O Dilúvio

2240 AC – (Anno Mundi 1656) – o dilúvio
Deus decide mandar as águas do dilúvio sobre a terra e eliminar dela tanto homens quanto animais. Mas Noé foi considerado um homem justo e foi escolhido para recomeçar a povoar a terra a partir de sua família. Desta forma, Deus ordena a Noé que construa uma arca e que nela coloque além de sua família um casal de cada espécie de animal vivente dando-lhe as medidas e as instruções necessárias para a construção.

A arca tinha, conforme o relato bíblico contido no capítulo 6 de Gênesis, 300 côvados de comprimento, 50 côvados de largura por 30 côvados de altura. Um côvado, medida antiga fora de uso hoje em dia, teria cerca de 45,62 Cm, e assim, as dimensões da arca seriam equivalentes a 137,16 Mt de comprimento, 22,86 Mt de largura por 13,71 Mt de altura, o que equivale a uma área de mais de 43.000 m3.

Numa outra forma de equivalência, seria comparável, em termos de capacidade a um trem moderno de 1229 vagões de 35 m3 cada um, tamanho de um vagão de carga padrão.

Não se sabe ao certo quantos anos Noé demorou para construir a arca. O livro apócrifo de Jasher, no capítulo 5, versículo 34 afirma que Noé demorou cinco anos para construí-la. Parece um tempo razoável, em que paralelamente se deveria organizar o plantio e reserva de alimentos a serem consumidos por um ano pela família de Noé e pelos animais.

Gênesis 6:1-3 diz o seguinte: “E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, e viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos”.

Algumas interpretações acerca desta passagem reputam que “filhos de Deus” quer referir-se a anjos, que desobedecendo a ordem natural das coisas desceram à terra e possuiram as mulheres de maneira a gerar uma raça híbrida de gigantes, propalada por alguns, como sendo os Nephelins. Seria esta a gota d’água que faz com que Deus envie o dilúvio.

Trata-se, no entanto, de mera especulação, pois como já disse um sábio pastor, muita teologia é feita nos dias chuvosos, porque o mau tempo impede o teólogo de sair de casa e ele se ocupa de fazer teologia.

No entanto, conforme o ponto de vista do historiador bíblico John Fok, há que se entender que o capítulo 6 de Gênesis está contextualizado com os capítulos 4 e 5, de maneira que no capítulo 4 vemos o retrato da descendência de Caim, enquanto no capítulo 5, a de Sete, terceiro filho homem de Adão.

Enquanto Moisés chama de “filhas dos homens” as mulheres descendentes de Caim, a descendência de Sete representa uma estirpe que permanece fiel ao Criador, desta forma, nomeada “ filhos de Deus”. Assim, o que retrata Gn 6:3 nada mais é que a conclusão de que as duas estirpes, por iniciativa dos descendentes de Sete, se juntaram, o que não foi tolerado por Deus. A palavra “gigante” que define o fruto de cruzamento destas raças vem originalmente da tradução King James, mas é mais acertadamente traduzida como “decaídos” ou “tiranos”. (John Fok, Old Tetstament Survey, Cap. 2, Pág 51).

Resultam deste versículo duas interpretações possíveis: a primeira que Noé demorou cento e vinte anos para construir a arca, tempo este em que os homens foram avisados de seu destino e não mudaram de atitude; e a segunda, que Deus, além de se decidir a eliminar o homem da face da terra, decidiu também encurtar o seu tempo de vida limitando-o a cento e vinte anos.

A diminuição da vida dos homens vem de fato a acontecer. É interessante notar, que depois do dilúvio, o tempo de vida dos homens passa a ser muito menor do que o de seus ancestrais pré-dilúvicos, mas que esta transformação vai acontecendo gradualmente, como se Deus houvesse de alguma forma forma reprogramado o genoma humano, fazendo com que nosso organismo se estinguisse cada vez mais cedo a ponto de estabelecer a idade de 120 anos como tempo limite de vida para os homens.

O fato de os primeiros homens viverem tanto tempo, perto de mil anos, conforme o relato bíblico, pode parecer uma coisa mitológica ou simbólica aos olhos do homem moderno, mas não é. Vários historiadores antigos o confirmam, não poucos, conforme relata Flávio Josefo: “que muitos que escreveram a história da Grécia como de outras nações, dão este testemunho. Maneton, que escreveu a história dos egípcios, Berose, que nos deixou a dos caldeus, Moco, Hestieu e Jerônimo, o egípcio, que escreveram a dos fenícios dizem também a mesma coisa. Hesíodo, Hecateu, Ascaulila, Helanico, Eforo e Nicolau, referem que estes primeiros homens viviam até mil anos”. (História dos Hebreus – Volume I – Cap 15).

Ainda neste contexto, Josefo nos diz que a longevidade dos primeiros homens foi importante para que estes conhecessem as ciências e a astronomia, o que não seria possível se a vida fosse breve.

Sabe-se com precisão que o ano do dilúvio foi 1656 A.M. Em Gn 9:28 lê-se que “viveu Noé, depois do dilúvio, trezentos e cinqüenta anos”. Sabe-se também com igual precisão que a da morte de Noé ocorreu no Anno Mundi 2006 aos 950 anos de idade, conforme Gn 9:29 que diz que “foram todos os dias de Noé novecentos e cinqüenta anos, e morreu”.

Somando-se ao nascimento de Noé os 950 anos de sua vida e subtraindo-se os 350 anos que Noé viveu depois do dilúvio temos o Anno Mundi de 1656.

Lemos em Gn 7:11-12 que “no ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram, e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites”, a ponto de cobrir toda a terra, pois a água chegou a estar acima do nível das montanhas.

Desta forma, todo ser vivente que havia sobre a terra veio a perecer, tanto homens, quanto animais e aves. “Tudo que havia em terra seca, morreu”, de maneira que as águas custaram 150 dias para baixar seu nível e secar a terra. Só depois disto saiu Noé da arca que atracara no topo do Monte Ararate que se localiza na Turquia moderna.

Entre entrar e sair da arca depois do dilúvio passou-se um ano completo e dez dias, entre dia 17 do segundo mês do ano 600 da vida de Noé (Gn 7:11) e 27 do segundo mês do ano 601 de sua vida (Gn 8:14-18)

2239 AC – (Anno Mundi 1657) – secam-se as águas do dilúvio
Conforme Gn 8:13 “aconteceu que no ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, as águas se secaram de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta”. Trata-se do ano 601 da vida de Noé, cujo valor somado ao seu ano de nascimento nos situa no Anno Mundi 1657.

A história de muitas nações registra à sua maneira este acontecimento. Um deles, a Epopéia de Gilgamesh, a mais antiga referência secular conhecida sobre o assunto, que diz o seguinte: “Cheios de inveja do homem, os deuses resolveram destruir completamente a raça dos mortais, afogando-os. Um deles, no entanto, revelou o segredo a um habitante da terra, seu favorito, ensinando-lhe a construir uma arca para a salvação da sua pessoa e da sua espécie. A inundação imperou durante sete dias, até que toda a terra ficou coberta pela água. Finalmente o turbilhão sossegou e as águas baixaram.

O homem favorito e seus irmãos saíram da arca e ofereceram um sacrifício em ação de graças. Esfomeados, devido à longa privação de alimentos, os deuses “aspiraram o doce cheiro e juntaram-se como moscas sobre o sacrifício”, decidindo nunca mais cometerem a loucura de tentar a destruição do homem. (ORIGENS SUMÉRIAS DA CIVILIZAÇÃO – Historia – Edward McNall Burns – História da Civilização Ocidental Vol. 1)

Quanto aos tempos modernos, Robert Duane Ballard, famoso oceanógrafo pela descoberta dos destroços do Titanic em 1985, do Couraçado Bismarck em 1989 e dos destroços do USS Yorktown em 1998, iniciou no ano 2000 uma pesquisa financiada pela National Geographic que descobriu no fundo do Mar Negro, próximo à Turquia, um assentamento humano, conforme seus cálculos, de cerca de 7.500 anos.

De acordo com suas palavras, “se for confirmada a relação entre o assentamento humano – e, talvez, a cidade submersa – com o dilúvio universal bíblico, será a maior descoberta de todos os tempos”. A pesquisa está ainda em curso (2010).

Embora distante cerca de cinco mil anos da data bíblica do dilúvio, não deixa ainda assim de ser admirável a colocação do dilúvio numa data tão próxima à data bíblica, uma vez que outros pesquisadores, ainda num passado recente, costumam localizar acontecimentos milhões de anos antes. É sem dúvida um progresso.
A arca de Noé é um tema que tem fascinado arqueólogos e pesquisadores desde os séculos antigos. Muitas teorias a favor e contra o dilúvio foram levantadas desde então.

Independente da crença num dilúvio universal, como relata a Bíblia, ou num dilúvio local, restrito à Mesopotâmia, como querem outros, o fato é que a ciência concorda que ele aconteceu e numa data próxima ao relato bíblico.

Poderíamos continuar a falar sobre este tema por muitas e muitas páginas, mas não é nosso propósito. Há teorias sobre uma inclinação mínima do eixo da terra que causaria tal inundação, ou pela vontade divina ou por um cometa que passasse próximo ao planeta, ou ainda o degelo das calotas polares que poderia fazer subir o nível das águas dos mares a 150 metros de altura e outras tantas. Vale a pena você mesmo empreender a sua pesquisa sobre o assunto.

9 comentários

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9 responses to “O Dilúvio

  1. Pingback: Índice | Cronologia da Bíblia

  2. No livro décimo segundo planeta, consta que o dilúvio ocorreu a cerca de l2.000 anos, que foi causado pela passagem do planeta Nibiru por aqui, e que a cada 3.600 anos êle completa uma órbita, assim, deve faltar cerca de 2.000 anos para passar de novo. Então como estão propalando que passará em 21 de dezembro 2012? O autor do livro é Zercharia Sitchin, um dos maiores eruditos da atualidade. Acredito nêle, essa estória da profecia maia é fantasia?

  3. Oi Wilson, como está?
    Sabe que eu segui esta estória do Nabiru, até por curiosidade, mas ele não existe, é pura especulação, portanto, não vai passar em 2012, nem nunca.

    Nesta questão de fim de mundo, existe de um lado este monte de estórias que a gente ouve por aí, sobretudo na internet, e uma versão da Bíblia, que afirma que Jesus vai retornar, e que a sua volta será precedida de acontecimentos devastadores. Acredito nisto.

    Se tiver oportunidade leia o capítulo 24 do Evangelho de Mateus.

    Um abraço, fica com Deus.

  4. Olá, gostaria de saber se as afirmações feitas no livro de Enoque são verdadeiras, pois a que vocês expõe aqui diz que em Gênesis 6-3 os filhos de Deus são da descendência de Sete, já no livro de Enoque diz que são anjos caídos. Temos o texto bíblico de Judas quando fala (E os anjos que não mantiveram as suas posições de autoridade mas abandonaram a sua própria casa. Ele tem esses mantidos no escuro, vinculados com eterna cadeias de julgamento sobre o grande dia.(Judas 1:6))

    Grata!!

    • Eu creio que a resposta está neste vídeo. Sempre procurei comentários sobre Gênesis 6, e neste vídeo achei uma resposta satisfatória PRA MIM, respeito opiniões contrárias. Assista o vídeo:

  5. Oi Kézia, como está?

    Os livros de Enoque são presumidos datarem dos séculos 3 e 4 AC. Supostamente contam uma versão expandida das estórias de Enoque, bisnavô de Noé. Evidentemente, pelas épocas que o livro relata, as estórias foram escritas muito tempo depois do arrebatamento de Enoque, não sendo possível cogitar sua autoria.

    Em Gênesis 5 é dito que Enoque andou com Deus e que aos 365 anos de idade Deus o tomou. Os livros de Enoque contam a estória de sua ascensão ao céu, e suas jornadas na compania de anjos. Contam também a estória dos filhos de Deus (Gn 6:1-4), anjos chamados “vigilantes”, que se rebelaram contra Deus, desceram à Terra, e copularam com mulheres, e lhes revelaram conhecimentos proibidos. Estes anjos foram punidos por suas açoes e colocados em prisão.

    Anteriormente à descoberta de Fragmentos de Enoque junto aos Rolos do Mar Morto, em 1948, era conhecida apenas a sua tradução etíope, que é dividida em cinco livros, cada qual composto em diferentes épocas: O Livro dos Vigias, As Similitudes de Enoque, o Livro Astronômico de Enoque , o Livro dos Sonhos de Enoque, e as Epístolas ou Parábolas de Enoque. Várias traduções trazem outros nomes para estes livros. Cópias de outras composições associadas a Enoque, como o Livro dos Gigantes, foram também encontradas em Qumran.

    Então temos que é um de fato um escrito antigo, e pós-babilônico.

    Há diversas traduções deste livro para o português, que além de mal feitas, citam, para dar credibilidade ao livro, quase que textualmente, a passagem de Judas 14-15 sobre Enoque em seu capítulo 2. Eis a citação que apanhei numa destas traduções: “Eis que Ele vem com dezenas de milhares dos Seus santos para executar julgamento sobre os pecadores e destruir o iníquo, e reprovar toda coisa carnal e toda coisa pecaminosa e mundana que foi feita, e cometida contra Ele.”

    Esta passagem não se encontra no Livro de Enoque, que de Enoque só tem o nome.

    Uma das características dos apócrifos é que eles contrariam os ensinamentos bíblicos, e o Livro de Enoque é o campeão deles. Seu capítulo 65, por exemplo, que fala sobre Noé e o dilúvio, é totalmente anti-bíblico, pior que o filme do Russel Crowe que está todo mundo malhando.

    Veja que a questão que você coloca, sobre a possibilidade de anjos gerarem filhos com mulheres é contrária ao ensinamento de Jesus, portanto, anti-bíblica: “Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.” (Mateus 22 : 30)

    Mas se Judas cita Enoque, é porque Enoque disse o que Judas cita, e desta forma, é mais provável que a fonte de Judas seja outra, que não este Livro de Enoque que temos hoje, ou mesmo que seja parte da tradição rabínica oral dos judeus do século I.

    Judas cita também a disputa de Miguel com o diabo pela posse do corpo de Moisés, o que, segundo a tradição cristã, se encontrava descrito em um livro que não chegou a nós chamado “O Testamento de Moisés”. Talvez este livro fosse sua fonte. Judas deveria ter tido uma educação religiosa bastante ortodoxa, pois conhecia muito destes assuntos complicados.

    Ficou confusa a explicação?

  6. Kléber Reis

    Muito bom seu comentário, muito rico só uma correção, que por falta de tempo e espaço, não vou conseguir refutar a ideia da contaminação genética do ser humano pelos caídos, sim eles contaminaram a terra. Hj temos muitos argumentos pra isso, e essa visão agostiniana não suporta um argumento que temos hj.
    Meu email está aí
    Abraços

  7. irineu31

    Em primeiro lugar desejo a verdadeira paz que vem do Senhor a todos que participam desse trabalho maravilhoso de estudar sistematicamente e procurar entender sempre a Palavra de Deus.

    Eu também procurei entender esse assunto dos Filho de Deus, com relação as Filhas dos Homens.

    Também estou de acordo que a possibilidade de anjos gerarem filhos com mulheres é antibíblico, até porque o próprio Senhor Jesus afirmou essa impossibilidade.

    Todavia, sabemos que a Bíblia nunca foi e jamais será um livro de leitura, e sim um livro para ser estudado, meditado e esquadrinhado, pois essa é a única forma de se conhecer a Deus, e é pela Sua Palavra que ele se revela a nós, e é pelo interesse em conhecê-Lo que Ele se revela e se achega a nós, miseráveis pecadores que somos.

    Portanto, entendemos que a Bíblia é a única fonte de conhecimento do Deus Único,do Senhor Jesus, e temos a obrigação de estudá-la em toda a sua plenitude.

    Até porque, com raríssimas exceções, o que encontramos por aí a nível de estudos bíblicos, são heresias puras que somente podem nascer da estupidez dos homens.

    O homem quando não encontra respostas às sua dúvidas, ao invés de pedir entendimento a Deus e ou buscar trocar informações com pessoas irmãs em Cristo que desenvolvem trabalhos sérios com relação ao estudo da palavra de Deus, que é o caso dos Senhores desse site, engendram fábulas em suas cabeças, colocam essas fábulas num papel, as vezes as transformam em livros e até pregam nos púlpitos dessas maiorias de igrejas que se dizem cristãs por aí, as quais tem como doutrina a dissimulação da verdadeira palavra de Deus, com introdução das suas heresias que eles acreditam ser verdades.

    Entretanto, tenho buscado entender essa relação entre os filhos de Deus e as filhas dos homens, mencionado no livro de Gênesis no seu capítulo 6, pois me chamou a atenção também que no Livro de Jó 1:6, menciona: NUM DIA EM QUE OS FILHOS DE DEUS VIERAM APRESENTAR-SE PERANTE O SENHOR, VEIO TAMBÉM SATANÁS ENTRE ELES…

    Teria alguma relação entre esses dois assunto ?

    Pois os “Filhos de Deus” citados em Gênesis, se relacionaram com as filhas dos homens, enquanto os “Filhos de Deus” citado em Jó 1:6 apresentaram-se na presença do SENHOR, juntamente com Satanás ????

    Os senhores já fizeram essa análise e ou compararam essas duas versões Bíblicas dos Filho de Deus mencionados ?

    Qualquer esclarecimento que possa me ajudar a entender, agradeço.

    Abraço em Cristo

  8. Manuel rodrigues

    A paz a todos a .penso assim que os filhos de Deus são os filho de Adão e Eva e netos , e bisnetos que viverão no éden antes da queda do homem