A Estrela de Belém

Na Bíblia, a adoração dos astros foi proibida pela Lei de Moisés, conforme se lê em Deuteronômio 17:3-5: “se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei, e te for denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel, então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra”.

Curvar-se, portanto, diante do exército celeste, aos astros de uma maneira geral, que é o que faz a astrologia, é contra a Lei de Deus, e é nisto que incorrem os que leem horóscopo, mapa astral, e coisas afins.

Por outro lado, por toda a Escritura, os autores sagrados sempre se valeram dos astros para revelar a grandeza e os sinais da parte de Deus, tanto no Antigo Testamento como no Novo.

Davi, revelando ter uma grande consciência quanto à graça infinita de Deus diz no Salmo 8: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés”.

Para além de exaltar por toda a Bíblia a majestade de Deus, os astros são também usados para nossa advertência. O Profeta Joel, por exemplo, mandou desde a antiguidade um aviso aos inimigos de Israel dos nossos dias, que estes pagarão com suas próprias vidas o preço de atentar contra o povo escolhido, anunciando na Escritura, que no dia da vingança de Deus contra eles, “o sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor”, num claro veredito contra as nações que hão de se levantar contra Israel muito em breve. (Joel 3: 15)

O Profeta está em perfeita sincronia com o Senhor Jesus, quando este, no Sermão Profético, confirma estas palavras dizendo que “logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.”(Mt 24:29)

A Estrela de Belém é um destes muitos sinais da Bíblia, usada, por sua vez, para marcar para sempre nas estrelas, a chegada do redentor da humanidade.

Talvez por ser um fenômeno fácil de ser imaginado, é difícil de ser explicado com exatidão em termos científicos. Nossa imaginação nos leva a pensar que fosse algo como um cometa, ou mesmo uma Nova ou Super Nova, algo extraordinário.

Nova e Supernova são fenômenos semelhantes , variando apenas em função do tamanho das estrelas que os causam. Enquanto uma Nova se refere a uma estrela anã, a Supernova se refere a uma estrela de grande massa, 10 vezes maior que o nosso Sol.

Quando termina o seu combustível, no caso de uma Supernova, ocorre uma explosão que libera a mesma energia que o Sol produziria em toda a sua expectativa de vida, ou seja, em 10 bilhões de anos, e desta forma, uma explosão de tamanha magnitude poderia ser observada da Terra, a olho nu, por diversos meses seguidos.

Em nossos dias, com a popularização da ciência pela TV e pela internet, quase todos têm conhecimento destes fenômenos, mas não deixa de chamar a nossa atenção o que o rei Davi, quase mil anos antes de Cristo, escreveu no Salmo 102:25-26: “Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados “. Como poderia alguém ter, naqueles remotos tempos de tão pouca ciência, conhecimento de que as estrelas envelhecem?

O último registro de uma Supernova ocorrida em nossa galáxia, a Via Láctea, ocorreu em 1604, tendo sido observada por Kepler, sobre quem falaremos adiante, que a estudou juntamente com o dinamarquês Tycho Brahe. Este fenômeno, cujo brilho durou nos céus por 18 meses, de outubro de 1604 a abril de 1605, veio derrubar o conceito estabelecido por Aristóteles de que o Universo era fixo e imutável.

Pode-se concluir, portanto, que se a nossa estrela fosse uma Supernova, ou mesmo ainda um cometa, todos a teriam visto, incluindo Herodes, que conforme o texto de Mateus nada sabia a este respeito, nem ele, nem os habitantes de Jerusalém. Mateus 2:7 nos dá conta de que o próprio Herodes “inquiriu exatamente deles (os magos) acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera”.

Desta forma, podemos primeiramente concluir que qualquer pessoa comum, sem conhecimento astronômico, nada teria visto nos céus de Israel. Já os magos, astrônomos experientes, habituados à rotina celeste, acompanharam um fenômeno tão extraordinário, que o entenderam como algo sobrenatural, um sinal, e conforme o consenso geral, concluíram que a estrela indicava o nascimento de um rei. Seria isto?

Se a estrela indicasse a eles, que estava por nascer o futuro rei dos judeus, que importância teria isto no contexto mundial a ponto de fazer estes sábios se deslocarem desde o oriente até o pequeno Israel? O que era Israel naquele tempo? Saberiam os magos a qual nascimento se referia a estrela? Conheceriam eles as escrituras sagradas?

Com certeza conheciam. Se não conhecessem, faria sentido pensar que empreendessem esta jornada, se houvesse nascido, num caso concreto, um novo imperador de Roma, aquele que num futuro próximo governaria todo o mundo, mas não o rei da Judéia.

No entanto, quando pensamos na insignificância política do Israel daquele tempo, somos de fato obrigados a concluir que os magos conheciam as escrituras, e desta forma, sabiam perfeitamente que a estrela não indicava um nascimento qualquer, mas sim, do Rei dos reis, o Messias, o filho de Deus.

Desta forma, é bastante plausível entender que estes magos fossem não propriamente descendentes de Abraão, mas sim estudiosos da cultura de seu tempo, e com certeza absoluta, conhecedores dos textos sagrados que revelavam a vinda do Messias.

Caso fossem hebreus, as escrituras os revelariam como tal, mas certamente não eram. O Evangelho de Lucas, por exemplo, nos mostra o comportamento dos crentes judeus quando se deu o nascimento de Jesus, desde Isabel e Zacarias, os pais de João Batista, até os pastores, e Simeão e Ana, que adoraram Jesus na qualidade de filhos de Abraão. Todos se identificam como descendentes de Abraão, e como tal, entendem pela Escritura que sinais inequívocos revelam que é chegada a plenitude dos tempos.

Num paralelo com Lucas 11:31, podemos concluir que também estes magos se levantarão no dia do juízo, não só contra os seus contemporâneos, como contra toda a humanidade que não entende quem era o recém nascido. Não foi Jesus quem disse que “a rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois até dos confins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão”. Pois não fizeram os magos a mesma coisa?

2 comentários

Filed under Uncategorized