A Crônica de Nabonido – Parte 1

A Crônica de Nabonido é um tablete de argila que se encontra na posse do Museu Britânico, e sumariza os principais eventos de cada um dos 17 anos do governo de Nabonido, pai de Belsazar, desde sua ascensão até a queda da Babilônia.

O texto original se encontra bastante danificado e contém várias lacunas. A crônica ressalta que Nabonido estava fora da Babilônia durante boa parte de seu reinado, a saber, desde seu 7º ano de governo, e desta forma, ausente dos festivais religiosos durante os quais a presença do rei era essencial.

Nabonido estabeleceu sua base no oásis de Teimã durante a maior parte do tempo que esteve ausente. De acordo com as informações do Museu Britânico contidas no endereço eletrônico acima, o rei despendeu 10 anos na Arábia, sendo a Babilônia neste tempo administrada por seu filho Belsazar, conforme os relatos registrados no Livro de Daniel.

A tradução completa do texto para o idioma inglês foi feita por A. Leo Oppenheim e copiada de James B. Pritchard’s Ancient Near Eastern texts relating to the Old Testament, 1950 Princeton.

A íntegra do texto em inglês bem como os comentários de vários especialistas neste tema podem ser encontradas no seguinte endereço eletrônico:

http://www.livius.org/ct-cz/cyrus_I/babylon02.html

Na sequência citamos entre aspas em itálico os principais acontecimentos da Crônica de Nabonido relacionados com o texto bíblico e nossos respectivos comentários. O ano de cada acontecimento é identificado segundo nossa contagem cronológica e não segundo a data atribuída pela história secular.

557 AC – (Anno Mundi 3339) – 6º de Nabonido – Ciro derrota Astíages
“Sexto ano – O Rei Astíages chamou suas tropas e marchou contra Ciro, Rei de Anshan, a fim de encontrá-lo na batalha. O exército de Astíages se voltou contra ele e em grilhões o entregou a Ciro. Ciro marchou contra o país de Agantanu); a residência real foi tomada; prata, ouro, outros coisas valiosas do país de Agantanu ele tomou como despojo e trouxe para Anshan. Os valorosos do exército de ….[…lacuna…]” (Crônica de Nabonido)

Daniel não é um livro histórico, mas sim profético, que nos relata suas visões sobre o porvir não só de Israel como também sobre toda humanidade.

Abrange, desta forma, fatos da história de seu povo durante o exílio, a assunção e queda das potências que seguiriam a Babilônia, e proclama o fim dos tempos relacionados às visões do profeta acerca da última das setenta semanas.

Mesmo não sendo histórico, nos surpreende com o relato da chegada do exército medo-persa na noite do banquete de Belsazar pondo fim ao império babilônico, aquele que o próprio Daniel em suas visões classificou como a cabeça de ouro da estátua representativa das potências dominadoras do mundo.

O fato de a Babilônia ter sido tomada sem qualquer resistência, no entanto, à luz das revelações históricas registradas na Crônica de Nabonido, pai de Belsazar, nos faz entender que a chegada de Ciro não foi de maneira alguma uma surpresa para os babilônicos. Ciro surge na Crônica de Nabonido já em seu 6º ano de governo quando derrota o rei medo Astíages.

Sabemos desta forma que Ciro estava buscando conquistar a Média desde o sexto ano de Nabonido. A cidade de Agantanu mencionada é Ecbátana, capital dos medos, que corresponde hoje à cidade de Hamadã, situada a cerca de 400 Km de Teerã.

556 AC – (Anno Mundi 3340) – 7º ano – co-regência com Belsazar
“Sétimo ano – O Rei permaneceu em Teimã. O príncipe, seus oficiais e seu exército estavam em Acádia). O Rei não foi a Babilônia para as cerimônias do mês de Nisãnu; a imagem do deus Nabú não foi à Babilônia. A imagem do deus Bel não saiu de Eságlia em procissão, o festival do Ano Novo foi omitido.” (Crônica de Nabonido)

A razão de Belsazar e não Nabonido se encontrar na Babilônia na ocasião de sua queda é explicada pelo fato de que desde o sétimo ano de seu governo Nabonido se encontrava fora, residindo a maior parte deste tempo no oásis de Teimã.

A crônica irá repetir o relato da ausência de Nabonido nas festividades religiosas da Babilônia nos anos 9º, 10º e 11º.

Os relatos referentes aos anos 8º, 12º, 13º, 14º, 15º e parte do 16º anos estão danificados. Segundo nota de Oppenheim, um dos tradutores do texto para o idioma inglês, a citação de Acádia em toda a crônica significa Babilônia, não a cidade, mas a região.

Em inglês as palavras são distinguidas como Babylon – para se referir à cidade de Babilônia, e Babilônia – para se referir à região, o estado babilônico, da qual a cidade de Babilônia era a capital. Em português, para os dois casos se utiliza a mesma palavra.

Desta forma indica que quando o príncipe estava em Acádia, significa mais propriamente que se encontrava na província, ou mais propriamente, na cidade de Babilônia, sua capital. Acádia é citada no Gênesis nos primórdios da civilização mesopotâmica (Gn 10:10).

A constatação de que Belsazar co-reinava Nabonido já é atualmente aceita pela história secular. Vejamos o que diz o Museu Britânico a este respeito: “Nabonido estabeleceu sua base no oásis de Teimã na rota das caravanas e empreendeu campanhas contra outros ricos oásis ou negociou alianças com os árabes. O rei despendeu dez anos na Arábia e deixou a Babilônia sendo administrada por seu filho Bel-shar-usur (Belsazar do Antigo Testamento).”

(http://www.britishmuseum.org/explore/highlights/highlight_objects/me/c/cuneiform_fall_of_a_dynasty.aspx)

554 AC – (Anno Mundi 3342) – 9º ano – morre a mãe de Nabonido
No 9º ano de Nabonido sua mãe faleceu, conforme vemos no texto: “… no mês de Nisãnu a mãe do Rei morreu em Walled, o qual está nos bancos do Rio Eufrates sobre Sipar. O príncipe coroado e seu exército lamentaram profundamente por três dias…” (Crônica de Nabonido)

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