O retorno do Exílio

543 AC – (Anno Mundi 3353) – 1º retorno com Zorobabel

De acordo com o primeiro capítulo de Esdras, Ciro autorizou em seu primeiro ano de governo o retorno dos judeus para Jerusalém com a missão de reconstruir o Templo destruído por Nabucodonosor. Mandou que fossem entregues a Sesbazar, príncipe de Judá, os milhares de utensílios saqueados. De acordo com Ed 5:14 Sesbazar foi nomeado por Ciro governador da Judéia.

Há uma certa dúvida sobre a possibilidade de Sesbazar e Zorobabel serem pessoas diferentes ou a mesma pessoa. Mas o texto de Esdras sugere serem a mesma pessoa, de maneira que Sesbazar seria o nome babilônico de Zorobabel. Vejamos o texto de Esdras 5: “14 E até os utensílios de ouro e prata, da casa de Deus, que Nabucodonosor tomou do templo que estava em Jerusalém e os levou para o templo de Babilônia, o rei Ciro os tirou do templo de Babilônia, e foram dados a um homem cujo nome era Sesbazar, a quem nomeou governador. 15 E disse-lhe: Toma estes utensílios, vai e leva-os ao templo que está em Jerusalém, e faze reedificar a casa de Deus, no seu lugar. 16 Então veio este Sesbazar, e pôs os fundamentos da casa de Deus, que está em Jerusalém e desde então para cá se está reedificando, e ainda não está acabada.”

A sugestão de serem a mesma pessoa encontra respaldo em Esdras 5 : 2, que aponta Zorobabel como um dos responsáveis pela reedificação do Templo: “Então se levantaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesuá, filho de Jozadaque, e começaram a edificar a casa de Deus, que está em Jerusalém; e com eles os profetas de Deus, que os ajudavam.” Em Ed 5:16 diz-se que Sesbazar pôs os fundamentos do Templo, e em Ed 5:2 que Zorobabel começou a edificar. Eram, provavelmente, a mesma pessoa. Ademais, o nome de Sesbazar não se encontra na lista dos exilados que retornaram a Israel no tempo de Ciro, conforme Ed 2:2 até Ed 3.

Desta forma, retornaram a Jerusalém com Zorobabel 42.360 pessoas judeus, sem contar seus servos (Ed 2:64-65).

No mês de Tishrei, Setembro ou Outubro em nosso calendário, juntou-se toda esta gente em Jerusalém para celebrar a Festa dos Tabernáculos (Ed 3:1-4), que era originalmente uma celebração da colheita, e que para além disto tinha o significado histórico de lembrar a peregrinação pelo deserto no tempo em que Israel habitava em tendas, quando Deus supriu todas as suas necessidades.

542 AC – (Anno Mundi 3354) – início da reconstrução do Templo
No segundo ano, contado a partir da saída da Babilônia, o povo, sob a liderança de Zorobabel, neto do rei Joaquim (Jeconias), ancestral de Jesus, iniciou a reconstrução do Templo. (Ed 3:8)

Conforme Esdras, a planta do Templo ordenada por Ciro era diferente da planta passada por Deus a Salomão, cujas medidas originais eram 60 côvados de comprimento, por 20 côvados de largura, por 30 côvados de altura (1 Rs 6:2).

O novo Templo, por sua vez, teria a semelhança de um cubo de 60 côvados: “No primeiro ano do rei Ciro, este baixou o seguinte decreto: A casa de Deus, em Jerusalém, se reedificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura de sessenta côvados, e a sua largura de sessenta côvados”. Ed 6:3

541 AC a 528 AC – reconstrução do Templo interrompida por 13 anos
Depois de iniciadas as obras, conforme Ed 4:1-5, os adversários de Judá e Benjamim procuraram de muitas maneiras impedir que as obras de reconstrução do Templo avançassem, as quais ficaram estagnadas até o segundo ano de Dario (Ed 4:24), ou seja, por 13 anos. Esdras passa do lançamento das fundações do Templo, capítulo 3, para a interrupção das obras no capítulo 4. Mas explica no verso 4:5 que as obras não foram interrompidas durante o governo de Ciro, mas sim, frustradas. Imagina-se que se tornaram mais lentas, mas interrompidas só depois.

537 AC – (Anno Mundi 3359) – morte de Ciro
Ciro destacou-se dos demais soberanos de seu tempo pela sua piedade bem como pela tolerância religiosa.
Quanto à sua forma de administração, procurou sempre que possível manter os povos conquistados sob a gestão de líderes locais. Reinou 29 anos sobre os persas, sendo os nove últimos depois da queda da Babilônia.

A data acima se refere ao dado histórico sincronizado de acordo com o relato bíblico, o que coloca a queda da Babilônia em 546 AC – Anno Mundi 3350.

8 comentários

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8 responses to “O retorno do Exílio

  1. CLAUDIO SABINO

    PARABENS ME AJUDOU MUITO.ESTOU PREPARANDO UM SERMÃO E FOI DE UMA AJUDA VALIOSA.

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  3. Silvio M. Faria

    Sílvio Faria. Cambises começou a reinar em 529 AC , sendo seu ano de ascensão 530 AC, e visto que Ciro reinou seus últimos 9 anos como Rei em Babilônia, seu 1º ano como rei de Babilônia foi em 538 AC sendo seu ano de ascensão em 539 AC, confirmando que a destruição de Babilônia se deu em 539 AC. Isso confirmado por eclipses lunares, por Oppolzer. em Canon of eclipses. E se Ciro autorizou em seu 1º( primeiro ano) a volta dos exilados Judeus para sua terra natal isso se deu em 538 AC, somando 70 anos para os anos do exílio situaria a queda de Jerusalém em 608/607 AC

    Obrigado

  4. Pingback: Sesbaçar | História da Salvação a Nossa História

  5. Olá
    Li no penúltimo parágrafo deste estudo a afirmação de que Ciro reinou por 29 anos; e que seus 9 últimos anos se deram após a queda de Babilônia. Acontece que a Bíblia diz que foi no PRIMEIRO ano de Ciro, rei da Pérsia, que ele baixa o decreto da edificação do templo do Senhor em Jerusalém. (Esd. 1:1-3 – II Cron. 36:21-23)
    Ora, se a queda de Babilônia acontece após o reinado de 20 anos de Ciro, como ele baixaria o decreto da edificação do templo do Senhor no seu primeiro ano de reinado ???
    Quem está correto? a Bíblia ou a cronologia secular ?

  6. Oi Jefté,
    As duas informações estão corretas, uma vez que o redator faz referência ao primeiro ano de Ciro sobre a Babilônia. No entanto, Ciro já era governante dos persas há 20 anos.
    É um argumento literário também usado por Ezequiel, que em várias passagens estabelece uma contagem de tempo paralela ao calendário judaico, como neste exemplo abaixo, onde ano 12 se refere ao tempo de exílio já transcorrido naquela altura: “E SUCEDEU que, no ano duodécimo, no duodécimo mês, ao primeiro do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:” (Ezequiel 32 : 1)

  7. Makyalisson

    Olá,
    Seu material é muito interessante. Quando você diz “A data acima se refere ao dado histórico sincronizado de acordo com o relato bíblico, o que coloca a queda da Babilônia em 546 AC – Anno Mundi 3350”. Isso quer dizer quer dizer que Ciro ja era rei da Pérsia e depois de três anos da conquista da Babilônia ele permite e financia a reconstrução do templo de Jerusalém, isso? Um pouco antes você diz também que “Depois de iniciadas as obras, conforme Ed 4:1-5, os adversários de Judá e Benjamim procuraram de muitas maneiras impedir que as obras de reconstrução do Templo avançassem, as quais ficaram estagnadas até o segundo ano de Dario (Ed 4:24), ou seja, por 13 anos”.
    Desta forma pergunto: Sendo Ciro tão poderoso e o mandante dessa reconstrução como que ela pode ter ficado parada tanto tempo? Observando as datas, essa obra ficou interrompida pelo menos três anos ainda durante a sua vida (41-37 a.c).
    Obrigado.

  8. Oi Makyalisson, pergunta interessante.
    Esdras passa do lançamento das fundações do Templo, capítulo 3, para a interrupção das obras no capítulo 4. Mas explica no verso 4:5 que as obras não foram interrompidas durante o governo de Ciro, mas sim, frustradas. Imagina-se que se tornaram mais lentas, mas interrompidas só depois. De fato o texto que você menciona não está muito claro. Vou melhorá-lo.
    Grato.