A Crônica de Nabonido – Parte 3 (Ciro na Babilônia)

Início de Outubro de 546 AC – Ciro ataca Acádia
“No mês de Tasritu, quando Ciro atacou o exército de Acádia em Opis, no Rio Tigre, os habitantes de Acádia se revoltaram, mas ele (Ciro) massacrou a população.” (Crônica de Nabonido)

De acordo com a Crônica de Nabonido Ciro estava no início de outubro de 546 AC ocupado em atacar as cidades de Opis e Sipar, centros importantes da Babilônia Província, não a cidade, mas sim, do estado babilônico como um todo.

12 de Outubro de 546 AC – Ciro combate Nabonido em Sipar
“O décimo quinto dia (mês de Tasritu no calendário babilônico equivale a 12 de outubro em nosso calendário) Sipar foi tomada sem batalha. Nabonido fugiu.” (Crônica de Nabonido)

Nabonido encontrava-se em Sipar e desta forma Ciro estava ocupado em combatê-lo pessoalmente. Nabonido conseguiu fugir do local.

13 de Outubro de 546 AC – Gobrias, e não Ciro, entra na Babilônia
“No décimo sexto dia (13 de outubro em nosso calendário), Gobrias (ou Ugubaru), o governador de Gutium, e o exército de Ciro entraram na Babilônia sem batalha. Depois disto Nabonido foi preso na Babilônia quando para lá retornou.” (Crônica de Nabonido)

No dia 13 de Outubro, enquanto Ciro se ocupava de combater Nabonido em Sipar, Gobrias e o exército de Ciro entraram na cidade de Babilônia sem batalha. O texto é muito claro ao mostrar que entrou o exército de Ciro, não Ciro pessoalmente, e quem comandava o exército era Gobrias. Só depois da ocupação da Babilônia por Gobrias é que Nabonido seria preso ao retornar à cidade.

O texto dá a entender que Nabonido foi preso antes da chegada de Ciro. O texto da Crônica de Nabonido confere exatamente com o que nos diz Daniel. Vejamos o texto:: “Naquela noite foi morto Belsazar, rei dos caldeus. E Dario, o medo, ocupou o reino, sendo da idade de sessenta e dois anos.” (Dn 5:30-31)

De 13 a 28 de Outubro de 546 AC – o povo da Babilônia é desarmado
“Até o final do mês, os escudos que carregavam os gutianos permaneceram em Eságlia, mas ninguém carregava armas em Eságlia e seus edifícios. O tempo correto para a cerimônia não foi esquecido.” (Crônica de Nabonido)

29 de Outubro de 546 AC – Ciro entra na Babilônia
“No mês de Arashamna, no terceiro dia (29 de outubro), Ciro entrou na Babilônia, [.. objetos não identificados no texto…] foram postos diante dele – o estado de paz foi imposto sobre a cidade. Ciro enviou saudações para toda a Babilônia.” (Crônica de Nabonido)

O início dos meses do calendário babilônico não casam exatamente com o início dos meses no calendário Gregoriano. Desta forma, o 3º dia do mês de Arashamna equivale ao nosso dia 29 de Outubro.

Foi somente nesta data, 16 dias depois que Gobrias e o exército ocuparam a cidade é que Ciro entrou na Babilônia. Segundo o texto havia paz na cidade e Ciro a saudou na qualidade de novo rei.

Mês de Novembro de 546 AC – Gobrias instala sub-governadores
“Gobrias, seu governador, instalou subgovernadores na Babilônia.” (Crônica de Nabonido)

Embora não seja possível precisar o dia, é possível concluir que a nomeação dos sub-governadores se deu em Novembro de 546 AC, uma vez que, na sequência do texto, outras medidas são relatadas entre Dezembro de 546 AC e Março de 545 AC Daniel nos reporta a nomeação destes sub-governadores da seguinte forma: “E pareceu bem a Dario constituir sobre o reino cento e vinte príncipes, que estivessem sobre todo o reino;“ (Dn 6:1)

Dezembro de 546 AC a Março de 545 AC – templos restaurados
“Desde o mês de Kislimu até o mês de Addaru (3 meses), os deuses de Acádia os quais Nabonido fez vir para a Babilônia foram retornados para suas cidades sagradas.” (Crônica de Nabonido)

Durante estes 3 meses os pertences saqueados por Nabonido retornaram a seus lugares de origem. Uma informação complementar a este fato pode ser obtida no Cilindro de Ciro, outro documento histórico que se coaduna perfeitamente com esta iniciativa. Vejamos o que nos diz o Cilindro de Ciro a este respeito:

“32 – Eu juntei todo o seu povo e os retornei a seus lugares de origem, 33 – e os deuses da terra da Suméria e Acádia, os quais Nabonido – a fúria do senhor dos deuses – havia trazido para Shuanna, sobre o comando de Marduke, o grande senhor, 34 – eu os retornei ilesos às suas células, aos santuários que os fazem felizes.

Possam todos os deuses que fiz retornar a seus santuários, 35 – todos os dias perante Ball e Nabú, pedir longa vida para mim, e mencionar minhas boas ações, e dizer a Marduke, meu senhor, isto: Ciro, o rei que o teme, e Cambises, seu filho,…” (Cilindro de Ciro)

Estes textos não fazem qualquer referência aos pertences tomados por Nabucodonosor do templo de Jerusalém, mas mostra que Ciro tinha esta conduta já forjada em sua personalidade.

O Templo de Salomão será restaurado somente dois anos depois, no cumprimento do final do exílio, conforme estabelecido pelo Profeta Jeremias (Jr 29:10).

6 de Novembro de 544 AC – morte de Gobrias
“No mês de Arahsamna, na noite do dia 11, Gobrias morreu.” (Crônica de Nabonido)

Temos, desta forma, que Gobrias governou a Babilônia por dois anos seguidos, entre Novembro de 546 AC até sua morte em 6 de Novembro de 544 AC.

Desta forma, do ponto de vista cronológico, a morte de Gobrias acontece exatamente no mesmo ano em que se cumprem os 70 anos do exílio de Judá. Gobrias é sem dúvida Dario, o medo.

A Bíblia não nega que Ciro era de fato o rei do império medo-persa, apenas afirma que quem comandou os destinos da Babilônia após sua queda foi Dario. Veja o que diz o texto a que refere Dn 9:1: “No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus.”

O texto explica que Dario foi constituído rei dos caldeus, e não que era o rei do império medo-persa.

Conforme visto na Crônica de Nabonido, esta informação se coaduna perfeitamente com a história secular, que mostra que 16 dias depois da entrada de Gobrias na cidade de Babilônia, Ciro entra e saúda os cidadãos residentes.

Conforme a mesma Crônica de Nabonido é Gobrias quem toma as decisões administrativas na Babilônia até a data de sua morte. Desta forma, só podemos entender que o próprio Ciro o “constituiu rei dos caldeus”.

A data de 13 de Outubro de 546 AC registra, conforme vimos, a entrada de Gobrias na cidade da Babilônia, na qualidade de governador de Gutium, ou Gutim, liderando os gutinianos.

Alguns historiadores sugerem que estes gutinianos seriam o remanescente da tribo de Gade, filho de Israel, e desta forma Gutim seria uma corruptela do nome Gade.

A Tribo de Gade, bem como as demais levadas pelo rei da Assíria para o exílio passaram a habitar no meio dos medos, local de origem de Dario, o medo: “Porque o rei da Assíria subiu por toda a terra, e veio até Samaria, e a cercou três anos.

No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e levou Israel cativo para a Assíria; e fê-los habitar em Hala e em Habor junto ao rio de Gozã, e nas cidades dos medos” (2 Rs 17:5-6)

Por esta suposição, que não é de maneira alguma absurda, teríamos que aceitar que Gobrias (Dario, o medo), era descendente de Abraão, o que seria algo realmente fascinante, uma vez que os judeus teriam sido libertados por seus próprios irmãos, e neste caso, ao invés de simplesmente comprovar o que está escrito na Bíblia, a história secular viria a nos surpreender com algo que não está na Bíblia, reiterando que Deus é o Senhor da História e tem um grande senso de humor. Não é, no entanto, nosso objetivo analisar este e outros fatos relacionados às chamadas tribos perdidas de Israel.

Fica o registro do fato e a sugestão para que faça você mesmo sua pesquisa sobre o assunto, caso seja de seu interesse.

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3 comentários

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3 responses to “A Crônica de Nabonido – Parte 3 (Ciro na Babilônia)

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  2. Fausto Vieira

    Parabéns pela resenha e forma didática como a compôs. Como sempre a historicidade bíblica não deixa erros e confirma que DEUS, o Pai de nosso SENHOR JESUS CRISTO está no controle da história e destino humano. Portanto; “Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo.” (Ap 14:7b) Forte abraço, DEUS os abençoe.