3 AC – Anno Mundi 3893 – o nascimento de Jesus

Obviamente todos os fatos analisados até aqui com relação à morte de Herodes e a Estrela de Belém são importantes, mas pode-se perceber que nenhum deles é por si só suficiente para se estabelecer com precisão a cronologia da visita dos magos, ou do nascimento de Jesus.

Precisamos de outro indicativo, pois não podemos simplesmente retroagir dois anos a partir da morte de Herodes, seja ela aceita como 1 AC ou 4 AC, e concluir que os magos tenham avistado, conforme as teorias vistas, a estrela nestas datas, muito menos chegar ao nascimento de Jesus desta forma. Não há lógica para isto, uma vez que não há nenhuma informação que vincule com absoluta precisão estes fatos.

Veja que embora as teorias que datam o surgimento da Estrela de Belém falem concretamente de fenômenos muito convincentes, estas, por si mesmas, não nos permitem acatar com exatidão nenhuma data.

Temos então que utilizar a informação de Lucas 3:23 como âncora a data de nascimento de Jesus, onde o evangelista nos diz que na época de seu batismo, portanto, no início de seu ministério, “o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos”.

Lucas enfatiza a idade de Jesus mostrando claramente que de acordo com a Lei de Moisés ele estaria apto para o ministério: “Da idade de trinta anos para cima até aos cinqüenta anos, será todo aquele que entrar neste serviço, para fazer o trabalho na tenda da congregação”. (Números 4:3)

Constatamos também que Jesus foi batizado no ano 28 DC, 15° ano do governo de Tibério César (Lc 3:1). Retroagindo os 30 anos de Jesus na ocasião, temos que seu nascimento, de acordo com a informação de Lucas, deu-se, com maior probabilidade, em 3 AC.

O Apóstolo Paulo nos diz em Gálatas 4:4 que na “plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” .

Plenitude dos tempos, no grego (πλήρóμα τον χρόνου pléroma ton cronou), significa o tempo cumprido, que cumpriu-se o tempo, completou-se o tempo, que a soma de tudo está cumprida.

Em termos concretos, a plenitude dos tempos reflete em 3 AC um mundo pronto para receber o Evangelho, dado primeiro aos judeus, e depois aos gentios.

Já nos primórdios da Igreja, quando primeiramente o poder religioso se sente ameaçado pelo caráter universal das boas novas de Deus, vem a perseguição sobre os primeiros cristãos, que fugindo de seus perseguidores, levam o Evangelho pelas estradas romanas. Todos os caminhos levam a Roma, diz o ditado até os nossos dias, e é por elas que os primeiros seguidores de Jesus andaram até os confins da Terra espalhando a mensagem do Evangelho.

Na plenitude dos tempos o mundo usa o grego como língua universal, de maneira que a proclamação da mensagem de Jesus transcende as fronteiras do aramaico falado em Israel, e permite sua perfeita compreensão na língua franca daqueles tempos.

Coube, desta forma, a Alexandre, o Grande, que impôs o grego como língua franca do mundo, um importante papel na preparação da vinda do Messias prometido, como da mesma forma coube a Roma interligar os principais centros comerciais à capital do império, bem como sedimentar os conceitos de cidadania e justiça.

Deus é o Senhor da história, e na plenitude dos tempos satisfizeram-se todas as condições para a vinda de Jesus, não somente as físicas, como estradas e língua, mas todas as evidências que as profecias milenares haviam antecipado no curso da história de Israel, e era chegado o tempo de se realizarem.

2 comentários

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2 responses to “3 AC – Anno Mundi 3893 – o nascimento de Jesus

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  2. Josué

    É interessante esse foco na “plenitude dos tempos”, acerca dessa proposta de datação do primeiro advento do Senhor (nascimento de Jesus). Creio contribuir com uma visada e posterior comentário agregando-se Marcos 1:17, Malaquias 3:1 e Daniel 9:24-27, apesar de estes últimos receberem algumas ressalvas de cunho eminentemente exegético, porém sem muito fundamento histórico.