O período Asmoneu

134 a 104 AC – João Hircano
João Hircano, filho de Simão Macabeu, sucedeu seu pai como líder e sumo-sacerdote, governando os judeus de 134 a 104 AC
Teve um princípio de governo tumultuado, pois foi atacado por Antíoco que tornou os judeus novamente tributários dos selêucidas.

Quando Antíoco faleceu, Hircano atacou algumas cidades controladas pelos selêucidas, entre as quais Siquém, a então capital da Samaria, vindo a destruir o Templo contruído por autorização de Alexrandre, o Grande. Segundo Josefo, a destruição ocorreu 200 anos depois do templo ter sido erguido.

Combateu na Iduméia e controlou cidades importantes como Andora e Marissa. Todos os povos dominados por Hircano tiveram que se submeter às leis judaicas e adotar sua religião, obrigando todos os homens à circuncidarem.

Cunhou moedas com a inscrição “João, sumo-sacerdote e chefe da comunidade judaica”.

Hircano renovou a aliança estabelecida por Judas Macabeu com os romanos, mesmo sem ter qualquer garantia de proteção de Roma que naquele momento passava por momentos de tribulação política.

Josefo afirma que o período em que Hircano reinou foi próspero para os judeus, não só na Judéia , como também em Alexandria do Egito e na ilha de Chipre.

Nesta ocasião Ananias, filho de Onias, o sacerdote que construíra o templo dos judeus em Heliópolis, no Egito, e era então comandante do exército da rainha Cleópatra, que não deve ser confundida com a homônina dos dias de Cesar.Pode-se dizer que em seus dias se travou a primeira queda de braço entre fariseus e saduceus.

Hircano era fariseu, e desta forma prestou-lhes homenagem certa ocasião servindo um banquete. Neste dia, um dos fariseus, de nome Eleazar, sugeriu a Hircano que abdicasse ao sumo-sacerdócio, porque naquele tempo corria um boato que sua mãe teria sido escrava dos durante o reinado de Antíoco Epifâneo, o que o tornava impuro para a função.

Desta forma, um saduceu chamado Jônatas, muito amigo de Hircano, o convenceu que deveria abandoná-los e passar para o seu partido, sugerindo-lhe que perguntasse qual tipo de castigo merecia aquele fariseu.

Como seus pares sugeriram um castigo muito brando, Hircano mudou para os saduceus, mandando abolir a lei dos fariseus e castigá-los, o que lhe foi mal visto, pois esta seita tinha grande apoio popular. Mesmo assim conseguiu governar por toda sua vida. Josefo lhe atribuiu entre outros predicados o dom da profecia.

104 até 103 AC – Aristóbulo I
Hircano foi sucedido por seu filho mais velho, Aristóbulo I, que veio a ser o primeiro dos asmoneus a requerer para si o título de rei. Flávio Josefo nos informa que este mandou encerrar os irmãos e sua própria mãe na prisão onde esta viria a morrer de fome.

Aristóbulo manteve a política de controle rígido sobre a Samaria iniciada por seu pai, vindo a fazer nova guerra contra os idumeus quando conquistou boa parte de seu território. Manteve da mesma forma a doutrina de judaizar os povos conquistados obrigando-os à circuncisão, bem como a adoção da religião israelita.

Dizem os historiadores, entre eles Josefo e Estrabão, que Aristóbulo era uma pessoa paciente e afável.

103-76 AC – Alexandre Janeu I
Depois da morte de Aristóbulo, sua esposa Salomé mandou que libertassem da prisão os irmãos do rei, vindo a fazer de Alexandre, o mais velho deles, rei em lugar de seu marido, o qual foi congominado Janeu.

Já no tempo de Alexandre se toma conhecimento da existência do partidos dos fariseus. É interessante notar que quanto mais poder acumulam os asmoneus, mais se distanciam do povo e dos ideais que nortearam os destinos dos primitivos Macabeus.

É neste sentido que os fariseus crescem na graça do povo a proveitando-se da desaprovação popular, cuminando num episódio no ano 90 AC, durante a celebração da festa dos Tabernáculos, em que a população atacou Alexandre com limões na hora do sacrifício e foram por esta causa massacrados em revide cerca de 6 mil pessoas.

Alexandre reinou por 27 anos e é de se notar a grande expansão territorilal conseguida durante seu governo, havendo subjugado os idumeus, a costa de Jope e as terras ao leste do Jordão.

Conforme Fávio Josefo, o alcoolismo fez com que a saúde de Alexandre se debilitasse favorecendo ser acometido de uma febre que durou tres anos fazendo-o morrer bastante jovem, aos 49 anos de idade.

Antes de morrer chamou sua esposa e lhe aconselhou que buscasse fazer um gesto de amizade para com os fariseus, pois sendo estes fúteis e vaidosos, gostavam de ser adulados; evitaria assim contar com a oposição destes.

Aconselhou-a também a entregar a estes o seu próprio corpo para que decidissem se seria sepultado com honras ou difamado. Mostraria desta forma real apreço por sua opinião.

Alexandra seguiu seus conselhos, e sentindo-se seguros, os fariseus fizeram enterrar Alexandre com grandes honras conforme nenhum rei havia recebido antes dele.

76-66 AC – Alexandra
Embora tivesse dois filhos, Hircano e Aristóbulo, o falecido Alexandre Janeu deixou em testamento o direito de governar para sua esposa Alexandra. Sua primeira atitude foi fazer de Hircano, seu filho mais velho, sumo-sacerdote.

De fato Alexandra tinha de raínha apenas o nome, pois eram os fariseus que governavam de fato. Desta forma buscaram os fariseus se vingar de todos aqueles que haviam de alguma forma sido fiéis ao antigo rei, fazendo com que estes fossem impiedosamente mortos.

No tempo de Alexandra os fariseus conseguiram reaver os direitos que haviam sido extintos por Hircano, falecido rei e sogro da raínha.

Numa ocasião em que a raínha Alexandra adoeceu gravemente, Aristóbulo, seu filho mais jovem, executou um plano de levantar contra a ela as cidades fortificadas da Judéia, vindo a conquistar na ocasião 22 praças. Mas quando se aproxima de Jerusalém encontra sua mãe prestes a morrer.

66-63 AC – Aristóbulo II
Aristóbulo empreendeu então uma guerra contra seu irmão pela posse do governo. Chegaram, no entanto, a um entendimento, de maneira que Aristóbulo reinou e Hircano retirou-se para uma vida de ócio.

No tempo de Aristóbulo começa o fio da meada da história de um importante personagem que muito nos interessa, a de Herodes, o Grande.

O pai de Herodes, de nome Antípatro, era um idumeu muito rico, descendente das famílias dos judeus que vieram da Babilônia, que naquele tempo era governador da Idumeia.

Através de sua riqueza e seus relacionamentos, Antípatro fez grandes intigras a ponto de convencer Hircano, irmão de Aristóbulo, a se refugiar junto aos árabes, e a estes convenceu com presentes e subornos devolver algumas cidades conquistadas no passado pelos judeus, caso o depusessem Aristóbulo e entronisassem Hircano.

Este rei árabe, de nome Aretas, atacou Aristóbulo e o venceu, obrigando-o a refugiar-se no Templo, mas Aristóbulo buscou a ajuda de Pompeu, que a troco de muito dinheiro lhe restituiu o trono, permitindo assim que recompusesse seu exército e atacasse os árabes e os vencesse.

Outra reviravolta causada pelas lutas entre os dois irmãos a fim de obter o poder veio a culminar desta feita não só com a deposição de Aristóbulo por parte de Pompeu, como também pela perda da liberdade de todo o povo, pois desde então a Judeia passou a ser tributária de Roma.

Foi sepultada assim pela ambição dos dois irmãos a liberdade que fora conquistada a custa da revolta dos Macabeus. Os muros de Jerusalém foram desta feita arrasados por Pompeu. Aristóbulo foi levado prisioneiro para Roma, e Hircano restituiu seu cargo de sumo-sacerdote.

Crasso, a caminho da guerra contra os partos viria tempos depois a passar por Jerusalém e saquear do Templo vultuosas quantias em ouro e peças de grande valor. (Flávio Josefo – Hist. Dos Hebreus, Vol. 4, Cap III, § 572-585)

Os dois generais que destruiram mais uma vez o Templo de Deus, Pompeu e Crasso, formariam em poucos anos juntos com Júlio Cesar uma aliança para governar Roma.

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