Jeoiaquim (Eliaquim) – 17º rei de Judá – 11 anos – 614 AC a 604 AC

Anno Mundi 3282 a 3292 A.M. – (2 Rs 23:36)

Referências Bíblicas
“Tinha Jeoiaquim vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Zebida, filha de Pedaías, de Ruma.” (2 Rs 23:36)

“A palavra que veio a Jeremias acerca de todo o povo de Judá no quarto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá (que é o primeiro ano de Nabucodonosor, rei de Babilônia), A qual anunciou o profeta Jeremias a todo o povo de Judá, e a todos os habitantes de Jerusalém, dizendo: Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje, período de vinte e três anos, tem vindo a mim a palavra do Senhor, e vo-la tenho anunciado, madrugando e falando; mas vós não escutastes.” (Jr 25:1-3)

“A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, no ano décimo de Zedequias, rei de Judá, o qual foi o décimo oitavo de Nabucodonosor.” (Jr 32:10)

614 AC – (Anno Mundi 3282) – 1º ano de Jeoiaquim
Jeoiaquim começou a governar no Anno Mundi 3282, ano seguinte à morte de seu pai Josias e da deposição de seu irmão Jeoacaz.

Jeoacaz reinou apenas 3 meses, e foi deposto pelo Faraó Neco, o que poderia levar a supor que Jeoiaquim assumisse o trono no mesmo ano de sua deposição, mas graças ao sincronismo de datas estabelecido por Jr 21:1 e Jr 25:1-3 sabemos que foi no ano seguinte, conforme se demonstra na confirmação do início de Nabucodonosor que veremos à frente, que também sincroniza o início de Jeoiaquim no Anno Mundi 3282.

Eliaquim, a quem o Faraó mudou o nome para Jeoiaquim, foi igualmente instalado no trono por Neco que lhe impôs uma pena tributária de cem talentos de prata e um talento de ouro. (2 Rs 23:33).

Passados dois anos deixaria de pagar tributo a Neco para começar a pagar para Nabucodonosor. Começou a governar aos 25 anos de idade e reinou por 11 anos (2 Rs 23:36).

612 AC – (Anno Mundi 3284) – 3º ano de Jeoiaquim – Daniel no Exílio
De acordo com 2 Rs 24:1 “nos seus dias subiu Nabucodonosor, rei de Babilônia, e Jeoiaquim ficou três anos seu servo; depois se virou, e se rebelou contra ele.”

Nabucodonosor invadiu Jerusalém no ano 3º de Jeoiaquim. É o que nos informa Dn 1:1-6: ”No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pôs os utensílios na casa do tesouro do seu deus. E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, Jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus. E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias.”

Temos, portanto, que Daniel foi levado para a Babilônia em 3284 A.M., terceiro ano de Jeoiaquim.
Jeoiaquim pagou, portanto, tributos ao rei do Egito em seus três primeiros anos de reinado e a seguir Nabucodonosor saqueou o Templo (Dn 1:2) e tornou o reino de Judá tributário por três anos, desde 3284 A.M. até 3286 A.M.

Embora tenha parado de pagar os tributos em seu 6º ano de reinado, Nabucodonosor só viria contra Judá no 10º ano de Jeoiaquim (2 Rs 24:10). Ainda assim, isto não significa que Judá tenha tido um intervalo de paz nestes anos, pois “o Senhor enviou contra ele as tropas dos caldeus, as tropas dos sírios, as tropas dos moabitas e as tropas dos filhos de Amom; e as enviou contra Judá, para o destruir, conforme a palavra do Senhor, que falara pelo ministério de seus servos, os profetas.” (2 Rs 24:2)

Como veremos a seguir, Nabucodonosor era ainda, no 3º ano de Jeoiaquim, príncipe regente da Babilônia, pois Nabonido, seu pai, ainda era vivo. A qualificação de rei da Babilônia, conforme o texto acima, se refere a seu status quando a narrativa foi elaborada, da mesma forma que se poderia dizer que “o presidente John Kennedy participou da Segunda Guerra Mundial servindo no Pacífico até 1945”, quando ele, na verdade, ainda não era presidente dos EUA. Trata-se de um expediente literário comum em todos os tempos, incluindo os nossos dias.

611 AC – (Anno Mundi 3285) – 4º ano de Jeoiaquim – início de Nabucodonosor
O ano 4º de Jeoiaquim é o primeiro ano de Nabucodonosor (Jr 25:1) como rei da Babilônia após a morte de seu pai Nabopolasar (Nabopolassar, Nabu-apla-utsur), que faleceu, segundo a história secular, em 605 AC
Podemos certificar de outra maneira o sincronismo da data:

1 – De acordo com Jr 25:1-3, contados 23 anos desde o ano 13 de Josias chegamos ao ano 4 de Jeoiaquim.

2- O ano 13 de Josias é o Anno Mundi 3263, que acrescido de 23 resulta o Anno Mundi 3285 (3263 + 22, contado o ano de ascensão).

3 – Se 3285 é o quarto ano de Jeoiaquim, 3282 A.M. é o primeiro (3285-3, contado o ano de ascensão).

4 – Josias reinou, conforme vimos, 31 anos, havendo morrido em 3281, mesmo ano da ascensão de Jeoacaz, um ano antes do início de Jeoiaquim.

5 – De acordo com o texto, o quarto ano de Jeoiaquim é o primeiro ano de Nabucodonosor.

6 – A mesma data de início de Nabucodonosor se sincroniza com o 10º ano de Matanias, último rei de Judá, pela referência de Jr 32:1, sobre a qual falaremos adiante. As duas referências de Jeremias certificam desta forma o início de Jeoiaquim, bem como sincronizam, ambas, o início de Nabucodonosor no 4º ano de Jeoiaquim, no Anno Mundi 3285.

Como é sabido, a história secular fixa a data de ascensão de Nabucodonosor no ano 605 AC Mais adiante faremos uma comparação entre a data histórica e a data bíblica a fim de demonstrar a impossibilidade de ter ocorrido em 605 AC

610 AC – (Anno Mundi 3286) – 5º ano de Jeoiaquim – Daniel governa na Babilônia
Conforme relato do capítulo 2 de Daniel, foi no 2º ano de Nabucodonosor que Daniel passou da qualidade de vassalo a colaborador de Nabucodonosor. Destacamos do referido capítulo os versos 1 e 48 que tratam do assunto: “E no segundo ano do reinado de Nabucodonosor, Nabucodonosor teve sonhos; e o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono. (…) Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes dádivas, e o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também o fez chefe dos governadores sobre todos os sábios de Babilônia.”

Note que será somente cinco anos à frente deste tempo que acontecerá o exílio massivo de Judá em duas primeiras levas, entre os anos 3291 A.M. e 3292 A.M.

609 AC – (Anno Mundi 3287) – 6º ano – Jeoiaquim cessa o pagamento de tributos
Havendo Judá sido invadido a primeira vez por Nabucodonosor no 3º ano de reinado de Jeoiaquim, ocasião em que Daniel é levado para o cativeiro (Dn 1:1), sabemos que desde então passou a pagar tributos para o rei da Babilônia, o que fez por três anos seguidos até que se revoltou, em seu 6º ano de governo, conforme 2 Rs 24:1 : “nos seus dias subiu Nabucodonosor, rei de Babilônia, e Jeoiaquim ficou três anos seu servo; depois se virou, e se rebelou contra ele.”

Entendemos, portanto, que nos dois primeiros anos de governo, Jeoiaquim pagou tributos a Neco, rei do Egito; Judá foi então invadido por Nabucodonosor no seu 3º ano de governo, e a partir de então, passou a pagar, conforme os textos acima, tributos à Babilônia, o que fez por três anos, até o seu 6º ano de governo, quando se revoltou.

Desta forma, Nabucodonosor viria à forra somente no 10º ano de Jeoiaquim, pois supostamente estaria ocupado consolidando seu império, e não pode se dedicar a Judá.

Flávio Josefo, na História dos Hebreus, Vol 3, Cap. VII, Pág 251 tem outra opinião: no seu entendimento, bastante lógico por sinal, Jeoiaquim teria pagado tributos até o seu 10º ano de governo e cessado nesta ocasião, o que fez com que Nabucodonosor viesse imediatamente contra ele.

Embora esta seja uma situação mais confortável de que a que propomos, é difícil, pela Bíblia, entender que Daniel tenha sido levado para o exílio no 3º ano de Jeoiaquim e que Nabucodonosor não houvesse imposto tributos a Judá na ocasião.

605 AC – (Anno Mundi 3291) – 10º ano de Jeoiaquim – 1ª leva de deportados
O 7º ano de Nabucodonosor corresponde ao 10º e penúltimo ano de Jeoiaquim.

De acordo com o Profeta Jeremias, houve neste ano uma primeira deportação massiva de judeus que veio a acontecer no 7º ano de reinado de Nabucodonosor, enquanto Jeoiaquim ainda reinava: “Este é o povo que Nabucodonosor levou cativo, no sétimo ano: três mil e vinte e três judeus.“ (Jr 52:28).

Nem Reis nem Crônicas fazem registro desta deportação. Ao chegarem a Babilônia, estes exilados deparariam com Daniel, um judeu que já governava suas províncias há cinco anos.

604 AC – (Anno Mundi 3292) – 11º ano de Jeoiaquim – fim do reinado
Conforme 2 Cr 36:5-8, Jeoiaquim tinha 25 anos de idade quando começou a reinar e reinou 11 anos. Foi deposto por Nabucodonosor aos 36 anos de idade.

Nem Reis, Crônicas ou Jeremias fornecem detalhes precisos sobre a morte de Jeoiaquim, mas sabemos que foi preso por Nabucodonosor (2 Cr 36:5-6) vindo a falecer depois disto. (2 Rs 24:6).

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