Os anos faltantes do calendário judaico

A história secular nos diz que o homem vive no planeta há milhões de anos; alguns supõem que são bilhões, porque ao negar a criação como ato da vontade soberana de Deus, precisam de um grande espaço de tempo para justificar como uma ameba conseguiu evoluir a ponto de se transformar num Mozart.

A contagem de tempo bíblica, por sua vez, nos mostra a existência de 3896 anos entre a criação do homem e o ano 1 de nossa era, o que nos diz que hoje não completamos ainda 6 mil anos de existência sobre a Terra.

Os judeus possuem uma contagem bíblica diferente da nossa, uma vez que estabelecem 3760 ou 3761 anos para o mesmo período, entre a criação do homem até o ano 1 de nossa era.

Qualquer fonte histórica que você pesquise relacionada a este assunto vai apontar para um fenômeno conhecido como os “anos faltantes”, ou “missing years” no calendário judaico. Este fenômeno se resume à falta de algo em torno entre 130 e 165 anos quando confrontado com calendário gregoriano, dependendo da interpretação que se faça. Se fizer a sua própria pesquisa use preferencialmente o termo “missing years” que fornece mais material sobre o assunto.

Enquanto historiadores de todos os tempos, entre os quais ícones do porte de Xenofonte (430 – 355 A.C.) e Heródoto (484 – 425 A.C.), entre outros, confirmam a existência de 10 reis governando a Pérsia por cerca de 215 anos, o entendimento dos judeus é que o período durou apenas 52 anos, nos quais reinaram apenas quatro reis, exclusivamente os que estão listados na Bíblia. Segundo esta “ciência”, os reis daquele tempo usavam vários pseudônimos fazendo parecer que eram pessoas diferentes, enquanto se tratava da mesma pessoa.

A justificativa não é sequer razoável, porque embora a Bíblia se limite a relatar somente a metade do império persa, mesmo assim nos mostra a existência de seis reis, sendo eles: 1- Dario, o Medo (Daniel 5:31); 2 – Ciro, o Grande (Esdras 1:1); 3 – Cambises, filho de Ciro, que conforme Esdras 4:6 é tratado na Bíblia por Assuero; 4 – Dario I (Esdras 4:24), 5 – Xerxes I, também chamado na Bíblia de Assuero, conforme o livro de Ester, e finalmente o sexto, Artaxerxes I. (Esdras 6:7)

Poderiam eliminar da lista acima Dario, o Medo, pelo fato de não ser ele o imperador persa na ocasião, conquanto era apenas governante designado da Babilônia, mas se o ponto de vista judaico é bíblico, conforme afirmam, a cronologia de Ciro na Bíblia só é contada depois de Dario, e desta forma, seu tempo de governo deveria ser computado. De qualquer maneira, o tempo bíblico dos cinco reis restantes totaliza 109 anos, e se contarmos Dario, o Medo, conforme o faz a Bíblia, totaliza-se 112 anos, um ou outro, tempos muito superiores à contagem sugerida pela lógica judaica. Acrescente-se que para dizer que são quatro governantes, aparentemente eliminaram também Cambises, uma vez que tal nome não aparece na Bíblia, o que não é correto, uma vez que é chamado de Assuero.

O período persa, não é só particularmente fácil de ser manipulado na Bíblia, como único. Nenhum outro período da história de Israel poderia acomodar o fenômeno dos anos faltantes senão este, pois não há contagem dos tempos de governo destes imperadores no relato bíblico. Para se estabelecer a cronologia do período é preciso recorrer a fontes históricas.

Outro problema com esta contagem é que o império persa caiu diante de Alexandre, o Grande, que conforme se sabe, derrotou Dario III, encerrando desta forma o período de dominação persa, e desta forma, seria necessário juntar pelo menos mais este à suposta lista de 4 imperadores, e mesmo assim, seria preciso eliminar os anos que separam Artaxerxes I, o governante do tempo de Esdras, do tempo da conquista de Alexandre, o que significa sumir com mais de 100 anos adicionais de história, que somados à diferença da contagem bíblica, resulta na falta deste tempo.

Seria preciso eliminar, e de fato fizeram isto, cortaram estes anos, e em nome da tradição, esta contagem de tempo incorreta é aceita sem questionamento até os dias de hoje.

O responsável por este cálculo é o rabbi Yose ben Halafta, sobre quem falamos quando tratamos da Seder Olam Rabbah. Seguimos, por sinal, à risca, alguns de seus bons conselhos referentes à interpretação bíblica.

O rabino Yose fez isto por volta do ano 160 de nossa era, quase um século e meio depois de Jesus, que em última análise, é a razão do tal sumiço de tempo.

A explicação mais coerente para este fenômeno se dá como sendo provavelmente o resultado de uma manobra para ocultar dentro do próprio judaísmo a identificação histórica de Jesus como Messias, morto no tempo profetizado por Daniel (Dn 9:24-25).

Mas o que fazer com a profecia de Daniel? O rabino Yose interpretou as 70 semanas como sendo o tempo decorrido entre a destruição do primeiro e o segundo templos. Mas estes eventos estão separados por 663 anos, não 490, conforme o dado bíblico. Precisava, assim, de uma redução significativa para coincidir com a data de Daniel, o que resulta neste fenômeno de anos faltantes, mas nem de perto conforma a explicação dentro de um período aceitável do ponto de vista histórico.

Assim, o calendário judaico pode e deve ser interpretado como “gol de mão”, servindo apenas aos propósitos do judaísmo. Já como fonte histórica, sua contagem de tempo é não só desprezível, como também inútil, pois se um judeu hoje abre uma conta bancária, ou compra uma passagem de avião, estará estampado no papel a data cristã.

Sem nos estendermos mais neste assunto, é importante reconhecer que esta manobra cronológica desviou da verdade, ao longo dos séculos, milhões de judeus impedidos de conhecer Jesus como o Messias. O rabino Yose estabeleceu dentro do judaísmo um paradigma que a tradição religiosa dos judeus cuidou de manter.

A tradição é de fato a mais destacada porta de entrada do inferno. Lembra as palavras de Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.” (Mateus 23 : 15)

3 comentários

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3 responses to “Os anos faltantes do calendário judaico

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  2. Olá. Gostaria de saber se existe um autor desta contagem, alguém que tenha desenvolvido o Anno Mundi e também gostaria de saber se alguém segue este calendário; povo, cultura, religião, instituição, etc.

    Mui Grato.

  3. Oi Trajano,
    Anno Mundi é uma das terminologias utilizadas no calendário judaico, algumas referências da Seder Olam Rabah e Talmude.
    Aqui nesta cronologia nós usamos Anno Mundi para designar a data bíblica no mesmo sentido usado pelos judeus.