O surgimento dos partidos religiosos em Israel

Conforme instituição de Moisés (Nm 1:49-50), entre todas as tribos de Israel foram os levitas os escolhidos para zelar pela religião do povo.

Quando chegamos ao tempo do rei Salomão, vemos Zadoque e seus descendentes incumbidos desta grande honra. Zadoque foi quem ungiu Salomão rei em lugar de Davi (1 Rs 1:39), e foi ele próprio constituído principal sacerdote no mesmo dia.

Surgiu, desta forma, a casta dos zadoquitas ou sadoquitas como sacerdotes da nação (1 Cr 29:22).

Curiosamente, dentro do judaísmo de nossos dias, os Cohen são considerados sucessores desta casta sacerdotal, principalmente pelo peso das palavras do Profeta Ezequiel confirmados por vários textos (Ez 40:46, Ez 43:19, Ez 44:15, Ez 48:11). Serão estes, segundo a tradição judaica, os que assumirão os serviços no Templo a ser reconstruído em Jerusalém em algum tempo no futuro.

Nos dias de hoje, com o avanço da ciência, os Cohen podem ser distinguidos através de um conjunto de marcadores genéticos chamados “Cohen Modal Haplotype” (CMH) que é encontrado entre judeus asquenazes (oriundos provenientes da Europa Central e Oriental) e sefarditas (originários da Península Ibérica – Portugal; e Espanha), não existindo tal seqüência genética entre não judeus. Não se deve, no entanto, confundir o sobrenome Cohen com a casta Cohen que são coisas distintas.

Quando os Selêucidas tomaram o poder na Judéia, a religião passou a ser moeda de troca, movida por interesses políticos. Desta forma, o cargo de sumo sacerdote passou a ser exercido por pessoas com fortes vínculos políticos, porém estranhas à tradição.

Quando eclodiu a revolta dos macabeus, os Hassidim se juntaram a Matatias por questão de convicção religiosa no intento de combater os pagãos que profanavam a religião de Israel.

Os macabeus, a princípio por força de seu prestígio junto ao povo, passaram a ser pontificados como sumos sacerdotes, o que não foi bem visto entre os Hassidim. Esta é a raiz do surgimento dos três principais partidos religiosos de Israel, tão presentes nos dias de Jesus: os fariseus, os saduceus e os essênios.

Flávio Josefo bem como outros historiadores (Hipólito, Solino, Filon de Alexandria) nos deram a conhecer historicamente a seita dos essênios, cujo nome significa “devotos”.

A história antiga nos permite localizá-los geograficamente nas proximidades do Mar Morto, na região conhecida como Qunram, situada no deserto de Engadi, entre Massada e a cidade de Jericó, precisamente onde foram descobertos os célebres Manuscritos de Qunram em 1948.

Os essênios se consideravam os únicos e verdadeiros sadoquitas, continuadores da ordem sacerdotal de Sadoque, e desta forma rejeitavam a classe religiosa responsável pelo culto no Templo.

A tradição cristã reputa que João Batista era essênio, não só pela semelhança entre a doutrina de justiça social desta seita e seus ensinamentos, bem como pelos costumes praticados por João, conforme os evangelhos. Há semelhanças de fato, mas dificilmente se pode aceitar isto como certo.

Os essênios eram estudiosos dos profetas, bem como acreditavam na vinda do Messias e na proximidade do fim dos tempos, quando seria executado o julgamento de Deus sobre os homens. Viviam uma vida de rigores, privilegiando o bem comum ao invés da posse privada de bens.

Não habitavam, porém somente reclusos a comunidades afastadas, havendo essênios que viviam nas cidades, procurando, contudo exercer um modo de vida austero. Eram desta forma uma alternativa mais próxima à Lei de Moisés, o que fez com que muitos hassidins adotassem a seita como prática religiosa.

Entre as três principais correntes religiosas, pode-se dizer que os essênios eram ao mesmo tempo a mais respeitada, pela sinceridade de seu comportamento, e a segunda maior em termos numéricos.

Os fariseus se consideram os herdeiros dos hassidins, sendo muitos deles, escribas por profissão, socialmente se situavam entre as populações de classes média e média-baixa, constituindo, desta forma, a grande maioria do povo.

Eram zelosos pela lei de Moisés, mas valorizavam sobretudo os ritos e tradições religiosas. Desta forma, conforme se constata em seus embates com Jesus registrados nos evangelhos, o valor da tradição se sobrepunha ao sentido da Lei de Moisés. Criam na vinda do Messias, na ressurreição dos mortos, bem como em anjos e demônios.

Com o massacre dos essênios que se juntaram aos zelotes contra os romanos no ano 70 D.C., são os fariseus o remanescente do judaísmo antigo, que por sua vez veio a implantar as sinagogas pelo mundo todo após a destruição do Templo no ano 70 de nossa era.

A seita dos saduceus, por sua vez, era basicamente constituída por sacerdotes e escribas, embora fosse uma minoria da população, era a mais representativa parcela do sinédrio. Por serem em sua maioria sacerdotes, viam-se como os legítimos herdeiros do Sumo Sacerdócio do Templo, e da liderança religiosa de Israel. Não criam na vinda do Messias, nem na ressurreição dos mortos, nem em anjos ou demônios. Os saduceus desapareceram da história de Israel depois da destruição do Templo em 70 DC.

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