Matanias (Zedequias) – 19º rei de Judá – 11 anos – 603 AC a 593 AC

Anno Mundi 3293 a 3303 A.M. – (2 Rs 24:17)

Referências Bíblicas
“E o rei de Babilônia estabeleceu a Matanias, seu tio, rei em seu lugar; e lhe mudou o nome para Zedequias. Tinha Zedequias vinte e um anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.” (2 Rs 24:17)

“E lhe veio também nos dias de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, até ao fim do ano undécimo de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, até que Jerusalém foi levada em cativeiro no quinto mês.” (Jr 1:3)

Matanias foi empossado rei de Judá por Nabucodonosor com juramento de fidelidade (2 Cr 36:13) logo após a deposição de Joaquim no Anno Mundi 3293. Foi o 19º e último rei de Judá.

Curiosamente se verifica que tanto Israel quanto Judá tiveram cada qual 19 reis. O Reino de Judá subsistiu a partir da cisão depois da morte de Salomão por 339 anos, enquanto Israel por 210 anos.

603 AC – (Anno Mundi 3293) – 1º ano de Zedequias – 9º ano de Nabucodonosor
Seria natural pensar que Zedequias tivesse assumido o trono no mesmo ano em que Joaquim foi deposto, uma vez que este reinou apenas 3 meses. No entanto, pelo sincronismo de Jr 32:1 sabemos que foi no ano seguinte. Vejamos o texto: “A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, no ano décimo de Zedequias, rei de Judá, o qual foi o décimo oitavo de Nabucodonosor.” (Jr 32:1)

O 18º ano de Nabucodonosor foi o Anno Mundi 3302, que por sua vez equivale ao 10º de Zedequias; logo, seu 1º ano foi o Anno Mundi 3293 (3302 – 9) descontado o ano de ascensão.

598 AC – (Anno Mundi 3298) – Deus rompe o pacto com o povo
No sexto ano do cativeiro de Joaquim, três anos antes do cerco de Jerusalém, Deus revela pelo Profeta Ezequiel o terrível castigo que haveria de vir sobre Jerusalém e seus habitantes.

É o rompimento definitivo do pacto estabelecido com Abraão e seus descendentes pela persistência do povo em andar pelo caminho dos gentios.

Leiamos as palavras de condenação: “E disse-me: Filho do homem, levanta agora os teus olhos para o caminho do norte.

E levantei os meus olhos para o caminho do norte, e eis que ao norte da porta do altar, estava esta imagem de ciúmes na entrada.

E disse-me: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? Mas ainda tornarás a ver maiores abominações. E levou-me à porta do átrio; então olhei, e eis que havia um buraco na parede.

E disse-me: Filho do homem, cava agora naquela parede. E cavei na parede, e eis que havia uma porta. Então me disse: Entra, e vê as malignas abominações que eles fazem aqui. E entrei, e olhei, e eis que toda a forma de répteis, e animais abomináveis, e de todos os ídolos da casa de Israel, estavam pintados na parede em todo o redor.

E estavam em pé diante deles setenta homens dos anciãos da casa de Israel, e Jaazanias, filho de Safã, em pé, no meio deles, e cada um tinha na mão o seu incensário; e subia uma espessa nuvem de incenso. Então me disse: Viste, filho do homem, o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas, cada um nas suas câmaras pintadas de imagens? Pois dizem: O Senhor não nos vê; o Senhor abandonou a terra.” (Ez 8:5-12)

Israel chegou ao cúmulo de colocar dentro do Templo imagens pagãs as quais eram adoradas à luz do dia. O castigo era inevitável e terrível. Os judeus voltarão do exílio babilônico definitivamente curados da idolatria.

595 AC – (Anno Mundi 3301) – 9º de Zedequias – Jerusalém cercada
Conforme 2 Rs 25:1-2: “E sucedeu que, no nono ano do seu reinado, no mês décimo, aos dez do mês, Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acampou contra ela, e levantaram contra ela trincheiras em redor. E a cidade foi sitiada até ao undécimo ano do rei Zedequias.”

594 AC – (Anno Mundi 3302) – 10º de Zedequias – 3ª leva de deportados
Nabucodonosor conseguiria tomar Jerusalém apenas no 11º ano de Zedequias, mas conforme Jr 52:29 Nabucodonosor levou em 18º ano 832 judeus para a Babilônia. Vejamos o texto: “No ano décimo oitavo de Nabucodonosor, ele levou cativas de Jerusalém oitocentas e trinta e duas pessoas.”

Sabemos, conforme 2 Rs 25:3, que houve muita fome em Jerusalém nestes anos em que a cidade esteve sitiada. Vejamos o texto: “Aos nove do mês quarto, quando a cidade se via apertada pela fome, nem havia pão para o povo da terra.” (2 Rs 25:3)

Desta forma podemos concluir que estes cativos que foram tomados provavelmente desertaram a cidade preferindo o exílio a morrer de fome.

593 AC – (Anno Mundi 3303) – 11º de Zedequias – Jerusalém invadida
Conforme Jr 52:7 “foi aberta uma brecha na cidade, e todos os homens de guerra fugiram, e saíram da cidade de noite, pelo caminho da porta entre os dois muros, a qual estava perto do jardim do rei (porque os caldeus cercavam a cidade ao redor), e foram pelo caminho da campina.”

593 AC – (Anno Mundi 3303) – 11º ano – Zedequias é preso
Vendo que a cidade havia sido invadida Zedequias tenta fugir, mas logo se vê cercado e abandonado por seu exército. Foi levado à Babilônia, onde viu todos os seus filhos serem mortos, conforme sentença de Nabucodonosor. Após a execução de seus filhos teve seus olhos vazados e foi atirado ao cárcere onde permaneceu até o dia de sua morte. (Jr 52: 8-11)

Cumpriu-se desta forma a profecia de Jeremias: “E Zedequias, rei de Judá, não escapará das mãos dos caldeus; mas certamente será entregue na mão do rei de Babilônia, e com ele falará boca a boca, e os seus olhos verão os dele.” (Jr 32:4)

Zedequias conhecia esta profecia e deve ter se perguntado muitas vezes enquanto gozava de liberdade, como seria possível falar com Nabucodonosor sem o ver.

593 AC – (Anno Mundi 3303) – Jerusalém é destruída
Jerusalém foi totalmente saqueada e destruída, o que inclui o Templo construído por Salomão, de onde foram retirados todos os objetos de valor que ainda restavam (Jr 52), sendo sido depois disto queimado, como também foram queimadas a casa do rei e todas as demais casas da cidade e edifícios públicos.

Também seus muros foram derrubados e o povo levado cativo, sendo deixados apenas os pobres e lavradores. A narrativa de 2 Cr 36:17-21 nos dá a correta dimensão deste acontecimento:

“Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos jovens, nem das donzelas, nem dos velhos, nem dos decrépitos; a todos entregou na sua mão.

E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do Senhor, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para Babilônia. E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos.

E os que escaparam da espada levou para Babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia. Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram.”
De nada adiantou o Profeta Jeremias anunciar a destruição de Judá por 23 anos seguidos contados a partir do 3º ano do rei Josias (Jr 25:1-3) tendo sido mesmo ameaçado de morte por causa da dureza com que se dirigia ao rei e ao povo.

Desta forma veio a destruição: aqueles que não foram deportados foram mortos pela fome, ou pela peste, ou pela espada, conforme a palavra de Jeremias. Nabucodonosor não poupou sequer os animais. (Jr 21:8-14).

Este episódio da vida do povo escolhido é sem dúvida aquele que no Antigo Testamento mais nos ensina sobre o senso de justiça de Deus. Raramente o pecado do povo teve uma punição imediata, mas sempre foi imediata a repreensão vinda da parte de Deus por meio de seus profetas. O fim de Judá nos mostra o quão perigoso é que nos sintamos seguros diante de tanta apatia face a palavra de advertência de Deus.
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589 AC – (Anno Mundi 3307) – 4ª deportação
No 23º ano de Nabucodonosor registra-se a quarta e última leva de exilados: “No ano vinte e três de Nabucodonosor, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou cativas, dos judeus, setecentas e quarenta e cinco pessoas.” (Jr 52:30)

568 AC – (Anno Mundi 3328 – morte de Nabucodonosor – Início de Evil-Merodaque
Nabucodonosor reinou 43 anos, vindo a falecer no 37º ano do cativeiro de Joaquim. Neste mesmo ano Evil-Merodaque, seu filho o sucede no governo da Babilônia. O primeiro ato do novo governante é libertar Joaquim de seu cativeiro. Vejamos o texto:

“Depois disto sucedeu que, no ano trinta e sete do cativeiro de Joaquim, rei de Judá, no mês duodécimo, aos vinte e sete do mês, Evil-Merodaque, rei de Babilônia, no ano em que reinou, levantou a cabeça de Joaquim, rei de Judá, tirando-o da casa da prisão.

E lhe falou benignamente; e pôs o seu trono acima do trono dos reis que estavam com ele em Babilônia. E lhe mudou as roupas de prisão, e de contínuo comeu pão na sua presença todos os dias da sua vida. E, quanto à sua subsistência, pelo rei lhe foi dada subsistência contínua, a porção de cada dia no seu dia, todos os dias da sua vida.” (2 Rs 25:27-30)

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