Outras teorias sobre a Estrela de Belém

Há outras teorias a respeito da Estrela de Belém, como por exemplo, a do astrônomo Mark Thompson, membro da Real Sociedade Astronômica Britânica, que defende que o fenômeno se refere à conjunção de Júpiter e Régulus, a principal estrela da constelação de Leão, que entraram em conjunção em 14 de setembro de 3 AC, 17 de fevereiro de 2 AC, e 8 de maio de 2 AC.

A imagem acima mostra para efeito de se entender a movimentação de Júpiter em direção a Regulus, o campo celeste em 29 de agosto de 3 AC, tendo no centro da imagem o planeta Júpiter no plano eclíptico, e abaixo a estrela Regulus, a principal da Constelação de Leão.

A imagem acima mostra Júpiter e Regulus em conjunção no dia 14 de setembro de 3 AC, duas semanas depois das posições expostas na imagem anterior. Note-se que a data aponta o ano -2 que se refere a 3 AC pelo fato de software admitir ano zero, que não existe no calendário gregoriano.

Frederick A. Larson é outro entusiasta da teoria de que a Estrela de Belém se refere ao encontro de Júpiter e Regulus. Larson é autor do livro e DVD “The Star of Bethlehem”, cuja apresentação está resumida no website http://www.bethlehemstar.net

De acordo com suas conclusões, a partir de 13 de setembro de 3 AC ocorre uma concentração de símbolos nas estrelas, o que levaria os magos a concluir que o rei dos judeus havia nascido, sendo que em 18 de junho de 2 AC, Júpiter coroa a estrela Regulus, indo depois disto se encontrar com Vênus, o planeta que simboliza a mãe.

Ainda segundo seu relato, esta conjunção foi tão espetacular que é mostrada por centenas de planetários por todo mundo, por cientistas que nada sabem a respeito do nascimento de Jesus.

Como vemos, a teoria de Júpiter e Regulus tem boa aceitação e foi desenvolvida por diversos outros autores. Tem como um dos pontos fortes a relação de importância que estes astros possuem, de acordo com a tradição oriental, sobretudo no que diz respeito à simbologia judaica.

Júpiter, por ser o maior dos planetas de nosso sistema solar, onze vezes maior que a Terra, é tido como símbolo de realeza. É chamado o planeta rei;

Regulus, do latim Rex, também significa rei, e é a estrela mais brilhante da Constelação de Leão;

O leão é o símbolo da Tribo de Judá, e a ancestralidade de Jesus vem desta ascendência;

A conjunção proposta aconteceu na Constelação de Leão.

Simulando a trajetória de Júpiter em direção a Regulus, de fato a rota poderia guiar os magos que vinham do oriente em direção ao ocidente até Jerusalém, uma vez que é este é o deslocamento natural dos planetas.

De Jerusalém, conforme Mateus, quando se dirigiam para Belém, fariam agora a rota ocidente – oriente, o contrário da vinda. Também neste caso Júpiter faz este movimento, que é chamado em astronomia de movimento retrógrado, durante o qual, por um certo tempo, do ponto de vista de quem observa da Terra, Júpiter pareceria estar parado sobre Belém. Isto pode ser comprovado pela simulação em um software,e numa analogia simplória, seria como alguém que vem de carro por uma estrada a 90 km por hora e ultrapassa um carro que vai a 80 km por hora.

No momento da ultrapassagem, por breve espaço de tempo, tem-se a impressão que o carro que está sendo ultrapassado se encontra parado, e a seguir à ultrapassagem, que o carro ultrapassado segue em sentido contrário.

É o caso de Júpiter com relação à Terra, pois suas velocidades de translação, a volta ao redor do Sol, são muito diferentes, uma vez que o ano de Júpiter dura 12 anos terrestres.

Há que se observar, no entanto, estas explicações com muita cautela, pois há em muitas destas teorias, uma grande carga de sensacionalismo, como por exemplo, o fato de algumas incluirem mais conclusões do que o assunto em foco demanda.

Exemplificamos duas situações recorrentes e comuns a algumas teorias: uma, a que se refere ao 25 de dezembro, que como se sabe, é apenas uma tradição, além de ser uma data muito improvável, como já vimos. Mesmo assim, alguns analistas pegam fatos astronômicos ocorridos nesta data, no mesmo ano da conjunção proposta, e vinculam com o tema, de maneira a fazer coincidir perfeitamente todas as respostas.

Outra situação forçada diz respeito ao fato de que nas datas analisadas, no mês de setembro de 3 AC, a Constelação de Leão se encontra oposta à Constelação de Virgem, e desta maneira, alguns intérpretes forçam uma analogia relacionando este fato com o texto contido em Apocalipse 12, onde a mulher após dar a luz a um menino é perseguida pelo dragão que objetiva matar a criança. Desta forma, Apocalípse 12 entra, segundo algumas destas teorias, no contexto revelado pelas estrelas na data em questão, significando que a mulher é Maria, a criança é Jesus e o dragão é Herodes, que busca matar a criança.

Ora, na ânsia de querer colocar todos os ovos na mesma cesta, estes analistas jogam por terra toda a explicação natural contida em suas teorias, fazendo desta forma com que as mesmas sejam deixadas de lado por quem espera encontrar um mínimo de racionalidade nas mesmas.

É fato que pessoas pouco dadas à pesquisa, ou à interpretação séria das escrituras, abraçam abertamente estas teorias e as defendem como revelação divina. No entanto, há que se estar atento ao exagero de coincidências.

Seja como for, seja qual for, é certo que a Estrela de Belém nos remete a um fenômeno natural, porém dificílimo de ser apontado com exatidão.

Se você, por exemplo, examinar os céus através de um destes softwares de simulação na data de seu nascimento, com certeza irá encontrar algum tipo de alinhamento planetário, ou de um planeta com uma estrela, ou duas estrelas. E daí? O que isto quer dizer?

O fato é que ao saírem da linha racional da astronomia, entram na irracionalidade da astrologia, que Kepler, menos rigoroso que Moisés, tratava como “a filha tola da astronomia”.

Kepler observou em sua obra intitulada Tertius Interveniens, que “o mundo, afinal de contas, é muito mais tolo. É de fato tão tolo, que esta velha e sensível mãe, a astronomia, é mal falada por força das travessuras tolas de sua filha”.

Uma destas teorias está certa, e se nenhuma destas estiver, a explicação razoável para a estrela é que tenha sido de fato algum fenômeno semelhante a estes, e assim, se concordamos com o nascimento de Jesus em 3 AC, então o ano que os magos teriam avistado a estrela pela primeira vez teria sido 5 AC, e assim teríamos que segui-la ate 3 AC. Se concordamos com outra data, dois anos antes dela estaria nos céus o sinal da estrela.

Uma última observação importante é que fosse possível determinar com exatidão o dia em que a estrela pairou sobre Belém, este dia revelaria a data em que os magos chegaram ao local onde estava Jesus, mas nada diria sobre o seu nascimento, pois, conforme já vimos pelo texto de Mateus, as datas estão separadas, não se sabendo ao exato por quanto tempo. Alguns propõem que seja por cerca de 40 dias, enquanto outros por um período entre um e dois anos, e tudo é possível.

Caso queira fazer você mesmo as suas simulações a respeito destas datas, baixe gratuitamente em seu computador o excelente software Stellarium no endereço: http://www.stellarium.org/

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