Considerações sobre o Reino Dividido

Os relatos que temos acerca da monarquia em Israel cobrem um período de aproximadamente 420 anos de história entre a unção de Saul e a destruição do Templo. Estão contidos em 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, e 1 e 2 Crônicas e vários profetas. São resumos das vidas dos reis que reportam aquilo que o redator ou redatores acharam que valia a pena ser mencionado.

O período do reino dividido é sem dúvida o mais desafiador e complexo de ser datado em toda a Bíblia por conta da forma utilizada pelo redator para referenciar o início de cada reinado através de referências cruzadas.

Neste sistema, o rei de Judá passa a governar em um determinado ano de referência do rei de Israel e vice-versa, o que, embora pareça confuso, nos obriga a sincronizar datas e desta forma saber com precisão não só quando se deu o início de reinado, como também se houve ou não co-regência naquele período.

Quando lemos Reis e Crônicas, em nosso subconsciente as datas parecem estar sequenciadas de forma sucessiva sendo apenas fruto de cálculo aritimético, mas não são, e justamente por isto não nos damos conta de que há certa complexidade no seu cálculo.

Aqueles que tentam definir tais datas verificam que elas apresentam aparentes irredundâncias, o que motiva alguns a achar que a Bíblia está errada e por vezes conduz o investigador a não desejar esclarecer tais fatos, para justamente não expor, por questões de respeito, algum possível erro da Bíblia. Conforme veremos, todas as datas se encaixam com perfeição.

Quando o reino de Israel deixa de existir em consequência do exílio assírio, os reis de Judá se sucedem uns aos outros pela morte do antecessor. Neste caso, em tese, não é possível determinar se houve ou não co-regência, e a linha do tempo transcorrido só pode se basear na duração do governo declarada em favor daquele rei.

No entanto, conforme veremos, há eventos ocorridos no período pós-assírio que nos obrigam a sincronizar as datas de tal maneira que se concluiu que não houve co-regências em Judá depois do desaparecimento de Israel.

Isto nos faz pensar que a co-regência era uma instituição forçada em ambos os lados pela existência de uma ameaça de um país ser assimilado pelo outro em caso de morte do rei, ou mesmo de um golpe de estado, e neste caso, a existência de um “vice-rei” dificultaria que tal acontecesse.

No encerramento da história de todos os reis de Israel e Judá, os redatores de 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas fazem sempre menção de que há, além do seu próprio relato acerca daquele rei, um relato completo de todos os seus atos de governo, ou nas Crônicas dos reis de Israel ou nas Crônicas dos reis de Judá. Vejamos o exemplo sobre Asa descrito em 1 Rs 15:23: “Quanto ao mais de todos os atos de Asa, e a todo o seu poder, e a tudo quanto fez, e as cidades que edificou, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá?”

É lógico pensar que não havia um único livro das crônicas dos reis de Judá ou um único livro de crônicas dos reis de Israel. Cada rei mantinha seu cronista e registrava seus atos de governo, que certamente eram datados, tendo como objetivo principal escrever a história de seu tempo propriamente dita, e registrar as resoluções de governo, como faz hoje o “Diário Oficial” ou outros órgãos de imprensa do estado.

Quando um rei morria e assumia seu sucessor, um novo cronista escrevia as crônicas do novo governo, e assim, sucessivamente eram guardadas as crônicas de um por um, que em conjunto, eram vistas como uma coisa só.

As crônicas dos reis de Judá eram, portanto, as crônicas de todos os reis do sul, Roboão, Abias, Asa, etc., que a seu tempo foram escritas individualmente relatando os acontecimentos de cada tempo.

2 Sm 8:16 registra que Jeosafá, filho de Ailude, era cronista do rei Davi; Joá, filho de Asafe, era cronista do rei Ezequias (2 Rs 18:18); Joá, filho de Joacaz, era cronista do rei Josias (2 Cr 34:8).

2 Cr 20:34 nos dá uma idéia ainda mais precisa de como foram montadas as crônicas reais: “Ora, o restante dos atos de Jeosafá, assim, desde os primeiros até os últimos, eis que está escrito nas notas de Jeú, filho de Hanani, que as inseriu no livro dos reis de Israel”.

Vemos, desta forma, que o Profeta Jeú escreveu as crônicas de Jeosafá e depois as incluiu nos livros dos reis de Israel. Jeú profetizou em Israel desde os tempos de Baasa (1 Rs 16:7) bem como em Judá, nos tempos de Jeosafá.

A vida de Salomão foi também relatada no Livro dos “Feitos de Salomão”, nas “Crônicas de Natã”, na “Profecia de Aias, o silonita” e nas “Visões de Ido”. Igualmente, a vida de Davi está relatada nas “Crônicas de Samuel”, nas “Crônicas do Profeta Natã”, e nas “Crônicas de Gade, o Vidente”. Nenhuma cópia da maioria destes livros chegou até nós.

Lemos no livro de Ester que o rei Assuero perde uma noite o sono e manda que lessem perante ele o registro de suas crônicas e ali encontra o relato que o judeu Mardoqueu lhe salvara a vida (ET 6:1). Não eram as crônicas a que nos referimos, mas o fato mostra, que sempre, em todos os governos do mundo, haviam relatos do dia-a-dia.

Temos que observar que não há, na prática, o relato de muitos atos administrativos de governo em Reis e Crônicas, mas sim, uma maior preocupação com os aspectos religiosos da vida em Israel e em Judá, o que favorece a tese de que Reis e Crônicas sejam de autoria de um dos profetas, e desta forma, Jeremias é tido tanto pela cristandade quanto pela tradição judaica como o provável autor de 1 e 2 Reis, sendo Crônicas creditado a Esdras.

Embora as autorias dos livros de Reis e Crônicas sejam incertas, vale a pena explorar o que dizem a este respeito algumas correntes de pensamento. Alguns historiadores defendem a existência de uma “escola de profetas” que manteve entre suas responsabilidades a escrita da história religiosa de todos os reis de Judá e Israel, e mesmo sendo independentes uma da outra, sempre mantiveram contato estreito entre si.

Outros acham que é pouco provável que um profeta ou sacerdote sejam autores destes livros, principalmente Jeremias ou Esdras, pela forma contundente como julgam os atos do povo. Jeremias é o dedo de Deus apontado para Judá na proximidade da queda de Jerusalém, onde se vê o rigor de seu julgamento imparcial contra a persistente desobediência do povo.

Esta postura estaria em desacordo com o julgamento muito brando dos atos de alguns reis, como Salomão, e Joás, por exemplo, que na opinião do redator de Reis foram considerados justos, pois nem Jeremias, nem qualquer outro profeta fariam tal julgamento, nem Esdras, que não perdoa o fato de os israelitas haverem tomado esposas pagãs no exílio e manda que as despeçam juntamente com os filhos gerados (Ed 10:3).

Nos escritos dos profetas ou sacerdotes não há lugar para meio-termo, pois estes vivem num mundo preto e branco onde não existe lugar para o cinza. Não foi Neemias quem disse: “Porventura não pecou nisto Salomão, rei de Israel, não havendo entre muitas nações rei semelhante a ele, e sendo ele amado de seu Deus, e pondo-o Deus rei sobre todo o Israel? E contudo as mulheres estrangeiras o fizeram pecar.” (Ne 13:26)

De fato não há em 1 e 2 Reis qualquer referência sobre o fato de haverem sido consultados os escritos de qualquer dos profetas. Já em Crônicas há indicativos de que informações referentes a Roboão, Abias, Jeosafá, Uzias e Ezequias, todos estes reis de Judá, foram consultadas em fontes dos profetas.

Se por um lado é razoável pensar que os profetas possam não ser os autores de tais livros, é impossível admitir que seus escritos não os influenciassem, mesmo porque toda a orientação destes escritos aponta unicamente para a relação do povo escolhido com Deus, mostrando que enquanto havia fidelidade havia benção, e quando havia infidelidade havia maldição.

Como este assunto é por demais complexo e inconclusivo, vamos, portanto, imaginar que tais escritos são resultado da pesquisa dos redatores, talvez sacerdotes, que por sua vez se basearam em todas as fontes disponíveis para escrever o que escreveram.

Um indicativo de que se trata de um trabalho de pesquisa são, por exemplo, certas informações incorretas passadas pelo redator de 1 Reis que informa que a mãe de Abias seria Maaca, filha de Absalão (1 Rs 15:1), que na verdade era sua esposa além de prima. Crônicas, por sua vez, nos informa corretamente que Abias era filho de Micaia, filha de Uriel (2 Cr 13:2).

Outro erro, desta vez em Crônicas, aponta que não houve guerra até o ano 35 de Asa (2 Cr 15:9) e que no ano 36 houve guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel. Baasa havia morrido 10 anos antes disto, no ano 26 de Asa. Desta forma, é factível concluir que foram transcrições incorretas de uma pesquisa complexa e exaustiva em diversas fontes de informação, o que pode ter tomado vários anos para ser concluída.

Do ponto de vista cronológico temos que pensar em que os cronistas que registraram nos livros da Bíblia estas histórias resumidas dos reis se basearam para sintetizar seus relatos. Obviamente a fama de um rei pesou muito e desta forma Davi, por exemplo, mereceu um espaço maior que os demais reis. Também Ezequias, que foi um bom rei, teve um relato extenso. Gastou-se também muita tinta para se falar de Acabe, o campeão dos piores.

Mas não se pode raciocinar pelo lado frio da história para deduzir as motivações dos redatores para escrever o que escreveram, mas, tendo-se em vista que a Bíblia é o livro que nos revela a Pessoa de Deus, estão ali para serem encontradas nestas histórias as lições que Deus pretende que aprendamos.

Há uma lição que podemos aprender nas poucas linhas que relatam o reinado de apenas 7 dias de Zinri sobre Israel e muitas lições a serem aprendidas com os erros de Davi ou de Acabe.

No que se refere, por fim, ao aspecto prático de datar os reis de Israel e Judá antes da invasão assíria, em que as referências de datas são cruzadas, temos que tentar concluir de onde vieram tais cruzamentos.

Vejamos o exemplo de 1 Rs 15:9: “E no vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, começou Asa a reinar em Judá.”

No exemplo acima, o cronista vai começar a escrever a história de Asa, terceiro rei de Judá. Ele nos informa que Asa começou a reinar no vigésimo ano de Jeroboão. Onde é que o cronista, tendo em mãos todas as crônicas de Israel e Judá e os escritos dos profetas foi buscar a informação sobre o início de Asa? Seria nas crônicas de Asa, nas de Abias, seu antecessor, ou nas de Jeroboão?

Se pensarmos em termos da atualidade, cada povo data a sua própria história. Não se encontraria nos registros da história americana que o presidente Barak Obama começou a governar no segundo ano de Nicolas Sarkozy, presidente da França.

É coerente imaginar o cronista bíblico fazendo um trabalho de pesquisa histórica onde a informação existente está registrada na íntegra das crônicas dos reis de ambos os lados. Interessa, desta forma, registrar o cruzamento dos fatos destes “dois povos”, porque afinal são e sempre serão uma única nação, Israel.

Para efeito prático um novo rei de Judá começa a reinar no mesmo dia em que o antecessor morre, mas o cronista verifica na crônica do rei vigente de Israel em que ano de seu governo é apontado que um novo rei começou a governar em Judá.

Quando ele encontra este apontamento, vai se basear agora nas crônicas do próprio rei de Judá para ver quantos anos ele reinou e desta forma sintetiza normalmente as duas informações uma seguida à outra: “E no vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, começou Asa a reinar em Judá. E quarenta e um anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Maaca, filha de Absalão.” 1 Rs 15:9-10

Desta forma, conforme veremos no caso de Onri, 6º rei de Israel, a crônica do rei de Judá o aponta começando a governar no 31º ano de Asa, mas quando o cronista examina as crônicas de Onri, verifica que Onri foi aclamado rei pelo povo no 27º ano de Asa, quando ele ainda disputava o governo com Tibni. Conclui então que a contagem do tempo de governo de Onri deve começar a partir do 27º ano de Asa, e se estendeu por 12 anos. Veremos isto mais adiante com maiores detalhes.

As co-regências quase nunca são explicitadas de modo claro, mas acontecem de ambos os lados e na contagem de tempo de um rei que co-reinou com seu antecessor, este tempo será contado para ambos, o que via de regra cria embaraços para quem faz as contas.

Vejamos uma complicação a mais nas co-regências para a qual devemos estar atentos, como no caso de Jeosafá e Jeorão. Conforme 2 Rs 8:16 Jeosafá era ainda vivo quando seu filho Jeorão começou a reinar: “E no ano quinto de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, reinando ainda Jeosafá em Judá, começou a reinar Jeorão, filho de Jeosafá, rei de Judá.”

Onde os cronistas de 2 Reis e 2 Crônicas buscaram as informações para relatar individualmente os fatos de cada um destes governantes?

Jeorão teve seus relatos registrados nas Crônicas de Judá (“O mais dos atos de Jeorão, e tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas de Judá?” – 2 Rs 8:23), enquanto Jeosafá nas notas de Jeú (“Ora, o restante dos atos de Jeosafá, assim, desde os primeiros até os últimos, eis que está escrito nas notas de Jeú, filho de Hanani, que as inseriu no livro dos reis de Israel.” – 2 Cr 20:34)

Alguns dos mais importantes historiadores bíblicos deste período, Galil e Thiele, entre os mais destacados, defendem que os redatores de Crônicas e Reis respeitaram em seus relatos o fato de que Israel e Judá usavam diferentes sistemas de contagem de tempo para seus regentes, bem como o ano civil de um começava com uma diferença de seis meses do outro. No caso de Judá, o ano começava a ser contado na entrada do outono (no hemisfério norte) no mês de Tishrei (Setembro / Outubro) enquanto de Israel iniciava a contagem do ano no mês de Nisã (Março / Abril).

Quanto ao início da contagem do tempo de um rei, no caso de Judá, se usava o método ascensional, onde o ano de ascensão do regente não era contado como seu primeiro ano de governo, sendo, portanto, apenas o ano em que ascendeu ao poder. Israel, segundo ambos, utilizava a contagem de tempo não ascensional, onde o primeiro ano, ano de ascensão, era contado, independente do número de meses ou mesmo dias reinados.

O caso de Galil não vale a pena comentar porque quem se der ao trabalho de simular em um gráfico linear as suas conclusões, vai observar que ele está mais preocupado em sincronizar os reis bíblicos com fatos da história secular, o que redunda, a partir do reinado de Joás, um total desajuste cronológico, ou melhor dizendo, total desrespeito pelo relato bíblico, quando não só não são observadas as sincronias entre os regentes, como também a duração dos reinados estabelecidas pela Bíblia. É difícil entender por que Galil é citado como referência no mundo cristão.

Observe que a história secular é imprecisa, enquanto a Bíblia é precisa e minuciosa. A história secular se redescobre a cada dia, e o que era verdade ontem, deixou de ser verdade hoje. Só o Museu Britânico possui cerca de cem mil documentos catalogados a espera de serem estudados.

Thiele baseia-se na Bíblia e fatos históricos, mas é possível observar que a questão da contagem não ascensional que emprega para os reis de Judá como regra não é coerente, pois a emprega para alguns reis e não emprega para outros, fazendo uso de sua própria regra apenas quando uma conta não fecha.

Ademais, ao não conseguir sincronizar as datas de Oséias com Ezequias, preferiu concluir que a Bíblia está errada, o que torna também difícil entender por que um homem que diz que a Bíblia está errada é referência para os cristãos quando se trata da história dos reis.

Diga-se de passagem, a história do reino dividido é na teologia uma espécie de “último pedaço da torta”, onde parece que apostaram para ver quem conta a estória mais absurda, com o maior número de teorias complicadas leva o último pedaço.

Ora, não há erros na Bíblia, e só um megalomaníaco, para dizer o mínimo, poderia fazer tal afirmação.

Também não há coerência em achar que os redatores que tiveram ao seu encargo relatar os Livros de Reis e Crônicas, onde eles próprios agora fazem uma nova escrita da história destes povos, usariam esta tal metodologia. Seria mais lógico que fizessem a conversão das duas contagens diferentes, se elas de fato existissem, para uma única contagem de tempo, porque a Escritura, como dizem corretamente os eruditos judeus, veio para esclarecer e não confundir.

Além disto, parece pouco lógico que após 946 anos de existência de Israel como povo escolhido, contados estes anos desde Abraão até a divisão de Israel, ou ainda, depois de 81 anos de reino unido com Saul, Davi e Salomão contando os anos sempre da mesma forma, que Israel passasse imediatamente a contar o tempo de forma diferente que Judá depois da cisão.

Thiele, neste caso, não poderia ter escolhido um título mais infeliz para seu livro a respeito deste assunto: “Os Misteriosos Números dos Reis Hebreus”. Como se a Palavra de Deus contivesse artifícios misteriosos para confundir o leitor.

Fosse assim, seria impossível para nós, pessoas comuns, entender a Bíblia, porque a sua compreensão dependeria de profundos conhecimentos históricos e arqueológicos, ficando sua interpretação restrita a pessoas geniais. Só os superdotados poderiam entender o tempo dos reis de Israel e Judá, e voltaríamos à idade das trevas, em que a interpretação das escrituras era coisa dos “escolhidos”. Tenha paciência.

Desta forma, entendemos que a cronologia dos reis deve ser baseada só na Bíblia, e deve ser desprezada qualquer sugestão de qualquer metodologia que não seja apenas a capacidade de ler, somar e subtrair.

Voltando aos redatores de Reis e Crônicas, outra coisa que devemos observar é que um trabalho de pesquisa histórica deste vulto não pode ter sido desenvolvido por uma pessoa apenas, mas por um grupo reduzido de pessoas, e muito claramente o seu resultado foi analisado e auditado na mesma época por outro grupo distinto ainda mais reduzido de revisores. Buscavam, sem dúvida, mostrar que o distanciamento de Deus causou a ruína tanto de Israel quanto de Judá.

Algumas passagens sugerem ser fruto de revisão, como por exemplo, a forma de contagem do tempo de Menaem de Israel, em que o ano de ascensão do rei não é contado, o que redunda em um ano a mais para seu governo.

O mesmo sugerem os textos que se referem ao sincronismo de Oséias com Ezequias. Oséias inicia seu reinado no 12º ano de Acaz, que é o 17º ano de Peca, com quem co-reina por quatro anos, que coincide ser também o 20º de Jotão, que é também o 16º ano do mesmo Jotão, se descontados os 4 anos de seu co-reinado com Azarias (Uzias), seu pai. Todas estas referências se aplicam ao mesmo ano.

Na linguagem escrita parece difícil entender isto, mas usaremos gráficos para compreender estes números.

Nota-se claramente que há um grande interesse em buscar cada detalhe do tempo de Oseias, por ser ele o último dos reis de Israel. Isto é visto também nos sincronismos de Oséias com Ezequias, o rei homólogo de Judá. Nos sincronismos de Ezequias com Oséias vê-se o trabalho de um revisor, fruto de uma escola de escribas que não entendia ser correta a contagem do ano de ascensão de um rei.

Estes redatores estão a cerca de 200 anos da ocorrência de Oséias, e não se pode deixar de imaginar que grande prazer lhes deve ter dado escrever a conclusão deste evento especificamente. Vê-se que é fruto de muitas cabeças. Nunca poderia ser o trabalho de uma única pessoa, mas sim, de um grupo, homens escolhidos e talhados por Deus para fazê-lo.

É mais fácil entender a análise escrita deste período observando o gráfico correspondente para acompanhar a leitura, sendo mais desejável ainda que o leitor faça ele mesmo seu próprio gráfico a fim de tirar suas próprias conclusões. Ao fazê-lo, pode chegar a um resultado diferente do que apresentamos. Podemos afirmar que valerá a pena.

Mesmo com o auxílio destes gráficos (ou tabelas) é necessária alguma atenção para entender muitos períodos.

A compreensão da cronologia deste tempo é muito mais visual de que dependente do entendimento de palavras. Se o leitor não tiver um gráfico à frente fica mais difícil entender.

Escolha você mesmo um gráfico dos que colocamos no início do período de cada rei e tente colocar isto em palavras como se estivesse explicando o fato para outra pessoa. Vai notar que quando se põe em palavras a coisa parece muito mais complicada do que é de fato.

Por fim, esclarecemos que na nossa contagem de tempo, o ano de ascensão de um rei, tanto de Judá quanto de Israel, é contado como primeiro ano do novo rei ao mesmo tempo em que é contado como último ano de reinado do rei cessante.

Anúncios

1 Comentário

Filed under Uncategorized

One response to “Considerações sobre o Reino Dividido

  1. Pingback: Índice (clique para acessar) | Cronologia da Bíblia