O nascimento de Abraão

Abraão é uma figura extraordinária e é o ponto inicial do plano de Deus para trazer ao mundo Jesus Cristo. Jesus, como se sabe, era judeu, e como tal, era descendente de Abraão, o patriarca da nação de Israel. Jesus bem poderia ter nascido na Caldéia ou em qualquer outra nação já estabelecida no mundo antigo, mas aprouve a Deus criar um povo, para que deste povo nascesse o redentor da humanidade.

É preciso considerar que após o dilúvio, a humanidade retomou o mesmo destino que a havia levado à destruição. Os homens prosseguiram pelo mesmo mau caminho de antes praticando toda a sorte de atos ofensivos a Deus e ao seu semelhante. O plano de Deus é separar um homem justo e a partir deste homem criar uma nação da qual nascerá Jesus.

Quando falamos que a humanidade em geral era má naquele tempo, pode parecer que estamos nos referindo a criaturas muito diferentes do homem de hoje, de nós mesmos, mas não, trata-se da mesma matéria prima. É este o destino do homem natural, daí o plano de Deus de trazer Jesus ao mundo para mudar o coração do homem, não simplesmente para que ele se torne bom, mas para viver conforme a vontade do Criador.

Abraão, bem como seus descendentes, os judeus, são semitas, descendentes de Sem, filho de Noé. Para nos dar a data exata do nascimento de Abraão, a Bíblia nos relata um a um seus ancestrais conforme vemos a seguir:

2238 AC – (Anno Mundi 1658) – nascimento de Arfaxade
Em Gn 11:10 lemos que “ Sem era da idade de cem anos e gerou a Arfaxade, dois anos depois do dilúvio”, portanto, nos situamos no Anno Mundi 1658, resultado de (1656 + 2). Arfaxade é o primeiro homem nascido depois do dilúvio.

2203 AC – (Anno Mundi 1693) – nascimento de Selá
Em Gn 11:12 temos que “viveu Arfaxade trinta e cinco anos, e gerou a Selá”, portanto no Anno Mundi 1693, resultado de (1658 + 35).

2173 AC – (Anno Mundi 1723) – nascimento de Eber
“E viveu Selá trinta anos, e gerou a Éber”, conforme Gn 11:14, o que nos situa no Anno Mundi 1723, resultado de (1693 + 30).

2139 AC – (Anno Mundi 1757) – nascimento de Pelegue
“E viveu Éber trinta e quatro anos, e gerou a Pelegue”, conforme Gn 11:16, no Anno Mundi 1757, resultado de (1723 + 34).

2109 AC – (Anno Mundi 1787) – nascimento de Reú
“E viveu Pelegue trinta anos, e gerou a Reú.”, conforme Gn 11:18, no Anno Mundi 1787, resultado de (1757 + 30).

2077 AC – (Anno Mundi 1819) – nascimento de Serugue
“E viveu Reú trinta e dois anos, e gerou a Serugue”, conforme Gn 11:20, no Anno Mundi 1819, resultado de (1787 + 32).

2047 AC – (Anno Mundi 1849) – nascimento de Naor, avô de Abrão
“E viveu Serugue trinta anos, e gerou a Naor”, avô de Abraão, conforme Gn 11:22, no Anno Mundi 1849, resultado de (1819 + 30).

2018 AC – (Anno Mundi 1878) – nascimento de Tera, pai de Abrão
“E viveu Naor vinte e nove anos, e gerou a Tera”, pai de Abraão, conforme Gn 11:24, no Anno Mundi 1878, resultado de (1849 + 29).

1980 AC – (Anno Mundi 1916) – nascimento de Naor e Harã
Gênesis não faz qualquer menção cronológica aos irmãos de Abraão, mas o Livro de Jasher relata de forma precisa não só as datas de nascimento, mas também as mortes de ambos em duas passagens distintas.
Vejamos Jasher 24:27: “E Naor, filho de Tera, irmão de Abrão, morreu naqueles dias, no quadragésimo ano da vida de Isaque, e todos os dias de Naor foram cento e setenta e dois anos, e morreu, e foi enterrado em Harã”.

Quanto a Harã, Jasher 12:16 no diz o seguinte: “E Tera ficou grandemente aterrorizado na presença do rei e disse ao rei: foi Harã, meu filho mais velho, que me aconselhou a isto; e Harã tinha, nos dias do nascimento de Abrão, trinta e dois anos”. Subtraindo-se 32 anos do ano de nascimento de Abraão, temos o Anno Mundi 1.916.

Isaque, como veremos adiante, nasceu em 2.048 A.M. Teria 40 anos em 2.088 A.M. (2048 + 40). Subtraindo-se 172, idade de Naor quando faleceu, de 2.088, data em que Isaque teria 40 anos, temos que Naor nasceu em 1.916 A.M.

Conclui-se, desta forma, que ambos nasceram no mesmo ano, sendo gêmeos.
Para conclusão do cálculo das datas de Naor, Harã e Ló deve-se consultar o cálculo da data de nascimento de Isaque mais adiante.

1949 AC – (Anno Mundi 1947) – nascimento de Ló
Quanto a Ló, Jasher 24:22 diz o seguinte: “E Ló, filho de Harã, também morreu naqueles dias, no trigésimo nono ano da vida de Isaque, e todos os dias que Ló viveu foram cento e quarenta anos e morreu”.
Temos, portanto, que Ló nasceu um ano antes de Abraão, no Anno Mundi 1.947, resultado de (2048 + 39) – 140.

Para fins ilustrativos, colocamos na cronologia as datas referentes a Naor, Harã e Ló, deixando claro que as mesmas não impactam nem estão em desacordo com as datas estabelecidas em Gênesis.

1948 AC – (Anno Mundi 1948) – nascimento de Abrão
Conforme Gn 11:26: “E viveu Tera setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor, e a Harã”, , no Anno Mundi 1948, resultado de (1978 + 70). Abrão é a 10ª geração depois de Noé, nascido 292 anos depois do dilúvio e 48 antes dos acontecimentos da Torre de Babel.

Curiosamente tanto a data gregoriana de seu nascimento, quanto o Anno Mundi coincidem em 1948. É o único caso que conseguimos observar em toda cronologia.

Isto implica que temos de Adão até Abraão 1948 anos; De Abrão até o Ano Domini, ano 1 da nossa era, outros 1948 anos; Do ano 1 até o reestabelecimento do Estado de Israel moderno, outros 1948.

Embora Gênesis relate na mesma data o nascimento dos tres irmãos, sabemos que o redator se refere à Abrão, pois é ele, neste ponto da narrativa, o ator principal de Gênesis. Aliás, todo o relato das gerações posteriores ao dilúvio objetiva unicamente datar o nascimento de Abraão.

1938 AC – (Anno Mundi 1958) – nascimento de Sarai
Sarai era 10 anos mais jovem que Abrão, conforme lemos em Gn 17:17: “Então caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E dará à luz Sara da idade de noventa anos?”, portanto, nascida no Anno Mundi 1958.

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15 responses to “O nascimento de Abraão

  1. TAVAS

    Ao ler este post, especialmente o paragrafo abaixo:

    “Quando falamos que a humanidade em geral era má naquele tempo, pode parecer que estamos nos referindo a criaturas muito diferentes do homem de hoje, de nós mesmos, mas não, trata-se da mesma matéria prima. É este o destino do homem natural, daí o plano de Deus de trazer Jesus ao mundo para mudar o coração do homem.”

    Entendo que Deus não atingiu seu objetivo de mudar os corações dos homens com a vinda de Jesus, já que a humanidade permanece má ou da mesma matéria, como vc afirma.

    Vc está de acordo com esta minha conclusão?

    • Caro (a) leitor (a)

      Por causa da tua pergunta eu acrescentei algumas palavras à frase que motivou nossa conversa: “…daí o plano de Deus de trazer Jesus ao mundo para mudar o coração do homem, não simplesmente para que ele se torne bom, mas para viver conforme a vontade do Criador”.

      Veja que se abrirmos qualquer jornal de hoje veremos ali o retrato de um mundo caótico: crise financeira, crimes hediondos, corrupção, tráfico de drogas, prostituição, abuso de crianças, violência doméstica, desnível social sem precedentes, estatísticas brutais que retratam a morte de uma criança a cada segundo em decorrência da fome, etc.

      Em paralelo a isto, tal qual as favelas que se vêem ao lado das lindas mansões, lemos notícias tão horripilante quanto estas: a lista das pessoas mais bem vestidas do Brasil, dos mais bem pagos, dos mais sexy, o casamento do artista em Bali, as novidades do Big Brother, a propaganda do Spa dos milionários, desfiles de moda, etc, um retrato muito claro da vaidade humana.

      Como se vê, se alguém entende que Jesus consertou o mundo, por certo está errado, pois embora a matéria prima seja a mesma, o mundo piorou muito desde então.

      Então qual seria a nossa conclusão, que falhou o plano de Deus, ou que Jesus fracassou em sua missão? Certamente que não.

      O homem precisa entender que é pecador, o que significa dizer que é mau por natureza, e pior que isto, não tem condição alguma de mudar por si mesmo aquilo que vai dentro de seu coração, razão pela qual todos nós precisamos do evangelho.

      Jesus deixou a seus discípulos a ordem de levar sua mensagem a toda criatura, mas o evangelho precisa ser aceito individualmente, conforme se lê em João 3:18: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.

      Desta forma, não se é salvo por pertencer a esta ou aquela religião, mas por uma decisão pessoal. Não se trata então meramente de acreditar em Deus, como muitos dizem. Tiago, irmão de Jesus, respondeu taxativamente esta questão quando disse: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.” (Tiago 2:19)

      Observando a questão quantitativa sobre quem vive o evangelho de fato, ou seja, quem teve a sua vida mudada em conformidade com o plano de Deus, podemos concluir que é uma minoria, o que significa dizer que a maioria de nós está condenada a passar a eternidade no inferno.

      O próprio Jesus abordou esta questão quantitativa quando disse: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mateus 7:13-14)

      Simples ou complicado?

  2. Allan

    Olá,

    Encontrei o site há alguns dias e o estou achando muito interessante. Gostaria de agradecer a disposição de vocês em compartilhar estas informações com todos. A cronologia bíblica é fascinante. Se vocês me permitirem, gostaria de colaborar com mais alguns dados referentes ao nascimento de Abraão, que, à luz de alguns versículos, pode ter se dado cerca de 60 anos mais tarde do que a descrição feita neste artigo.

    À luz de Gn 11:26 temos:
    “E viveu Tera setenta anos e gerou a Abrão, a Naor e a Harã.”

    Em Gn 11:32:
    “E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos; e morreu Tera em Harã.”

    Em um primeiro momento temos a impressão de que os filhos de Tera nasceram todos no mesmo ano, quando este estava com a idade de setenta anos.

    Em At 7:4:
    “Então, saiu da terra dos caldeus e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora.”

    Aqui podemos ver que Abrão foi para Canaã apenas após o falecimento de seu pai Tera, quando este estava com 205 anos de idade.

    Em Gn 12:4-5:
    “Assim, partiu Abrão, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã. E tomou Abrão a Sarai, sua mulher e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.”

    O texto indica ter sido uma viagem direta, sem peregrinações ou paradas prolongadas em outra regiões. Eles partiram e foram direto rumo a Canaã. No ano em que Abrão saiu de Harã ele entrou em Canaã. Seu pai, Terá, havia falecido aos 205 anos e Abrão entrou em Canaã com a idade de 75 anos. Para calcularmos a idade de Tera quando Abrão nasceu basta subtrair a idade de Tera pela idade de Abrão à época de sua morte e da entrada em Canaã (205 – 75 = 130). Temos o ano exato da idade de Tera quando do nascimento de Abrão, ou seja, 130 anos. Pode-se perceber que Abrão não era o primogênito, mas um filho mais novo, talvez até mesmo o caçula da família.

    Espero ter colaborado com essas informações. Gostaria que publicassem um comentário, se acharem adequado.

    A paz do Senhor

    Allan

    • PB Aparecido

      Obg foi muito bom agradeço pelas respostas me ajudou muito

      • Jenice Pereira dos S. Lucena

        Agradeço pelo esclarecimento, referente ao meu pai na fé Abraão.

  3. Olá, Allan, grato pelo comentário.

    Sobre Gênesis Gn 11:26, como não se trata de trigêmeos, refere-se a Abraão pela principal razão que nesta altura do relato bíblico a história se afunila de dezenas de personagens para um só, aquele que vai dar origem ao povo escolhido.

    Um dos princípios de interpretação que podemos aprender com os judeus antigos, se refere ao fato de que quando a Escritura menciona uma data, ela está de fato datando com precisão um evento, e desta forma, no nosso texto, só poderia se referir a Abraão, ou de resto, por qual razão faria menção aos outros filhos de Tera?

    Mesmo havendo uma grande diferença na contagem do tempo dos judeus com relação aos demais calendários, o Anno Mundi 1948 é uma data de consenso para o nascimento de Abraão também entre eles, onde o Talmude e a Seder Olam Rabbah concluem a mesma data.

    É preciso ver que embora seja consenso, a data nos trás problemas, digo, a nós cristãos, de maneira que só com grande maturidade podemos entendê-la, e neste sentido, você chegou ao ponto nevrálgico quando corretamente menciona a referência de Estevão reportada em Atos 7:4.

    Veja que se Abraão nasceu de fato no ano 70 da vida de seu pai, Estevão chegou a uma conclusão errada ao dizer que ele saiu de Harã depois da morte de seu pai, uma vez que por decorrência, Tera viveu ainda 60 anos depois da partida de seu filho, até muito tempo depois do nascimento de Isaque.

    É fato que sem fazer contas, o final de Gênesis 11 e o início de Gênesis 12 nos induzem a isto, uma vez que não só Estevão chegou a esta conclusão como também todos os que leram a referida passagem.

    Estevão menciona o fato tal como ele é ensinado pela tradição religiosa, assim como nós também aprendemos na Escola Dominical, ou como informação do pastor na hora da pregação, embora, no que se refere a Gênesis 12:1, o texto diz claramente que Tera estava vivo na ocasião.. “sai da casa de teu pai”.

    O caso de Estevão tem vários paralelos na cultura cristã. Veja que da mesma forma, a maioria dos cristãos, quando falam sobre a escravidão no Egito, por exemplo, dizem sem pestanejar que esta durou 400 anos, enquanto foram de fato no máximo 110 anos.

    Ao afirmar 400 anos as pessoas simplificam uma resposta que também poderia ser 430, uma vez que os dois números aparecem em Gênesis e Êxodo. Mesmo assim, de forma simplificada falam em 400, enquanto 400 foram todos os anos entre o nascimento de Isaque e o Êxodo. Mas aprendemos que foram 400 e falamos o número automaticamente.

    Veja outro caso parecido em Atos 13:21: “E depois pediram um rei, e Deus lhes deu por quarenta anos, a Saul filho de Quis, homem da tribo de Benjamim.”

    Aqui é Paulo em Antioquia dizendo outra coisa da tradição, que Saul reinou 40 anos, quando não há qualquer possibilidade numérica para isto, o que se pode constatar pelo fato que entre a morte de Eli, quando este soube que a Arca havia sido tomada pelos filisteus e a entrada da Arca em Jerusalém, depois de Davi haver reinado 7 anos em Hebrom, conforme I Sm 7:2, passaram-se apenas 20 anos, e desta forma, neste vinte anos temos que conformar o juizado de Samuel, o reinado de Saul, e os 7 anos de Davi em Hebrom, e assim, os 40 anos mencionados por Paulo são fruto da tradição. Veja o texto: I Sm 7:2: “E sucedeu que, desde aquele dia, a arca ficou em Quiriate-Jearim, e tantos dias se passaram que até chegaram vinte anos, e lamentava toda a casa de Israel pelo SENHOR.”

    Onde precisa maturidade? Para conseguir dissociar erro, ou principalmente falta de inspiração por parte dos atores mencionados, Estevão, Paulo, ou mesmo Lucas, que foi quem redigiu o texto e poderia ter consertado se tivesse conhecimento do erro.

    Quando o pastor, por exemplo, pregando sobre o Êxodo diz que o povo ficou escravizado no Egito por 400 anos: por acaso ele está mudando a verdade da Escritura? Será que ele vai para o inferno por causa disto, porque a rigor ele alterou o sentido dos textos onde o próprio Deus fala em 430 anos a Abraão, ou 400 se referindo a toda a jornada desde Isaque até o Êxodo. Mas o pastor passa ao rebanho uma informação que contraria a Bíblia quando diz que foram todos estes anos, o tempo da escravidão. Ele está atentando contra a Escritura? Falta inspiração no sermão? É claro que não.

    Há duas coisas importantes de serem observadas neste contexto:

    1 – Primeiro que ele nos mostra preto no branco que a Bíblia deve ser lida palavra por palavra, e não aos versículos como fazemos. É preciso atenção, não por causa de datas, mas por causa dos ensinos que só podem ser aprendidos se atentarmos a cada palavra ali escrita.

    2 – Inspiração não é psicografia, aquela coisa que fazia o Chico Xavier. Não é ditado do Espírito Santo, e desta forma, estes dados são uma importante fonte de informação quando queremos entender o significa estar inspirado pelo Espírito de Deus.

    Significa que se você, por exemplo, for inspirado a falar das maravilhas da ciência de Deus contidas no universo, e por acaso arriscar definir qualquer coisa um pouco mais técnica, como por exemplo, falar sobre teoria da relatividade, ou colocar algo que acha que foi Newton quem disse, e desta forma cometer um erro técnico, significaria isto falta de inspiração? Evidentemente que não, uma vez que quando o Espírito te inspira, ele não te dá a mente do Stephen Hawking, o gênio da física, mas ele toca o teu coração para comunicar uma verdade que fala ao espírito de quem ouve, e não o intelecto.

    Desta forma, pra concluir, tenho convicção que a data está correta, e não se trata de desafiar a autoridade de Estevão ou de Paulo ou de Lucas. Quem somos nós para nos compararmos com eles? Não somos nada e ainda por cima somos frutos da igreja morna do breve tempo que nos separa da volta do Senhor.

    Bem, diga lá o que acha. Fica na paz do Senhor.

  4. Allan

    Não creio que a questão seja desafiar a autoridade de Paulo, Estevão ou Lucas, mas considerar alguns aspectos que só a Palavra possui, por exemplo:

    Em Jo 17:17
    Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade.
    Em Ap 22:6
    E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras…
    Em I Tm 4:9
    Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação.
    Em II Tm 3:16
    Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar…

    A Bíblia é toda inspirada pelo Espírito Santo e foi escrita de uma forma a não conter erros, mesmo tendo sido redigida por muitos autores. Concordo que em uma pregação, a inspiração não seria anulada por um deslize técnico, como você mencionou. Em se tratando de pessoas, os erros são naturais e até esperados. A base da fé não são os pregadores e seus erros técnicos não vão anular a inspiração ou a vida dos demais crentes em Deus. Mas a referência sobre a qual eles se apóiam não poderia conter erros. Em se tratando da Bíblia, não há como ela não ser completamente verdadeira, sob pena de anular a si própria como padrão da verdade absoluta e de correção. Ela própria se revela como a referência e o padrão da verdade plena e base de toda a fé cristã. Em se tratando da Palavra, Deus providenciou para que ela não contivesse equívocos, porque, do contrário, jamais poderíamos usá-la como uma referência infalível. Os versículos acima citados não poderiam ser tomados como totalmente verdadeiros. Se houvesse falha no discurso de Estevão e isso fosse ratificado pela Bíblia, haveria um irrecuperável estrago na verdade de Deus e isso teria sido largamente explorado pelas forças que se opuseram à igreja ao longo dos séculos, tornando a palavra de Deus uma fonte não confiável de credibilidade.

    Gostaria ainda de acrescentar um exemplo com relação à narrativa que descreve o nascimento de Abrão e seus irmãos, em termos da data de nascimento de cada um. Há uma semelhança grande com o episódio do nascimento dos filhos de Noé, em Gn 5.32: E era Noé da idade de quinhentos anos e lhe nasceram Sem, Cão e Jafé. Em ambos os casos, também temos a impressão, em um primeiro momento, que nasceram todos no mesmo ano, mas ao longo da narrativa, ficamos sabendo que o mais provável é que Sem era o mais velho e Cão o mais jovem (Gn 9:24 e Gn 10:21). O mesmo se deu com Abrão e seus irmãos, conforme depreendemos ao analisar outros versículos (minha primeira postagem, acima). Temos que lembrar que Moisés escreveu ambas as passagens. É uma característica de seu estilo narrativo.

    Abrão foi chamado ainda em Ur: At 7:2-4:
    “E ele disse: Homens, irmãos, e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na mesopotâmia, antes de habitar em Harã,
    E disse-lhe: Sai da tua terra e dentre a tua parentela, e dirige-te à terra que eu te mostrar.
    Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora.”

    O ato de deixar a casa do pai e a parentela se deu gradativamente, assim como nossos atos no sentido de deixar o mundo e suas concupiscências ocorrem, muitas vezes, de forma gradativa e progressiva. Deus falou a Abrão para deixar a terra e a parentela ainda em Ur, antes de seguirem para Harã. Após a saída de Abrão de Harã, ele levou Ló consigo, ou seja, um parente (sobrinho). Sua separação completa da parentela ocorre apenas em Gn 13:11, após ele e Ló resolverem se apartar um do outro. O ato de deixar os familiares originários de Ur foi gradativo na vida de Abrão. Não podemos afirmar que foi uma separação abrupta.

    O ponto fundamental desse debate é justamente onde devemos atribuir o maior valor, se a uma conclusão (com base bíblica) ou a uma afirmação expressa da Bíblia, onde foi bem colocada a questão do ponto nevrálgico. Temos dois pontos de vista distintos aqui. Um texto diz expressamente, em At 7:4 “Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu”… O outro é uma conclusão, como você bem colocou: Estevão menciona o fato tal como ele é ensinado pela tradição religiosa, assim como nós também aprendemos na Escola Dominical, ou como informação do pastor na hora da pregação, embora, no que se refere a Gênesis 12:1, o texto diz claramente que Tera estava vivo na ocasião.. “sai da casa de teu pai”. Ou seja, não faz sentido Deus mandar Abrão deixar o pai se este já estivesse falecido.

    O ponto fundamental se encontra em qual das duas possibilidades devemos atribuir o maior valor: Se no texto descritivo conforme At 7:4 ou se na conclusão “…sai da casa de teu pai”. Se decidirmos pela conclusão, corremos o risco de “anular” uma afirmativa direta, escrita expressamente da própria Palavra de Deus, colocando um raciocínio dedutivo acima de uma descrição clara e objetiva da propria Bíblia. Se optarmos por considerar a afirmativa de At 7:4 como de maior valor, não anulamos a conclusão “sai da tua parentela e da casa de seu pai” porque foi um processo gradual essa saída, que levou anos até ser completamente concluído. Primeiro ele deixou a terra, depois o pai e por fim a parentela restante (Ló). Pelo menos, a meu ver, os textos parecem mais harmônicos dentro dessa forma de entendimento.

    De qualquer forma, isso não vai fazer a menor diferneça quanto a salvação de cada um. Apenas quero colocar esses aspectos dentro do nosso debate. O que Você achou?

    Allan

    Não creio que a questão seja desafiar a autoridade de Paulo, Estevão ou Lucas, mas considerar alguns aspectos que só a Palavra possui, por exemplo:

    Em Jo 17:17
    Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade.
    Em Ap 22:6
    E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras…
    Em I Tm 4:9
    Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação.
    Em II Tm 3:16
    Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar…

    A Bíblia é toda inspirada pelo Espírito Santo e foi escrita de uma forma a não haver erros, mesmo tendo sido redigida por muitos autores. Concordo que em uma pregação, a inspiração não seria anulada por um deslize técnico, como você mencionou. Em se tratando de pessoas, os erros são naturais e até esperados. A base da fé não são os pregadores e seus erros técnicos não vão atrapalhar a inspiração e a vida dos demais. Mas a referência sobre a qual eles se apóiam não poderia conter erros. Em se tratando da Bíblia, não há como ela não ser completamente verdadeira, sob pena de anular a si própria como padrão da verdade absoluta e de correção. Ela própria se revela como o padrão da verdade plena e base de toda a fé cristã. Em se tratando da Palavra, Deus providenciou para que ela não contivesse equívocos, porque, do contrário, jamais poderíamos usá-la como uma referência infalível. Os versículos acima citados não poderiam ser tomados como totalmente verdadeiros. Se houvesse falha no discurso de Estevão e isso fosse ratificado pela Bíblia, haveria um irrecuperável estrago na verdade de Deus e isso teria sido largamente explorado pelas forças que se opuseram à igreja ao longo dos séculos, tornando a palavra de Deus uma fonte não confiável de credibilidade.

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  8. Para efeito da Cronologia não importa a morte ou quantos anos ele tenha vivido e sim a idade que tinha quando nasceu o filho ou outro acontecimento
    Adão foi Criado no ano 1. Sete nasceu quando Adão tinha 130 anos no ano 131…Noé tinha 500 anos quando Sem nasceu no ano 1557 Sem tinha 100 quando Arfaxade nasceu 2 anos depois do diluvio no ano 1660.
    Porque os três anos ?

  9. Estou bem graças a Deus, um abraço e muito obrigado pela importunidade e por este lindo trabalho gostei do artigo confesso que foi o melhor que já vir.
    Quero alertar um pequeno detalhe, Este calendário não pode ter falha, não pode faltar um ano, nem passar, se acontecer isto temos de começar tudo de novo.
    um exemplo se Jesus ressuscitou um ano antes foi numa quinta feira se ressuscitou um ano depois foi numa quarta feira, só no ano certo é que o dia 18 caio no 1º dia da semana.
    no meu ver de Adão até Arfaxade faltaram 3 anos sem os quais o calendário não dar certo! sem contar o ano que sete nasceu 131 em vez de 130 uma criança não faz ano no ano que nasce e sim no ano seguinte.
    Trataremos dos 3 anos em outro comentário. mande clítica estou precisando.

  10. Emidio, quanto às datas deste período que você aponta, estão mesmo corretas.
    Manda as tuas anotações para a gente verificar por que a dierença.

    abc

  11. Michael Santtos

    Estou em dúvida e confuso quanto à precisão do nascimento de Abraão.