? Jesus, foi crucificado no Egito, sendo muito, longe de Israel. Não daria tempo, para o seu sepultamento no mesmo dia segundo aos Hebreus c;13 v;12. Eu, agradeço se o irmão derme uma resposta.

    • Irmao.Pa Paz de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
      Entenda bem:Conforme LV 16 na cerimonia anual do perdao não se comiam os restos dos animais sacrificados pelo pecado,mas eram queimados fora da porta,istoé, fora do recinto sagrado,onde não contaminariam mais o povo(cf NM 5-1,4),já que o pecado do povo havia sido transferido para eles(LV16,27 e ver tb HB 9.7) simbolicamente.O autor de Hebreus relaciona este simbolismo com a morte de Jesus foara da cidade de Jerusalem(Litr. fora de seus portões ou suas muralhas, (cf João 19.-20 )como sacrificio pelos pecados.PORTANTO JESUS CRISTO NUNCA FOI CRUCUFICADO NO EGITO.

  4. Olá Juarez, como está?

    A referência de Hebreus 13:12 sobre “padeceu fora da porta” se refere a Jerusalém e não ao Egito. Por que pensa que se refere ao Egito?

    Fica com Deus.

    • Juarez

      Desculpe, irmão mas tem uma referência que eu não estou encontrando mas fala que Jesus foi crucificado no Egito.

  5. Oi Juarez,
    Penso que você está recordando a passagem: “E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho.” (Mateus 2 : 15)

    Esta passagem se refere ao retorno da família de Jesus depois da morte de Herodes. Não seria isto?
    Fica na paz.

    • Juarez

      A paz irmão, eu encontrei no livro do apocalipse c;11, v;8

      • A paz De Cristo Nosso Senhor!! Em relação a ao Ap. 11,8A grande cidade…onde…. o seu Senhor foi crucificado; istoé;Jerusalem,que aqui aparece como a cidade rebelde a Deus por excelencia.Por isso,identifica-se com Sodoma e com o Egito,lugares de perversão e idolatria Cf Isaias 1,10 e 3,9.Espero ter contribuido.DEUS ABENÇÕE

  6. Olá Juarez.
    O texto que você encontrou se refere a um acontecimento a ocorrer no futuro, no final dos sete anos da grande tribulação, quando as duas testemunhas de Deus serão mortas em Jerusalém à vista de todo o mundo.
    Neste caso Jerusalém é comparada, no aspecto espiritual, a Sodoma e Egito. O texto não diz que o Senhor foi crucificado no Egito, mas que a cidade onde Ele foi crucificado se chama Sodoma e Egito, que num sentido figurativo descreve a condição espiritual de Jerusalém no tempo em que estas coisas acontecerem.
    Sabemos que durante a grande tribulação os judeus terão feito uma aliança com o anti-Cristo, e no tempo em que as duas testemunhas de Deus forem mortas, conforme o texto que você aponta, esta aliança já terá se rompido, e a volta de Jesus ocorrerá imediatamente depois disto.

    Fica com Deus.
    Apocalípse 11
    3 E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco.
    4 Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra.
    5 E, se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca, e devorará os seus inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto.
    6 Estes têm poder para fechar o céu, para que não chova, nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de pragas, todas quantas vezes quiserem.
    7 E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará.
    8 E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado.

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