Juízes de Eúde a Jefté

1314 AC a 1234 AC – (Anno Mundi 2582 a 2662 A.M.) – Eúde – 2º juiz de Israel
Conforme vimos, o tempo de Eúde, da tribo de Benjamin, filho de Gera (Gn 46:21), se estende por 80 anos, a contar desde a morte de Otoniel. O início deste período é marcado por 18 anos de opressão de Eglon (Jz 3:12-14), rei dos moabitas, a quem Israel paga tributos. Próximo ao final deste tempo Eúde foi chamado por Deus para libertar o povo. A data de sua morte coincide com o fim dos 80 anos deste período.

Sangar – 3º juiz de Israel
Não há nenhuma referência em Juízes acerca do tempo de Sangar. Diz apenas que após Eúde, Sangar, filho de Anate, libertou Israel (Jz 3:31) da opressão dos filisteus.

Aparte esta informação, Sangar é mencionado no Cântico de Débora (Jz 5:6-7), que diz que “nos dias de Sangar, filho de Anate, nos dias de Jael cessaram as caravanas; e os que andavam por veredas iam por caminhos torcidos. Cessaram as aldeias em Israel, cessaram; até que eu, Débora, me levantei, por mãe em Israel me levantei.”

Eram tempos em que as estradas estavam impedidas pelos filisteus e o povo era obrigado a circular por estradas secundárias.

Destes textos podemos concluir que o tempo de Sangar se situa entre Eúde e Débora, e coincide com os 20 anos em que os filisteus oprimiam Israel, dando a entender que embora Sangar tivesse obtido certo êxito em sua missão libertadora, a opressão não cessou, estendendo-se desta forma até o dia em que Débora é autorizada por Deus a libertar o povo.

Vejamos o texto: “Depois dele (Eúde) foi Sangar, filho de Anate, que feriu a seiscentos homens dos filisteus com uma aguilhada de bois; e também ele libertou a Israel.” Jz 3:31

Não se sabe, portanto, quando ele haveria morrido, nem se isto teria acontecido por causa dos filisteus.
A tradição judaica coloca Sangar nos dias de Eglon, rei dos moabitas, o que não é condizente com Jz 3:31.

1234 AC a 1194 AC – (Anno Mundi 2662 a 2702 A.M.) – Débora – 4ª juíza de Israel
A contagem dos 40 anos de Débora (Jz 5:31) como juíza se inicia após o fim do período de Eúde (Anno Mundi 2662), embora este tenha sido seguido, conforme vimos, de Sangar, que por breve espaço de tempo libertou Israel das mãos dos filisteus.

Do ponto de vista cronológico, temos, então, Sangar dentro do período de Débora, sem uma contagem de tempo específica.

A tradição judaica outorga igualmente a Baraque o posto de libertador de Israel no mesmo tempo de Débora, sendo ambos relatados como juízes pela Seder Olam Rabbah.

No tempo de Débora, viveu em Canaã Héber, descendente da família do sogro de Moisés. Héber é marido de Jael, heroína de quem fala o “Cântico de Débora” pelo fato de haver ela própria matado Jabin, o rei de Canaã que oprimia naquele tempo a Israel. O período de Débora encerra-se no Anno Mundi 2702.

1194 AC a 1154 AC – (Anno Mundi 2702 a 2742 A.M.) – Gideão – 5º juiz de Israel
O período de Gideão se inicia marcado pela opressão dos midianitas, o que acarreta em fome e grande pobreza em Israel durante sete anos. (Jz 6:1)

Com apenas trezentos homens, Gideão derrota um exército de cento e trinta e cinco mil homens, um feito militar incomparável, não fosse o caso de Deus haver lutado Ele próprio pelos seus escolhidos.

Na dinâmica geral do Livro de Juízes, tem-se a impressão que o povo foi fiel a Deus durante todo o tempo que segue à libertação do opressor pelo juiz vigente, o que se estende até o dia da morte deste juiz, quando o povo se volta novamente para os ídolos pagãos.

No caso do período de Gideão, fica claro o quanto a idolatria é própria do ser humano e estava enraizada na natureza daquele povo. Mal consegue esta vitória assombrosa, é ele próprio quem leva Israel à idolatria.

Coletou ouro do povo e “fez Gideão dele um éfode, e colocou-o na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel prostituiu-se ali após ele; e foi por tropeço a Gideão e à sua casa.” (Jz 8:27)

Na seqüência de causa e efeito, Abimeleque, seu filho com uma concubina, domina sobre Israel por imposição própria por três anos, após assassinar todos os demais filhos de Gideão. O período de Gideão encerra-se em conseqüência de sua morte no Anno Mundi 2742.

1154 AC a 1150 AC – (Anno Mundi 2742 a 2745 A.M.) – Abimeleque domina Israel por 3 anos
De acordo com Jz 8:22, após derrotar os midianitas, o povo propõe a Gideão e seus sucessores dominar sobre eles, ao que Gideão enfaticamente nega.

Depois de sua morte, Abimeleque, seu filho com uma concubina, aproveitou-se da inclinação do povo em querer um dominador dentre os filhos de Gideão, e com a ajuda dos familiares de sua mãe e do povo de Siquem assassinou todos os filhos de Gideão à exceção do mais novo, vindo a ser proclamado rei entre eles.

Abimeleque não é considerado juiz, mas, meramente uma figura ambiciosa que usurpa temporariamente o poder local, com aparente plano de estender este poder às demais regiões do país. Por esta razão, o tempo que dominou sobre Israel não entra no computo total de Juízes.

De acordo com isto está a tradição judaica. Morreu tentando conquistar a cidade de Tebes no Anno Mundi 2745.

1154 AC a 1131 AC – (Anno Mundi 2742 a 2765 A.M.) – Tola – 6º Juiz sobre Israel
A respeito de Tola sabe-se apenas que era da tribo de Issacar e que seu nome é uma homenagem ao mais velho dos filhos de Issacar, e que julgou Israel por um período de 23 anos, portanto, até o Anno Mundi 2765.

1131 AC a 1109 AC – (Anno Mundi 2765 a 2787 A.M.) – Jair – 7º Juiz sobre Israel
Semelhantemente a Tola, sabe-se apenas que Jair julgou a Israel vinte e dois anos, até o Anno Mundi 2787.

1109 AC a 1103 AC – (Anno Mundi 2787 a 2793 A.M.) – Jefté – 8º Juiz sobre Israel
Do ponto de vista cronológico, Jefté é o mais importante dos juízes, pois graças às informações de seu período é possível sincronizar as datas de todos os juízes de Israel.

Além disto, uma vez estabelecida através de Jefté a data de início de Otoniel, primeiro juiz de Israel, delimita-se, desta forma, o fim do período em que viveu a geração de Josué além de determinar o início do período de Samuel como juiz depois da morte de Eli.

Não obstante, Jefté tem seguramente o mais importante testemunho de fé dado por qualquer outro juiz, além de uma história pessoal, que embora curta em termos cronológicos, impressiona pela natureza dos fatos que a envolvem.

Jefté, habitante de Gileade, era da tribo de Manasses e começou seu juizado após 18 anos de opressão por parte dos filisteus e amonitas (Jz 10:7-8), 245 anos após o início de Otoniel, o primeiro juiz de Israel.

Filho de uma prostituta, Jefté foi expulso de casa por seus irmãos e foi habitar em Tobe. Quando os amonitas se abateram sobre Israel, as qualidades de Jefté foram levadas em conta e ele aclamado como libertador de Israel em Mizpá.

Antes de combater os amonitas, fez um voto a Deus de que sacrificaria aquilo que primeiro saísse de sua casa se voltasse vitorioso da guerra (Jz 11:31). Desafortunadamente saiu-lhe a filha.

Antes da batalha Jefté relembra aos amonitas que Moisés havia tomado Hesbom 300 anos antes daquela data por conta de uma guerra de iniciativa do rei de Hesbom.

Conforme já vimos, a partir desta informação temos como nos situar cronologicamente no primeiro ano de Jefté, 2787 A.M., uma vez que Hesbom foi conquistada por Moisés no Anno Mundi 2487, o quadragésimo ano de peregrinação no deserto (Jz 11:26).

Jefté julgou o povo por seis anos, até o Anno Mundi 2793 (Jz 12:7).

5 comentários

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5 responses to “Juízes de Eúde a Jefté

  1. cristina candido de souza

    faço seminário e este estudo foi uma benção estou recomendando á meus irmãos que o pai do céu continue te usando e abençoando em nome de jesus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Oi Cristina, grato pelo comentário. Que Deus te use e abençoe sempre.

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  4. Renata

    Queridos,

    O título diz que Abimeleque dominou de 2742 a 2745 AM

    “1154 AC a 1150 AC – (Anno Mundi 2742 a 2745 A.M.) – Abimeleque domina Israel por 3 anos”

    Mas no final do texto diz que ele morreu em 2742, o mesmo ano em que começou a dominar.

    “De acordo com isto está a tradição judaica. Morreu tentando conquistar a cidade de Tebes no Anno Mundi 2742.”

  5. Oi Renata, tem razão, já corrigi. Grato pela atenção.