O calendário judaico do ano 30

De acordo com o calendário judaico não há qualquer hipótese de Jesus ter sido crucificado numa sexta-feira, nem no ano 30, nem em qualquer outro ano da década que circunda esta data.

Na forma de contar o tempo dos judeus o primeiro dia de cada mês sempre coincide com a lua nova, e o 15° dia com a lua cheia, o que não significa, no entanto, que a troca da lua aconteça em simultâneo com estes dias, apenas que estes dias acontecem nestas luas.

Há, à disposição de todos, na internet, vários sites judaicos que exibem este calendário, permitindo a busca de datas entre o ano 1 de nossa era até os dias de hoje. Cito dois, para sua própria consulta: http://www.jewishyear.com/ e http://elkind.net/calendar/

É baseado neles que montamos o calendário do mês de Nisan do ano 30, ano da crucificação de Jesus, correspondente ao nosso mês de Abril.

De acordo com a nossa tradição, Jesus foi crucificado numa sexta-feira, mesmo dia da última ceia com seus discípulos, referente à celebração da Páscoa judaica, o que acontece, de acordo com a Lei de Moisés, às primeiras horas do dia 15 de Nisan, que conforme vimos, se inicia no entardecer do dia 14, logo após o por do sol.

Na estrita observância de seus costumes, podemos ainda hoje ver que os judeus fazem distinção das horas nos diversos pontos do planeta. Embora o padrão Greenwich Mean Time (GMT) sincronize os horários de todo mundo, há de fato uma defasagem nos horários do por do sol de acordo com a localização da cidade.

Com relação à data em 2011, por exemplo, 14 de Nisan caiu num 18 de Abril. A Páscoa judaica foi celebrada no por do sol deste dia, já 15 de Nisan no calendário judaico, o que fez com que em Nova York a celebração acontecesse após às 19:37 horas, hora em que se põe o sol nesta cidade. Em Buenos Aires aconteceu a partir das 18:26 horas; em Jerusalém após às 19:09 horas, no Rio de Janeiro após às 17:37 horas, etc.

Se a última ceia de Jesus corresponde à celebração da Páscoa judaica, conforme entende a nossa tradição, a mesma teria acontecido obviamente no 15 de Nisan.

Lembrando que a quinta-feira se inicia no entardecer da quarta-feira pouco depois das 19 horas (no mês de abril) em Jerusalém, todos os eventos seguintes à ceia, ou seja, a prisão de Jesus no Horto das Oliveiras, sua tortura na casa de Caifás, o julgamento de Pilatos, a crucificação, todos estes eventos teriam ocorrido no mesmo dia, entre as cerca das 19 horas, primeira hora do 15 de Nisan, até aproximadamente o mesmo horário do dia seguinte, e desta forma, 15 de Nisan daquele ano deveria ter coincidido com uma sexta-feira.

No entanto, ao examinarmos o calendário da Páscoa do ano 30, encontramos o 15 de Nisan numa quinta-feira, e não sexta-feira, como seria esperado, e assim, poderíamos considerar que o evento não ocorreu no ano 30, ou que o calendário judaico está errado.

Examinando os anos da década que circunda o ano 30, anos entre 25 e 36, também não encontramos nenhum 15 de Nisan numa sexta-feira. Veja a tabela abaixo:

Se não há nenhuma sexta-feira coincidente com 15 de Nisan na década examinada, a outra maneira de entender a questão implicaria propor que o calendário judaico está errado, e assim apontar onde está a falha, se ela de fato existir. Mas não existe.

Alguns poderiam considerar a possibilidade de um suposto erro ser influenciado pelo advento dos chamados “anos faltantes” na contagem do tempo judaica. Mas estes anos faltantes são o resultado do encurtamento do tempo histórico da dominação grega que fez coincidir o ano 1 de nossa era com o ano 3760 dos judeus, o que tem de real apenas o fato de ser uma convenção, como também o é o nosso Anno Domini.

Há de fato um desacordo entre os dois calendários quando se trata da conversão da data judaica para a gregoriana, que não pode, no entanto, ser considerado erro, pois sendo o ano judaico 11 dias mais curto que o nosso, os dois calendários só se sincronizam a cada 19 anos, de maneira que esta falta em nada nos afeta, uma vez que todos os eventos relacionados à crucificação de Jesus são datados e compreensíveis apenas à luz do calendário judaico, e não do nosso.

Veja que os calendários judaicos que sugerimos acima apresentam 15 de Nisan do ano 30 como sendo o dia 4 de Abril, quinta-feira, quando os calendários lunares perpétuos mostram que foi 6 de Abril, entrada da Lua Cheia, conforme se pode constatar no endereço eletrônico abaixo:

http://www.cienciaseternas.com/Horoscopos/CalendarioPerpetuo.htm

Não é demais lembrar que no calendário judaico, o início do mês sempre coincide com a Lua Nova, e consequentemente, o dia 15 sempre com a Lua Cheia, e desta forma, qualquer que seja o ano, poderemos inferir que a noite da prisão do Senhor no Getsêmani era noite de Lua Cheia, noite clara.

4 Comentários

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4 responses to “O calendário judaico do ano 30

  1. Danilo Cavalheiro

    Gostei dos comentários do 3. ano . Êh raro encontrar comentários pertinentes.
    Danilo Cavalheiro

  2. Valdir

    Ei apesar de concordar com os seus argumentos, percebo que vc nao conseguiu descartar o ano 33 como sendo uma possivel data da morte de Jesus segundo a tradição, Veja se em 33 o dia 15 foi um sábado, então sexta-feira fois realmente o dia da preparaçao, e tambem dia da morte, vc deve resolver isso antes de descartar o ano 33, certo?

  3. Oi Valdir. No ano 33, conforme você observou, o dia 14 de Nisan, quando se prepara a Páscoa, caiu numa sexta. Se seguirmos a tradição (do ano 33), Jesus teria sido crucificado num Sábado, o que é descartado como data por todos os evangelhos. Fora isto, houvesse sido sepultado num Sábado e ressussitado Domingo, Jesus não teria cumprido o Sinal de Jonas.

  4. Christian Gondar Henríquez

    tA Páscoa Judaica nunca é celebrada o dia 15 de Abib (Nissan). Esta data errónea foi imposta por Hillel II através de un pseudo-calendário judaico fixo do seu próprio feitio e que substituiu ao verdadeiro calendário hebreu ancestral (que se perdeu) apenas como uma convenção devido às cruentas perseguições contra os judeus e sob a influência direta das práticas pagãs que o povo israelita absorveu durante os cativeiros a que foi submetido e além disso para não perder de vez a prática litúrgica do judaísmo. Toda vez, que alguém considera como marco de referência o calendário judaico atual, na verdade está pisando sobre areia movediça, já que o autêntico calendário judaico foi substituído por Hillel II no século IV e pasmem, até incorporou a semana instituída pelo emperador romano Constantino no Concílio de Nicéia (325), deslocando até o próprio dia de repouso judaico (chamado de Shabbat pelos judeus e que também se perdeu para sempre) e substituindo-o pelo Sábado (que na verdade era outro dia pagão destinado a honrar uma deidade dos povos gentios chamada Saturno e de onde provém etimologicamente o nome: “Sábado”, embora muitos ingenuamente pensem que a verdadeira raíz é a palavra hebraica: “Shabbat”. Quem dera!) A data exata da celebração do Péssach (Páscoa judaica), consta na própria Bíblia: “Partiram, pois, de Ramessés no primeiro mês, no dia quinze do primeiro mês; no dia seguinte da páscoa saíram os filhos de Israel por alta mão, aos olhos de todos os egípcios. Números 33:3″ A confusão decorre do fato de confundir a Páscoa Judaica que antigamente (antes da paganização do povo israelita) era celebrada aos 14 de Abib (Nissan) segundo consta no livro dos Números 33:3, com o primeiro dia do Chag Ha’Matzot (Festa dos Pães Asmos) que era também um dia de repouso. Aliás, pelo que eu tenho observado, existe a opinião de que a data da crucifixão de Jesús teria acontecido uma quinta feira 14 de Abib (Nissan) do ano 32 da Era Comum ou Cristã e esses dados são corroborados pela NASA. Dessa forma, Jesús teria estado enterrado 3 dias, segundo consta nas narrações dos evangelhos e de acordo ao verdadeiro calendário judaico, que repito… não é o atual.

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