Moisés perante Faraó

1449 AC – (Anno Mundi 2447) – Moisés se apresenta perante Faraó
Conforme vimos no texto que se refere ao Anno Mundi 2018 sobre a promessa de Deus a Abraão, o Êxodo se deu quatrocentos anos depois do nascimento de Isaque, precisamente no Anno Mundi 2448.

Moisés e Arão perante Faraó - Benjamin West

A Seder Olam Rabbah está de acordo com esta data, e reporta sua conclusão de uma maneira diferente da nossa e bastante simples: Isaque, a semente de Abraão (Gn 21:12), tinha 60 anos quando gerou Jacó (Gn 25:26), e Jacó tinha 130 anos quando desceu ao Egito (Gn 47:9) e se encontrou com Faraó. Isto totaliza 190 anos, restando 210 anos para o tempo de pernanência no Egito, incluido nele a escravidão.

Pode-se reforçar estes cálculos com mais um argumento: Coate estava entre os que desceram ao Egito (Gn 46:11) e está escrito que viveu 133 anos (Ex 6:20). Os anos de vida de Anrão, seu filho foram 137 anos. Juntos com os 80 aos de Moisés quando se avistou com Faraó totalizam 350 anos. Seria de qualquer forma impossível que Isarel houvesse permanecido no Egito por 400 anos.

Quanto ao tempo da escravidão, temos que Levi morreu no Anno Mundi 2331, 76 anos depois de Jacó, 117 anos antes do Êxodo, e, desta forma, o tempo de escravidão não poderia ser maior que 117 anos, pois Levi foi o último dos filhos de Jacó a morrer e não há notícia de escravidão enquanto Levi viveu.

Segundo a Seder Olam, também não teria sido inferior a 86 anos, idade de Miriã, irmã de Moisés por ocasião do Êxodo, conforme já vimos anteriormente 2362 A.M..

Embora a Bíblia não mencione esta data, podemos concluir que o tempo da escravidão foi de fato superior a 80 anos, pois no registro do nascimento de Moisés (que tinha oitenta anos quando se avistou com Faraó), ve-se claramente que a opressão dos egípcios sobre os hebreus era tamanha, que se havia chegado ao ponto de mandar matar todos os meninos nascidos, podendo-se concluir que a referência sobre o tempo de Miriã é bastante razoável. Sabemos com exadidão a data do Êxodo, o Anno Mundi 2448. Quando, então, teriam Moisés e Arão se encontrado com Faraó?

Conforme o Talmude, Ex 5:11-12 nos dá uma indicação que nos permite concluir esta data .

No contexto, Moisés e Arão haviam se encontrado com com Faraó pedindo para deixar o povo ir. Faraó não só não deixou o povo partir como agravou sobremaneira o seu trabalho mandando cortar o fornecimento de palha para a confecção dos tijolos, e desta forma, os hebreus tinham que providenciar eles mesmos a palha sem deixar cair a produtividade de seu trabalho.

Vejamos o texto: “Ide vós mesmos, e tomai vós palha onde a achardes; porque nada se diminuirá de vosso serviço. Então o povo se espalhou por toda a terra do Egito, a colher restolho em lugar de palha.”

O Restolho, mencionado no verso 12, ainda segundo o Talmude, é a parte inferior da cana do trigo ou de outras gramíneas, que fica enraizada depois da ceifa.

Aparentemente não havia palha disponível, restando apenas a possibilidade de ceifar o restolho para usá-lo nos tijolos. Seria, portanto, ao fim da época da colheita do trigo no Egito.

A tradição judaica aponta o mes de Lyar (Abril ou Maio) como mes da colheita, mas não esclarece se no Egito. Se assim fosse, Moisés teria se apresentado a Faraó 12 meses antes do Êxodo, pois Lyar é o mes seguinte a Nisã.

Uma vez que a celebração da primeira Páscoa se deu com certeza em 14 de Nisã do Anno Mundi 2448, Moisés e Arão se apresentaram a Faraó no ano anterior, até mesmo porque Nisã é o primeiro mes do ano no calendário judaico. Independente do mes em que isto aconteceu, é certo que foi no Anno Mundi 2447.

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