Datas históricas em desacordo com a Bíblia

As datas históricas do Império Neo-Babilônico

Aquilo que se convenciona chamar de Império Neo-Babilônico refere-se ao período histórico compreendido entre os governos de Nabopolasar, pai de Nabucodonosor, e o fim do período determinado pela ascensão medo-persa, apontada na Bíblia pela queda da Babilônia pelas mãos de Dario, o medo, conforme diz a Bíblia, ou de Ciro, o Grande, conforme preconiza a história secular.

Nabopolasar foi um líder caldeu que, segundo data do Museu Britânico, subiu ao trono em 626 AC depois da morte de Assurbanipal, rei da Assíria em 627 AC, vindo a conquistar cidades importantes do Império Assírio, incluindo Nipur, Uruk e finalmente Níneve, em 612 AC.

Foi sucedido em 605 AC, por Nabucodonosor II, seu filho, o qual, conforme vimos, viria a conquistar a Palestina, extinguindo nesta campanha o reino de Judá.

Nosso interesse neste ponto não é propriamente fazer uma conciliação da cronologia bíblica com a história secular, mas sim, tirar proveito da informação histórica e colocá-la no contexto de nosso trabalho, uma vez que a Bíblia não menciona a extensão do governo de Evil-Merodaque, sucessor de Nabuco, nem cita os reis posteriores, vindo a se manifestar apenas no caso de Belsazar, derrubado por Dario, o medo, na queda da Babilônia.

A Bíblia, conforme visto, aponta que a morte de Nabucodonosor se deu no 37º ano do cativeiro de Joaquim, o que em nossa cronologia representa o Anno Mundi 3328 correspondente a 568 AC De acordo com as fontes históricas em geral, e particularmente o Museu Britânico, seria o ano 562 AC.

É preciso que se preste atenção às datas consagradas pela história secular à luz da Bíblia considerando as diferenças sobre alguns eventos bastante conhecidos. Para verificar esta questão vamos abandonar momentaneamente a evolução do Império Babilônico e focar na acuidade histórica do período precedente.

Na tabela que vem a seguir podemos comparar cinco eventos importantes entre a queda da Samaria e a morte de Nabucodonosor, datados pela história secular entre 722 AC e 562 AC.

Tais datas se situam num período em que a história da Bíblia é facilmente datável e não permite de forma alguma que o período bíblico seja estendido. Poderia, sim, ser diminuído, se fosse o caso de propor uma ou mais co-regências, mas nunca ser expandindo.

Nossa intenção em examinar tais eventos objetiva demonstrar que de acordo com a Bíblia, particularmente um texto do Profeta Isaías, as datas aceitas historicamente como corretas contém erros, ficando, desta forma, em desacordo coma Bíblia.

Senaqueribe tenta invadir Jerusalém – 701 AC ou 715 AC?
Tanto a Bíblia quanto a história reconhecem a queda da Samaria em 722 AC, que de acordo com o redator de 2 Reis ocorreu no 6º ano do rei Ezequias. (2 Rs 18:10)

A Bíblia diz que Senaqueribe tentou sem sucesso conquistar Jerusalém no 14º ano de Ezequias (Is 36:1), ou seja, sete anos após a queda de Israel.

Lembre-se que no 14º ano, Ezequias havia governado 13 anos, pois na contabilidade dos reis, o seu ano de ascensão sempre é contado como ano de governo, ainda que naquele ano ele tenha governado apenas um dia.

Veja também que a se basear na Bíblia trata-se de uma data imutável.

Do 6º ao 14º ano de Ezequias se passaram 7 anos, não 8, portanto, a tentativa de invadir Jerusalém se deu no ano 715 AC. A conta é simples:

O Museu Britânico, como também várias outras fontes históricas, situam o mesmo evento em 701 AC, ou seja, 14 anos antes da data fixada pelo Profeta Isaías.

Neste caso não é uma questão de comparar nossa cronologia com a data historicamente aceita, mas sim, comparar a data histórica com o Profeta Isaías, uma vez que tanto a Bíblia quanto a história partem do ano 722 AC, o que nos faz concluir que a história secular erra neste ponto, e erra talvez, por caracterizar a Bíblia como um livro meramente religioso.

Os historiadores deveriam ter a humildade de recorrer à Bíblia, como deveriam também recorrer ao Talmude, pois, independente de questões religiosas, estes são documentos inseparáveis da história de seu povo.
O relato da tentativa de Senaqueribe invadir Jerusalém pode ser verificado no site do Museu Britânico no seguinte endereço:

http://www.britishmuseum.org/explore/highlights/article_index/s/sennacherib,_king_of_assyria.aspx

Início de Nabucodonosor – 611 AC ou 605 AC?
No que se refere ao início de Nabucodonosor dá-se uma situação semelhante, com uma diferença menor, de 6 anos, mas que vai se fazer refletir nas datas históricas subseqüentes.

Desta forma, tentando encurtar uma longa estória, se consideramos que a queda da Samaria se deu em 722 AC, o início de Nabucodonosor não poderia se dar em 605 AC, 117 anos depois como quer a história secular, pois, de acordo com a Bíblia, apenas 111 anos se passaram entre os dois eventos.

A cronologia dos reis de Judá neste período é extremamente rígida, fácil de ser calculada, e não admite a extensão do período. Vale lembrar que não é a Bíblia neste caso quem invade a história secular, mas o contrário, a história secular invade a Bíblia ao querer datar um evento bíblico, que diz respeito a Israel, desconsiderando o registro histórico de datas dos judeus. Vejamos os números

Desde o 6º ano de Ezequias até o seu 29º e último ano governo, são 22 anos; Manasses assumiu no mesmo ano da morte de Ezequias e reinou 55 anos, contado o ano de ascensão, o que significa que se passaram mais 54 anos; Amon veio a seguir e reinou 2 anos, o que significa que descontado o ano de ascensão, reinou apenas 1 ano; Veio Josias e da mesma forma reinou 30 dos seus 31 quando se inclui o ano de ascensão.

Jeoacaz reinou apenas 3 meses no mesmo ano que contamos como o final de Josias; e finalmente somamos os 4 anos de Jeoiaquim, pois foi no 4º ano de Jeoiaquim que Nabucodonosor passou a reinar na Babilônia, conforme Jr 25:1.

A somatória destes anos resulta em 111 anos. Não só não podemos encurtar este período propondo uma ou mais co-regências, como também não podemos aumentá-lo, pois, conforme vimos há vários sincronismos bíblicos que travam qualquer possibilidade de mudança na fixação destas datas.

De qualquer forma, se aceitamos que a queda de Israel se deu em 722 AC, não podemos aceitar 605 como ascensão de Nabucodonosor.

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9 comentários

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9 responses to “Datas históricas em desacordo com a Bíblia

  1. moises gomes de bastos

    Se levarmos em conta a cronologia do templo judaica o templo de Zorobabebel foi destruído por volta de 430 aC. Procure e veja um documentário sobre o assunto na W. E. B.

  2. moises gomes de bastos

    Corrigindo Zorobabel e 430 aC.

  3. Oi Moisés. Grato pelo comentário. Sua observação sobre a cronologia judaica está correta. Mas leia este artigo que trata dos anos faltantes do calendário judaico: https://cronologiadabiblia.wordpress.com/2011/10/02/
    Se o assunto te interessar, sugiro que faça pesquisa no Google sobre o tema “jewish missing years” que vai encontrar muita coisa a este respeito. Em todo caso, o link que te passei faz um resumo disto. Abraço.

  4. Gostaria de adiquirir as datas desde quando a igreja católica começou mudaros estatutos de Deus paresse do Séc. IV Pra cá. como por exemplo a mudança do Sábado p/ o domigo no IV, adoração a Virgem Maria …. Eem quais concílios foi!?

  5. Pingback: Índice (clique para acessar) | Cronologia da Bíblia

  6. moisés gomes de bastos

    Nem li tudo mais já posso responder. A contagem humana começa desde o pecado de Adão, então de Adão até o dilúvio + – 1600 anos depois 3896 anos até nós. Agora a criação real do homem tem mais de bilhões de anos porque sem o pecado, o homem não envelhecia, não adoecia e não morria. Estas são as três coisas que o homem perdeu quando ele pecou ; ele perdeu a terra que se tornou maldita, ele perdeu o corpo agora envelhece adoece e morre e ele perdeu a sua alma Jesus disse eu vi busca e salvar o que se havia perdido.

  7. paty-docamp@hotmail.com

    ADOREI

  8. Allan

    Pelo que entendi, o ano de ascensão e contado como um ano inteiro, mesmo que o rei tenha governado por poucos dias, o que dá a entender que se deva reduzir a contagem total do tempo de cada governante em um ano para se ter uma estimativa correta do tempo de duração de seu reinado, correto? Entretanto, se o fim do governo de um determinado rei se desse após 365 dias da chegada deste ao trono, o ano de ascensão teria a duração de um ano inteiro. Dessa forma, não poderíamos subtrair um ano na contagem total de tempo de um reinado cuja duração do ano de ascensão estivesse contida dentro desses critérios. Precisaríamos conhecer os meses de início e término de cada reinado, além dos anos, para poder concluir se o ano de ascensão deveria ser subtraído ou não dos cálculos. Está correta essa afirmação?

  9. Allan, como está?
    Na contagem de tempo dos reis da Bíblia, o ano de ascensão é contado como ano inteiro, independente do rei ter governado um dia. Não havia, naquele tempo, a marcação de datas tão precisas como as que temos para o mesmo efeito em nossos dias.
    No caso dos reis que governaram menos que um ano, como Zinri, por exemplo, que governou 7 dias, a contagem é precisa, até porque é a essência do relato.
    É uma contagem que visava mais responder quem era o rei num determinado ano, e não propriamente a extensão precisa de um governo.
    A sua afirmação está correta. Seria muito difícil concluir estes tempos com precisão.